quinta-feira, 25 de outubro de 2012


Cariri paraibano terá usina de leite em pó.


Cadeia do leite de cabra, que produz de 7,2 milhões de litros ao ano, poderá triplicar com 1ª usina de beneficiamento do Nordeste.

Correio da Paraíba – Edição de 21 de outubro de 2012

Daniel Mota

A atividade da caprinocultura, desenvolvida em cerca de 16 municípios do Cariri paraibano, poderá triplicar a produção leiteira nos próximos anos, com a instalação da primeira usina de beneficiamento de leite em pó no Nordeste. Atualmente, a cadeira leiteira chega a mais de 7,2 milhões de litros ao ano e garante renda para cerca de mil produtores rurais. A unidade de beneficiamento faz parte de um projeto elaborado pelo Governo do Estado e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), órgão das Nações Unidas, que financia recursos para programas destinados à promoção e o avanço econômico. O valor do projeto ainda está sendo definido, mas deverá custar aproximadamente 8 milhões de dólares (cerca de R$ 16 milhões).

De acordo com o secretário de agricultura do Estado, Marenilson Batista, o convênio que viabilizará a instalação da fábrica foi assinado na última quarta-feira, em Brasília, entre o governador Ricardo Coutinho e o representante da Fida no Brasil, Hardi Vieira. Ele explicou que o próximo será a realização de um estudo de viabilidade, para identificar o local e as condições para implantação da unidade. “Esse estudo, que iniciaremos nos próximos dias será para termos noção do tamanho da fábrica, da dimensão do espaço que ela deverá ocupar. Além disso, tem que ser pensada a logística. A fábrica tem que ficar num local de fácil acesso para produtores e compradores. Somente após esse estudo que faremos na região do Cariri e Campina Grande é que teremos uma decisão e ai iniciaremos a instalação da fábrica. O estudo também demonstrará quando deverá ser necessário em recursos financeiros para a instalação”, disse Batista.

Segundo o coordenador do Programa do Leite do Estado, Aldomário Rodrigues, as cidades de Campina Grande, no Agreste, e Monteiro, no Cariri, são os locais com maiores possibilidades de receber o empreendimento. “Campina Grande tem uma boa malha viária, é acessível para outros lugares e oferece condições de atender as exigências para instalação. Já Monteiro, por sua vez, está bem mais próxima do maior centro produtor de leite de cabra, que é o Cariri. Todos esses critérios serão levados em consideração”, explicou.

Aldomário ainda destacou que ao todo, mais de mil produtores paraibanos serão beneficiados, mas, no entanto, o volume de produção da cadeia leiteira da caprinocultura no Estado, não será suficiente para atender a demanda do beneficiamento na fábrica. Por conta disso, será necessário comprar leite de estados vizinhos, como Pernambuco, Rio Grane do Norte e Ceará. “O beneficiamento de leite in natura em pó necessita de um volume grande de litros do produto, e pára isso, será necessário buscar parcerias com outros estados da região. Isso beneficiará muitos produtores e agregará ainda mais valor ao produto, gerando emprego e renda”, frisou Rodrigues.

Rebanho tem 500 mil cabeças

Conforme o coordenador, a Paraíba tem um rebanho de aproximadamente 500 mil cabeças e uma produção anual de sete milhões de litros de leite. “Podemos não ter o maior rebanho do Brasil, mas sem dúvidas temos o melhor, com cabeças de qualidade e destaque no setor. Isso é muito importante e trataremos de ações para aumentar o rebanho para atender a produção em grande escala”, destacou.

Para o gestor do Sebrae, Samuel Mayer, a produção de leite de cabra na Paraíba chega a 600 mil litros de leite por mês e ao ano, mais de 7 milhões, o setor ainda precisa avançar e conquistar mercado. “É importante que exista o comércio para o leite in natura, como acontece aqui na Paraíba, onde os criadores vendem para o Governo, mas é muito importante também que o setor cresça comas variedades que podem ser obtidas a partir do beneficiamento do leite de cabra. Até hoje, ainda não existe no Brasil uma fábrica de produção de leite da cabra em pó, e temos que exportar da Holanda. Temos todos os potenciais para desenvolver essa vertente econômica na nossa região. Quando isso acontecer, a produção com certeza será triplicada, o número de produtores também aumentará e o rebanho também. Assim, o setor da caprinocultura poderá se desenvolver muito”, explicou Mayer.

A estimativa é de que a fábrica possa beneficiar até 100 mil litros de leite por dia, o que poderá render uma média de 9,2 mil pacotes de leite. O leite em pó será comercializado no mercado brasileiro e também poderá ser exportado para países africanos e também para Grécia.

Mayer contou que a ideia da instalação da fábrica teve início há cinco anos e que durante esse intervalo de tempo, representantes da FIDA estiveram no Cariri estudando as potencialidades da bacia leiteira na região. “Tudo que eles encontraram foi favorável ao desenvolvimento do setor, porque reles reconheceram que temos todos os potenciais suficientes para que seja instalada uma fábrica na Paraíba. Temos leite, temos rebanho, temos produtores e temos uma região propícia ao desenvolvimento da atividade”, frisou o gestor do Sebrae.

4 mil empregos serão criados

O Projeto Desenvolvimento Sustentável do Cariri e Seridó (Procase), que será desenvolvido em parceria entre o Governo do Estado e o FIDA, irá beneficiar 18 mil famílias pobres rurais em 55 municípios e alcançará um importante número de beneficiários indiretos. O projeto foi viabilizado com um aporte financeiro do FIDA de USD 25 milhões, e com o Governo da Paraíba e os próprios beneficiários contribuindo outros USD 25 milhões.

O Projeto será executado pela Secretaria do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca (SEDAP) e será implenemtado em nível estadual por varias agências locais.

O projeto prevê melhorar atividades econômicas e a renda de 18 mil famílias rurais pobres entre as regiões mais carentes do Estado da Paraíba, criar mais de 4.300 postos de trabalho e promover bolsas para 4.000 jovens rurais receberem treinamento em desenvolvimento de negócios. De maneira a proteger o delicado bioma da caatinga, o projeto estabelecerá 250 sistemas agro-florestais e promoverá práticas sólidas de manejo de recursos naturais entre os participantes do projeto.

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