quarta-feira, 28 de maio de 2014

MOTE PERSUASÓRIO PARA A CAMPANHA VELHO CHICO VIVO: EU VIRO CARRANCA PARA DEFENDER O VELHO CHICO

Conforme fora definido na XXIV reunião plenária do CBHSF, ocorrida nos dias 5 e 6 de dezembro em Recife (Jaboatão dos Guararapes/PE), o dia 3 de junho foi instituído como o Dia Nacional em Defesa do Velho Chico. Para divulgar essa data o CBHSF lançou a campanha “Eu viro carranca pra defender o Velho Chico”, que marcará o Dia Nacional de Mobilização em Defesa do Rio São Francisco. A mobilização está marcada para o dia 3 de junho e deverá contar com atividades em toda a extensão da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, nas 4 regiões fisiográficas da Bacia (Alto, Médio, Submédio e Baixo São Francisco) compreende 504 municípios, 6 estados e mais o Distrito Federal, conglobando quase 19 milhões de pessoas. No dia 3 de junho de 2014 teremos em Juazeiro e Petrolina (além de outras cidades) uma caminhada para concentração na Ilha do Fogo, onde serão realizados dois atos simbólicos, deflagrando a Campanha no Submédio São Francisco. Em que pese ser uma Campanha, não se pode dissociar o contexto de argumentativo de apresentar diversas problemáticas atinentes ao rio, sem as quais não se consegue validar o mote da revitalização. Nesta esteira, num contexto sinóptico da problemática degradatória, quem vê o rio a partir de Petrolina e Juazeiro nem imagina os impactos terríveis que ocorrem a montante e a jusante por diversos fatores de degradação que comprometem quali-quantitativamente as águas do rio São Francisco No Alto São Francisco tem-se a gravíssima situação da grande mortandade de peixes na região da Represa de Três Marias (MG) A seguir, a imagem da ponte entre Pirapora e Buritizeiro (MG) demonstra sobejamente a situação após 3 meses em comparação com a situação anterior. No Médio São Francisco também, de forma recorrente, tem-se a grande mortandade de peixes denunciada pela Associação Quilombola Lagoa das Piranhas (foto abaixo) Ainda no Médio São Francisco tem-se um processo acentuadíssimo de assoreamento e grande vulnerabilidade das matas ciliares, mormente, na entrada do lago de Sobradinho. Concomitantemente, foi verificado recentemente por pesquisadores da EMBRAPA grande contaminação por diversos agrotóxicos e metais pesados, lançados no Lago de Sobradinho, por conta de falta de controle nos projetos de irrigação aí existentes. A maioria dos agrotóxicos utilizados na região já foram, inclusive, banidos para sempre na Europa e na América do Norte. Assoreamento na região do final do Médio e também no início do Submédio São Francisco, antes e depois do Lago de Sobradinho Foto:http://www.sertaonoticias.com/noticias/brasil/18184 No Baixo São Francisco temos os escombros da Igreja de Petrolândia (PE) reaparecendo em meio a um acelerado processo de eutrofização das águas no Lago de Itaparica, chegando até a região do Lago de Xingó (SE), com a proliferação acentuada de macrófitas deixando a água esverdeada, podendo, futuramente, tornar-se inapropriada para beber. Fato constatado pelo notável hidrólogo, Pedro Molinas. Outro cenário igualmente preocupante é o que se vê no Baixo São Francisco, na região de Propriá (SE), onde a estiagem prolongada está fazendo surgir no Velho Chico, diversos bancos de areia que crescem a cada dia. Na imagem abaixo, amplamente divulgada nas redes sociais, é possível se ver o baixíssimo nível do rio sob a ponte de Propriá. Outrora chegava a uma profundidade de mais de 33 metros. Agora, muitas pessoas da região estão conseguindo realizar a travessia a vau (a pé) entre as cidades de Propriá (SE) e Porto Real do Colégio (AL), tanto pela formação dos bancos de areia como pela perda de caudal do Rio São Francisco, estimado em 35%. Na foz, entre Alagoas e Sergipe temos os mais acentuados impactos sócio-hidroambientais, relacionados com a perda de caudal e ainda mais pelas vazões restritivas impostas pelo Operador Nacional do Sistema (O.N.S) que atua com seu hegemonismo autocrático, de forma draconiana, atropelando a instância legitimada do Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco. Os efeitos da vazão restritiva imposta draconianamente pelo O.N.S tem causado impactos tão avassaladores que existem comunidades ribeirinhas bebendo água salobra, por conta da intrusão salina, que se caracteriza pela invasão das águas do mar, em processo reverso, do mar avançando dentro do rio. Uma expedição formada por vários pesquisadores de Universidades e de várias outras instituições constataram verazmente que a água do mar já chega a Piaçabuçu, município que fica distante 12 Km da foz, afetando o abastecimento de comunidades aí existentes se valem da escavação para retirada de água para beber, porque a água do rio já apresenta acentuada salinidade (foto abaixo). Lamentavelmente, a letra da música do saudoso Luiz Gonzaga está desfocada pela triste realidade, pois o Riacho do Navio não corre mais para o rio Pajeú. Tampouco o rio Pajeú despeja no São Francisco. Finalmente, constata-se que o rio São Francisco não bate mais no meio do mar. O povoado do Cabeço desapareceu, “tragado” pelas águas do mar. No mesmo diapasão, recorremos ao poema da música do grande violoncelista juazeirense e dileto companheiro de infância, Marcos Roriz. Ele assinala que a água doce já virou lágrimas... lágrimas que o barranqueiro derramou, com sói acontecer na região da foz em Piaçabuçu. De há muito que o mar tem avançado e invadido o rio São Francisco, ocasionando ao grande desequilíbrio biótico, ecossistêmico e para as atividades de pesca, como se observa na foto abaixo. No âmbito social temos o vilipêndio e menoscabo multissecular das comunidades ribeirinhas e tradicionais autóctones pela ausência das políticas públicas do Estado Brasileiro, agravada ainda mais pela situação de vulnerabilidade acentuada existente na porção semiárida da Bacia do São Francisco, com muitas pessoas passando fome e sem oportunidades e até sede ao longo de mais de 1.800 Km de margem, dentro do território da Bahia. Incapazes de atender os usos mais prioritários dentro da bacia, intenta de forma tinhosa, validar um projeto de transposição, sabidamente, eivado de anomalias, absurdidades e inviabilidades técnicas, econômicas, sociais, culturais e hidroambientais, numa obra comprovadamente insustentável em todas as dimensões. No aspecto humano e social indissociável das demais dimensões e relacionado com a dimensão cultural, política e institucional temos as comunidades de povos tradicionais ribeirinhos representados por indígenas,quilombolas e demais denominações. Em artigo publicado neste conceituado Portal ECODEBATE foi postada a: Reedição Crítica da Transposição do Rio São Francisco, artigo de Luiz Alberto Rodrigues Dourado Na publicação, foi feita uma releitura, com reavaliação crítica do malfadado processo de transposição do rio São Francisco diante da grave crise sócio-hidroambiental e demais dimensões que perpassam sua Bacia Hidrográfica. Neste contexto de diversos e multifacetados processos degradatórios se pergunta: Como retirar “sangue” de um “paciente” em UTI como é o caso do rio São Francisco? Como aceitar a transposição sem a prévia e impostergável revitalização? A TRISTE REALIDADE DEMONSTRADA EM FATOS E FOTOS, NÃO PODE SER TERGIVERSADA POR NENHUMA FALÁCIA SOFISMA DE ENGANAÇÃO O Velho Chico que tanto nos deu água em abundância e peixe em fartura agora precisa de nós para não morrer. Não é boato ribeirinho, não, mas a constatação óbvia da terrível realidade: rio de tantas vidas não corre mais primaveral e não canta mais o amor pois no mar não mais deságua. Parafraseando o poema musicado “BOATO RIBEIRINHO” (de Nilton Freitas, Wilson Freitas e Wilson Duarte) temos que nos conscientizar da triste realidade do Rio São Francisco que perdeu cerca de 35% de seu caudal. Por conseguinte, não se trata de um boato ribeirinho, o rio São Francisco pode de fato morrer se não o socorrermos urgentemente. Não podemos depender das chuvas, sobretudo agora que recrudescem as secas e estiagens prolongadas recorrentes, por conta das Mudanças Climáticas, cada vez mais intensas. O escoamento de base ou subterrâneo, proveniente do Aquífero Urucuia (Oeste da Bahia) está comprometido quali-quantitativamente, pelo agronegócio insustentável, sem do devido controle sócio-hidroambiental. Aliás, campeia o desregramento em todas as vertentes tanto pela omissão deliberada, como pelo beneplácito dos órgãos de controle hídrico e ambiental que se associam espuriamente ao poder hegemônico do grande capital, especialmente advindo das multinacionais da mineração que reservam água, das multinacionais do agronegócio que exportam água, a fertilidade da terra, exploram mão-de-obra barata e, todas elas deixam um rastro irremediável de degradação sócio-hidroambiental. Não temos mais o rio São Francisco como antes para nadar, navegar e pescar. Quiçá não o teremos para beber se o processo degradatório continuar, de forma intensa, acelerado e exponencial, comprometendo a quantidade e a qualidade das águas e, mormente, a vida das comunidades ribeirinhas da Bacia do São Francisco. Por isso conclamamos a todos nesta Campanha Nacional valendo-se do contexto parafrástico contido na letra e música inspiradoras, Boato Ribeirinho (Nilton Freitas, Wilson Freitas e Wilson Duarte): Não deixemos o Velho Chico morrer! Não deixe o Velho Chico morrer! Não deixemos o Velho Chico morrer! O que será de nós e das gerações futuras??? Qual será o nosso destino e dos nossos pósteros? Que rio deixaremos para nossos descendentes??? Não deixemos o Velho Chico morrer, porque senão morrerá o ribeirinho de fome, de sede, de esperança e de sei lá o quê.... O Rio São Francisco está em risco e é preciso defendê-lo. Por isso, o Comitê do rio São Francisco lançou a campanha “Eu viro carranca pra defender o Velho Chico”, que busca conscientizar a população sobre a necessidade da preservação e revitalização do rio. Mobilize-se! Participe! Juntos vamos eleger o dia 3 de junho como o Dia Nacional em Defesa do rio São Francisco! O Chico é um velho guerreiro, rio do povo brasileiro! Quem maltrata o São Francisco, maltrata o Brasil inteiro! O rio São Francisco periclita, mas não pode morrer! Ajudemos na sensibilização, parceria e mobilização desta Campanha e vire carranca para defender o Velho Chico... Porque se não cuidarmos, sequer teremos lágrimas para chorar a falta d’água no Velho Chico! Foto de National Geographic Channel India Luiz Alberto Rodrigues Dourado Turismólogo, pós-graduado em Educação Sócio-Hidroambiental Membro da Comissão da Campanha do Velho Chico Vivo Membro da CTIL e GACG do CBHSF Link para conexão com a: música:https://www.youtube.com/watch?v=H0UdRRlX3F0 Acesse, conheça, divulgue e participe da campanha em defesa do Velho Chico! http://virecarranca.com.br/

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