quinta-feira, 16 de maio de 2013


A Matemática da Seca


Pernambuco em Pauta convida especialistas para debater sobre a convivência com a seca.

Revis AlgoMais - Maio de 2013

Se resolver uma equação e encontrar todos os valores das incógnitas, a seca pode ser considerada uma conta bastante complexa.

Na matemática, assim como na vida prática, não adianta apenas ter as expressões algébricas, é preciso saber resolve-las. O fator básico desta conta a ciência já oferece: a seca é um fenômeno cíclico, acontece a cada 13 anos. Apesar de previsível, ainda não foi encontrada uma fórmula para amenizar os efeitos da seca.

Aconteceu, no último dia 15 de abril, o Pernambuco em Pauta, realizado pelo Clube de Engenharia de Pernambuco em parceria com a Revista Algomais. O debate foi sediado na TGI e teve como mediador o presidente o Clube de Engenharia Alexandre Santos. Com o objetivo de discutir a convivência com a seca, foram convidados seis especialistas para entender o motivo pelo qual ainda não existe uma solução. Mesmo sem uma fórmula certa, a necessidade de fazer uso da tecnologia, de adaptar a produção dos sertanejos a realidade climática e de pensar sobre ineficiência das ações  emergenciais com os carros-pipa por exemplo foram pontos ressaltados na busca por uma resposta para a estiagem que afeta 1,3 milhão de pessoas em Pernambuco.

Entre os convidados estavam o pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco João Suassuna; o engenheiro e ex-diretor do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) Jose Arthur Padilha; o engenheiro agrônomo e gestor executivo do Distrito de irrigação Nilo Coelho Paulo Sales; o especialista em águas subterrâneas e diretor do setor de recursos hídricos do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) Jose de Assis Ferreira;

o ex-secretário de agricultura do Estado de Pernambuco Geraldo Eugenio e o arquiteto Carlos Fernando Pontual.  

João Suassuna. Endossado pelo escritor Guimarães Duque, o pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, João Suassuna vê a seca como uma “tragédia anunciada”. De acordo com ele, já em 1958 a população sabia como funcionava o esquema de chuvas no  Nordeste e mesmo assim decidiu apostar em uma loteria ao produzir grãos e outras agriculturas impróprias para o semiárido.

 Suassuna explica que hoje, o chamado Miolão da Seca, onde acontecem 80% das secas do Nordeste, tem cerca de um milhão de quilômetros quadrados e abriga aproximadamente dez milhões de pessoas. “Cerca de 70% do semiárido tem geologia cristalina, que são rochas na superfície. Com elas, pouca água consegue se infiltrar e o escoamento superficial é enorme”, explica.

De acordo com Suassuna é preciso uma conscientização da população que mora no semiárido para se adaptar aos períodos de secas. “Em 1972

Guimarães Duque fez uma palestra que falava que mesmo com o progresso, as secas parciais que surgem provocam levas e levas de flagelados. A causa é que três, quatro ou até mesmo cinco milhões de famílias insistem em plantar milho, feijão e arroz em uma região em que as chuvas são uma verdadeira loteria. Em 1958, por exemplo, só em março choveu 51% de toda chuva do ano”, endossa Suassuna.

Com clima de caatinga, o semiárido seria apropriado para lavouras x erófitas e como alternativa de convivência teria a produção de fibras, forragens, frutas, energia, óleos, látex e ate mesmo mel. “Enquanto tivermos uma lavoura contra a natureza estaremos formando flagelados quando faltar chuva”, completa.

Tida como uma das principais vilãs na seca, a producao de grãos nunca poderia ser considerada para desenvolver a cultura de subsistência.

De acordo com João Suassuna, fazer isso é como, em expressão popular, dar um tiro no pé. “Analisando as chuvas da região se percebe que apenas em 20% dos casos as colheitas são seguras. Ou seja, em dez anos agrícolas, voce terá apenas dois de boa colheita”, alerta.

Para exemplificar, Suassuna lembra a chuva do dia de Sao José, em 19 de março. Para surpresa do semiarido, houve uma grande chuva inesperada e o governo distribuiu três mil toneladas de feijao e milho. “Tudo virou pó. Você colocou o produtor para  trabalhar, mas ele nao teve retorno porque nao choveu mais. É importante alertar que a seca é um fenomeno previsível.

Já se sabia que os anos a partir de 2000 seriam secos”, lembra.

Para finalizar, o pesquisador lembra que o mais importante é o planejamento. “Tem que planejar alternativas de convivência. Ir atrás de explorar racionalmente a caatinga e  pensar a longo prazo, ao inves de só ver soluções emergenciais de curto prazo.”-

Acesse a opinião dos outros convidados da reunião, clicando no endereço abaixo:

http://www.revistaalgomais.com.br/

por João Suassuna — Última modificação 15/05/2013 18:06

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