segunda-feira, 20 de maio de 2013


A seca no debate de 2014.


Jornal do Commercio - Economia - 21/4/2013

Coluna do Castilho

Quem quiser que ache ruim, mas o tema seca do Nordeste estará obrigatoriamente no debate de 2014 para desespero dos partidos da base aliada, simplesmente sem ter o que dizer sobre o que foi feito nos últimos 10 anos, quando um razoável período de chuvas combinado com implantação do conjunto de programas sociais mascarou a total falta de infraestrutura hídrica - revelada pela seca.

A bem da verdade, na Região, o último ano de chuvas bem distribuídas foi 2010. De forma amena, mas constante, as chuvas foram rareando de forma que, este ano, o bicho pegou a ponto de o período chuvoso estar se encerrando no miolo do Semiárido, anunciando que chuvas agora só no ano que vem. Na maioria dos municípios do Nordeste a seca está continuando sem nenhuma base de acumulação de água.

Esse é um tema que vai permear o debate político, pois a União limitou-se ao discurso ufanista da transposição (que até agora não irrigou um metro quadrado) e somente a partir de março decidiu engendrar algumas ações.

Os governos dos Estados também ignoraram o fato pela falta de recursos decorrentes da redução das transferências do FPE devido ao baixo crescimento de 2012. Portanto, é bom ter presente que as cenas de seca que estamos vendo na TV e nos jornais são apenas o começo do drama que vem por aí.

Região não investiu em água Embora isso não seja admitido, a verdade é que a situação da seca no Nordeste já virou tema de preocupação política dentro do governo pelo estrago que pode fazer na campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff. O problema é que sem ter feito qualquer ação de estruturação para ajudar a frágil economia do Semiárido, agora não se pode fazer muita coisa.

Debate  perigoso.

O tema pode fortalecer um discurso da Oposição, mas o problema é que não será fácil associá-lo à Dilma ou ao ex-presidente Lula porque, pelo menos, existem o Bolsa Família e o INSS.

Sem mais capital.

Também não está fácil reativar a economia regional. Desde 31 de dezembro que não há crédito para indústria, comércio e serviços. De fato, só existe hoje o crédito do Pronaf que é quase micro.

Agenda do nada.



Numa tentativa de ao menos aparecer nas cidades cada vez mais secas, o Ministério da Integração e o governo de Pernambuco decidiram colar as agendas e anunciar ações emergenciais.

Conversa vazia.

Não são nada consistentes. A campanha política de 2014 já está em cada palavra dos interlocutores no meio de ações que sequer serão eficientes para levar água até para consumo humano.

 

Sobre o assunto:
 Seca arrasa a agricultura e transforma propriedades inteiras em cemitérios de animais http://www.remabrasil.org/Members/suassuna/campanhas/seca-arrasa-a-agricultura-e-transforma-propriedades-inteiras-em-cemiterios-de-animais/view

por João Suassuna — Última modificação 22/04/2013 11:22.

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