sexta-feira, 19 de julho de 2013

REGIÕES DO SEMIÁRIDO RECEBEM BARREIROS PARA GARANTIR A SOBREVIVÊNCIA DE REBANHOS

Balanço recente mostra que em 2012, foram implantados 20 barreiros na Bahia, 50 no Piauí e 119 em Pernambuco.


A região semiárida de Pernambuco, Piauí e Bahia recebeu na primeira quinzena de julho a instalação de 189 barreiros, também chamados de pequenas barragens ou aguadas. As instalações são feitas através da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) no âmbito do programa Água para Todos. “Estes barreiros armazenam água da chuva para a dessedentação de rebanhos de famílias que vivem dispersas no semiárido”, explica Leonardo Cruz, analista em desenvolvimento regional da companhia.
Divulgação / Gov. ES Com a implantação da barragem Barreiro Grande, 12 mil pessoas do semiárido nordestino, serão beneficiadas, também, nos períodos de longas secas.
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  • Com a implantação da barragem Barreiro Grande, 12 mil pessoas do semiárido nordestino, serão beneficiadas, também, nos períodos de longas secas.
Cada barreiro armazena entre cinco e 35 milhões de litros de água e atende, em média, a 20 famílias de produtores rurais. O tamanho exato do reservatório varia de acordo com as características de topografia e solo, por exemplo, de cada localidade. “O desenho de barreiros ou pequenas barragens é semelhante ao de barragens convencionais, mas com dimensões menores. O modo de compactação do solo para que a água fique retida e não se disperse também é mais simples”, afirma Leonardo Cruz. Os reservatórios são projetados para ter um significativo excedente de água, já que grande parte das reservas é consumida naturalmente pelo processo de evaporação.
No planejamento das instalações, a Codevasf busca beneficiar um número mínimo de cinco famílias que vivam a um raio de até dez quilômetros de onde será implantado o reservatório. O público prioritário dos barreiros é composto por famílias que têm renda per capita mensal de até R$ 140. A identificação dos potenciais beneficiários é feita individualmente, em visita às residências.
De acordo com Leonardo Cruz, a pulverização de pequenas barragens em regiões de seca geralmente tem vantagens comparativas em relação à construção de grandes barragens para o atendimento de populações rurais. “Grandes reservatórios requerem investimentos maiores e não atendem adequadamente a comunidades dispersas devido à concentração da água em um único ponto.
A aposentada Bertolina Francisca da Silva é uma das beneficiadas pela instalação de um barreiro na comunidade Chupeiro, em Paulistana (PI). De acordo com ela, o reservatório tem sido usado diariamente para saciar a sede dos animais da região. “Aqui não tinha água de jeito nenhum. A gente precisava muito desta água. Deus mandou uma chuva boa e estamos com água bem perto de casa”, diz ela.
A Codevasf trabalha com a meta de instalar 1.010 barreiros com o programa Água para Todos até o fim de 2014. Os estados beneficiários são Bahia, Piauí, Pernambuco, Minas Gerais, Sergipe, Alagoas e Maranhão. Além de dessedentação animal, os barreiros permitem o desenvolvimento de pequenas plantações familiares em suas imediações, onde são cultivados, entre outros itens, hortaliças, leguminosas, milho e feijão para consumo próprio.
Barreiros
Os barreiros acumulam água da chuva e são voltados para a dessedentação animal. Eles serão instalados em 78 comunidades rurais dos municípios de Aquidabã, Canindé do São Francisco, Cedro de São João, Gararu, Itabi, Monte Alegre de Sergipe, Nossa Senhora da Glória, Poço Redondo, Porto da Folha e Propriá.
Água para Todos
O Programa Água para Todos é destinado a promover a universalização do acesso à água para consumo humano em áreas rurais do semiárido, visando o pleno desenvolvimento humano e à segurança alimentar e nutricional de famílias em situação de vulnerabilidade social. Além disso, o programa levará também água para a produção agrícola e alimentar.
Fonte:
Sobre o assunto:

COMENTÁRIOS
João Suassuna - Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, Recife


Pondero, apenas, a questão da evaporação exacerbada existente na região semiárida nordestina, que causa, frequentemente, a exaustão desses corpos d´água a cada ano. Os pequenos açudes, por exemplo, secam facilmente na região semiárida quando expostos a esse agente natural. Existem estudos no Nordeste, que asseguram perdas de 2 metros de lâmina d´água nas represas, sob a influência da evaporação, independentemente de seu volume acumulado. No caso em questão, um barreiro possuindo 2 metros de profundidade irá secar, certamente, sob a ação do fenômeno (evaporação), mesmo sem a utilização de suas águas pelo produtor. Ademais, seria de grande valia que o barreiro não representasse a única fonte hídrica das propriedades, fato que poria em risco, não apenas o bom andamento dos sistemas produtivos, mas, e principalmente, a vida do produtor.

José do Patrocínio Tomaz Albuquerque - Hidrogeólogo, Consultor e Professor aposentado pela Universidade Federal de Campina Grande.
Prezado João Suassuna
Esse pessoal da CODEVASF desconhece, totalmente, o que sejam condições hidroclimáticas do Semiárido. Afirmar que “ a pulverização de pequenas barragens em regiões de seca geralmente tem vantagens comparativas em relação à construção de grandes barragens para o atendimento de populações rurais” e que“Grandes reservatórios requerem investimentos maiores e não atendem adequadamente a comunidades dispersas devido à concentração da água em um único ponto “, é um despropósito sem tamanho. Eles desconhecem que as perdas por evaporação chegam, não apenas aos 2.000 mm/anuais de que o amigo falou, mas podem atingir os 3.000 mm/ano, dependendo do grau de aridez da região, que varia. Ainda mais se a finalidade for, como está no texto, suprir o abastecimento humano do meio rural, coisa impossível de ser viabilizado por tais açudes. Estes têm que oferecer água permanente, qualquer que seja o evento hidroclimático em qualquer ano ou época do ano, o que somente é possível através dos reservatórios que têm capacidade plurianual de regularização de vazão. Não pode haver vulnerabilidade nisto, sob pena de se verificar o que está, hoje, acontecendo: o desabastecimento, inclusive da pecuária. Eles não garantem a sobrevivência de rebanho nenhum que não precisa somente de água, mas, e principalmente, de alimento. O gado quando morre, é de fome, mesmo à beira de algum reservatório, já lamacento, de água. A gestão desses pequenos reservatórios exige o seu imediato e intensivo aproveitamento na produção desses alimentos, cujo excedente se armazena. Água de pequenos açudes não deve ser mantida em seus reservatórios, senão se perde quase que totalmente. Isto é o que se chama aproveitamento sinérgico destes pequenos e médios reservatórios, evitando ao máximo as perdas e potencializando os seus usos. Tem que fazer o abastecimento humano do meio rural pela capilarização de adutoras de grandes reservatórios, construção de redes simples de distribuição, construção de chafarizes e, onde for possível, usar as águas subterrâneas de poços com quantidade e qualidade compatíveis com as características, igualmente quantitativas e qualitativas, destas demandas humanas. Consideram os autores de tais projetos que a capilarização seria antieconômica. Desconhecem esses cidadãos que, em recursos hídricos, evitar perdas significa gerar benefícios financeiros. Quanto se gastou com a atual seca, sem retorno econômico, social e financeiro? Somente em recente visita à Bahia, a Presidente anunciou um gasto de R$ 9,2 bilhões. Quanto se gasta com o abastecimento através de carros-pipa, implantados, justamente, quando entram em colapso os sistemas de abastecimento urbano e rural, realizados por reservatórios sem capacidade de regularização? Ademais, a construção desordenada desses barreiros tem reflexos negativos na recarga dos reservatórios maiores, reduzindo a capacidade de regularização dos mesmos. Boqueirão de Cabaceiras que abastece Campina Grande-PB e outras 19 cidades paraibanas é um exemplo disso. Quando construído, regularizava 2,9 m3/s. Com o tempo, mais de 500 novos reservatórios foram erigidos a montante e, hoje, regulariza, apenas 1,27 m3/s. Sem que os novos açudes tivessem dado algum retorno socioeconômico, permanentemente significativo. Há vários outros exemplos desta falta de gestão correta de bacias hidrográficas. Esse pessoal, antes de se meter a fazer, deveria ler o que já foi escrito sobre o problema de gestão dos recursos hídricos de nosso Semiárido e de qualquer bacia de qualquer região brasileira.
Abraços,
Patrocínio


por João SuassunaÚltima modificação 19/07/2013 16:00

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