quarta-feira, 20 de março de 2013


 

14 Comentários para “A onça-pintada contra a energia eólica”.



Matéria importantíssima!
A parte ruim é reconhecer o quão falho é nosso sistema político, visto que Ministério do Meio Ambiente investiu em um projeto intitulado “Áreas prioritárias para a conservação da Caatinga”, este projeto apontou onde estavam as áreas com maior importância biológica e ainda aquelas áreas prioritárias para investigação científica.
No entanto o Ministério de Minas e Energia ignorou completamente a informação fornecida pelo MMA e tem instalado seus parques eólicos exatamente nas áreas apontadas como detentoras de alta diversidade biológica pelo projeto supracitado. Projeto este que foi mais além, nele existe a recomendação da criação de uma unidade de conservação em prazo urgente para esta área (Há exatos 10 anos).
O que nos faz questionar porque o MME pode atropelar as recomendações do MMA visto que ambos são hierarquicamente similares? Porque o Parque Nacional Do Boqueirão da Onça ainda não saiu do papel, já que há recomendação do MMA para a criação de uma Unidade de Conservação no local?
Tudo isto é quase tão lamentável quanto o comentário do pobre Waldir, possivelmente a opinião dos senhores tomadores de decisões seja tão minúscula quanto aquela que esta criatura expôs.


Desde muito tempo existem esforços de pesquisadores que apontam a área do Boqueirão da Onça como prioritária para conservação da biodiversidade. Não se trata somente da conservação da onça-pintada – se trata da conservação de uma área de Caatinga onde ainda estão estabelecidos muitos processos ecológicos que mantém a frágil biodiversidade desse bioma. Para a área em questão são conhecidas espécies endêmicas de aves e populações únicas de animais que ainda resistem aos danos antrópicos. Infelizmente a biodiversidade da Caatinga a cada dia vem sendo devastada por ações humana que visam somente o lucro (e o lucro imediato) concentrado na mão de empresários ricos e interesses governamentais. É engraçado como sempre o Nordeste brasileiro e a Caatinga foram tidos como não produtivas e desprovidas de valor econômico – agora as grandes empresas de energia vem justamente para essas áreas? essas desculpa barata de que nossa terra não é importante é entendida quando grandes empreendimentos vem se instalar aqui – serve como uma desculpa para supressão de vegetação e consequente rompimento das interações ecológicas e extinções. É incrível como para criar uma unidade de conservação, que é de extrema importância para a sobrevivência de espécies animais e vegetais, existam tantos empecilhos e descaso. Quando se fala em lucro os empecilhos deixam de existir e todo esforço de anos dos pesquisadores é soterrado em apenas poucos meses – o projeto de instalação das torres de energia eólica foi da noite para o dia aprovado, ignorando todo o histórico para a instalação do parque nacional e muito mais, mostrando que o país pouco se preocupa com as questões ambientais, principalmente do semiárido nordestino. Mas é lamentável: o pouco que resta desse bioma, de espécies endêmicas e populações de animais que ainda persistem pela sobrevivência nesse local estão se extinguindo – algo deve ser feito urgentemente!


Muito bem colocado Joyce. São 10 anos de estudos que comprovam, sem contestação, o valor biológico da região do Boqueirão da Onça. E esse valor vai mais além da biodiversidade, atinge nossa história devido as pinturas rupestres encontradas em toda a região, que já pode estar, em número, maior do que as encontradas na Serra da Capivara. Triste é perceber a falta de manifestação dos arqueólogos com relação à isto. Enfim, uma região cuja riqueza favorece as condições de vida dos moradores locais e enriquecem nossa história e conhecimento atual… não pode simplesmente sumir do mapa.


Uirá Siqueira:
13 março, 2013 as 20:11
Muito boa matéria!!!

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