quinta-feira, 24 de abril de 2014


A gestão dos recursos hídricos, um problema constante.


Por Martim Afonso Penna*

http://envolverde.com.br/noticias/gestao-dos-recursos-hidricos-um-problema-constante/


Botões de controle para tubulações de água. Foto: http://www.shutterstock.com/

Diante de uma possível crise no abastecimento, o tema água virou uma constante nas rodas de discussões. Como sempre, a preocupação com o assunto aparece quando o risco do racionamento surge. Talvez por estar ao alcance da mão, basta girar a torneira e ela aparece, na maior parte do tempo, a questão da água é invariavelmente ignorada tanto pela população quanto pelos agentes públicos, e dificilmente notamos que a disponibilidade dela no Brasil é mais crítica do que geralmente aparenta.

A gestão dos recursos hídricos no País é um problema frequente e não pontual. O que pouco se fala é que, apesar de o Brasil ser privilegiado na disponibilidade desses recursos – o volume de água doce representa 12% da disponibilidade do planeta – a distribuição é desigual. Segundo levantamento do Ministério do Meio Ambiente, 68% dela está na região Norte, onde vivem apenas 8,5% da população. Na outra ponta está o Nordeste, que possui a menor disponibilidade hídrica do País: 3%. O Centro-Oeste possui 16%; o Sul, 7%; e o Sudeste, que concentra 42% da população brasileira, dispõe de apenas 6%. Ou seja, em algumas regiões o potencial hídrico é grande enquanto em outras há falta de água.

Dentro das próprias regiões há diferenças significativas em relação à disponibilidade hídrica. A cidade de São Paulo, a maior da América Latina, por exemplo, depende de outras cidades do estado para saciar a sede de sua população. A capital paulista disputa a água com Campinas. Os mesmos rios são usados para abastecer os dois municípios. Ambos dependem do Sistema Cantareira, que é responsável ainda pelo abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP).

Dada a grande demanda, a preocupação com o sistema é grande. Mensalmente, tanto a Agência Nacional de Água (ANA) como o Departamento de Água e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (DAEE) revisam o volume de água que cada município capta da Cantareira. Essa, aliás, é uma das diretrizes estabelecidas pelo plano de operação do sistema, que, neste momento, em meio a uma das maiores estiagem que se tem registro, passa por um processo de revisão – a medida acontece a cada dez anos. No centro dos debates está o risco de que todo o sistema entre em colapso.

Em São Paulo há ainda uma disputa em torno da bacia do rio Paraíba do Sul, que banha também os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, sendo que neste último o rio é responsável pelo fornecimento de água para 70% da população. Há uma preocupação das autoridades fluminenses com a possiblidade de aumento do uso dos recursos hídricos do Paraíba do Sul pelos paulistas.

Exemplos como os citados acima também estão presentes em outras regiões do País. Vale lembrar a polêmica transposição do Rio São Francisco, no Nordeste. A obra, que tem como objetivo formar uma sinergia hídrica com potencial para ampliar a capacidade de armazenamento dos açudes nordestinos, é discutida há décadas mas só recentemente começou a ser implantada. A estimativa do Ministério da Integração Nacional é de que a obra de transposição do São Francisco beneficie aproximadamente 12 milhões de pessoas, em especial dos estados do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco, que estão na região com menor capacidade hídrica do Brasil.

Uma das primeiras propostas para a transposição do rio São Francisco, apresentada em 1994, previa a captação de 150 metros cúbicos de água por segundo para a irrigação e em um único canal, sem a revitalização do rio, integrando os açudes Castanhão, Armando Ribeiro Gonçalves e Santa Cruz. O projeto atual prevê vazão menor, de apenas 26 metros cúbicos por segundo, de forma contínua, mas podendo atingir até 120 metros cúbicos, caso a barragem de Sobradinho, na Bahia, atinja pelo menos 90% de sua capacidade.

Na prática, a proposta de reduzir a vazão facilitou que os estados das bacias doadoras, principalmente Bahia e Sergipe, apoiassem a ideia, ou pelo menos a aceitassem, tendo em vista que lideranças desses estados levantaram a possibilidade de a transposição trazer prejuízos financeiros a essas regiões. Além dos políticos desses dois estados, as autoridades de Minas Gerais e Alagoas não aceitam bem a proposta, pois também temem por efeitos negativos em suas respectivas regiões.

Os exemplos não são apenas pontuais. Os conflitos em torno do uso da água são constantes e tendem a aumentar ao longo dos anos, principalmente em razão das mudanças climáticas. Por isso, é urgente que o debate sobre os recursos hídricos não se restrinja apenas aos momentos de estiagem. É essencial que os problemas que já se arrastam por anos a fio se tornem prioridade para o poder público.

Uma discussão constante sobre o tema pode contribuir para evitar que as dificuldades atuais se tornem ainda mais críticas no futuro. A água é um bem que pode se tornar escasso e requer um gerenciamento eficiente para evitar disputas regionais. Devemos aprender em quanto é tempo a gerenciar e compartilhar.

* Martim Afonso Penna é diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Álcalis, Cloro e Derivados (Abiclor).

(O Autor)

A Guerra da Água já começou.


"Não importa se você é de direita ou de esquerda, tucano ou petista, todo mundo precisa de água para sobreviver. E o fato crucial nessa discussão é que a água está acabando, e muito em breve não vai ter mais de onde tirá-la". O comentário é de Herton Escobar em artigo publicado no portal do jornal O Estado de S. Paulo, 20-03-2014.


Jornal O Estado de S. Paulo, 20-03-2014.

Por Herton Escobar

Há muitos anos ouvimos falar sobre a tal “guerra da água” que está por vir, quando os recursos hídricos se tornarem tão escassos que pessoas, municípios, estados e países começarão a lutar por eles, da mesma forma que lutam por petróleo, gás e outros recursos minerais essenciais ao seu desenvolvimento (ou, no casa da água, essencial à vida). Pois então: sinto informar, mas essa guerra já começou, aqui mesmo na região metropolitana de São Paulo, bem debaixo das nossas torneiras. Na verdade, já começou há muitos anos; faltava apenas uma grande seca para trazer o problema à tona por completo e colocá-lo à vista de todos.

O nível dos reservatórios que compõem o Sistema Cantareira vem caindo há vários anos; de praticamente cheios em 2010 para 76% em 2012 e para menos de 15% agora, em 2014. Enquanto que a demanda por água da região abastecida por eles só cresceu no mesmo período, com o aumento da população e o crescimento das indústrias.

Ou seja: dizer que está faltando água hoje porque não choveu ontem é tão correto quanto dizer que os alagamentos da cidade são culpa de um bueiro entupido. O problema, na verdade, é muito mais complexo do que se enxerga na superfície. A seca foi só a gota d’água que faltava. E as autoridades sabem disso.

“Não dá para olhar para o céu agora e dizer que está faltando água porque não está chovendo; é um problema anunciado há muito tempo”, disse, na semana passada, o diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Guarulhos, Afrânio de Paula Sobrinho, depois de o governo do Estado anunciar que ia reduzir o volume de água destinado ao município pela Sabesp. O risco de desabastecimento da região metropolitana de São Paulo, segundo ele, já é conhecido e discutido no Estado desde 2004. “Agora, me diga, que obras foram feitas nesse período (para evitar o problema)?”.

Acusada de não economizar água o suficiente, Guarulhos passou a receber 15% menos água da Sabesp, e 850 mil habitantes da cidade agora vivem em esquema de racionamento: um dia com água, outro sem. E Guarulhos não pode fazer nada a respeito, pois não tem recursos hídricos próprios e quem manda na água do Estado é a Sabesp.

Assim funciona a Guerra da Água. As batalhas não são travadas com espadas ou metralhadoras, mas com canetadas políticas e econômicas. Na hora que a coisa aperta e as torneiras ameaçam secar, o governo do Estado (tucano) manda reduzir o fornecimento de água para Guarulhos (petista), mas não para a capital São Paulo (que também é governada pelo PT, mas tem muitos milhões de votos e de PIB a mais do que Guarulhos).

Mas não se prenda muito a esse enrosco político … Não importa se você é de direita ou de esquerda, tucano ou petista, todo mundo precisa de água para sobreviver. E o fato crucial nessa discussão é que a água está acabando, e muito em breve não vai ter mais de onde tirá-la. Até agora foi fácil ignorar o problema e continuar a tomar banhos longos, postergar obras e lavar a calçada com esguicho, pois, apesar da queda no nível das represas, ainda havia água suficiente para abastecer o desperdício da maioria. Mas eis que apareceu uma seca, e a Cantareira secou. E agora?

Guarulhos X São Paulo foi a primeira batalha. Agora começa a segunda, São Paulo X Rio de Janeiro, pelas águas do Rio Paraíba do Sul.

Soluções temporárias

Para evitar o racionamento (e o desgaste político) na capital, o governo paulista anunciou que vai quebrar o galho desviando água de outros sistemas e comprando bombas para sugar a água que está no chamado “volume morto” da Cantareira. Pode ser que isso evite maiores problemas por enquanto, mas não se iluda: o problema do abastecimento de água em São Paulo é grande, chegou para ficar, e não vai ser resolvido assim tão facilmente, com uma bomba.

Se não voltar a chover — e chover muito! — sobre o sistema Cantareira ainda neste verão, vamos tirar água de onde até o fim do ano? Se o verão acabar, e o nível do sistema estiver em 15%, é com 15% que vamos ficar até o verão de 2015. E se dermos o azar de também não chover no verão de 2015, vamos viver o mesmo problema tudo de novo, de forma ainda mias crítica, pois o “volume morto” que vai ser consumido agora não estará mais lá para salvar a pátria uma segunda vez. Economizar água também não será uma opção, pois não haverá mais o que economizar.

É fato: uma hora, a água vai acabar. E essa hora não está longe!

No longo prazo, fala-se também em trazer água do Vale do Ribeira, ao sul do Estado (uma das áreas mais preservadas de Mata Atlântica do País), para abastecer a capital. E as populações e o meio ambiente dessa região, como ficam? Pode ser que a água desviada não faça tanta falta hoje, mas um dia vai fazer. E aí, quem vai ficar com ela? A guerra continua.

Neste sábado, dia 22, é o Dia Mundial da Água. Vale botar a mão na cabeça e refletir um pouco sobre essa situação que estamos vivendo; parar de botar a culpa no clima e assumir nossa própria responsabilidade sobre o problema. Sabe aquele ditado urbano que diz “você não está no trânsito, você é o trânsito”? Pois então, o mesmo conceito vale para a água: A água não está acabando, nós é que estamos acabando com ela! Somos ao mesmo tempo as vítimas e os culpados por essa guerra.

COMENTÁRIOS

Ricardo Ramalho - Instituto Terraviva

João Suassuna:
Como outras questões socioambientais, tão dramáticas como a relatada,
imaginávamos que nossa geração não alcançaria, embora tivéssemos consciência
de que mais tarde, certamente, aportaria. Chegaram muito antes do que
esperávamos, infelizmente. O excelente artigo publicado, talvez por
definição de foco, deixa de abordar pontos cruciais que nos conduziram a
essa verdadeira calamidade. É necessário se analisar outros ângulos como a
política de concentração populacional nas megalópolis como São Paulo, a
intensa impermeabilização das áreas urbanas, o "desaparecimento"  por
drenagem e/ou poluição dos, outrora caudalosos e saudáveis, rios urbanos e
outras mazelas de nosso absurdo modelo civilizatório.

Ecossaudações

Ricardo Ramalho

 por João Suassuna — Última modificação 21/03/2014 15:52

Relatório da ONU aponta que população mundial vai precisar de 40% a mais de água em 2030.


Na semana em que se comemora o Dia Mundial da Água (22 de março), a Organização das Nações Unidas (ONU) prevê que, em 2030, a população global vai necessitar de 35% a mais de alimento, 40% a mais de água e 50% a mais de energia. Neste ano, as celebrações giram em torno do tema Água e Energia e a relação arraigada entre esses dois elementos foi destaque na reunião da ONU, em Tóquio, para celebrar o dia.


Publicado em março 21, 2014 por Redação

Tags: água, escassez de água

Água e energia estão entre os desafios globais mais iminentes, segundo o secretário-geral da Organização Meteorológica Global e membro da ONU-Água, Michel Jarraud, em nota divulgada pela organização.

Atualmente, 768 milhões de pessoas não têm acesso à água tratada, 2,5 bilhões não melhoraram suas condições sanitárias e 1,3 bilhão não têm acesso à eletricidade, de acordo com a ONU.

A situação é considerada inaceitável por Jarraud. Segundo ele, outro agravante é que as pessoas que não têm acesso à água tratada e a condições de saneamento são, na maioria das vezes, as mesmas que não têm acesso à energia elétrica.

O Relatório Global sobre Desenvolvimento e Água 2014, de autoria da ONU-Água, reforça a necessidade de políticas e marcos regulatórios que reconheçam e integrem abordagens sobre prioridades nas áreas de água e energia.

O documento destaca como assuntos relacionados à água impactam no campo da energia e vice-versa. Um dos exemplos citados lembra que a seca diminui a produção de energia, enquanto a falta de acesso à energia elétrica limita as possibilidades de irrigação.

Ainda de acordo com o relatório, 75% de todo o consumo industrial de água é direcionado para a produção de energia elétrica.

Energia e água estão no topo da agenda global de desenvolvimento, segundo o reitor da Universidade das Nações Unidas, David Malone, que este ano é o coordenador do Dia Mundial da Água em nome da ONU-Água, juntamente com a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido).

O diretor-geral da Unido, Li Yong, destacou a importância da água e da energia para um desenvolvimento industrial inclusivo e sustentável. “Há um forte clamor hoje para a integração da dimensão econômica e o papel desempenhado pela indústria das manufaturas em particular, na direção das prioridades de desenvolvimento pós?2015. A experiência mostra que intervenções ambientalmente saudáveis nas indústrias de transformação podem ser altamente efetivas e reduzir significativamente a degradação ambiental. Eu estou convencido que um desenvolvimento industrial inclusivo e sustentável será um elemento chave para uma integração bem sucedida das dimensões econômica, social e ambiental,” declarou Li, em nota da ONU.

O Dia Mundial da Água foi instituído em 1992. Desde a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco-92, a data é referência para as discussões em busca de soluções para os conflitos existentes entre oferta e demanda de água ao redor do mundo. 

Reportagem de Andreia Verdélio, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 21/03/2014

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Amores líquidos, artigo de Montserrat Martins

terça-feira, 15 de abril de 2014


Suape: promessas não cumpridas (1)

Heitor Scalambrini Costa

Professor da Universidade Federal de Pernambuco e

Coordenador geral do Fórum Suape Espaço Socioambiental

 

Promessas são compromissos assumidos por quem as faz. Seus ouvintes, em princípio, acreditam que serão cumpridas. Na política, lamentavelmente, não é assim. Faz parte de nossa cultura prometer algo que muitas vezes, sabe-se de antemão, não será cumprido. Mesmo assim se promete.

Em Pernambuco, de onde se “fala para o mundo”, se propagandeia que aqui nasceu a “nova política”. Que em nada difere da “antiga” praticada desde sempre. Todavia os marqueteiros batem nesta tecla, tentando arregimentar votos para o governador, pré-candidato na disputa presidencial.

Aqui se promete muito mais. E se cumpre menos ainda (será esta a “nova política”?). Vejamos o caso emblemático do Complexo Industrial Portuário de Suape, para alguns a redenção de Pernambuco, quiçá do Nordeste e do Brasil.

No modelo adotado busca-se atrair refinarias, estaleiros, termoelétricas e petroquímicas – empresas que estão no topo das que mais agridem o meio ambiente. Acontece que o território do Complexo era habitado, há mais de meio século, por mais de 15 mil famílias nativas, todas dependentes da agricultura familiar e da pesca. Para se livrar desses posseiros indesejados, se iniciou um processo de expulsão com sérios impactos socioambientais. E é aí que começam as promessas, tanto para os moradores como para a sociedade pernambucana, visando justificar a insanidade da brutalidade que se cometia, contra o meio ambiente e contra os moradores da região. Algumas dessas promessas são citadas a seguir.

Em 2006 foi lançado o projeto do território Estratégico de Suape, integrado pelos municípios do Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca, Jaboatão dos Guararapes, Escada, Moreno, Ribeirão e Sirinhaém. O objetivo seria planejar o desenvolvimento desse território e evitar os impactos negativos da chegada dos grandes empreendimentos à Suape. Assim, se promoveria a ocupação ordenada do território de Suape, evitando-se danos sociais e ambientais. Transcorridos oito anos, o programa não passou da fase de planejamento e os problemas que poderia prevenir acabaram acontecendo, pois os empreendimentos chegaram e as ações prometidas não. Ademais, as demandas sociais se multiplicam, como habitação, saneamento, mobilidade, saúde, segurança e meio ambiente. O que houve neste período foi unicamente o aumento das expulsões de milhares de pessoas que habitavam a região.

Outro projeto de grande repercussão na mídia pernambucana foi o lançamento do programa Suape Sustentável, em junho de 2011. A proposta original era para desenvolver uma gestão integrada do Território de Suape, com a participação das administrações estadual e municipal, das empresas e universidades. O que se viu foi a continuidade do que já vinha sendo feito. Frustração para quem esperava um mínimo de planejamento naquele território.

Na lista dessas ações estava a construção da agrovila Nova Tatuoca, prometida em 2007 aos moradores que foram expulsos para dar abrigo ao polo naval. Os ilhéus foram expulsos e nada de novas moradias. Novas promessas foram feitas e as primeiras unidades seriam entregues em dezembro de 2012, sendo a vila totalmente entregue até março de 2013. Nada! Agora é dito na imprensa que um conjunto de 73 casas, cada uma com menos de 40 m2, será entregue antes que o governador deixe o cargo para concorrer à presidência da República. Todavia, denuncias apontam que além da fragilidade e precariedades destas construções, não haverá saneamento básico, e os dejetos das casas serão despejados diretamente no mangue.

Na área ambiental o desastre é calamitoso. A Assembleia Legislativa de Pernambuco autorizou diversos projetos de desmatamento. O mais devastador, contido na Lei nº 1.496, de 27 de abril de 2010, autorizou a supressão de vegetação permanente, correspondente a uma área de 17 ha de Mata Atlântica, 508 ha de mangue e 166 ha de restinga. Até hoje os moradores procuram os locais que Suape diz que reflorestou, propagandeando ter “zerado” o déficit ambiental naquele território. Também se arrasta há anos a construção do Centro de Tecnologia Ambiental (CTA), outra promessa dos gestores do Complexo de Suape.

Só mais uma, dentre tantas promessas não cumpridas, a relacionada à reforma da Estação de trem de Massangana e à chegada do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) até o complexo de Suape, que permanece no limbo, sem data para início nem para conclusão.

Bem, as promessas dos administradores de Suape e do governo do Estado ao longo dos anos mostram que fazê-las rende frutos, pois os que prometem são bem vistos e acabam sendo “premiados” com novas posições no governo do Estado (seria essa a “nova política”?).

E enquanto nada do prometido acontece, “corre solta” a propaganda com verbas públicas em Pernambuco.

Devaneios ufanistas: caso do HC da UFPE

 Heitor Scalambrini Costa

Professor da Universidade Federal de Pernambuco

 A tragédia vivida pelos usuários do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) nos últimos anos, conforme frequentemente noticiado pelos órgãos da imprensa local, teve seu (aparente) desfecho em 11 de dezembro de 2013, data em que a UFPE firmou contrato com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) para que esta administrasse o HC. Tal contrato é um atestado, passado pela própria UFPE, da incompetência de seus gestores e de sua Administração Central em resolver os problemas do Hospital (a Ebserh é uma empresa pública de direito privado, criada pela Lei Federal nº 12.550, de 15 de dezembro de 2011, com estatuto social aprovado pelo Decreto nº 7.661, de 28 de dezembro de 2011).

Passados pouco mais de dois meses, o vice-reitor da UFPE publicou em um jornal pernambucano, em pleno sábado de Zé Pereira (1/3/2014), um artigo denominado “Um Novo Hospital”. Sem dúvida, os desvarios do missivista são motivo de indignação para os usuários do HC, os quais, por longos anos, sofreram com o descaso e a incompetência de seus gestores, e agora, como num passe de mágica, veem todos os problemas do Hospital resolvidos – como acintosamente descreve o vice-reitor em seu artigo.

É um evidente excesso de ufanismo fora de moda, pois a população brasileira não mais aceita conviver com a “ilha da fantasia” criada pelos que estão no poder. A realidade do HC sabe-se bem, é outra, totalmente oposta a esses devaneios que buscam inutilmente iludir os seus usuários e a população, em geral.

Imagine o HC, durante anos de desleixo e incompetência gerencial, sofrendo com a destruição sistemática (talvez premeditada para depois privatizá-lo) de sua infraestrutura, com a redução de pessoal e o sucateamento de seus equipamentos (muito deles, quando novos, permaneceram por anos a fio dentro de caixotes). Imagine agora, em pouco mais de dois meses, ressurge das cinzas um “Novo Hospital” (das Clínicas), assim, num estalo de dedos, com todos os seus problemas crônicos resolvidos. Uma piada irresponsável e de mau gosto para os usuários daquele posto de atendimento, para os médicos que ali trabalham e para os estudantes que fazem seu aprimoramento prático nas dependências desse hospital escola.


O que preconiza o vice-reitor da UFPE, com seu “Novo Hospital”, fruto do contrato firmado pela Administração da UFPE com a Ebserh, de forma autoritária e antidemocrática, não é bem o que vem acontecendo em outras instituições que, há mais tempo, também cederam às pressões do governo federal. Do total de 47 Hospitais Universitários, 23 assinaram contrato com a Ebserh (24 ainda não têm contrato).

A situação mais emblemática é a da Universidade Federal do Piauí (UFPI), que em 8 de abril de 2013 repassou a administração de seu Hospital Universitário para a Ebserh. Denúncias fundamentadas levaram à abertura de inquérito civil público pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) do Ministério Público Federal (MPF). Através da nota técnica no 4.658, relativa à visita técnica realizada para subsidiar o inquérito, o procurador Federal dos Direitos do Cidadão, em oficio circular encaminhado às Procuradorias Regionais dos Direitos do Cidadão, em 21 de fevereiro de 2014, destaca “... o descalabro que se constitui a administração da Ebserh em um hospital universitário”.

Bem, é fácil verificar que a administração da Ebserh nos Hospitais Universitários pelo Brasil afora não tem sido a maravilha surrealista cantada na prosa ufanista do vice-reitor da UFPE. É claro que todos gostariam que fosse realidade esse “Novo Hospital” – mas com a Ebserh e com essa política de palavras vazias não dá para se ter esperanças!

  • 1 Anexo

Heitor scalambrini costa Eis uma contribuição ao debate político pré eleitoral. Caso considere pertinente, divulgue. heitor Até tu, Marina? Heitor Scalambrini Costa Professor da Universidade Federal de Pernambuco Gosto d

Para Heitor scalambrini costaEu

Mar 18 em 6:31 PM

Eis uma contribuição ao debate político pré eleitoral.

Caso considere pertinente, divulgue.
heitor


Aumenta o risco de racionamento de energia.


No Semiárido do Nordeste, oligarquia política e econômica é mais devastadora que a seca, segundo pesquisador José Jonas Duarte da Costa


A seca no Semiárido nordestino, que, de tempos em tempos, mobiliza as atenções do País, tem duas faces, segundo o professor José Jonas Duarte da Costa, da Universidade Federal da Paraíba. Uma delas – marcada pela ausência de chuvas – é a face natural. A outra é a socio-histórica, que ele considera “muito mais grave e devastadora”.


O professor assegura, que, ao contrário do que muita gente pensa, a região não tem sido esquecida pelo Estado brasileiro. Volumes consideráveis de dinheiro são sistematicamente enviados para promover o desenvolvimento do Semiárido. O número de siglas de projetos e empresas envolvidos com a questão só aumenta. Entre elas aparecem DNOCS, Codevasf, CHESF, BNB, Sudene, ProHidro, PAPP, Projeto Sertanejo e outros.

O problema é que o dinheiro não chega a quem mais precisa: é embolsado pela oligarquia econômica e política local. Para piorar o quadro, os projetos públicos escolhidos não são adequados para a região.

Costa é doutor em história econômica pela USP e mestre em economia rural pela Federal da Paraíba. Além de ensinar, atua como pesquisador visitante do Instituto Nacional do Semiárido (Insa). Na entrevista abaixo, ele afirma que a região nordestina poderia ter um elevado grau de desenvolvimento se os projetos fossem adequados e os recursos não fossem embolsados pelas oligarquias.

O Semiárido enfrentou em 2012 um dramático período de estiagem. Em recente artigo sobre a região, o senhor atribuiu os problemas a políticas equivocadas de combate à seca.

Não se trata apenas de equívocos, mas, sobretudo, de projetos e políticas que serviram a interesses menores, de grupos econômicos dominantes, de características oligárquicas ou empresariais. Tais grupos sempre se beneficiaram de modelos economicamente concentradores e socialmente excludentes. Para mim, essa é a questão chave: os projetos e políticas públicas, além de equivocados,  obedeceram a interesses privados, minoritários, excludentes. 

Isso ocorreu mesmo com a Superintendência de Desenvolvimento Econômico do Nordeste, a histórica Sudene?

Sim. A exceção foi a atuação da Sudene durante os governos de Juscelino a Jango. Dirigida por Celso Furtado e um grupo que ele formou, até o golpe de março de 1964, aquela superintendência seguia a lógica de atrair investimentos e democratizar o acesso à terra e à água, por meio da reforma agrária. Depois de Furtado esqueceram a reforma e, consequentemente a democratização da terra e da água.

Os recursos públicos não chegam à população mais necessitada?

Não chegam. Infelizmente. Numa sociedade desigual como a nossa, eles beneficiam os mais poderosos em praticamente todos os projetos.

Isso ocorre atualmente?

Estou falando da realidade de hoje. Na Paraíba, o governo estadual tem feito enorme esforço para garantir o fornecimento de ração aos agricultores familiares, mas os grandes fazendeiros e empresários se apossaram do programa e são eles quem, de fato, têm acesso à ração animal. O mesmo tem acontecido com o programa de distribuição de milho que o governo federal subsidia: só os produtores com melhores condições obtêm acesso ao programa.

O que seria necessário mudar, na sua avaliação?

No plano político seria preciso quebrar a estrutura de poder oligárquico que se alimenta da seca. Por mais paradoxal e triste que seja, ainda é comum assistirmos a políticos profissionais que se beneficiam e tiram proveito eleitoral da situação caótica. Aparecem como defensores dos flagelados e oprimidos. Criam logo uma SOS Seca e tornam-se garotos midiáticos, preparando as bases eleitorais para as próximas eleições, prometendo “vestidos a marias e roçados a joões”, como dizia a música de Gilberto Gil em 1968.

Como romper esse círculo?

Romper essa estrutura política significa eleger outros interlocutores para um diálogo franco de construção de alternativas de convivência com a seca. Não se pode aceitar mais que os políticos locais sejam os intermediários entre os projetos de enfrentamento da questão e a população que espera os chamados benefícios. É necessário criar mecanismos de democracia participativa efetiva, onde o povo organizado participe dos fóruns de decisão e dirija os processos de execução de políticas públicas. Não é fácil, mas é preciso fortalecer as organizações populares, os movimentos sociais, setores da igreja, sindicais.

Essas organizações alternativas também apresentam problemas e dificuldades.

Existem vícios e problemas na execução dos projetos, mas, sem dúvida, de longe, com muito menos casos de corrupção, desvio de conduta e descaminhos de projetos. A experiência da ASA (Articulação do Semiárido)  com as construções de cisternas de placas, cisternas calçadão, barragens subterrâneas, etc, é um exemplo de eficiência. No plano mais amplo, é preciso montar uma infraestrutura produtiva em função das condições peculiares da região.

O senhor fala em convivência com a seca. Isso é possível?

Cerca de dois terços das terras do planeta estão em regiões de clima árido ou semiárido. E em muitos desses lugares as pessoas vivem bem, muito bem. O nosso semiárido é o que mais tem chuvas no mundo e um dos que apresentam maiores potencialidades. É preciso deixar claro que o Semiárido não é só pobreza, miséria e seca. É uma região com dificuldades e desafios, mas com potencialidades enormes, muitas belezas e riquezas. Conhecemos produtores, em pleno Cariri paraibano, região das mais secas do Brasil, onde não chove há praticamente dois anos, que ainda não sentiram o drama da seca. Na realidade sentiram mais o efeito da dizimação da palma forrageira pela praga da cochonilha do Carmim do que da seca. Esses agricultores aprenderam a viver em zona seca, semiárida, com pouca chuva. Vivem com muita dignidade e altivez.

Como conseguem?

No período das chuvas produziram e armazenaram alimentos para os seus rebanhos – e até agora dispõem de reservas para alguns meses. Também aprenderam a estocar água para utilizar nos períodos de longas estiagens. São produtores de agricultura familiar que não deixam a desejar em produtividade, eficiência e qualidade a nenhum produtor das regiões mais chuvosas do Brasil. Produtores com média de 20 litros de leite por vaca em plena seca. Apenas montaram infraestrutura tecnológica adaptada ao semiárido. Não transplantaram modelos produtivos de outras regiões. Assim como os suíços se preparam para o rigoroso inverno, com nevascas e gelo que matam tudo em suas terras, assim como árabes e judeus se preparam para as adversidades climáticas, os sertanejos sabem se preparar para a vida sob as condições climáticas próprias dessa parte do Brasil.

O senhor fala em potencialidades da região. Elas não são exploradas?

Não. E são muitas. Um exemplo: poderíamos exportar para todo o Brasil energia elétrica a partir da energia solar. Outro exemplo: poderíamos exportar proteína animal, como se vê em outras áreas semiáridas do mundo, e fornecer queijos finos de leite de cabra. Temos cerca de 90% do rebanho caprino nacional, plenamente adaptado ao clima local.

Chama a atenção, no artigo que escreveu, a lista de siglas de programas para a região.

Lembrar essas siglas é quase lembrar a história do Brasil. O IFOCS, que virou DNOCS, atuou na perspectiva de uma solução hidráulica para a seca. Construiu uma infraestrutura de açudes e barragens que deu à região um razoável suporte hídrico. No entanto, desmentindo o paradigma da solução hidráulica, nos anos 80, quando o Semiárido já dispunha de todos os mananciais que dispõe hoje, veio a crise da cotonicultura, que, articulada com a crise econômica dos anos 80 e as secas, provocou o maior fluxo migratório da história. Cerca de 5 milhões de sertanejos deixaram os sertões secos do Brasil.

Esse paradigma hidráulico foi abandonado?

Embora desmoralizado, setores políticos hegemônicos ainda tentam resgatá-lo no Nordeste, certamente para tentar se beneficiar.

E as outra siglas e políticas públicas?

O BNB (Banco do Nordeste do Brasil)  tornou-se o maior latifundiário do Nordeste, pois é credor de uma dívida impagável por parte da grande maioria dos proprietários de terra da região. Também tem CHESF, Codevasf e os programas de emergência: Projeto Sertanejo, Reflorestamento com Algaroba e outros. Todos tem sempre o mesmo objetivo: desenvolver o Semiárido. O problema é que todos se baseiam em modelos importados, que não levam em conta as as potencialidades da região.

De que maneira os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, afetam a região?

O Bolsa Família funciona como política compensatória diante da incapacidade do Estado para superar a pobreza, o desemprego e a miséria, características do sistema capitalista, especialmente na sua periferia. Para uma efetiva distribuição de renda seria necessário alterar o modelo que privilegia o lucro exacerbado e o acúmulo de capitais. O atual governo, embora tenha reforçado os programas sociais, não alterou a estrutura espoliativa do trabalho no Brasil. Não mexeu nos privilégios.

Mas o programa não teve impactos?

O Bolsa Família teve e tem impactos importante na redução dos índices de fome e miséria nos sertões semiáridos. Ele também propicia uma circulação monetária que cria uma espiral virtuosa em economias locais, onde predomina a baixa renda. Nos sertões, além de reduzir a miséria, levou ao escasseamento da mão de obra, melhorando os padrões salariais para uma parcela das classes trabalhadoras de rendas baixíssimas. Esse é um impacto perceptível. Por outro lado, gera um processo que pode se voltar contra a própria classe trabalhadora, que tende a acomodar-se. Como vivemos um momento de inflexão das lutas sociais, o Bolsa família que alimenta o trabalhador é o mesmo que o paralisa na luta por sua emancipação, o domestica politicamente, para a reprodução da exploração sobre o seu trabalho.

E do ponto de vista político-eleitoral?

Os programas sociais têm reflexos direto na popularidade do governo. Quem, como eu, viveu a infância e juventude nos sertões nordestinos, não esquece as cenas de fome e desnutrição, inclusive tendo a morte como companheira próxima – algo comum nas famílias dos agricultores pobres. Hoje ainda existe muita fome, miséria, desnutrição, mas não comparáveis ao que havia naqueles tempos. A grande popularidade do governo se explica porque, embora de um lado realize os sonhos dos capitalistas que “nunca antes na história desse país” acumularam tanto, de outro, promete acudir parte dessa população, historicamente desassistida, ainda despolitizada e que, sob essas condições, só poderia reagir agradecendo.

por João Suassuna — Última modificação 19/03/2014 08:29

Situação volumétrica dos reservatórios das hidrelétricas da CHESF - 14/03/2014


Estamos iniciando uma atividade semanal de informação, aos interessados, dos estágios em que se encontram os níveis de acumulações volumétricas dos principais reservatórios da Chesf, na bacia do rio São Francisco. No caso específico da região do Sub-médio São Francisco - local onde é gerada a maior parte da energia elétrica do Nordeste -, os reservatórios, principalmente o de Sobradinho, acumulam água no período de novembro a abril, para disponibilizarem os volumes acumulados, no processo de regularização das vazões do Velho Chico, no período de maio a outubro. Estamos no dia 14/03/2014, portanto, em período no qual os reservatórios estão numa fase de acumulação volumétrica. Acompanhem a evolução desse processo, nos endereços abaixo, clicando no canal “Bacia do Rio São Francisco”.

14/03/2014

Reservatório            Data                 Afluência       Defluência          Volumes (%)

                                                           (m³/s)             (m³/s)           Atual    Ano anterior

Sobradinho            13/03                    1210               1151           53,10            37,70

Itaparica                13/03                    1040               1122           29,00            29,20

Xingó*                   13/03                    1115               1197              -

* - Não há percentuais acumulatórios, tendo em vista o rio correr em seu leito, a fio d´água

 

07/03/2014

Reservatório            Data                 Afluência       Defluência          Volumes (%)

                                                           (m³/s)             (m³/s)           Atual    Ano anterior

Sobradinho            05/03                    1540               1149           53,60            37,80

Itaparica                05/03                    1150               1073           29,40            31,90

Xingó*                   05/03                    1092               1191              -

* - Não há percentuais acumulatórios, tendo em vista o rio correr em seu leito, a fio d´água

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 Fonte: Chesf


Fonte: ANA


É o Núcleo de Estudos e Articulação sobre o Semiárido (NESA), da Fundação Joaquim Nabuco, divulgando a realidade do Nordeste seco.

 Sobre o assunto:

Comitê do São Francisco critica decisão do governo federal de reduzir a vazão do rio


Considerações sobre a Vazão Regularizada de Sobradinho


Vazão do Rio São Francisco deve diminuir, em Sergipe


Problemas no Rio São Francisco são mais graves entre Sergipe e Alagoas


Reservatórios de hidrelétricas já têm nível próximo ao da época do apagão


Resolução Ana prorroga redução temporária de descarga mínima no São Francisco


Cidadãos brasileiros vão pagar conta dos subsídios ao setor elétrico


COMENTÁRIOS

João Suassuna - Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, Recife

Em um ano hidrológico normal, a represa de Sobradinho acumula água, vinda do Alto e Médio São Francisco, até o mês de abril. O ano de 2014 está problemático para a hidrologia do Velho Chico. Estamos em meados de março e a represa começa a depreciar! A minha previsão é a de que, no mês de novembro do corrente ano, a Chesf estará com um problemão nas mãos para resolver. Como continuar sua luta para o atendimento das demandas de energia do Nordeste, com uma represa, do porte de Sobradinho, com uma acumulação pífia?  Volto a repetir: velinhas e caixas de fósforos, distribuídos em pontos estratégicos das residências, irão ajudar!

 
por João Suassuna — Última modificação 14/03/2014 11:55

Decreto presidencial publicado nesta sexta (14) confirma Codevasf como operadora do Projeto de Integração do São Francisco


A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) é, a partir desta sexta-feira (14), operadora oficial do sistema de gestão do Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional (PISF). O decreto presidencial número 8.207 foi publicado no Diário Oficial da União e, além de ratificar o novo papel da Codevasf, delimita a chamada região de integração, determina a composição do conselho gestor que vai gerir o PISF e aponta as diretrizes das atribuições do conselho.

“Mais do que nunca, nossa responsabilidade aumenta e nos impõe agilidade, dedicação e eficiência para mais este desafio”, disse o presidente da Codevasf, Elmo Vaz, que nas últimas semanas já vinha se dedicando a conhecer as áreas inseridas no sistema de gestão: ele fez visitas técnicas às obras do Eixo Norte e do Eixo Leste do PISF, além de reuniões técnicas com o objetivo de acompanhar o avanço das obras em canais, unidades de bombeamento, aquedutos e reservatórios distribuídos ao longo dos cerca de 620 quilômetros nos dois eixos.

Com uma comitiva de técnicos e assessores da Codevasf, Elmo Vaz percorreu os aproximadamente 400 quilômetros do Eixo Norte, passando pelo município pernambucano de Salgueiro, onde a Companhia está instalando um escritório do PISF. No Eixo Leste, a comitiva visitou o Reservatório de Areias, próximo à captação de água no lago da barragem de Itaparica, em Floresta (PE), passando por Custódia (PE), Sertânia (PE) e Monteiro (PB).

O decreto assinado pela presidenta Dilma Roussef estabelece que a região de integração, cujo sistema de gestão a Codevasf vai operar, compreende o conjunto de municípios abastecidos pelas estruturas hídricas interligadas aos eixos Norte e Leste do PISF e aos seus ramais, inseridos nas bacias e sub-bacias receptoras nos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.

O documento também determina que o conselho gestor de caráter consultivo e deliberativo que vai gerir o PISF, além de um membro de cada um daqueles estados, será composto também de um representante de cada um dos seguintes órgãos: Casa Civil; ministérios da Fazenda; Minas e Energia; Planejamento, Orçamento e Gestão; Meio Ambiente; Comitê da Bacia Hidrográfica do rio São Francisco; e dos comitês das bacias hidrográficas receptoras. O conselho será presidido pelo Ministério da Integração Nacional, ao qual fica vinculado.

“A Codevasf está totalmente empoderada para tomar todas as medidas administrativas, gerenciais e de caráter político-institucional para fazer avançar com mais celeridade a montagem do sistema de gestão do PISF”, avalia o assessor especial do Ministério da Integração Nacional, José Machado.

Providências adotadas

Uma portaria ministerial publicada no final do ano passado já havia designado a Codevasf como operadora do sistema de gestão do PISF. Com base no documento, a Companhia começou a se preparar para assumir oficialmente as funções. Entre as providências, foi autorizada pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) a criação da Gerência de Operação do PISF, para a qual foram designados 25 servidores concursados da Companhia.

Ainda como parte das providências, a Codevasf está estruturando um escritório em Salgueiro, em Pernambuco, para funcionar como unidade descentralizada na área de atuação do PISF. O escritório fica a cerca de 220 quilômetros de Petrolina, onde está situada a 3ª Superintendência Regional da Codevasf, e vai acomodar os servidores da nova gerência, os quais já estão acompanhando a montagem e o comissionamento dos equipamentos ao longo dos eixos Norte e Leste do PISF. Os servidores estão sendo capacitados e realizando visitas técnicas a empreendimentos similares de gestão de recursos hídricos, a exemplo do Eixão das Águas, no Ceará, sob responsabilidade da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh).

Além disso, a Codevasf realizou pregão eletrônico para selecionar empresa que vai realizar a limpeza e conservação de canais em lotes do Eixo Leste já entregues pelo Ministério da Integração Nacional (MI). A ordem de serviço será dada ainda neste mês de março. Também está em fase final de formatação um edital de operação e manutenção dos trechos que serão inicialmente entregues entre 2014 e 2015.

“Estamos destacando nossos melhores técnicos, entre os mais experientes da Codevasf, para se dedicarem exclusivamente a esta nova missão”, informa Elmo Vaz.

Projeto de integração

O Eixo Norte do projeto de integração vai captar água no rio São Francisco – próximo ao município Cabrobó (PE) – conduzindo para as bacias dos rios Salgado e Jaguaribe (CE); Apodi (RN); e Piranhas-Açu (PB/RN). O Eixo Leste vai percorrer 220 quilômetros até o rio Paraíba (PB), após transferir parte da vazão para as bacias do Pajeú, do Moxotó e da região agreste de Pernambuco.

Como operadora federal do sistema de gestão do PISF, caberá à Codevasf receber a infraestrutura implantada pelo MI ao longo do projeto (canais, estações de bombeamento, equipamentos eletromecânicos etc) para exercer as atividades de gestão, operação e manutenção das estruturas do sistema PISF.

O Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional busca assegurar a oferta de água, em 2025, a cerca de 12 milhões de habitantes de 390 municípios do agreste e do sertão de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. Com investimento previsto de R$ 8,2 bilhões, o PISF é a maior obra de infraestrutura hídrica para usos múltiplos executada diretamente pelo governo federal, sob a coordenação do Ministério da Integração Nacional. Por meio da Secretaria de Infraestrutura Hídrica (SIH), o MI é responsável pela implantação de todas as obras de infraestrutura, como canais, estações de bombeamento, aquedutos e túneis.

Ao mesmo tempo que busca garantir o abastecimento por longo prazo de grandes centros urbanos da região – Fortaleza, Juazeiro do Norte, Crato, Mossoró, Campina Grande, Caruaru e João Pessoa –, o PISF beneficia centenas de pequenos e médios municípios inseridos no semiárido do Nordeste, levando o desenvolvimento socioeconômico para estados mais vulneráveis às secas.

Obras

O Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional (PISF) foi concebido pelo Ministério da Integração Nacional, que também é o responsável pela implantação das obras.

Os canais foram concebidos na forma trapezoidal, revestidos internamente por membrana plástica impermeável, com recobrimento de concreto. Também estão sendo construídos aquedutos nos trechos de travessia de rios e riachos, além de túneis para a ultrapassagem de áreas com altitude mais elevada.

Ao longo dos eixos principais e de seus ramais, estão em construção 30 barragens para desempenharem a função de reservatórios de compensação, que permitirão o fluxo de água nos canais durante as horas do dia em que as estações de bombeamento estiverem desligadas. As bombas ficarão de três a quatro horas por dia desligadas para reduzir os custos com energia.

“As obras do São Francisco estão em pleno andamento. Hoje, temos 9.512 pessoas trabalhando nas obras. Todas as frentes de serviço foram recontratadas e mobilizadas. A ideia é atender aos prazos previstos para, em dezembro de 2015, termos as obras concluídas. Após concluído e em funcionamento, o objetivo principal é garantir água para 12 milhões de pessoas em 390 municípios do Ceará, de Pernambuco, da Paraíba e do Rio Grande do Norte”, afirmou o ministro da Integração Nacional, Francisco Teixeira, em recente audiência pública no Senado.

 Mais informações: http://www.codevasf.gov.br

 Contato: Assessoria de Comunicação e Promoção Institucional da Codevasf

 Fone: (61) 2028 - 4758/4627/4769




 14/03/2014

 Fotos ilustrativas podem ser acessadas aqui: http://www.flickr.com/photos/codevasf/sets/72157642345671023/

COMENTÁRIOS

João Suassuna - Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, Recife

Esse é um enorme problema que findou caindo no colo da Codevasf. Lembro aos senhores que as águas do Velho Chico irão para o Setentrional nordestino, portanto bem distante da região de jurisdição da citada Companhia. Seria muito mais lógico e tecnicamente mais prudente entregar essa operação ao Dnocs que conhece, como ninguém, as águas interiores do Nordeste seco.

Cássio Borges - Engenheiro aposentado pelo Dnocs

Caros do DNOCS

Tenho me mantido ausente deste movimento que vocês aí do DNOCS, há tempos, vem lutando pelo fortalecimento do DNOCS que vocês chamam de “reestruturação do DNOCS”. Aliás,  eu não estou ausente por livre e espontânea vontade mas por  imposição de um grupo minoritário que achou que a solução para o fortalecimento do nosso Órgão seria pelo viés político no que eu nunca estive de acordo por várias e várias razões.  Para não atrapalhar,  fiquei, apenas de longe,  observando o esforço que vem sendo feito neste sentido pelo ilustre Deputado Federal Eudes Xavier. E a cada tentativa dele uma nova desesperança, uma nova reunião é marcada,  novos adiamentos, novas procrastinações, sem que se chegue a lugar nenhum. E o tempo via passando... Porque sempre entendi que não era este o caminho que deveríamos nos fundamentar  para  resolver esta questão. 

Vocês sabem que o Deputado Guimarães é um dos mais entusiastas defensores  aqui no Ceará de transferir as ações do DNOCS para a CODEVASF. Por que razão, eu nunca entendi. Porque órgão por órgão, o DNOCS dá de goleada naquela instituição que só tem experiência no vale do Rio São Francisco, um rio perene, sem necessitar de açudes,  água não é problema, que tem características completamente diferentes das áreas de atuação do DNOCS.  Já demonstrei isto em artigos de jornal  e já disse isto em pronunciamento numa audiência sobre o DNOCS no Congresso Nacional. Mas os meus posicionamentos não entusiasmaram este grupo que se assessorou os donos deste assunto e ainda acredita numa solução política para o caso. Afinal,  não sou político e nem filiado a nenhum partido. Se vocês desejam realmente fazer ressurgir o DNOCS, que está morrendo à mingua por inanição, teriam que obter o apoio do Deputado Guimarães como um dos mais destacados dirigentes do PT local e grande  prestígio no Governo Federal.

Sobre o assunto acima lhes envio neste e-mail o que foi publicado hoje no Blog  do ilustre jornalista Eliomar de Lima. Esta lamentável notícia transfere definitivamente as ações do Projeto de Integração do Rio São Francisco para a CODEVASF  e enterra todas as esperanças de fazer o DNOCS ressurgir no cenário nordestino. A sorte é que quando o Projeto de Integração do Rio São Francisco estiver concluído no final de 2015 como promete o atual Ministro da Integração Nacional, Francisco Teixeira, no que não acredito, iremos passar, com certeza,  por um período de chuvas abundantes por longo período de 10 a 12 anos. Período este semelhante, imagino,  como foi o de 1999 a 2011 (12 anos). O ano de 1998 foi seco,  mas foi um ano isolado. Foi neste período de chuvas abundantes que a COGERH cresceu ao transmitir para a opinião pública através de maciça propaganda que ela havia resolvido a questão da seca em nosso Estado fazendo a cobrança pelo uso da água da qual arrecada mais de R$ 40 milhões/ano  dos açudes do DNOCS. Para que? Será para  manter 650 funcionários num  único setor que é o “monitoramento da água” nos açudes estaduais? Sim, porque o monitoramento diário dos açudes federais é feito pelo DNOCS que detém  85% da capacidade de armazenamento de água no Estado do Ceará, ou seja, 15 bilhões de m3 de acumulação. Esta história de cobrança de água, no meu entendimento,  é um engodo e precisa ser mais bem  explicado para onde vai este dinheiro.  Segundo me consta, este trabalho de monitoramento diário dos reservatórios  do DNOCS no Estado do Ceará vem sendo feito apenas por dois engenheiros daquela repartição.  A COGERH, como disse acima, tem 650 funcionários para este único objetivo. Acreditem  se quiserem.

Na minha visão, com base na minha experiência de mais de 50 anos de acompanhamento da questão da água na região nordestina, com vários trabalhos publicados sobre este assunto, a partir de 2016 não mais iremos precisar trazer água do Rio São Francisco para a nossa Região. O Projeto de Integração do Rio São Francisco ficará ocioso por longos anos de 10 a 12 anos seguidos, como já me referi em artigos de jornais anteriormente.  A partir daquele ano, os açudes do DNOCS serão os únicos a serem acionados para atender à população nordestina. Vejam  que até mesmo a Região Metropolitana de Fortaleza mesmo na atual crise, no inicio do terceiro  ano de seca,  ainda poderia, a esta altura, estar sendo atendida através do Açude Orós que tem atualmente  mais de 50% de sua capacidade de armazenamento de água, uma verdade que se procura esconder. Enquanto isto, o Instituto Frutal afirma que no ano passado foi exportado pelo Porto do Pecém US$ 107 milhões de frutas dos projetos de irrigação do DNOCS e que o valor bruto da produção  foi de 1, 2 bilhão de reais. Pelo visto, ninguém teve a preocupação de lembrar a necessidade de racionar a utilização da água no caso da hipótese de  um terceiro ano de seca como, de fato, se confirmou. A prioridade seria para o abastecimento humano e animal. O meu  propósito ao fazer tais considerações é fazer um contra-ponto às informações oficiais para a que a população não venha mais ser enganada como tem sido  no caso da polêmica construção do Açude Castanhão.

Mas voltando ao assunto inicial deste comentário,  acho que a defesa do DNOCS tem que ser feita pelo viés técnico e não pelos  tortuosos caminhos da política até porque não nos faltarão argumentos para defender a necessária e indispensável permanência do DNOCS em nossa Região. Já bastam de tantos erros e decisões mirabolantes que somente virão a ser reconhecidas no futuro, daqui 10 ou 15 anos,  mas aí, até lá, ninguém tem mais nada a ver com isto:   “São erros do passado sobre os quais não se devem mais falar neles”, afirmarão. Aliás, a este propósito já perdemos três décadas desde quando o DNOCS e seus técnicos foram afastados das discussões em torno das soluções hídricas simples e  viáveis,  principalmente no caso  do Estado do Ceará onde se cometem os erros mais absurdos do ponto de vista de engenharia de recursos hídricos.  Cássio Borges

por João Suassuna — Última modificação 17/03/2014 09:36

Bombas do São Francisco começam a ser instaladas na Paraíba


De acordo com o ministro Francisco Teixeira, as bombas das estações elevatórias, são consideradas o ‘coração da Transposição’.


Cidades | Em 15/03/14 às 08h49, atualizado em 15/03/14 às 08h51 | Por Jornal Correio da Paríba/Daniel Motta

Nalva Figueiredo (Jornal Correio da Paraíba)


Obras do São Francisco

Na próxima semana, o Ministério da Integração Nacional (MI) irá instalar o primeiro conjunto de moto-bombas, que será responsável pelo bombeamento das águas do Rio São Francisco, para que cheguem aos estados da Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte, por meio da Transposição. Os equipamentos vão compor a estação elevatória localizado no eixo Norte, em Cabrobó, no Pernambuco. Ainda neste semestre, Com a meta de finalização agendada para 2015, as obras do Projeto de Integração Rio estão com mais de 55% executadas. A meta é avançar a obra em mais de 25% este ano e entregar os primeiros 200 quilômetros de canais em dezembro.

De acordo com o ministro Francisco Teixeira, as bombas das estações elevatórias, são consideradas o ‘coração da Transposição’. Ao todo, serão instaladas duas moto-bombas na Estação Elevatória (EBI - 1) do Eixo Norte e mais duas na Estação Elevatória (EBV-1) do Eixo Leste. Cada equipamento do Eixo Norte pesa cerca de 100 toneladas, o que equivalente a 100 veículos populares. Já no Eixo Leste, cada bomba possui 85 toneladas, correspondendo ao peso de 85 veículos populares.

No total, o MI está investindo cerca de R$ 1 bilhão somente com as estações elevatórias. O montante contempla a construção das nove estações de bombeamento, das aquisições das moto-bombas, das subestações de energia e das linhas de transmissão de alta tensão.

 

COMENTÁRIOS

João Suassuna - Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, Recife

Nossa bandeira de lutas, daqui para frente, será a de garantir que as águas do Velho Chico cheguem às torneiras das populações sedentas do Nordeste seco. Será um trabalho hercúleo, tendo em vista os claros propósitos das autoridades na priorização do agronegócio. Tivemos acesso à informações seguras, de que o governo da Paraíba está negociando um projeto de cerca de um bilhão de reais, para fazer a condução de uma parte das águas da transposição para a irrigação de cana de açúcar na região do Brejo, e de outra parte para o reforço do abastecimento de cidades localizadas no litoral paraibano. Esse, no nosso modo de entender, é o caminho mais curto para se exaurir um rio de múltiplos usos. Lembramos a todos os senhores que, atualmente, o rio São Francisco está com sua hidrologia debilitada, com perspectivas de racionamento de energia, em toda região, até o final do ano em curso. A situação é realmente preocupante!

 

Rinaldo dos Santos - Idealizador e Editor Chefe da revista O BERRO


Prezado João Suassuna,

 

Se o Governo da Paraíba desviar as águas do São Francisco para o Brejo ou para o litoral estará cometendo um crime contra a humanidade, deixando milhões de pessoas abandonadas no Sertão. O governador e todos que coadjuvarem deverão ser presos, pois esta será uma iniciativa não divulgada e estará escamoteando o uso precípuo das águas que, a rigor, não existirão de forma contínua (não haverá água para ser transposta...). Há provas e provas de que o projeto da Transposição é um blefe eleitoreiro e todos envolvidos nele deveriam ser trancafiados, pelo bem da Nação. Todos os políticos nordestinos que aprovarem deveriam ser cassados. Tudo esteve paralisado, mas agora, às vésperas de eleições, começam a surgir tais notícias, criando milhares de empregos, para "bem utilizar" as águas. Ora, ora, ora. Será que o povo nordestino não sabe gritar mais, como fizeram seus ancestrais em Guararapes, na Confederação, na República de 1817, no Quebra-Quilos, e em tantos outros momentos? Será que todos os políticos atuais são hipócritas e venais? Com esse dinheiro daria para construir cisternas de produção (para gente e animais) e barragens subterrâneas em todos os locais possíveis, iniciando os terraceamentos para agricultura, sempre por meio da iniciativa privada. 

 

 

Sobre o assunto:

Programa Opinião Pernambuco (Debate sobre a Transposição do Rio São Francisco) - 22/07/2013

 


Ficção na energia




Aventura Selvagem em Cabaceiras - Paraíba

Rodrigo Castro, fundador da Associação Caatinga, da Asa Branca e da Aliança da Caatinga

Bioma Caatinga

Vale do Catimbau - Pernambuco

Tom da Caatinga

A Caatinga Nordestina

Rio São Francisco - Momento Brasil

O mundo da Caatinga