quinta-feira, 10 de agosto de 2017


Situação volumétrica dos reservatórios das hidrelétricas da CHESF – 18/11/2016

Estamos iniciando uma atividade semanal de informação, aos interessados, dos estágios em que se encontram os níveis de acumulações volumétricas dos principais reservatórios da Chesf, na bacia do rio São Francisco. No caso específico da região do Submédio São Francisco - local onde é gerada a maior parte da energia elétrica do Nordeste - os reservatórios, principalmente o de Sobradinho, acumulam água no período de novembro a abril, para disponibilizarem os volumes acumulados, no processo de regularização das vazões do Velho Chico, no período de maio a outubro. Estamos no dia 18/11/2016, portanto, em período no qual os reservatórios estão numa fase de acumulação volumétrica. Acompanhem a evolução desse processo, nos endereços abaixo, clicando no canal “Bacia do Rio São Francisco”.

18/11/2016

Reservatório            Data                 Afluência       Defluência          Volumes (%)
                                                         (m³/s)             (m³/s)           Atual         Ano anterior
Três Marias            17/11                    622               344           14,42           28,00
Sobradinho            17/11                    510               827             6,01             2,24
Itaparica                 17/11                    780               879          15,38            10,17
Xingó*                    17/11                     785               847               -                   -
* - Não há percentuais acumulados, tendo em vista o rio correr, em seu leito, a fio  d´água

11/11/2016
Reservatório            Data                 Afluência       Defluência          Volumes (%)
                                                         (m³/s)             (m³/s)           Atual         Ano anterior
Três Marias            02/11                    117               344           14,35           28,00
Sobradinho            02/11                     490              824             6,67             2,80
Itaparica                 02/11                    770               823          15,55             9,20
Xingó*                    02/11                     800               847               -                   -
* - Não há percentuais acumulados, tendo em vista o rio correr, em seu leito, a fio  d´água
______________________________________________________________


Fonte: Chesf


Fonte: ANA


Sobre o assunto
Ibama emite nota técnica e atesta prejuízos para o São Francisco com vazão reduzida

Vazão do São Francisco vai sofrer redução ainda maior


Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) diz que nível de reservatórios do Nordeste chegará a 7,5% no fim de novembro


COMENTÁRIOS
João Suassuna – Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco

As chuvas agora começaram a cair com mais intensidade nas regiões do Alto e Médio São Francisco. A prova disso é a de que, no intervalo de uma semana, as vazões do rio praticamente dobraram nos postos de observação de Morpará e São Francisco. Daqui para frente, iremos manter a nossa atenção voltada para a recuperação da represa de sobradinho e também para suas defluências, já que havia decisão das autoridades responsáveis pelo setor, em diminuí-las para cerca de 700 m³/s.

As chuvas já começaram a ocorrer, principalmente na região do Alto São Francisco, embora pontuais, mas já com bastante intensidade. Essas precipitações resultaram em aumento volumétrico significativo nos postos de observação de Morpará e São Francisco, passando de 460 m³/s e 403 m³/s, da semana anterior, para 796 m³/s e 737 m³/s, nesta semana. As vazões no posto de observação de São Francisco continuam menores do que as de São Romão. Como as águas do São Francisco levam cerca de 30 dias para percorrerem a região do Alto até chegarem em Sobradinho, a sua afluência volumétrica se manteve estável, atualmente em cerca de 510 m³/s. Na semana anterior estava em 490 m³/s. Em Sobradinho, o percentual volumétrico caiu mais um pouco, passando de 6,67% para 6,01% de seu volume útil. A barragem, hoje, ainda continua com seu percentual volumétrico um pouco melhor do que aquele verificado em igual período do ano anterior (atualmente 6,01% - ano anterior 2,24%).

Com o aumento da intensidade das precipitações nas regiões do Alto e Médio São Francisco e com o atual cenário de precipitações ocorrido durante essa semana em curso, iremos começar a descrever e analisar o comportamento dos fluxos de vazões no decorrer da quadra chuvosa na bacia do Rio São Francisco, nas novas situações meteorológicas apresentadas, sempre atentos aos esclarecimentos hidrogeológicos de José do Patrocínio Tomaz Albuquerque.

Com a mudança do tempo nesse início de primavera na região do Alto São Francisco, com a ocorrência de chuvas de maior intensidade, é importante observar, tanto a regularidade na caída, como, também, os volumes precipitados. Na atual semana, por exemplo, houve boas previsões, conforme informado por Pereira Bode Velho, no quadro abaixo. Segundo Gomes, na região de Montes Claros no Norte de Minas, que tem uma precipitação média no mês de novembro de 197,8 mm, o acumulado do mês já ultrapassa os 55,4 mm.

Na semana (18/11), as vazões do São Francisco praticamente dobraram nos postos de observação de São Romão e São Francisco - 796 m³/s e 737 m³/s - quando comparadas àquelas da semana anterior – 460 m³/s e 403 m³/s -, respectivamente. As vazões no posto de observação de São Francisco continuam menores do que as do posto de São Romão (737 m³/s - 796 m³/s, respectivamente). Houve um discreto acréscimo na vazão afluente em Sobradinho. Atualmente está em 510 m³/s. Na semana anterior ela estava em 490 m³/s. Detalhe: Essa vazão afluente, em Sobradinho (510 m³/s), ainda é um pouco mais da metade do que aquela verificada na defluência da represa, atualmente em cerca de 827 m³/s. Dessa forma, a represa continuará depreciando. Preocupadas com esse fato, as autoridades responsáveis pelo setor hidrelétrico comunicaram da necessidade de reduzirem a vazão defluente, em Sobradinho, para o patamar de 700 m³/s. Essa perspectiva na redução da defluência da represa aumentará os problemas da progressão da cunha salina na foz do rio, fato esse que vem dando certos transtornos no abastecimento do município alagoano de Piaçabuçu, que tem servido à população uma água de péssima qualidade, com elevados teores de sais (água salobra). Em igual situação vivem 70% da população de Aracaju, que são abastecidos com as águas do Rio São Francisco, por intermédio de uma adutora, em Propriá, município sergipano localizado em sua margem direita, a cerca de 60 km de sua foz. Esses descompassos nas afluências e defluências, tanto em Sobradinho, como em Três Marias, irão resultar na rápida depleção dessas represas, cujas necessidades em defluir mais volumes, somadas ao consumo excessivo das águas subterrâneas nos principais aquíferos da bacia hidrográfica do Rio São Francisco, à morte de nascentes, à elevada evaporação existente em seus espelhos d´água (a evaporação no espelho d´água em Sobradinho, nessa época do ano, ultrapassa os 200 m³/s) e o uso da água na irrigação, são as principais causas dessas depreciações.

A esperança de todos é na continuidade das fortes chuvas que já começaram a cair nas regiões do Alto e Médio São Francisco. No entanto, ficaremos atentos, também, para a questão da defluência de Sobradinho, atualmente em cerca de 827 m³/s,  pois havia uma determinação das autoridades do setor, para a sua redução à patamares de cerca de 700 m³/s, conforme recentemente divulgada na mídia.
Abaixo, as informações dos postos de mensuração de vazões do rio, sob a responsabilidade da Chesf, a fim de que se uma tenha ideia dos volumes afluentes na represa de Sobradinho, nos próximos dias:

Dia 18/11: São Romão - 796 m³/s; São Francisco - 737 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 512 m³/s e Morpará - 616 m³/s.

Dia 11/11: São Romão - 460 m³/s; São Francisco - 403 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 609 m³/s e Morpará - 660 m³/s.

Dia 04/11: São Romão - 571 m³/s; São Francisco - 575 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 632 m³/s e Morpará - 644 m³/s.

Dia 28/10: São Romão - 571 m³/s; São Francisco - 546 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 616 m³/s e Morpará - 664 m³/s.

Comportamento das vazões do Rio São Francisco, nos postos de observação de São Romão, São Francisco, Bom Jesus da Lapa e Morpará, de junho a outubro de 2016.

Comportamento das vazões do Rio São Francisco, nos postos de observação de São Romão, São Francisco, Bom Jesus da Lapa e Morpará, de fevereiro a maio de 2016.

Situação do Rio São Francisco mostrada em gráficos
Precipitação observada na semana de 11 a 17 de novembro.

Fonte: Movimento da Carta de Morrinhos – Pereira Bode Velho– 11/2016
Respostas das vazões do Rio São Francisco, nos postos de observação de São Romão e São Francisco, com as últimas chuvas caídas nas regiões do Alto e Médio São Francisco.

Fonte: Movimento da Carta de Morrinhos – Pereira Bode Velho– 11/2016
Fonte: Movimento da Carta de Morrinhos – Gomes – 11/2016

O rio São Francisco existe para dar vida !

Pertence à população e aos demais seres vivos que dependem dele e não da geração prioritária de energia elétrica, enriquecimento de empresários sem vínculos com o rio e a terra, nem tampouco é o receptor dos esgotos não tratados e despejos industriais descontrolados e de contaminações por metais pesados das mineradoras.
Precisam estancar a "indústria de perfuração de poços artesianos" e dar um basta no represamento de suas nascentes e destruição das Veredas.
Preservar suas lagoas marginais para revitalizar o rio novamente com peixes.
Fiscalização firme das leis ambientais e buscar o equilíbrio desse importante ecossistema.
Se a população ribeirinha não se manifestar, nada disso será feito.
Pereira Bode Velho

Fonte: Movimento da Carta de Morrinhos – Pereira Bode Velho– 09/2016


Postado há 1 week ago por João Suassuna

A transposição do Rio São Francisco e a perda na condução da água


IHU On-Line — Com tem sido a experiência de funcionamento do Eixo Leste da Transposição do Rio São Francisco na Paraíba?

João Abner Guimarães Júnior — A primeira coisa que eu gostaria de mencionar é o caráter experimental da obra de Transposição do Rio São Francisco. É uma obra única: nunca foi feito no mundo uma obra igual a essa. Essa obra gera a perenização dos rios intermitentes. Por sorte ela começou pelo Eixo Leste, mas o ideal é aproveitar a experiência do Eixo Leste para consertar a obra no Eixo Norte.

Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba – AESA tem fornecido diariamente os dados de volume de água do Açude Boqueirão que abastece Campina Grande, e a partir dessas informações é possível acompanhar o volume de água que está chegando ao açude. A informação oficial é de que estão bombeando nove metros cúbicos por segundo da barragem Itaparica no Rio São Francisco. Desse valor, há 15% de perda na condução da água por um pouco mais de 200 quilômetros dos canais da Transposição, até a água chegar ao reservatório de Monteiro. Entretanto, no trecho subsequente de um pouco menos de 200 quilômetros de escoamento ao longo da calha natural do Rio Paraíba, de Monteiro até o açude Boqueirão, as perdas estão chegando a 50%. No total estão saindo nove metros cúbicos por segundo e estão chegando 3,5 metros cúbicos por segundo. Isso traduz perdas absurdas de cerca de 60%.

Acontece que na Paraíba se criou uma expectativa muito grande em relação à transposição, e até agora a obra mal está suprindo as necessidades de Campina Grande. Entretanto, 70% da água do projeto no futuro próximo serão destinados ao abastecimento de Pernambuco, então imagine como ficará a situação em Campina Grande quando Pernambuco começar a captar a água desses canais. Mesmo assim o discurso do desenvolvimento se mantém na PB.

Paradoxalmente, atualmente estão utilizando a água do Rio São Francisco para recuperar o volume de água do Açude Boqueirão e ainda se continua fazendo racionamento de água em Campina Grande, o que já poderia ter sido normalizado. Já que a vazão que está entrando no açude é maior do que a que está saindo, por que ainda há racionamento em Campina Grande? Se a empresa que faz a distribuição da água fosse privada, ela estaria preocupada em normalizar o sistema, porque a arrecadação iria aumentar bastante. Então, pergunto novamente, por que não se normaliza o abastecimento de água em Campina Grande? Provavelmente porque estão querendo utilizar a água para atingir o volume morto, pois quando a barragem atingir o volume morto – e aí está o maior interesse –, vão abrir a comporta da barragem para que a água do Rio São Francisco desça rio abaixo, mas ninguém sabe para que isso será feito – talvez seja para servir aos interesses de alguns que querem fazer irrigação.

Quando analisamos as obras do Eixo Norte, percebemos que a situação é muito mais preocupante, porque essa é uma obra que tem uma capacidade de vazão três vezes maior que a do Eixo Leste. No Eixo Norte, os reservatórios funcionam em um sistema de cascata, por isso, eles terão que ser enchidos de água para só então poderem verter para os reservatórios seguintes. Isso vai criar um espelho enorme e aumentará a evaporação da água. Sem falar que esses reservatórios estão localizados em áreas altas e, por conta disso, a tendência é que eles tenham grandes perdas por percolação profunda uma vez que é comum a ocorrência de fraturamento das rochas no substrato cristalino do solo da região.

Até hoje não se sabe o que vai acontecer em relação ao Eixo Norte, mas com a experiência que estamos tendo com o Eixo Leste, certamente os problemas do Eixo Norte serão muito maiores.

IHU On-Line — O senhor disse que é preciso aproveitar a experiência do Eixo Leste para corrigir o Eixo Norte. O que deveria ser feito?

João Abner Guimarães Júnior — Evitar ao máximo possível a perenização dos rios com a água da transposição. Por exemplo, estou convencido de que os canais do Eixo Leste deveriam ter avançado Paraíba adentro. Ou deveria se aproveitar que a água está chegando em Monteiro e, em vez de soltar a água no leito do Rio Paraíba, como estão fazendo, deveriam se construir adutoras de maior porte para levar essa água em maior quantidade para Campina Grande e daí distribuir para outra cidades que necessitam dessa água. Se for ver, a água que chega à Monteiro encontra-se em cota superior à da cidade de Campina Grande. Enquanto isso, essa água está descendo mais de 200 metros, perdendo energia, e depois é bombeada para chegar a Campina Grande. Esse bombeamento só deveria ser feito para regiões que comprovadamente não têm água, como é o caso da Paraíba, e quando realmente houver extrema necessidade. Então, esse é um projeto que vai ser operado somente em épocas de grande necessidade, mas ele terá um custo de manutenção permanente. Diante disso, nos perguntamos: como um projeto que vai funcionar intermitentemente terá recursos para se manter? Eu não sei. Sinceramente acho que o Eixo Norte deveria ser revisto totalmente.

Nesse momento, a partir da experiência do Eixo Leste, o Governo Federal deveria convocar especialistas para analisar o Eixo Norte antes das retomadas das obras; porque é uma irresponsabilidade continuar com ele do jeito que está. Infelizmente estamos vivendo um ambiente muito ruim no Brasil e não sei se as instituições que são responsáveis por verificar essas obras, como o TCU, estão realmente querendo verificar o que está acontecendo. É impressionante ver como os processos de mobilização política continuam existindo em defesa dessa obra; é impressionante que quanto mais problemas vão aparecendo em relação à transposição, mais a obra ganha adeptos. Existem comissões em todos os estados voltadas para defender a transposição do Rio São Francisco, mas não existe nenhuma comissão voltada para analisar a problemática da seca no Nordeste. É uma esquizofrenia muito grande.

(EcoDebate, 30/06/2017) publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate na socialização da informação.

[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

Postado há 3 days ago por João Suassuna

Ministério contesta uso da água do açude de Boqueirão para irrigação


21/07/2017
Boqueirão de Cabaceiras

O Comitê de Gestão de Recursos Hídricos (CGRH) do Ministério Público da Paraíba (MPPB) realizou no final da manhã desta sexta-feira (21) uma reunião de trabalho com o secretário de Infraestrutura Hídrica do Ministério da Integração Nacional, Antônio de Pádua de Deus Andrade. O encontro foi realizado na sede do MPPB em João Pessoa e tratou sobre a vazão da água no Eixo Leste do Projeto de Integração e Transposição das Águas do Rio São Francisco que está chegando ao estado da Paraíba.

Outro assunto tratado foi sobre a utilização das águas do leito do Rio Paraíba nos 130 quilômetros antes das águas da Transposição chegarem ao Açude de Boqueirão. Uma resolução recente do governo do estado permite a irrigação a pequenos agricultores ao longo do Rio Paraíba. Já o Ministério da Integração é contra essa medida até que haja “uma tranquilidade hídrica” no Açude de Boqueirão.

Com a presença do presidente da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa), João Fernandes da Silva, e de engenheiros do Ministério da Integração, o objetivo foi o de encontrar uma forma de unificação das informações na aferição dos dados sobre a quantidade de água que tem chegado pelo canal da Transposição à cidade de Monteiro e dos números registrados da água que tem chegado ao Açude de Boqueirão.

Para unificar esses dados, ficou definida uma reunião no próximo dia 31, em Monteiro, entre as equipes técnicas da empresa que presta serviço ao Ministério da Integração e da Aesa, que farão medições conjuntas na vazão da água da Transposição em território paraibano. “Atualmente, tem-se divulgado dados diferentes e precisamos estabelecer um equilíbrio nas informações acerca da vazão da água em Monteiro e do que chega a Boqueirão”, disse o secretário Antônio de Pádua. “Precisamos definir um número único para esses dados”, complementou o presidente da Aesa, João Fernandes.

Presidido pelo procurador-geral Bertrand de Araújo Asfora, o Comitê de Gestão de Recursos Hídricos do MPPB é integrado pelos procuradores de Justiça Francisco Sagres, Herbert Targino, Álvaro Gadelha, José Roseno Neto e Valberto Cosme de Lira; e pelos promotores de Justiça Eduardo Barros Mayer, Bruno Leonardo Lins, Diogo D’Arolla Pedrosa Galvão, Adriana Amorim de Lacerda, Alcides Leite de Amorim, Cláudia Cabral Cavalcante e Ernane Lucas Nunes Meneses.

COMENTÁRIOS

João Suassuna – Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco

O que se pode depreender nessa reportagem é que há uma divergência enorme de opiniões entre a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Ministério da Integração Nacional (MI). Semana passada, a ANA havia autorizado a irrigação, com as águas da Transposição, acumuladas no açude de Boqueirão. Fiz comentários acerca dos baixos volumes que estão chegando na referida represa, principalmente aqueles informados pelo Doutor em Hidrologia e professor aposentado pela UFRN, João Abner. O MI está sendo mais comedido e sensato em seu posicionamento. Primeiro está querendo que haja uma “tranquilidade hídrica” dos volumes que chegam a Boqueirão, procurando saber, também, os números verdadeiros que estão sendo informados na mídia, que vêm abastecendo o citado reservatório. Uma vez encontrado o volume correto, será marcada uma reunião, em Monteiro, para planejamentos futuros dessa questão. Em nossa opinião, o MI está correto. O momento atual de penúria hídrica requer uma gestão criteriosa para a saída desse emblemático problema que diz respeito às vidas das populações. Seria de bom termo, entrar em contatos com o Abner (abnerguimaraesjr@hotmail.com), para saber quais os critérios adotados por ele, que o levaram a encontrar o volume afluente de 0,6 m³/s na represa de Boqueirão. Volto a insistir: nesses casos, a vontade política não pode, em hipótese alguma, estar acima das possibilidades técnicas de decidir essas questões, sob pena de se estar criando um problema muito maior e de difícil solução.
José do Patrocínio Tomaz Albuquerque - Hidrogeólogo e Consultor.

Prezado amigo João Suassuna e demais destinatários ilustres
Pelo jeito, não sabem a vazão que sai, a que chega em Monteiro e a que aflui a Boqueirão. Nem o que acontece no caminho. Isso é que é gestão! Olhem que já são decorridos mais de três meses da festiva inauguração do Eixo Leste.

Atenciosamente,

Patrocínio

Patrocínio Tomaz
patrociniotomaz@uol.com.br
patrociniotomaz@gmail.com
83 98780.1158

Postado há Yesterday por João Suassuna

quarta-feira, 9 de agosto de 2017


Novo Chico: mais 1,8 mil nascentes do São Francisco em MG serão recuperadas

Estado é o segundo - atrás da Bahia - em contribuição hídrica à bacia; por isso é prioridade nos investimentos de revitalização


19/07/2017

Brasília - DF - 19/07/2017 - Cerca de R$ 65 milhões serão investidos nos próximos dois anos no estado de Minas Gerais pelo Ministério da Integração Nacional, por meio da Companhia Nacional de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). O valor vai se destinar à revitalização de 1,8 mil nascentes e de 1,4 mil quilômetros de matas ciliares e mata de topo; à construção de 69 mil bacias de captação de enxurrada; à implantação de 3,6 mil quilômetros de terraços e à adequação ambiental de 481 quilômetros de acessos vicinais. A ação faz parte do Programa de Revitalização do Rio São Francisco - Plano Novo Chico.

O estado ocupa a segunda posição, atrás apenas da Bahia, em relação à contribuição hídrica à bacia do rio São Francisco e, portanto, é prioritário nos investimentos do Plano. "As medidas vão permitir que nós tenhamos recarga hídrica do rio. Lembrando que a modernização das irrigações também irá evitar o desperdício de água. É fundamental que o rio São Francisco esteja com tranquilidade hídrica e, com isso, tenha condição de fazer a sessão de água para o Projeto de Integração, que permite abastecerá cerca de 12 milhões de pessoas no Nordeste", explicou o ministro Helder Barbalho no início de julho, em Minas Gerais, durante visita para assinatura de convênios com o Governo Estadual.

Balanço - Em toda a extensão da bacia do rio São Francisco, desde o início das ações, já  foram cercadas e protegidas mais de 1,1 mil nascentes; implantados mais de 1,4 mil quilômetros de cerca, com vistas à proteção de áreas de mata ciliar e topo de morro; construídas 35 mil bacias de captação de enxurrada e 1,5 mil quilômetros de terraços - além da readequação ambiental de 184 quilômetros de estradas vicinais.  A expectativa é de que mais quatro mil nascentes sejam recuperadas nos próximos anos em toda a bacia.

Essas ações têm efeito direto sobre os recursos hídricos da bacia do Rio São Francisco, pois promovem o aumento da infiltração de água no solo e reduzem o escoamento superficial das águas pluviais, evitando o assoreamento dos cursos d'água e o empobrecimento dos solos. 

Plano Novo Chico - O Plano Novo Chico, lançado pelo Governo Federal em agosto do ano passado para ampliar as ações de revitalização do rio São Francisco, prevê R$ 7 bilhões em investimentos em dez anos (2017-2026).  A expectativa é de que cerca de 16,5 milhões de pessoas que vivem nos 505 municípios que compõem a bacia sejam beneficiadas, direta ou indiretamente. São cinco eixos de atuação: saneamento, controle de poluição e obras hídricas; proteção e uso de recursos naturais; economias sustentáveis; gestão e educação ambiental, e planejamento e monitoramento.

As ações envolvem diversos órgãos do Governo Federal, além do Ministério da Integração Nacional. Entre eles a Casa Civil e os ministérios do Meio Ambiente; do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão; de Minas e Energia; das Cidades; da Fazenda; da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações; da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; e da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário.


Situação volumétrica dos reservatórios das hidrelétricas da CHESF – 21/07/2017

 Estamos iniciando uma atividade semanal de informação, aos interessados, dos estágios em que se encontram os níveis de acumulações volumétricas dos principais reservatórios da Chesf, na bacia do rio São Francisco. No caso específico da região do Submédio São Francisco - local onde é gerada a maior parte da energia elétrica do Nordeste - os reservatórios, principalmente o de Sobradinho, acumulam água no período de novembro a abril, para disponibilizarem os volumes acumulados, no processo de regularização das vazões do Velho Chico, no período de maio a outubro. Estamos no dia 21/07/2017, portanto, em período no qual os reservatórios estão numa fase de disponibilização volumétrica. Acompanhem a evolução desse processo, nos endereços abaixo, clicando no canal “Bacia do Rio São Francisco”.

21/07/2017

Reservatório            Data                 Afluência       Defluência          Volumes (%)
                                                         (m³/s)             (m³/s)           Atual         Ano anterior
Três Marias            20/07                   46                269             24,34              23,07
Sobradinho            20/07                  390                611             10,76              20,20
Itaparica                 20/07                 490                494             17,19              25,50
Xingó*                    20/07                  605                601                 -                     -
* - Não há percentuais acumulados, tendo em vista o rio correr, em seu leito, a fio  d´água

17/07/2017
Reservatório            Data                 Afluência       Defluência          Volumes (%)
                                                         (m³/s)             (m³/s)           Atual         Ano anterior
Três Marias            14/07                     7                266             25,16              55,00
Sobradinho            14/07                  400                609             11,23              21,30
Itaparica                 14/07                  596                596            17,55              25,70
Xingó*                    14/07                  556                601                 -                     -
* - Não há percentuais acumulados, tendo em vista o rio correr, em seu leito, a fio  d´água
______________________________________________________________


Fonte: Chesf
http://www.chesf.gov.br/SistemaChesf/Pages/GestaoRecursosHidricos/GestaoRecursosHidricos.aspx

Fonte: ANA
http://www2.ana.gov.br/Paginas/servicos/saladesituacao/v2/boletinsdiarios.aspx

Sobre o assunto

Vazão do rio São Francisco é reduzida
http://www.suassuna.net.br/2017/05/vazao-do-rio-sao-francisco-e-reduzida.html

Ibama Autoriza Redução Da Vazão Do Rio São Francisco Para 600 M³S


Ministério da Integração Nacional emite nota sobre vazão do São Francisco na Paraíba


A transposição do Rio São Francisco e a seca no Nordeste. Entrevista com João Abner Guimarães Júnior


ANA autoriza irrigação e fim do racionamento em CG com água do São Francisco
http://www.suassuna.net.br/2017/07/anaautoriza-irrigacao-e-fim-do.html

'Fica difícil apontar dia', diz Aesa sobre fim do racionamento em Campina Grande


COMENTÁRIOS
João Suassuna – Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco

Seguem as dificuldades nos gerenciamentos volumétricos das represas de Sobradinho e de Três Maria, agora com o agravante da autorização, pela Agência Nacional de Águas (ANA), do uso da água da represa de Boqueirão de Cabaceiras (PB), na irrigação.

Com o encerramento da quadra chuvosa das regiões do Alto e Médio São Francisco, as represas de Três Marias e Sobradinho começaram a depreciar suas capacidades acumulatórias. Três Marias, por exemplo, está com uma afluência de apenas 46 m³/s e uma defluência de 269 m³/s, fato esse que resultou na redução de seu percentual volumétrico, passando de 25,16%, da semana anterior, para 24,34%, na atual. Já Sobradinho manteve relativamente estável a sua afluência, passando de 400 m³/s, na semana anterior, para 390 m³/s, na atual. A defluência da represa se manteve praticamente inalterada, passando de 609 m³/s, na semana anterior, para 611 m³/s, na atual, fato esse que reduziu ainda mais o seu percentual volumétrico, passando de 11,23%, da semana anterior, para 10,76%, nessa semana. Em estiagens pretéritas, a represa de Sobradinho depreciava sua capacidade acumulatória em cerca de 1% a cada sete dias. Atualmente, com a proibição de retirada de água para o agronegócio, todas as quartas-feiras, nos últimos 7 dias Sobradinho depreciou apenas 0,47%. Os baixos volumes atuais do Rio São Francisco e, também, dos reservatórios das regiões Centro Oeste/Sudeste (40,07% - 20/07/2017), são as principais causas do acionamento das termelétricas na geração de energia do País, em socorro às hidrelétricas. Esse fato resultou no aumento das tarifas de eletricidade do usuário da energia, estando, atualmente, operando em bandeira vermelha.  Para o agravamento desse caótico cenário, o projeto da transposição continua interferido de forma negativa, com retiradas volumétricas significativas, no rio, de cerca de 9 m³/s, para o atendimento das demandas hídricas da região Setentrional nordestina (estão retirando água de onde a situação é temerária). O agravante de tudo isso é que, dos 9 m³/s, retirados em Itaparica, apenas 0,6 m³/s estão chegando na represa de Boqueirão, segundo parecer do hidrólogo norteriograndense, João Abner.  Somada a esse fato, a exploração descontrolada das águas subterrâneas de aquíferos do São Francisco (Urucuia e outros) tem, também, interferido nas reduções volumétricas do rio. Diante desse cenário de crise hídrica reinante em toda bacia do Velho Chico, no início do mês de julho a Chesf abriu as comportas da represa de Xingó, liberando um significativo volume de água, fato esse que surpreendeu a todos. Segundo a empresa, essa manobra foi necessária, para ajustes na geração de energia no complexo gerador da Chesf, motivada pela redução das defluências, em Sobradinho. Esse fato nos motivou na elaboração de artigo, com vistas aos esclarecimentos desse vertimento, perante a sociedade, em uma hora na qual a economia de água na bacia hidrográfica no Rio São Francisco se fazia necessária. O natural declínio na caída das chuvas na região, bem como as dificuldades de se gerenciar os volumes do rio, tornará mais difícil à recuperação, tanto da represa de Três Marias, como de Sobradinho, até o final do ano em curso. Para agravar ainda mais a situação, a ANA autorizou, essa semana, a retirada de água da represa de Boqueirão de Cabaceiras, que abastece Campina Grande, para uso na irrigação. Sem maiores explicações, em relação aos usos das águas na irrigação, a ANA emitiu nota informando da redução das defluências em ambas represas. Começou-se a defluir, de Sobradinho, cerca de 600 m³/s, e mesmo tendo autorizado o uso das águas em outras atividades produtivas, a ANA resolveu reduzir ainda mais a defluência de Sobradinho para 500 m³/s. A seguir, são apresentados os volumes do Rio São Francisco, ao longo de sua calha, nos postos de observação da Chesf.

No posto de São Romão, que na semana anterior estava com 421 m³/s, nessa semana caiu para 425 m³/s. No de São Francisco, que na semana anterior estava com 341 m³/s, passou para 345 m³/s; no de Bom Jesus da Lapa que estava com 483 m³/s, permaneceu nos 483 m³/s e no posto de Morpará, que na semana anterior estava com 520 m³/s, agora está com a mesma vazão de 520 m³/s. A afluência volumétrica da represa de Sobradinho decaiu um pouco essa semana, passando de 400 m³/s da semana anterior, para 390 m³/s, nesta. A defluência da represa ficou praticamente inalterada. Na semana anterior estava em 609 m³/s, nessa semana alcançou 611 m³/s. O percentual volumétrico de Sobradinho está em queda livre. Na semana anterior haviam sido registrados 11,23% de seu volume útil. Na atual está com 10,76%. A barragem continua com o seu percentual volumétrico com cerca da metade do volume registrado em igual período do ano anterior (atualmente 10,76% - ano anterior 20,20%). Ver essa evolução comparativa nos gráficos abaixo de Pereira Bode Velho.

Uma curiosidade: em 2015, ano no qual a represa de Sobradinho alcançou, no mês de novembro, 1% de seu volume útil, no dia 24/07 daquele ano, a represa apresentava percentual volumétrico de 17,30%. No dia 21/07 de 2017, Sobradinho está com 10,76%, portanto um fato que preocupa, tendo em vista o atual cenário de seca e de ineficiência na gestão dos recursos hídricos existentes em toda bacia do rio. O alcance do volume morto, em Sobradinho, no ano de 2017, nos parece ser um fato provável, caso não sejam tomadas as medidas eficazes para o seu enfrentamento.

Na semana (21/07), o quadro atual de penúria hídrica vem trazendo reflexos negativos ao projeto da transposição. As águas do Velho Chico estão chegando à represa de Boqueirão, em volumes muito reduzidos (estima-se atualmente em 0,6 m³/s, numa promessa de cerca de 9,0 m³/s), o que tem obrigado as autoridades a divulgarem nota justificando a prorrogação do racionamento de água na cidade de Campina Grande, o que tem levado o paraibano a não acreditar mais no projeto da Transposição. Houve, também, incertezas da chegada da água nas torneiras dos municípios atendidos pelo projeto, motivando, inclusive, a população de Monteiro, na Paraíba, a protestar pela falta d´água na localidade, exigindo providências junto ao governo estadual, para as soluções cabíveis. Esses reclamos oriundos da sociedade obrigaram a ANA adotar o Dia do Rio, proibindo à retirada de suas águas, todas as quartas-feiras, pelo agronegócio. Pereira Bode Velho questiona o fiel cumprimento dessa medida por parte dos empresários detentores de grandes sistemas de bombeamento. É importante observar, também, que a continuidade das baixas defluências de Sobradinho (611 m³/s) vem agravando o quadro da progressão da cunha salina na foz do rio (ver a excelente análise de José do Patrocínio Tomaz Albuquerque, abaixo). Existem relatos de pescadores que estão capturando peixes de hábito marinho na região do Baixo São Francisco. A cunha salina tem trazido, também, certos transtornos no abastecimento do município alagoano de Piaçabuçu, que tem servido à população uma água de péssima qualidade, com elevados teores de sais (água salobra). Em igual situação vivem 70% da população de Aracaju, que são abastecidos com as águas do Rio São Francisco, por intermédio de uma adutora, em Propriá, município sergipano localizado em sua margem direita, a cerca de 60 km da foz.

Em pleno período de estiagem na região, é ficar na torcida para que as medidas sugeridas pela ANA e Ibama, de redução criteriosa das vazões de Sobradinho e Xingó, surtam os efeitos esperados, a fim de que os volumes do Velho Chico voltem a ser utilizados dentro da normalidade esperada. Para tanto, continuaremos atentos para as questões das defluências de Sobradinho (611 m³/s) e, agora, de Três Marias (269 m³/s), pois houve determinação das autoridades do setor, para que essas defluências ficassem estabelecidas à patamares da ordem de 700 m³/s e 160 m³/s, respectivamente, conforme divulgadas na mídia e atualmente não praticadas, inclusive com acréscimos expressivos em Três Marias e decréscimos naquelas emitidas por Sobradinho.

Abaixo, as informações dos postos de mensuração de vazões do rio, sob a responsabilidade da Chesf, a fim de que se tenha uma ideia dos volumes afluentes na represa de Sobradinho, nos próximos dias:

Dia 21/07: São Romão – 425 m³/s; São Francisco – 345 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 483 m³/s e Morpará – 520 m³/s.

Dia 17/07: São Romão – 421 m³/s; São Francisco – 341 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 483 m³/s e Morpará – 520 m³/s.

Dia 07/07: São Romão – 414 m³/s; São Francisco – 333 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 476 m³/s e Morpará – 520 m³/s.

Dia 30/06: São Romão – 421 m³/s; São Francisco – 349 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 527 m³/s e Morpará – 544 m³/s.

Dia 26/06: São Romão – 473 m³/s; São Francisco – 417 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 509 m³/s e Morpará – 520 m³/s.

Dia 09/06: São Romão – 417 m³/s; São Francisco – 341 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 490 m³/s e Morpará – 552 m³/s.

Dia 09/06: São Romão – 417 m³/s; São Francisco – 366 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 535 m³/s e Morpará – 608 m³/s.

Dia 02/06: São Romão – 477 m³/s; São Francisco – 488 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 702 m³/s e Morpará – 677 m³/s. (dados do dia 31/05)

Dia 26/05: São Romão – 585 m³/s; São Francisco – 711 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 535 m³/s e Morpará – 540 m³/s.

Dia 19/05: São Romão – 410 m³/s; São Francisco – 349 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 483 m³/s e Morpará – 548 m³/s.

Dia 12/05: São Romão – 417 m³/s; São Francisco – 371 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 542 m³/s e Morpará – 588 m³/s.

Dia 05/05: São Romão – 452 m³/s; São Francisco – 431 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 516 m³/s e Morpará – 560 m³/s.

Comportamento das vazões do Rio São Francisco, nos postos de observação de São Romão, São Francisco, Bom Jesus da Lapa e Morpará, de novembro de 2016 a abril de 2017.

Comportamento das vazões do Rio São Francisco, nos postos de observação de São Romão, São Francisco, Bom Jesus da Lapa e Morpará, de junho a outubro de 2016.

Evolução comparativa do nível de Sobradinho

Pereira Bode Velho – Movimento Carta de Morrinhos (20/07/2017)

Acompanhamento dos níveis Três Marias e Sobradinho : 
Estão segurando os níveis da represa pela baixa defluência das mesmas


Pereira Bode Velho – Movimento Carta de Morrinhos (20/07/2017)

José Do Patrocínio Tomaz Albuquerque

Comportamento dos volumes regularizados em reservatórios erigidos em ambiente de geologia sedimentária e cristalina

31/03/2017
Acredito que a interiorização da cunha salina tem mais relação com a defluência devido à operação do sistema de barragens, desde Três Marias até Xingó. O equilíbrio que mantinha a interface no estuário do São Francisco foi quebrado ao se reduzir a vazão mínima dos 1300 m3/s para os atuais 600. E como a vazão mínima, antes suprida por água subterrânea, a super exploração desta faz com que a defluência de Três Marias seja reduzida. Os períodos de seca, por si sós, não justificam a redução da vazão defluente de regularização 100% garantida, já que foram consideradas, integrantes que são da série de dados históricos; já a super exploração dos aquíferos, responsáveis pela manutenção das vazões mínimas ou de base, não. Isto tudo resulta na diminuição da afluência de Sobradinho que não regulariza a vazão antes calculada e, nem mesmo, a vazão mínima. Como consequência final, toda a vazão defluente fica dependente do volume de água existente nos reservatórios. Nas secas, o problema da má gestão é escancarado e os volumes acumulados só tendem a diminuir, até serem zerados, já que, por maiores que sejam, não suprem nem as vazões mínimas, por menores que sejam. Não é a mesma coisa dos açudes erigidos sobre terrenos cristalinos, cujos rios são efêmeros. Estes, para terem capacidade de regularização, são projetados para acumular dois anos de vazão média anual. Às vezes, mais. Nas bacias de rios perenes, os reservatórios são projetados para acumularem água da estação chuvosa ou, no máximo, um ano de vazão média anual, calculada em série histórica. Sobradinho, pelo que se pode verificar, tem um volume máximo correspondente à descarga média do período chuvoso.

Postado há 1 week ago por João Suassuna

Aventura Selvagem em Cabaceiras - Paraíba

Rodrigo Castro, fundador da Associação Caatinga, da Asa Branca e da Aliança da Caatinga

Bioma Caatinga

Vale do Catimbau - Pernambuco

Tom da Caatinga

A Caatinga Nordestina

Rio São Francisco - Momento Brasil

O mundo da Caatinga