terça-feira, 28 de maio de 2013


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Durante o 4º Workshop Potencial Biotecnológico da Caatinga, ocorrido na última terça-feira, dia 7, em Campina Grande (PB), foi consolidada a criação do Núcleo de Bioprospecção e Conservação da Caatinga (NBioCaat) que tem como missão promover uma maior integração entre instituições de ciência e tecnologia, indústrias e a sociedade em geral, objetivando identificar e avaliar recursos genéticos e bioquímicos do bioma Caatinga, visando não apenas estudos de estratégias para utilização da biodiversidade, mas também auxiliar na conservação das espécies do Semiárido brasileiro. O evento contou com a participação de mais de 100 pessoas, dentre profissionais, estudantes, pesquisadores, representantes de organizações sociais, de agências de fomento e de secretarias de meio ambiente dos estados integrantes do Semiárido brasileiro.

O Núcleo foi criado pelo Instituto Nacional do Semiárido (Insa/MCTI), em parceria com a UFPE e diversas instituições de pesquisa articuladas conforme suas especialidades. Seus trabalhos estarão voltados à busca de moléculas bioativas de plantas da Caatinga que têm despertado o interesse de pesquisadores em função de suas potenciais atividades biológicas, tais como: antimicrobiana, tóxica e citotóxica, antitumoral, mitogênica, anti-inflamatória, cicatrizante, analgésica e anti-veneno, o que resultará em uma nova concepção de conservação e uso sustentável para toda a Caatinga, em contraponto à forte supressão vegetal a qual tem sido submetido o bioma, com quase 50% de perda da sua área no Semiárido brasileiro.
De acordo com o Coordenador da Rede Nanobiotec Brasil/Capes, Alexandre José Macedo, “a criação do Núcleo representou um passo importante, pois a Caatinga é um bioma exclusivamente brasileiro que possui cerca de 4.500 espécies diferentes de plantas, cujo potencial biotecnológico é enorme. A grande importância da Caatinga é que por ser um bioma exclusivo, que não existe em nenhum outro país, tem plantas que só existem aqui e o fato de estas plantas só existirem aqui podem conter alguma molécula que nenhum outro país tem acesso a ela, e podermos produzir, por exemplo, um fármaco, um cosmético tipicamente brasileiro”.
O objetivo do Núcleo é propiciar um fórum permanente de discussão e de interlocução com representantes de instituições de ensino/pesquisa/extensão de diversos Estados do Brasil, assim como de organizações e sociedade em geral para promover a sustentabilidade do bioma Caatinga através da caracterização e avaliação do seu potencial biotecnológico.
Um conjunto de projetos já em andamento em diferentes regiões do Brasil que tratam de biotecnologias da Caatinga integra o Núcleo. A partir de agora, estas pesquisas serão desenvolvidas em rede, tendo como foco a coleta/catalogação da biodiversidade, atividade biológica, aplicações biotecnológicas, elucidação estrutural, coordenação de integração de dados, conservação, geração de empregos, patentes, distribuição de benefícios e desenvolvimento regional.

No processo de criação do Núcleo foram identificadas e articuladas competências iniciais em diversas instituições: Insa, Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene/MCTI), Secretarias de Meio Ambiente dos Estados do Semiárido, Embrapa, Associação Plantas do Nordeste (APNE), Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga em Pernambuco (CERBCAA-PE), Instituto Nacional de Ciência Tecnologia para Inovação Farmacêutica (INCT_if), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade do Vale do São Francisco (UNIVASF), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Federal do Ceará (UFC), dentre outras.
“Organizou-se este Núcleo que congrega diferentes grupos e pesquisadores de diferentes regiões do Brasil que já trabalham com algum tema relacionado às potencialidades da Caatinga. A semente foi plantada e o Insa vai começar a organizar estas informações científicas que irão chegar dos pesquisadores, e a partir desta organização colocar à disposição das Secretarias de Meio Ambiente dos Estados do Semiárido para que possamos junto às secretarias desenvolver políticas para a conservação da Caatinga”, completou Alexandre Macedo.


Dentre as metas a serem atingidas, incluindo os produtos a serem gerados por meio de cooperação dentro da Rede, destacam-se: obter extratos e moléculas bioativas (puras) em quantidades de miligramas para realização dos bioensaios; mapear por RMN ou CG/MS as plantas produtoras de óleos essenciais da Caatinga; caracterizar moléculas bioativas puras; identificar moléculas bioativas como compostos com atividades tóxicas, mitogênica, antimicrobiana, antitumoral, anti-parasito; bioprospectaralcalóides e flavonóidesbioativos com ação anti-veneno; obter moléculas bioativas funcionalizadas como terapêuticos antimicrobianos; formar recursos humanos: nível de Mestrado e de Doutorado, além de alunos de Iniciação Científica treinados; melhorar a qualificação dos cursos de pós graduação ligados a rede; ampliar as colaborações com pesquisadores nacionais e internacionais; desenvolvimento regional/difusão de tecnologias.

Um dos aspectos importantes da atuação do Núcleo refere-se ao potencial de participação e de retorno social que pretende empreender junto aos agricultores, cujas parcelas do bioma estarão sendo pesquisadas, possibilitando à comunidade agrícola tornar-se sujeito da pesquisa. Espera-se que os resultados científicos obtidos com a criação do Núcleo também contribuam para o estabelecimento de políticas de desenvolvimento científico e de inovação tecnológica, a partir do potencial florístico do Semiárido brasileiro. Demonstrar a importância e aplicação terapêutica dos produtos naturais da Caatinga poderá, de alguma forma, despertar a sociedade brasileira para a necessidade de preservar e de utilizar os recursos vegetais biodiversos do bioma, de forma sustentável.

Projetos e parcerias do Núcleo.

ONúcleofoi estruturado, inicialmente, com 18 projetos já em andamento nas áreas de coleta, identificação e distribuição de material vegetal, análise de atividade biológica e isolamento e caracterização cromatográfica de metabólitos secundários bioativos.
Também está aberto a agregar atividades e pesquisas de novas instituições parceiras. Para mais informações, entre em contato através do e-mail
insa@insa.gov.br

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