terça-feira, 30 de abril de 2013


MARCHA DAS ÁGUAS DE ITACURUBA INAUGURA A CÚPULA DOS POVOS

No domingo dia 3 de junho foi realizada a Marcha das Águas com o tema Não Queremos Usina Nuclear em Pernambuco, no Nordeste e no Brasil, que percorreu o trajeto de 12 km do trevo até a cidade de Itacuruba. Cerca de 1800 pessoas entre indígenas, quilombolas, movimentos sociais do campo e da cidade, populações urbanas, igrejas, homens, mulheres, idosos, muitos jovens e crianças acompanharam o trio elétrico e a Banda Fé e Axé, juntamente com Roberto Malvezzi e outros representantes de entidades organizadoras que mantiveram a animação do público durante a Marcha, entoando cânticos e músicas cujas letras estavam em uma cartilha, amplamente distribuída aos participantes.

A Rio+20 – particularmente a Cúpula dos Povos – começa hoje, aqui em Itacuruba, este foi o lema presente em quase todas as mensagens transmitidas durante a Marcha, realizada em pleno Sertão de Pernambuco, região fortemente atingida pela seca. O principal objetivo de todas as pessoas presentes era a defesa das águas do Rio São Francisco e o protesto contra o projeto governamental de instalar uma Usina Nuclear na região. Itacuruba recebeu o povo ribeirinho vindo de municípios da Bahia, Sergipe, Alagoas, além de cidades próximas e da capital pernambucana.

Logo a partir das 6 horas da manhã, começaram a chegar as primeiras caravanas e quem chegava participava do café comunitário ao mesmo tempo em que ouvia falas que davam o tom da marcha: “A marcha que vamos realizar hoje é apenas uma etapa. Amanhã haverá o enfrentamento, pois do outro lado está o modelo que quer privatizar e mercantilizar a água. Esta caminhada é para nos treinar a enfrentar esse modelo que quer fazer da água uma mercadoria”, enfatizou o padre Sebastião, da Diocese de Floresta.

No trevo que dá acesso à cidade, local da concentração, representantes dos povos indígenas foram convidados para conduzir a abertura. O índio Manoel Antônio do Nascimento, pajé da aldeia Pankará, fez uma saudação às entidades divinas e ao Pai Tupã pedindo proteção.

A longa caminhada em baixo do sol forte do Sertão chegou à praça principal da cidade de Itacuruba, onde os pronunciamentos foram intercalados com as apresentações de artistas dos povos ribeirinhos, dentre eles a do cantor e compositor Jean Ramos e de dois mímicos, de Jatobá; o grupo de xaxado Educarte de Itacuruba; a encenação dos alunos da Escola Municipal Prof. Francisco Ferraz, a ciranda do Grupo da Melhor Idade, o espetáculo de dança Planetinha do Projeto Renascer e o grupo de Vaqueiros de Floresta, que acompanhou toda a Marcha.

Na ocasião foi apresentada a “Carta de Itacuruba” e a “Carta das Crianças”, ambas produzidas durante a Marcha e enviadas para a presidente Dilma Rousseff a partir da Cúpula dos Povos, na Rio+20. O encerramento da Marcha foi marcado pela celebração ecumênica que reuniu lideranças religiosas católicas, evangélicas, indígenas e quilombolas e com o almoço comunitário.

A Marcha das Águas foi organizada pela Articulação Popular São Francisco Vivo, Projeto Cultura de Paz e Diocese de Floresta, teve o apoio do Movimento Ecossocialista de Pernambuco (MESPE), Kinder Missionswerk, CESE, Prefeituras e GRE Floresta.

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