quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Transposição do São Francisco e soluções para a seca.

Clube de Engenharia aborda obras de transposição do rio que pretende levar água às regiões de seca.


http://www.portalclubedeengenharia.org.br/info/transposicao-do-sao-francisco-e-solucoes-para-a-seca#!

  • Foto: EBC
 
A transposição do rio São Francisco mostrou-se, em diversos momentos de debate nacional, como um projeto polêmico. Nomeado pelo governo brasileiro como "Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional", é coordenado pelo Ministério da Integração Nacional. A obra prevê a construção de mais de 600 km de canais divididos em dois eixos (norte e leste). O desvio das águas do rio se estenderá pelos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. Sobre esse assunto, a Divisão Técnica de Recursos Hídricos e Saneamento (DRHS) do Clube de Engenharia promoveu a palestra “A transposição do São Francisco e a seca nordestina”, ministrada pelo chefe da DRHS, Jorge Paes Rios. O evento aconteceu na última terça-feira, 18/06, na sede da entidade.
O palestrante exibiu imagens da seca que assola parte do Nordeste brasileiro, demonstrando sua permanência ao longo de anos. Ele exibiu também imagens de quadros de Portinari, que retratou as secas em diversas obras, e o mapa das secas, que compreende, inclusive, parte do Sudeste – uma parte de Minas Gerais. Segundo Jorge, o Clube de Engenharia tem debatido o assunto há anos, principalmente sob a perspectiva técnica. “Discutimos o tema em 2005 e elaboramos um grande relatório sobre o assunto. Uma comissão fez a coleta e a consolidação das informações que foram posteriormente analisadas. Alguns dos aspectos gerais, como o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) foram estudados e, depois, o Conselho da entidade aprovou uma resolução”, explicou Jorge Rios.
A polêmica em torno do projeto na época da decisão sobre a transposição deu-se pela destinação do uso da água. Parte dos críticos alega que a água será retirada de regiões onde a demanda para uso humano é maior que a demanda na região de destino. No entanto, o RIMA aponta o uso da água para o agronegócio como positivo devido à possibilidade de geração de emprego e renda na região. Segundo o palestrante, houve críticas também ao projeto de revitalização das áreas em transposição. “Falava-se que só poderia ser feita a transposição após a conclusão do projeto de revitalização, mas isso não é verdade, já que a revitalização é um processo constante”, afirmou Rios.
Os motivos para a realização da transposição também foram abordados na palestra. “Os motivos principais são o que prevê o artigo 20 da Constituição, que diz que o rio é bem da União, pois banha mais de um estado, portanto, deve servir para promover o desenvolvimento e evitar as secas periódicas. Além disso, ele é um rio perene e sua bacia representa 70% da água potável do Nordeste, mostrando seu potencial de abastecimento da região”, disse.
Jorge Rios fez duras críticas às paralisações e aos atrasos na obra, segundo ele, esses percalços acabam aumentando muito o custo final da obra. Após mostrar o mapa da transposição e outros dados técnicos, o debate foi aberto aos presentes. O subchefe da Divisão Técnica de Recursos Minerais (DRM), Thomaz de Aquino Arantes, evidenciou que a preocupação do Clube com o tema vem de longa data. “Poucos sabem, mas há na biblioteca do Clube um livro chamado A Exploração Econômica do Rio São Francisco. A publicação data de 1860, ou seja, esta não é uma pauta recente na entidade, discutimos isso há pelo menos 150 anos”, ressaltou.
 
COMENTÁRIOS
Prezado PROF. Jorge,


Estou muito longe de ser eco-xiita. Nasci e me criei nas margens do São Francisco, atuo com monitoramento de recursos hídricos há mais de dez anos em toda a Bahia, inclusive na Bacia do São Francisco, no mínimo, o que possa te dizer, com conhecimento, é que o Rio tem seu leito diminuído em vários pontos.
Minha equipe fará monitoramento da dragagem de 13 passos críticos, começando na próxima semana, tem trechos que até voadeira não passa, e isto não é dado secundário!! É fato.
Minha região sobrevive do Rio e há vinte anos atrás perdi amigos por conta de disputa por água, o sr. sabe que isto ocorre nas margens do São Francisco? Os afluentes principais, do trecho mais árido por onde ele passa, sofrem com desmatamentos e são considerados a nova fronteira da agricultura baiana, orientei duas monografias de Gestores Ambientais da área, que citam os impactos do desmatamento e mecanização agrícola. O volume de água nas veredas diminui a cada ano.
Sugiro que não se contente com o material que leu, dê um passeio pelo Rio Grande (um maiores afluentes do Oeste Baiano), veja se ainda há mata ciliar; conheça o Rio Salitre, que passa boa parte do tempo sem água; ou tente navegar entre Barra e Pilão Arcado pelo São Francisco. Depois que VERIFICAR as reais condições do rio, vamos ver se continuará com seu discurso.


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JORGE RIOSPREZADA EDISIENE,
Pelo visto vc. NÃO ASSISTIU A MINHA AULA / PALESTRA .... A disputa por AGUA só tende a aumentar no Mundo todo é claro ...

Ja trabalhei em quase TODO O SERTÃO NORDESTINO e conheço MUITO BEM as agruras das SECAS ... os rios do Nordeste Setentrional são TODOS INTERMITENTES e as secas são históricas e os habitantes precisam de AGUA ....

Como mostrei os AFLUENTES podem sofrer mais e quem MAIS DESMATOU foram os Estados de Montante [ Minas e Bahia ] para fabricar carvão e aço ...o que é REALMENTE UM ABSURDO .... E depois egoisticamente e / ou POLITICAMENTE fizeram campanha para a AGUA NÃO ATINGIR AOS MAIS NECESSITADOS .... PARA ALGUNS NÃO INTERESSA QUE AGUA CHEGUE pois existe a famosa POLÍTICA DA SECA PARA SE OBTER VOTOS....

O PROJETO atual prevê a REVITALIZAÇÃO DA BACIA
baixe no meu BLOGSPOT [http://prof-rios.blogspot.com.br/o DOWNLOAD GRÁTIS do meu livro REVITALIZAÇÃO DE RIOS ] ....

REPITO; A VAZÃO MEDIA DO RIO SÃO FRANCISCO É 6 VEZES SUPERIOR ao do rio PARAÍBA DO SUL que abastece o RIO DE JANEIRO ... não existe esta figura de rio agonizante ISTO É PAPO DE DESINFORMADO , DE ECO-XIITA, DE POLÍTICO QUE SE ELEGE COM A INDÚSTRIA DA SECA, E DE JORNALISTA .... QUEM AGONIZA É O GADO E OS POBRES DO INTERIOR NA ÉPOCA DA SECA ... até a GLOBO mostrou isto .... VEJA E LEIA A MINHA PALESTRA NO CLUBE DE ENGENHARIA ....
http://www.portalclubedeengenharia.org.br/info/transposicao-do-sao-francisco-e-solucoes-para-a-seca

SAUDAÇÕES FLUVIAIS ;
PROF. JORGE RIOS =
http://prof-rios.blogspot.com.br/
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José do Patrocínio Tomaz Albuquerque - Hidrogeólogo e Consultor
Prezada Cláudia Abreu
 
Vi o vídeo da palestra do Prof. Jorge Rios. Algumas partes não tinham som, como, aliás, alguns assistentes declararam. Mas, deu para conhecer a posição do professor, já manifestada anteriormente, e reiterada na sua mensagem atual, favorável à Transposição do São Francisco, da qual discordo. Mas, vou comentar o teor desta mensagem do Prof. Rios por você encaminhada.
Partindo da parte que diz respeito às disponibilidades do rio para cessão de água para fins de qualquer transposição, estas não podem e não devem ser relacionadas mais à sua vazão média de longo período (seis vezes superior à do rio Paraíba do Sul, segundo ele) mas, sim, à vazão regularizada no trecho entre os reservatórios de  Sobradinho e Xingó, passando pelas de Itaparica, Moxotó e Complexo de Paulo Afonso.
Em relação ao problema da outorga para a Transposição, a disponibilidade alocável é dada, até a barragem de Xingó, pela vazão regularizada no trecho entre as nascentes e este reservatório, ou seja, os 1.815 m³/s (vai num crescendo desdeTrês Maria, atingindo esse valor em Sobradinho).  O professor teria razão (disponibilidade em toda a bacia, dada pela vazão média de longo período) se ela não tivesse sofrido intervenção humana. Com a intervenção a disponibilidade corresponde à vazão regularizada no trecho controlado pelas barragens. Qualquer retirada para consumo neste trecho e a montante de Sobradinho afeta esta vazão. E ela, neste trecho, está toda comprometida com os usos múltiplos que se faz dela, principalmente a geração de energia (Até o apagão, destinava-se, em média, para geração de energia 2.060 m³/s com garantia de 90 ou 95% e deu no que deu). Não há saldos neste trecho. Tanto que eles estão sacrificando a geração de energia hidrelétrica e a substituindo pelas térmicas a gás ou carvão e pensam em nuclear. A outorga, por isso, nunca deveria ser concedida, a não ser, exclusivamente, para o abastecimento humano, em obediência ao que determina a Lei 9.433/1997. E esta não é a principal finalidade da vazão outorgada. Tampouco faltava água para abastecimento humano nas bacias receptoras. É só ver o confronto disponibilidades versus demandas de abastecimento humano, urbano e rural, e do gado, constantes do Projeto ÁRIDAS (1994), ou do Ofício 373 MI (Ministério da Integração) dirigido aos Estados receptores, em 2005. Agora, após Xingó, a vazão média liberada de 1.815 m³/s recebe o acréscimo da vazão de base suprida pelos sistemas aquíferos situados a jusante (principalmente o sistema Alagoas-Sergipe), bem como a contribuição do escoamento superficial direto proveniente das chuvas que na bacia, entre Xingó e o Atlântico. Dá algo como 2.000 m³/s. Nesse trecho é que se poderia, em princípio, mantida a vazão ecológica (1.300 m³/s) fazer uso do saldo, inclusive para projetos de Transposição futuros, visando o abastecimento urbano das metrópoles litorâneas e, até, irrigação de solos dos tabuleiros costeiros, o que deveria ser muito bem avaliado e discutido com os atores envolvidos.
Sabemos que a maior parte da vazão transposta  vai suprir demandas de irrigação (nos dois Eixos) e o complexo de Pecém, no litoral cearense (Eixo Norte). Para este empreendimento, as vazões regularizadas pelos reservatórios dos rios cearenses (bacias metropolitanas, litorâneas, do Acaraú, do Curu e, principalmente, do Jaguaribe, com vários reservatórios com capacidade de regularização 100% garantida, destacando-se os de Castanhão, Orós, Banabuiú, entre outros) são mais que suficientes. O que nunca será atendido com a segurança requerida é a demanda dos perímetros de irrigação, praticada em um modelo altamente consumista de recursos hídricos por seus métodos, períodos e cultivos inadequados (ás vezes exóticos) às condições climáticas da região e que, se implantados (cerca de 40.000 hectares) em nada reduzirá os efeitos das secas que atingem o Semiárido nordestino  (98 milhões de hectares). Estes efeitos se manifestam no colapso do abastecimento urbano ( o que ocorre quando suprido por reservatórios sem capacidade de regularização plurianual, havendo, em todas as bacias receptoras, açudes com tal capacidade, mas não destinados a esta demanda prioritária, segundo a Lei 9.433/1997), na continuidade produção agrícola de subsistência e do pasto natural, vulneráveis à qualquer irregularidade pluvial, mesmo as menores, denominadas de “veranicos”. Estas irregularidades é que deveriam ser corrigidas pelo uso adequado dos quase 70.000 açudes sem poder de regularização (efeito sinérgico pelo uso, reduzindo, ao máximo, as perdas por evaporação). minimizando, mitigando ou, em certas área e casos/ anulando os efeitos das estiagens, prolongadas ou não. Ist0 sem falar das águas subterrâneas contidas em bacias/sistemas aquíferos sedimentares, inclusive os aluviais.
Portanto, é preciso pensar diferente pois o nosso Semiárido é distinto de todas as demais regiões hidroclimáticas, áridas, semiáridas, semiúmidas e úmidas do Brasil e do Mundo. Mais: em nosso Semiárido, há semiáridos e semiáridos. Em alguns deles somente há condições de plantio de cultivares xerófitos.

Atenciosamente,
Patrocínio





 

por João SuassunaÚltima modificação 25/09/2013 17:21


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