quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016


Situação volumétrica dos reservatórios das hidrelétricas da CHESF – 04/02/2016

Estamos iniciando uma atividade semanal de informação, aos interessados, dos estágios em que se encontram os níveis de acumulações volumétricas dos principais reservatórios da Chesf, na bacia do rio São Francisco. No caso específico da região do Sub-médio São Francisco - local onde é gerada a maior parte da energia elétrica do Nordeste -, os reservatórios, principalmente o de Sobradinho, acumulam água no período de novembro a abril, para disponibilizarem os volumes acumulados, no processo de regularização das vazões do Velho Chico, no período de maio a outubro. Estamos no dia 04/02/2016, portanto, em período no qual os reservatórios estão numa fase de acumulação volumétrica. Acompanhem a evolução desse processo, nos endereços abaixo, clicando no canal “Bacia do Rio São Francisco”.


04/02/2016

Reservatório            Data                 Afluência       Defluência          Volumes (%)

                                                         (m³/s)             (m³/s)       Atual         Ano anterior

Sobradinho            02/02                   4100                823           12,10            17,90

Itaparica                02/02                     880                796           47,20            32,60

Xingó*                   02/02                     741                838               -                   -

* - Não há percentuais acumulados, tendo em vista o rio correr, em seu leito, a fio  d´água


23/12/2015

Reservatório            Data                 Afluência       Defluência          Volumes (%)

                                                         (m³/s)             (m³/s)       Atual         Ano anterior

Sobradinho            21/12                   1050                929             1,80            16,80

Itaparica                21/12                   1060                843           12,80            20,40

Xingó*                   21/12                     863                908               -                   -

* - Não há percentuais acumulados, tendo em vista o rio correr, em seu leito, a fio  d´água

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Fonte: Chesf

http://www.chesf.gov.br/portal/page/portal/chesf_portal/paginas/sistema_chesf/sistema_chesf_bacias/conteiner_bacias


Fonte: ANA

http://www2.ana.gov.br/Paginas/servicos/saladesituacao/default.aspx

Sobre o assunto:

Diagnóstico sobre a oferta segura das vazões regularizadas pelos reservatórios, Sobradinho e Três Marias, bacia hidrográfica do Rio São Francisco


Seca no lago de Sobradinho prejudica produção agrícola no Vale do São Francisco

http://remabrasil.org:8080/virtual/r/remaatlantico.org/sul/Members/suassuna/campanhas/seca-no-lago-de-sobradinho-prejudica-producao-agricola-no-vale-do-sao-francisco

Especialistas concordam que houve falhas na gestão dos reservatórios

http://remabrasil.org:8080/virtual/r/remaatlantico.org/sul/Members/suassuna/campanhas/especialistas-concordam-que-houve-falha-na-gestao-dos-reservatorios

 COMENTÁRIOS

João Suassuna – Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco

Choveu muito no mês de janeiro na bacia do Velho Chico, principalmente nas regiões do Alto e Médio São Francisco. Os gráficos abaixo mostram que na região de Montes Claros (MG), por exemplo, no mês de janeiro de 2016, choveu cerca de 5 vezes a média normal para aquele período e que, em um único mês, o precipitado correspondeu a cerca de 96% de toda chuva caída em um ano na região. Há relatos de que, no município de São Francisco, o Rio transbordou com uma vazão da ordem de 5.000 m³/s. Foi muita água. Quem saíram lucrando com essas intensas precipitações foram as lagoas marginais do rio São Francisco, as quais apresentavam-se secas devido a um longo período de estiagem, somados a manejos inadequados em suas bacias. Com a cheia no rio, a piracema ocorreu, fazendo voltar os peixes nos ambientes lacustres. Certamente o ano de 2016 será piscoso na bacia do Velho Chico, por conta do enchimento e da revitalização de suas lagoas. Mas, mesmo com as intensas precipitações ocorridas, temos que chamar atenção para um fato importante: não podemos nos iludir e achar que, com a volta das chuvas, o problema da seca, na bacia do rio, foi solucionado. Estamos longe de afirmar isso! A razão para esse minha preocupação está na situação desesperadora que se encontrava a represa de Sobradinho (verdadeiro pulmão do Submédio e Baixo São Francisco), a qual, devido a problemas de gestão de suas águas chegou, em dezembro de 2015, a cerca de 1% de seu volume útil, obrigando a Chef a reduzir seus volumes defluentes, para cerca de 800 m³/s, patamares esses nunca vistos na sua história. A incompetência das autoridades levou à exaustão, uma represa de 34 bilhões de m³ (volume equivalente a 14 baías da Guanabara), o que resultou em sérios problemas na irrigação praticada na região de Petrolina/Juazeiro, na navegação, bem como na geração de energia do Nordeste, uma vez que as autoridades foram obrigadas a desligar 5 turbinas, das 6 existentes naquela hidrelétrica. Em finais dos anos 90, em conversa com João Paulo Maranhão Aguiar, assessor da Presidência da Chesf, hoje aposentado, me falava sobre a questão volumétrica de Sobradinho. Segundo ele, para se ter folga volumétrica na geração de energia do Nordeste, com as águas do rio São Francisco, a represa de Sobradinho teria que estar, necessariamente, ao final do mês de abril (final do período chuvoso da região), com cerca de 60% de seu volume útil preenchidos. Ora, atualmente (estamos em fevereiro) a represa encontra-se com cerca de 12% apenas de seu volume útil (no mesmo período de 2015 estava com 17,9%), faltando cerca de 90 dias para o término do período chuvoso na região, situação essa gravada ainda pela ação de um El Niño de grande magnitude, que tem influenciado na diminuição da caída das chuvas na região (notar a diminuição da vazão do rio, em São Romão - 2859 m³/s -, primeiro posto de mensuração de vazões ao longo da bacia do rio, até Sobradinho). Através do acompanhamento volumétrico sistemático que temos procedido nos reservatórios das hidrelétricas da Chesf, chegamos à conclusão de que seriam necessários dilúvios bíblicos para fazer com que a represa voltasse à normalidade, atingindo os necessários 60% de seu volume útil. A minha avaliação é a de que, em novembro de 2016 (final do período seco na bacia do São Francisco), apesar da existência de muito volume em trânsito, para desaguar em Sobradinho, voltaremos a ter os mesmos problemas na irrigação praticada na bacia, na navegação, na geração de energia e, principalmente, no atendimento das demandas do projeto da transposição de suas águas, que as autoridades prometeram entregar à sociedade, em dezembro de 2016.
 Fonte: Grupo de discussão “Carta de Morrinhos” – GOMES, 2016.       

Abaixo, as informações dos postos de mensuração de vazões do rio, sob a responsabilidade da Chesf, a fim de que se tenha ideia dos volumes afluentes na represa de Sobradinho, nos próximos dias:

Dia 02/02: São Romão - 2859 m³/s; São Francisco - 3617 m³/s; Bom Jesus da Lapa - 5140 m³/s e Morpará - 5116 m³/s.

 por João Suassuna última modificação 04/02/2016 12:32

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