quinta-feira, 25 de outubro de 2012


A Seca de 2012 é pequena diante da próxima.


Revista O BERRO, N° 158 – Agosto de 2012

Qualquer Seca é retratada pela quantidade de vítimas e, no final, espera-se que o flagelo jamais retorne. A Natureza, porém, comanda o jogo, enquanto os homens não arregaçam as mangas para enfrentar o problema. Todas as últimas Secas foram profetizadas pela Ciência; todos os políticos nordestinos sabiam; todas as autoridades federais sabiam e, mesmo assim, o flagelo açoitou as pessoas simples.

Acontece o mesmo com esta Seca que atravessa 2012 deixando um rastro de prejuízos, falências, suicídios, um desmantelo generalizado da economia sertaneja. O cidadão que conhece a História sente pena dos flagelados, mas fica com raiva por ver a repetição de uma tragédia tão anunciada.

A Grande Seca de 1978/83 deixou 3,5 milhões de mortos (escondidos pelo cancelado Censo de 1990!) e 10 milhões de desaparecidos. Também estava prevista, mas foi engavetada e acabou vazando apenas nas páginas de uma revista rural: “Agropecuária Tropical”, em dezenas de reportagens, principalmente de Manoel Dantas Vilar Filho (Manelito), Rinaldo Santos, Jorge Coelho e outros.

Nas vésperas da Seca de 2012 o Governo Lula resolveu investir R$ 8 bilhões na transposição do rio São Francisco, com interesse em eleger sua sucessora. Deu certo, mas esqueceu de investir na prevenção da Seca. Investiu no transitório (eleição), esquecendo-se do definitivo (obras para produção rural, dentro das propriedades). Deu no que deu, repetindo-se o passado inglório que caracteriza o Nordeste apenas como um “curral eleitoral”.

Desde 2001, o CTA demonstrou a Seca de 2012, rapidamente engavetada, de novo, para prestigiar a “indústria da seca” encastelada em Brasília e nos governos regionais. O mesmo relatório do CTA mostra que a “maldição dos 100 anos” irá se repetir entre 1930 a 1935. Até lá, ou os governos terão viabilizado a existência das propriedades rurais, ou novamente o Censo terá que ser cancelado, para não exibir milhões de mortos (uma vergonha para qualquer governo. O Censo de 1990 foi cancelado por ordem do presidente Collor, um nordestino).

O Sertão somente será viável com obras dentro das propriedades, foco central na pecuária rústica: caprinos, ovinos, bovinos zebuínos e lavouras adequadas de pouca exigência hídrica.

Enquanto permanecer o foco na mini e micropropriedade apenas estará sendo mantido o regime de asfixiação econômica das pessoas sertanejas. Que todas as propriedades tenham um tamanho adequado à produção (sujeitas às secas periódicas): esse é o caminho.

Que todas as propriedades tenham a opção da pecuária rústica: esse é o caminho. Havendo chance de produção, o resto será feito, naturalmente.

Acesse AQUI, o trabalho “PREVISÃO DE PERÍODO DE SECA PARA O NORDESTE DO BRASIL”, 2001, de Carlos Girardi e Roberto da Mota Girardi, que mostra as análises feitas sobre as secas ocorridas e as que ainda estão por vir.

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