terça-feira, 30 de maio de 2017


Situação volumétrica dos reservatórios das hidrelétricas da CHESF – 05/05/2017


Estamos iniciando uma atividade semanal de informação, aos interessados, dos estágios em que se encontram os níveis de acumulações volumétricas dos principais reservatórios da Chesf, na bacia do rio São Francisco. No caso específico da região do Submédio São Francisco - local onde é gerada a maior parte da energia elétrica do Nordeste - os reservatórios, principalmente o de Sobradinho, acumulam água no período de novembro a abril, para disponibilizarem os volumes acumulados, no processo de regularização das vazões do Velho Chico, no período de maio a outubro. Estamos no dia 05/05/2017, portanto, em período no qual os reservatórios estão numa fase de disponibilização volumétrica. Acompanhem a evolução desse processo, nos endereços abaixo, clicando no canal “Bacia do Rio São Francisco”.


05/05/2017

Reservatório            Data                 Afluência       Defluência          Volumes (%)
                                                         (m³/s)             (m³/s)           Atual         Ano anterior
Três Marias            04/05                   185              246           31,80            43,00
Sobradinho            04/05                    388             765           15,27            30,30
Itaparica                04/05                    700              686          18,29            29,80
Xingó*                    04/05                    581             707                -                   -
* - Não há percentuais acumulados, tendo em vista o rio correr, em seu leito, a fio  d´água

28/04/2017
Reservatório            Data                 Afluência       Defluência          Volumes (%)
                                                         (m³/s)             (m³/s)           Atual         Ano anterior
Três Marias            26/04                   111              248          32,19            32,00
Sobradinho            26/04                    690             767           15,89           30,80
Itaparica                26/04                    650              671          18,29           30,80
Xingó*                    26/04                    628             708                -                   -
* - Não há percentuais acumulados, tendo em vista o rio correr, em seu leito, a fio  d´água
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Fonte: Chesf


Fonte: ANA


 

 

Sobre o assunto

Vazão no São Francisco será reduzida no início de janeiro


 

Ibama emite nota técnica e atesta prejuízos para o São Francisco com vazão reduzida


 

 

COMENTÁRIOS

João Suassuna – Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco

Maio é o mês no qual se inicia o período de disponibilização das águas das represas, acumuladas no período chuvoso, para regularização hídrica da bacia do São Francisco. O agravante são os baixos volumes nelas acumulados. Nesse cenário de penúria hídrica, os bombeamentos do projeto da transposição têm agravado, ainda mais, esse quadro.

A Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco encerrou o período chuvoso, com as represas reguladoras de vazão e, também, geradoras de energia, com seus volumes muito baixos. Com a falta de chuvas, as represas de Três Marias e, agora, Sobradinho começaram a depreciar suas capacidades acumulatórias. Três Marias, por exemplo, está com uma afluência de 185 m³/s e uma defluência de 246 m³/s, fato esse que resultou na redução de seu percentual volumétrico, passando de 32,19%, na semana anterior, para 31,80%, nessa semana. Já Sobradinho está com uma afluência de 388 m³/s e uma defluência de 765 m³/s, fato que reduziu o seu percentual volumétrico de 15,89%, da semana anterior, para 15,27%, nessa semana. O município de Montes Claros, no Norte de Minas, praticamente não choveu no mês de abril (precipitação “zero”), segundo informou Gomes, nos gráficos abaixo. Doravante, a tendência é a de o rio continuar com um quadro de baixas vazões, devido à interrupção das chuvas. Para o agravamento dessa situação, o projeto da transposição continua interferido de forma negativa, com retiradas volumétricas significativas, para o atendimento das demandas hídricas da região Setentrional nordestina. A exploração descontrolada das águas subterrâneas nos aquíferos (Urucuia e outros) e, agora, na região do Submédio São Francisco, também têm interferido nas reduções das vazões do rio. Esse fato, provavelmente, está acontecendo ao longo de toda bacia do rio São Francisco (vide gráficos de Pereira Bode Velho, abaixo). A natural redução na ocorrência de chuvas na região tornará mais difícil à recuperação, tanto da represa de Três Marias, como de Sobradinho. Preocupada com isso, a ANA emitiu nota estabelecendo a redução das defluências, em ambas represas.  As fracas ou mesmo inexistentes precipitações resultaram, nessa semana, em um cenário hidrológico preocupante, com as vazões nos postos de observação da Chesf muito baixas, porém estáveis: no de São Romão, que na semana anterior estava com 421 m³/s, passou, nessa semana, para 452 m³/s. Nos demais postos, a situação não foi diferente: no de São Francisco, que na semana anterior estava com 384 m³/s, passou para 431 m³/s; no de Bom Jesus da Lapa que estava com 505 m³/s, passou para 516 m³/s e no de Morpará, que na semana anterior estava com 584 m³/s, agora se encontra com 560 m³/s, respectivamente. A afluência volumétrica na represa de Sobradinho caiu de 690 m³/s, na semana passada, para 388 m³/s nessa semana. A defluência da represa permaneceu estável, passando de 767 m³/s, da semana anterior, para 765 m³/s nessa semana. O percentual volumétrico de Sobradinho começou a cair. Na semana anterior havia sido registrado 15,89% de seu volume útil. Na atual está com 15,27%. A barragem continua com o seu percentual volumétrico cerca da metade do que aquele verificado em igual período do ano anterior (atualmente 15,27% - ano anterior 30,30%).

Uma curiosidade: em 2015, ano no qual a represa de Sobradinho alcançou, no mês de novembro, 1% de seu volume morto, no dia 08/05 daquele ano, a represa apresentava percentual volumétrico de 21,30%. No dia 05/05 de 2017, Sobradinho está com 15,27%, um fato preocupante tendo em vista o atual cenário de desidratação existente em toda bacia do rio. Portanto, o alcance do volume morto de Sobradinho, em 2017, é um fato concreto.

Na semana (05/05), o quadro atual de penúria hídrica vem trazendo reflexos negativos ao projeto da transposição. As águas do Velho Chico estão chegando na represa de Boqueirão, em volumes muito reduzidos (certa de 1,5 m³/s, apenas), o que obrigou as autoridades divulgarem nota esclarecendo o atraso para o encerramento do racionamento de água, na cidade de Campina Grande. Houve, também, incertezas da chegada da água nas torneiras dos municípios atendidos pelo projeto, motivando a população de Monteiro, na Paraíba, a protestar pela falta d´água na localidade, exigindo providências junto ao governo estadual, para as soluções cabíveis. É importante observar, também, que a continuidade das baixas defluências de Sobradinho (765 m³/s) vem agravando o quadro da progressão da cunha salina na foz do rio (ver a excelente análise de José do Patrocínio Tomaz Albuquerque, abaixo). Existem relatos de pescadores que estão capturando peixes de hábito marinho na região do Baixo São Francisco. A cunha salina tem trazido, também, certos transtornos no abastecimento do município alagoano de Piaçabuçu, que tem servido à população uma água de péssima qualidade, com elevados teores de sais (água salobra). Em igual situação vivem 70% da população de Aracaju, que são abastecidos com as águas do Rio São Francisco, por intermédio de uma adutora, em Propriá, município sergipano localizado em sua margem direita, a cerca de 60 km da foz.

Com a chegada do período de estiagem na região, é ficar na torcida para que as medidas sugeridas pela ANA, de redução das vazões de Sobradinho e Xingó, surtam os efeitos esperados, a fim de que os volumes do Velho Chico voltem a ser utilizados dentro da normalidade esperada. Para tanto, continuaremos atentos para as questões das defluências de Sobradinho (765 m³/s) e, agora, de Três Marias (246 m³/s), pois houve determinação das autoridades do setor, para que essas defluências ficassem estabelecidas em patamares da ordem de 700 m³/s e 160 m³/s, respectivamente, conforme divulgadas na mídia e atualmente praticadas.

Abaixo, as informações dos postos de mensuração de vazões do rio, sob a responsabilidade da Chesf, a fim de que se tenha uma ideia dos volumes afluentes na represa de Sobradinho, nos próximos dias:

Dia 05/05: São Romão – 452 m³/s; São Francisco – 431 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 516 m³/s e Morpará – 560 m³/s.

Dia 28/04: São Romão – 421 m³/s; São Francisco – 384 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 505 m³/s e Morpará – 584 m³/s.

Dia 24/04: São Romão – 414 m³/s; São Francisco – 375 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 520 m³/s e Morpará – 664 m³/s.

Dia 17/04: São Romão – 540 m³/s; São Francisco – 706 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 944 m³/s e Morpará – 898 m³/s.

Dia 07/04: São Romão – 540 m³/s; São Francisco – 706 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 944 m³/s e Morpará – 898 m³/s.

Dia 31/03: São Romão – 571 m³/s; São Francisco – 655 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 911 m³/s e Morpará – 805 m³/s.

Dia 24/03: São Romão – 744 m³/s; São Francisco – 821 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 616 m³/s e Morpará – 698 m³/s.

Dia 17/03: São Romão – 514 m³/s; São Francisco – 517 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 706 m³/s e Morpará – 925 m³/s.

Dia 10/03: São Romão – 622 m³/s; São Francisco – 789 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 1.088 m³/s e Morpará – 866 m³/s.

Dia 03/03: São Romão – 713 m³/s; São Francisco – 517 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 681 m³/s e Morpará – 846 m³/s.

Dia 24/02: São Romão – 473 m³/s; São Francisco – 620 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 1.310 m³/s e Morpará – 1.619 m³/s.

Dia 17/02: São Romão – 1.020 m³/s; São Francisco – 1.518 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 1.909 m³/s e Morpará – 1.418 m³/s.

Dia 10/02: São Romão – 1.191 m³/s; São Francisco – 1.375 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 571 m³/s e Morpará – 672 m³/s.

Dia 03/02: São Romão – 384 m³/s; São Francisco – 417 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 706 m³/s e Morpará – 903 m³/s.

Dia 27/01: São Romão – 528 m³/s; São Francisco – 675 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 1,201 m³/s e Morpará – 1.429 m³/s.

Dia 20/01: São Romão – 1.336 m³/s; São Francisco – 1.706 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 564 m³/s e Morpará – 616 m³/s.

Dia 13/01: São Romão – 427 m³/s; São Francisco – 394 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 593 m³/s e Morpará – 685 m³/s.

Dia 06/01: São Romão – 485 m³/s; São Francisco – 517 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 704 m³/s e Morpará – 798 m³/s.

Dia 30/12: São Romão – 603 m³/s; São Francisco – 706 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 1.358 m³/s e Morpará – 1.950 m³/s.

Dia 23/12: São Romão – 1.402 m³/s; São Francisco – 1.892 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 2.820 m³/s e Morpará – 2.069 m³/s.

Dia 16/12: São Romão – 1.298 m³/s; São Francisco – 1.518 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 1.121 m³/s e Morpará – 1.158 m³/s.

Dia 09/12: São Romão – 860 m³/s; São Francisco – 962 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 1.147 m³/s e Morpará – 1.453 m³/s.

Dia 02/12: São Romão – 1.110 m³/s; São Francisco – 1.427 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 1.577 m³/s e Morpará – 1.467 m³/s.

Dia 25/11: São Romão – 1.098 m³/s; São Francisco – 1.401 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 1.379 m³/s e Morpará – 1.063 m³/s.

Dia 18/11: São Romão - 796 m³/s; São Francisco - 737 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 512 m³/s e Morpará - 616 m³/s.

Dia 11/11: São Romão - 460 m³/s; São Francisco - 403 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 609 m³/s e Morpará - 660 m³/s.

Dia 04/11: São Romão - 571 m³/s; São Francisco - 575 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 632 m³/s e Morpará - 644 m³/s.

Dia 28/10: São Romão - 571 m³/s; São Francisco - 546 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 616 m³/s e Morpará - 664 m³/s.

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