sábado, 6 de agosto de 2016

Debate energético enviesado
Heitor Scalambrini Costa
Professor da Universidade Federal de Pernambuco1


A matéria publicada na Revista Caros Amigos (no 232/2016) intitulada “Sob o mito da energia limpa” da jornalista Lillian Primi foi a motivação dos comentários que faço a seguir. Falar em energia nos aproxima de temas correlatos como economia, meio ambiente, tecnologia, modelo de sociedade. Logo, difícil, ou quase impossível encontrar consensos nesta discussão.

Todavia alguns pontos são inquestionáveis, e mesmo assim conceitos são deturpados junto a população. É o caso do uso frequente do termo “energia limpa”. Toda fonte energética ao ser convertida em outra forma produz algum tipo de resíduo, emissão, contaminação, poluição, que afeta o meio ambiente e as pessoas. Além de que as obras e instalações realizadas para o processo de geração, dentro do modelo de expansão vigente,  e mesmo a transmissão da energia, provocam danos, expulsões, privações, prejuízos, destruições de vidas e de bens muitas vezes permanentes e irreversíveis. Portanto é falso e desaconselhável o uso deste termo. Meros interesses econômicos da mídia corporativa, aliada das empresas tentam confundir quando antepõem energia limpa versus energia suja.

Fato é que as chamadas fontes não renováveis – petróleo, gás natural, carvão e minérios radioativos são as principais responsáveis pelo aquecimento global, pelas emissões que provocam, e consequentemente, com as mudanças climáticas que ocorrem no planeta. Evidentemente, este efeito é agravado de maneira substancial pelo modo de produção e consumo da atual civilização. E aqui é ressaltado o papel nefasto do petróleo e seus derivados como o inimigo número um do aquecimento global.

Por outro lado, as fontes renováveis de energia – sol, vento, água, biomassa são as que menos contribuem para as emissões de gases de efeito estufa, e consequentemente, para as mudanças climáticas. Mas ai tem um porém, e que foi muito bem registrado na referida matéria sobre os problemas socioambientais causados pela geração centralizada da energia eólica, e o que tudo indica também da energia solar fotovoltaica. O atual modelo de implantação e expansão destas tecnologias é tão catastrófico do ponto de vista socioambiental, como o do uso das fontes não renováveis. Neste caso a vantagem comparativa inexiste. É o que ocorre atualmente no Nordeste brasileiro com a devastação do bioma Caatinga, e com as mudanças dos modos de vida infligidas às populações que se dedicavam a pesca, coleta de mariscos, e a agricultura familiar.

Há uma discussão sobre a questão das mega hidroelétricas com a construção das barragens. Alguns gestores públicos, membros da academia, técnicos e grupos empresariais, ainda insistem na defesa de grandes e destruidores empreendimentos, onde as desvantagens superam em muito as vantagens. Os deslocamentos de milhares de pessoas acarretam danos irreversíveis a estas populações, conforme constatações históricas. Por outro lado, é consenso que as hidroelétricas também emitem uma considerável quantidade de GEE, principalmente o metano resultante da degradação microbiológica da matéria orgânica existente nos reservatórios.  Todavia, os defensores desta tecnologia, após terem que aceitar esta contastação científica, ainda tentam desqualificar aqueles que são contrários a construção de mega hidroelétricas na região Amazônica, insistindo  erroneamente em afirmar que são imprescindíveis.

Neste contexto não se pode esquecer que vivemos em um sistema capitalista, onde o lucro é o objetivo principal. E aí o vale tudo tem imperado. Desde o afrouxamento da legislação ambiental para atender aos interesses econômicos imediatos, a falta de fiscalização sobre tais empreendimentos, e os contratos draconiamos de arrendamento da terra. Em nome  da maximização do lucro, o meio ambiente e as pessoas acabam sendo prejudicadas, com o Estado se omitindo e muitas vezes incentivando práticas não condizentes com os discursos de proteção ambiental e de sustentabilidade.

Logo, os investimentos em fontes renováveis estão orientados pela lógica capitalista, e são tratados como um negócio como outro qualquer, e muito rentável, onde o lucro e a justiça são incompatíveis. É o que tem atraído fundos de pensão de outros países, empresas multinacionais e nacionais, grandes investidores particulares que encontraram no Brasil um filão para os “negócios do vento e do sol”, aliados a uma legislação que muda conforme seus interesses.

Como bem constatamos na história recente do país, o “capitalismo brasileiro” não convive com a democracia, com a justiça ambiental, com os direitos sociais. E é nesta lógica, em um país onde a informação é controlada e manipulada, que os interessses dos grupos empresariais, que se dedicam aos negócios da energia prosperam e com altas taxas de exploração. Com a inexistência plena da liberdade de imprensa, discussão junto a sociedade sobre energia para que? Energia para quem? E como produzi-la? Acabam restritas a setores acadêmicos e a poucos grupos sociais.

Verifica-se que na questão energética, em particular, na expansão das fontes renováveis de energia solar-eólica, o Estado é o maior gerador de conflitos socioambientais. Contraditóriamente, diante da função que seria de mediar os conflitos de classe, o Estado brasileiro tem lado, e favorece os grupos empresariais.

Nesta discussão, a segurança energética de um pais é assegurada pela diversidade e complementariedade. Ambas não repousam somente no duo eólico-solar, e sim em um mix de tecnologias disponíveis localmente e escolhidas dentro de critérios técnicos e socioambientais para satisfazer as necessidades dos diferentes setores da sociedade.

Parabenizo a jornalista Lillian Primi pela provocação. Lamento que na sua matéria somente alguns interesses foram representados e tiveram voz, em particular, técnicos cujas posições são bem conhecidas em prol das megahidroelétricas.


1 professor aposentado


quarta-feira, 20 de julho de 2016

Transposição do São Francisco. Uma obra desnecessária. Entrevista especial com João Suassuna


26/04/2010

Envolvido em questões relativas ao Rio São Francisco há 15 anos, o pesquisador João Suassuna acaba de lançar o livro “A Transposição do Rio São Francisco na Perspectiva do Brasil Real”. A ideia da obra, segundo Suassuna, é esclarecer a existência do projeto para o centro-sul do país. Em entrevista à IHU On-Line, feita por telefone, o pesquisador fala a respeito da situação atual das obras do projeto. “O projeto da transposição do Rio São Francisco vai utilizar esses volumes para abastecer 12 milhões de pessoas no nordeste. Então, se já há um conflito, fisicamente será impossível a retirada desses volumes para o abastecimento do povo”, lamenta.
Preocupado com o agravamento do processo de desertificação da região nordeste, Suassuna constata que no núcleo de Cabrobró, já existe um deserto praticamente formado, isso pela retirada da vegetação da caatinga para o fabrico de carvão. Este será um impacto crucial, e inclusive já está acontecendo. Sobre as possíveis obras de revitalização do rio, Suassuna garante que tudo não passa de falácia. “O governo Lula deveria apostar todas as suas fichas na revitalização, no replantio de árvores e na reconstrução de matas ciliares, que não existem mais”, diz.
João Suassuna é engenheiro-agrônomo e pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, em Recife.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – O senhor está lançando este livro sobre a transposição do Rio São Francisco. Quais os aspectos positivos e negativos do projeto?

João Suassuna – O São Francisco é um rio com múltiplos usos, mas já houve prioridades dos usos ao longo do tempo. É um rio que tem um potencial gerador de energia elétrica importantíssimo. 95% da energia que é gerada no nordeste são do São Francisco. Ele também tem um potencial de irrigação muito importante. Nas margens do rio, temos cerca de um milhão de hectares para serem irrigados, dos quais 340 mil já estão irrigados, mas já há um uso muito conflituoso entre esses usos. Para termos uma ideia, em 2001, o Rio São Francisco correu com pouca água, e tivemos que racionar a energia no nordeste, onde a coisa foi mais grave, pois as autoridades adotaram os feriadões, já que não havia volume suficiente no rio para gerar energia elétrica. Existe um conflito enorme entre o uso da água do São Francisco para gerar energia e para irrigar. O projeto da transposição do Rio São Francisco vai utilizar esses volumes para abastecer 12 milhões de pessoas no nordeste. Então, se já há um conflito, fisicamente será impossível a retirada desses volumes para o abastecimento do povo.
Estou envolvido com essas questões há 15 anos, isso gerou uma quantidade grande de artigos, tenho cerca de 80 artigos publicados e circulando na Internet. Sabemos que o centro-sul do país desconhece totalmente a existência do projeto, não sabe nem do que se trata. Afirmo isso, pois participei de uma caravana, em 2008, que visitou onze capitais brasileiras, discutindo esse projeto. Da Bahia para baixo, o que observamos é que ninguém estava sabendo absolutamente nada sobre esse projeto. Reuni os 80 artigos que escrevi sobre o tema e transformei-os em um livro. Temos a ideia de divulgar esse livro para o centro-sul do país, para começar a esclarecer ao pessoal do sul a existência desse projeto. Uma coisa interessante é que, quando chegar a hora de pagar essa conta, todos irão pagar, do Oiapoque ao Chuí, pois fazemos parte de uma federação.

IHU On-Line – Qual a situação atual das obras de transposição do rio São Francisco?

João Suassuna – Os eixos leste e norte do projeto, que vão retirar água do São Francisco, da represa de Itaparica e de Cabrobró, em Pernambuco, e levar essa água para o setentrional nordestino, na Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, para abastecer as principais represas do nordeste, já estão com as construções bem adiantadas. Estes canais irão ter 25 metros de largura, 5 metros de profundidade e algo em torno de 700 km de extensão. No final de 2010, com o fim do governo Lula, ele promete que a água do eixo leste chegue à Paraíba. O eixo norte, cuja água será retirada de Cabrobró e vai para o Ceará, será concluído lá por 2012. Essa é a estimativa das autoridades.

IHU On-Line – Até esse momento, quais são os impactos sociais, econômicos e ambientais que a obra já causou?

João Suassuna – Os eixos estão saindo do nordeste, uma região semiárida, onde já foram identificados alguns núcleos de desertificação. No núcleo de Cabrobró, já existe um deserto praticamente formado, isso pela retirada da vegetação da caatinga para o fabrico de carvão. O que o exército brasileiro está fazendo com a construção dos canais naquele ponto é agravar o processo de desertificação que já está em curso. Este será um impacto crucial, e inclusive já está acontecendo. Futuramente, teremos impactos na geração de energia e na qualidade da água que irá chegar ao nordestino. A água do São Francisco hoje está muito ruim, em termos de qualidade biológica. Para termos uma ideia, a cidade de Januária, no norte de Minas, está à margem do Rio São Francisco, e sua população bebe água de poços tubulares, cavados pela prefeitura local, pois a qualidade da água do rio está imprópria para o consumo humano. É com essa água, com essa qualidade, que querem abastecer as principais represas do nordeste. Se fizerem isso, levarão um problema de saúde pública enorme. Teremos problemas de hepatite, esquistossomose, xistossomose, entre outras doenças veiculadas pela água.

IHU On-Line – As obras de revitalização do S. Francisco, conforme o prometido, estão em andamento?

João Suassuna – Isso é uma falácia. Inclusive, o programa de revitalização deveria ser a “menina dos olhos” do governo Lula, e não está sendo. O governo Lula deveria apostar todas as suas fichas na revitalização, no replantio de árvores e na reconstrução de matas ciliares, que não existem mais. O São Francisco é um rio de barranco, e um rio sem mata ciliar sofre com um desabarranqueamento natural, e esse material será carreado para a calha do rio, irá assorear tudo, irá impedir a navegação, como já está impedindo, e irá diminuir a vazão do rio. Deve haver um trabalho sério no tratamento dos esgotos, que estão sendo lançados in natura para dentro da calha do rio. O governo Lula deveria estar apostando todas suas fichas neste tipo de obra e não está. No Orçamento Geral da União, no ano passado, foram reservados um bilhão de reais para o projeto da transposição do Rio São Francisco. Para a revitalização, 100 milhões, dez vezes menos. Não consigo acreditar num programa desses.

IHU On-Line – E aí entram projetos de saneamento básico?

João Suassuna – Existem muitas cidades na orla do São Francisco onde já se começou alguma coisa neste sentido. É um trabalho que está sendo iniciado agora, mas já existe uma preocupação. Porém, a bacia do São Francisco são 640 mil km². Existem trabalhos pontuais e que precisam ser acelerados e implementados, pois ainda é feito muito pouco.

IHU On-Line – Existem alternativas à transposição?

João Suassuna – Existem sim. O próprio governo federal apresentou esse tipo de alternativa através de um trabalho da Agência Nacional de Águas (ANA), que editou em dezembro de 2006, o Atlas Nordeste de Abastecimento Urbano de Água. O governo e as autoridades mostram que é possível resolver os problemas de abastecimento de município com até cinco mil habitantes, com água de boa qualidade, que já existe na região nordeste. Temos 70 mil represas no nordeste, que acumulam um potencial de cerca de 37 bilhões de metros cúbicos de água. É o maior valor represado em regiões semiáridas do mundo. Existem regiões sedimentares onde é possível perfurar poços e obter água de subsolo. Tudo isso está sendo previsto pela ANA, que colocou isso no Atlas Nordeste, para resolver os problemas de 34 milhões de pessoas no nordeste. Inclusive, é um programa bem mais abrangente do que o da transposição do Rio São Francisco, que visa o abastecimento de água para apenas 12 milhões de pessoas, e com a metade dos custos previstos pelo programa da transposição. Para a transposição, está previsto um custo de 6,6 bilhões de reais, na primeira fase. O Atlas Nordeste prevê a metade disso, 3,3 bilhões de reais, para ter um programa de abastecimento bem mais abrangente, abastecendo três vezes mais pessoas no nordeste.
Porém, também temos uma população que chamamos de difusa, falo algo em torno de 10 milhões de pessoas, que vivem nos pés de serra e nos pequenos vilarejos. Para esse tipo de população, a solução é através de um programa que está sendo desenvolvido pela Articulação no Semi-Árido Brasileiro, ASA Brasil, uma ONG que congrega 600 outras ONGs que trabalham a convivência com o semiárido. Essas ONGs estão propondo alternativas interessantes de abastecimento através de barragens subterrâneas e de cisternas rurais. Só de tecnologias na área hídrica, a ASA Brasil tem mais de quarenta. O trabalho da ASA Brasil resolveria os problemas dessas populações difusas do nordeste. Nossa visão é que, para a solução dos problemas de abastecimento do povo nordestino, teríamos que contar, necessariamente, com o trabalho da ANA e da ASA Brasil.
A transposição do São Francisco seria desnecessária para o nordeste. Não tem o menor sentido, tendo água na região, abdicar o uso dessa água e ir buscar água do São Francisco, há 500 km do local de consumo. Isso mostra que a água do São Francisco, ao cair nas principais represas do nordeste, será utilizada no agronegócio, na criação do camarão e no uso industrial. No Porto de Pecém, na grande Fortaleza, está sendo construída a Ceará Steel, uma siderúrgica que, sozinha, irá demandar volumes equivalentes ao consumo de um município de 90 mil habitantes. Se a água do São Francisco cair nas principais represas do nordeste, não terá o uso de abastecimento do povo, que é o mais necessitado. Hoje, esse povo, que está sendo abastecido por frotas de caminhões pipa, vai continuar assim. É aí onde reside a verdadeira indústria da seca.

IHU On-Line – A resistência contra a obra cessou?

João Suassuna – Não acabou não, a resistência continua, e essa situação irá se agravar porque, neste ano, teremos eleições. É possível que os candidatos utilizem essa obra como a panacéia da solução de tudo, e não será. Nossa preocupação é essa, é que isso sirva como moeda de troca para voto. Isso, certamente, irá acontecer. Eles irão centrar as campanhas no nordeste para o abastecimento das pessoas, e utilizarão como pano de fundo o projeto da transposição. Mas sabemos que isso será um engodo, porque o abastecimento das populações não irá ocorrer com esse projeto, que vai direcionar a água para o agronegócio.

IHU On-Line – Em sua opinião, quem vai se beneficiar com a transposição do São Francisco?

João Suassuna – Os beneficiários da transposição do São Francisco serão as empreiteiras, os industriais, o grande capital. O povo está sendo iludido, não terá acesso a uma gota d’água sequer da transposição. Não está claro no projeto como essa água sairá das grandes represas para abastecer o povo. Não existe uma única adutora prevista. Está claro que a água irá caminhar nos 700 km de canais e abastecerão as principais represas do nordeste, para promover aquilo que as autoridades estão chamando de sinergia hídrica, que é a forma dessas represas não virem a secar. Mas essas represas, quando bem geridas, foram dimensionadas para nunca secarem, porque elas têm volumes suficientes para aguentarem secas sucessivas, mesmo com o uso continuado de suas águas.

IHU On-Line – O senhor considera que essa obra aumentará no futuro a popularidade de Lula no Nordeste ou funcionará ao contrário, ficará como uma herança maldita do seu governo?

João Suassuna – Do jeito que está sendo construída, ela está sendo orientada para a solução dos problemas de abastecimento do povo. Futuramente, quando o povo começar a raciocinar no sentido de que as águas do São Francisco serão utilizadas para o agronegócio, e que não irão resolver os problemas de abastecimento, haverá uma espécie de revolta popular no nordeste. Quem estiver vivo na ocasião, verá!

(Ecodebate, 26/04/2010) publicado pelo IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.
[IHU On-line é publicado pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

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  1. Todos sabemos que a obra de transposição é política e tem interesses escusos. Nós da Região Sul e Sudeste sabemos que existem outros interesses, além de transpor a água de um rio que está desaparecendo para uma região que já está quase morta. Grande parte dessa responsabilidade pode ser creditada a um nordestino que se aventurou a ser Presidente da república e conseguiu enganar os patrícios, com sua conversa fiada.
    Sabemos da luta incessante do pesquisador João Suassuna, que conhece os problemas a fundo. Ele não foi ouvido, como outros tantos que têm conhecimento técnico. Infelizmente, vivemos num país judicializado e de interesses políticos. Pouco ou nada valem as experiências e os conhecimentos técnicos.
    Responder

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Manifesto Moratória São Francisco Vivo!
por João Suassuna  Última modificação 28/08/2014 14:33

MausPrezados,Recebi de um amigo conhecido em BH. Achei que merecia ser divulgado.“Para todos os meus amigos, tanto do peito quanto casuais, não importa. Este é um dos maiores posts que eu já fiz.... e o mais real também. Todos nós estamos sujeitos a passar por momentos ruins em algum momento. A vida não é fácil. Só algo a se pensar... vc sabia que as pessoas mais fortes são na verdade as mais sensíveis? Você sabia que as pessoas mais bondosas são as primeiras a serem destratadas? Sabia que aqueles que cuidam dos outros o tempo todo são aquelas que mais precisam de cuidados? Você sabia que as três coisas mais difíceis de se dizer são "eu te amo", "me desculpe" e "me ajude"?
As vezes alguém pode parecer feliz, devemos olhar através do seu sorriso e tentar perceber quanta dor ela pode estar sentindo naquele momento. A todos os meus que estão passando por qualquer coisa neste momento -- vamos começar uma avalanche de intenção. Nós precisamos da maior quantidade de pensamentos positivos agora.
Se eu não vir o seu nome eu entenderei.
Gostaria de pedir aos meus amigos onde quer que estejam para que copiem e colem esse status em suas linhas do tempo apenas por uma hora para dar uma força àqueles que estão passando por problemas na família, batalhando por saúde, questões de emprego, problemas de qualquer tipo e que estejam precisando saber que alguém se importa. Faça isso por todos nós, pois ninguém é imune. Espero ver isto nas linhas do tempo de todos os meus amigos apenas como apoio moral. E sei que alguns o farão! Estou fazendo por um amigo e você também pode. Você deve COPIAR e COLAR esta postagem. NÃO COMPARTILHE”

João Suassuna
Meus Prezados,


Em francês compreensível, esse projeto, na Líbia, na época de  Muammar Gaddafi, é apresentado ao mundo. Existem semelhanças significativas em relação ao projeto da transposição do rio São Francisco, em andamento no Semiárido brasileiro. Sua grandiosidade e a prática de se iludir o povo são marcantes. Apesar de haver a proposta do abastecimento de cerca de 5 milhões de pessoas (75% da população líbia), o projeto visa, também, o desenvolvimento do agronegócio do País (que não foi enfatizado). Ao final do vídeo, dá para se perceber isso. No tocante à forma de transporte da água, esse, ao nosso modo de entender, tem um diferencial importantíssimo em relação ao do projeto do São Francisco: as águas, no projeto da Líbia, são aduzidas, ou seja, são transportadas em tubulações de 4 m de diâmetro. Esse projeto líbio, ganha em eficiência, pois água entubada não evapora.

MANIFESTO MORATÓRIA SÃO FRANCISCO VIVO!


A Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco passa por um momento extremamente grave – a pior seca em 100 anos. E a falta de chuvas não é a única culpada, como querem fazer crer os governantes. A crise hídrica se deve também e principalmente aos múltiplos, crescentes e conflitantes usos de suas águas, matas, solos e subsolos, decorrentes do modelo econômico predatório; agravou-se de tal forma que os danos e riscos aumentam e assustam. A seca deixa este quadro ainda mais evidente. Esta situação, apesar do espanto e comoção, há algum tempo vem sendo denunciada pelas organizações populares e pesquisadores comprometidos com a luta socioambiental e a defesa da vida.
As intervenções degradantes na Bacia ao longo dos anos acumularam problemas que hoje “deságuam”, visíveis, no leito do Rio São Francisco. E mesmo assim não vemos os governantes movimentarem-se para enfrentar este desafio. Pelo contrário, anunciam como “crescimento” – nem é mais desenvolvimento – “benéfico” para todos, outros abusivos projetos econômicos, tais como as novas irrigações, transposições hídricas, minerações, minerodutos, monoculturas, agrocombustíveis, parques eólicos, ferrovias, hidrovias etc.
As águas minguadas do São Francisco podem ser notadas ao longo de todo o curso do rio e em afluentes grandes e pequenos, em muitos lugares já como calamidade. As reportagens mostradas pelos meios de comunicação e as imagens postadas nas redes sociais não deixam dúvidas: o Velho Chico apressa-se à morte!
Ribeirinhos, pescadores, vazanteiros e moradores das cidades dizem que nunca presenciaram o Rio com tão baixo volume. Isto também pode ser verificado nos dados do ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico.A barragem de Três Marias estava com 7,88% da sua capacidade de armazenamento no dia 24 de agosto deste ano. Municípios como Pirapora e Jaíba estão com problemas de abastecimento humano, pescadores não encontram mais os cardumes, balsas param sem poder transportar carro e gente, ou têm que dar longas voltas nas “croas”, como são chamados os acúmulos de areia no leito do rio, e em vários locais as pessoas já cortam o São Francisco a pé. A baixa vazão favorece a formação de cianobactérias (algas azuis), como já acontece no Rio das Velhas e nos próximos meses de seca aumentará a proliferação. Situações semelhantes ocorrem nas demais regiões, ao longo dos 2.830 km do rio, piorando a qualidade da água quanto mais se aproxima da foz, somando-se às baixas vazões e ao assoreamento as poluições doméstica, agrícola e industrial, num quadro angustiante.
O que fazer? Esperar chover? Ações emergenciais quando as algas azuis se espalharem por todo o Rio? Carros-pipa para abastecer povoados e cidades ribeirinhas? Cestas básicas para paliar a fome do povo quando as lagoas não mais reproduzirem os peixes? Mais obras inacabadas e superfaturadas de saneamento? A transposição do Rio Tocantins, para tapear as percepções do problema e potencializar mais usos degradantes das águas, matas e solos e exploração da população?
As seguidas reduções das vazões dos reservatórios determinadas pela ANA – Agência Nacional de Águas não podem ser as únicas medidas possíveis.A CHESF já conseguiu prorrogar a diminuição da vazão da Barragem de Sobradinho, “coração artificial” do São Francisco, em 1.100 m3/s, o que significa que na foz deve estar bem abaixo dos 1.300 m3/s, vazão ecológica mínima fixada por lei. Além de terem um limite intransponível (qual é este limite?), as reduções priorizam o negócio da energia hidrelétrica e não os demais usos. Enquanto isso, o Programa de Revitalização, apresentado como contrapartida governamental para a Transposição, a quantas anda? Quem dá notícia?
Os órgãos do Governo, em todos os níveis, mobilizarão, como sempre, recursos para ações paliativas, ainda mais em época eleitoral...Ao mesmo tempo o setor privado, empresas mineradoras, siderúrgicas, metalúrgicas, energéticas, indústrias alimentícias e do agronegócio (este é responsável por quase 70% dos usos consuntivos das águas) continuarão a receber e usar suas outorgas sem restrição e efetivo controle do Estado. Órgãos e empresas do Governo responsáveis por promover o “desenvolvimento” – Ministério do Interior, CODEVASF, CHESF, DNOCS etc. – continuarão implantando a “política dos grandes projetos” – Jequitaí, Jaíba, Congonhas, Salitre, transposição para o Nordeste Setentrional e outros – a beneficiar grandes empresas e expulsar camponeses e povos e comunidades tradicionais. Estesconvivem há séculos com os limites e potenciais do Velho Rio da Unidade Nacional e, assim, sinalizam critérios fundamentais para que o desenvolvimento seja abrangente, integral, multidimensional e sustentável de verdade.
O baixo volume de água do São Francisco não se deve exclusivamente à falta de chuvas, mas está diretamente relacionado ao uso degradante das águas superficiais e subterrâneas e do espaço geográfico da Bacia. As águas que também deveriam correr nas veredas, encher lagoas marginais e molhar vazantes estão alimentando monocultivos de eucalipto, soja, cana de açúcar, sugadas por moto-bombas, poços tubulares e pivôs centrais, entre outros. São consumidas e contaminadas pelas mineradoras e siderúrgicas. Servem aos interesses lucrativos de empresas de energia.
Os camponeses, povos e comunidades tradicionais e organizações populares lutam pra fazer a sua parte. Tal é o caso das revitalizações dos afluentes e subafluentes Rios dos Cochos, Peruaçú, Serra BRANCA , Verde, Mocambo, entre outros – alguns apoiados pelo Comitê da Bacia com recursos de cobrança de outorgas de água –, do Projeto de Assentamento Extrativista em Serra do Ramalho, de quilombos, terras indígenas e assentamentos de reforma agrária ao longo dos rios e em territórios da Bacia e tantas outras experiências importantes.
Neste momento de gravidade e caos eminentes, exigimos que as instituições dos Governos Federal e Estaduais da Bacia e o Comitê da Bacia declarem MORATÓRIA PARA O RIO SÃO FRANCISCO: suspensão de novos licenciamentos e outorgas de água para grandes e médios projetos e revisão dos já concedidos na Bacia do Rio São Francisco. Propomos que, além de retomar e ampliar o relegado Programa de Revitalização, realizem em caráter de urgência uma avaliação hidro-ambiental integrada de toda a Bacia, por pesquisadores das Universidades Públicas e técnicos do Estado, e a partir destes dados e informações se definam novos e mais restritivos parâmetros de uso das águas, matas e solos da Bacia:
1º) em caráter de emergência, para as águas acumuladas nas barragens, para amenizar a situação atual;
2º) em caráter permanente, para garantir condição de vida para o Rio e o Povo do Rio e evitar a sua extinção.
Conclamamos a população da Bacia do São Francisco, o povo brasileiro em geral e seus representantes a lutar por esta Moratória, a exigir seu imediato cumprimento, antes que seja tarde!

São Francisco Vivo, Terra Água Rio e Povo!
Articulação Popular São Francisco Vivo.

Bacia do Rio São Francisco, 27 de agosto de 2014.

Fonte para edição no Rema:
Ruben Siqueira
Comissão Pastoral da Terra / Bahia
Articulação Popular São Francisco Vivo


Sobre o assunto:
Seca na Grande São Paulo continua
Setor de energia brasileiro passa por período complicado
http://www.remabrasil.org/Members/suassuna/campanhas/setor-de-energia-brasileiro-passa-por-periodo-complicado/view

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Chère amie, cher ami, 

Stoppons la disparition du bourdon et des autres pollinisateurs sauvages ! 

Les fruits et légumes sont nécessaires à notre alimentation et à notre santé. En France la tomate est le légume le plus consommé et la cerise l’un des fruits les plus appréciés. Connaissez-vous le point commun entre ces 2 aliments ? Leur principal pollinisateur est le bourdon.

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Sur les 5 principaux pollinisateurs des cultures européennes, 3 sont des bourdons ! 
Malheureusement, 25 % des espèces de bourdons en Europe sont menacées d’extinction et 46 % sont en déclin.

Les pollinisateurs sont un maillon essentiel de notre chaîne alimentaire. Pour stopper leur déclin et assurer un avenir durable à nos enfants, il est donc urgent de restaurer l’habitat des pollinisateurs et d’arrêter l’usage des pesticides.

La restauration des prairies fleuries, la gestion écologique des jardins, l’accueil de la biodiversité dans les espaces verts, sont autant d’actions mises en œuvre par Noé depuis plus de 15 ans pour lutter contre le déclin des pollinisateurs. 

Ainsi grâce à Noé, 800 hectares de prairies ont été semés pour les pollinisateurs sauvages, plus de 1 400 hectares de « Jardins de Noé » (privés et publics) préservent la biodiversité et Noé milite activement pour l’arrêt de l’utilisation massive des pesticides. 

Mais il nous faut faire plus ! Noé a besoin de vos dons pour continuer à mobiliser les collectivités et le grand public afin de semer toujours plus de prairies et ainsi reconstituer les milieux naturels, permettant aux espèces animales et végétales de se développer, et à la nature de s’épanouir.

Votre générosité nous donne le pouvoir d’agir ! 

Au nom de la biodiversité, merci pour votre soutien ! 



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Arnaud GRETH,
 
Président 




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terça-feira, 31 de maio de 2016

Noé
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Lettre d'information3 - mai 2016

Le PresidentSauvegardons la biodiversité, 
pour toutes les espèces vivantes 
y compris l’homme !



Le 22 mai, nous avons célébré la nature dans toute sa richesse et sa beauté lors de la Journée Mondiale de la Biodiversité. La biodiversité mérite bien cette attention de notre part ! En effet, le bon fonctionnement de nos écosystèmes repose sur la diversité des espèces vivantes et leurs interactions entre elles. Et la biodiversité nous fournit de multiples services écologiques qui n’ont pas de prix : de l’oxygène à respirer, de l’eau potable, des aliments variés, des médicaments pour nous soigner, le stockage du carbone, etc. ! 

Malgré cela, partout sur la planète, la biodiversité est menacée par l’action de l’Homme. Une des illustrations les plus parlantes de cette érosion dramatique de la biodiversité est le déclin des insectes pollinisateurs, auxiliaires indispensables pour la production de nos fruits et légumes. Pour cette raison, Noé a lancé une campagne, intitulée#JaiLeBourdon, visant à attirer l’attention des citoyens et des pouvoirs publics sur l’urgence de préserver les pollinisateurs et leurs habitats naturels. 

Ensemble, continuons à nous mobiliser pour sauvegarder la biodiversité, c’est l’avenir de l’humanité qui en dépend !

Arnaud GRETH,
Président
  
J'ai le bourdonPour manger 5 fruits et légumes par jour, encore faut-il qu’il y en ait
70 % des plantes cultivées nécessitent une pollinisation par les animaux. A l’occasion de la Journée Mondiale de la Biodiversité, Noé a plaidé pour la sauvegarde des pollinisateurs avec la campagne #JaiLeBourdon.
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Glyphosate et neonicotinoidesGlyphosate et néonicotinoïdes, cas d’école sur les lobbys

Alors que le Sénat français a voté contre l’interdiction des néonicotinoïdes, l’UE hésite encore à interdire l’utilisation du glyphosate, pourtant reconnu cancérogène probable par le CIRC. Les lobbys mèneraient-ils la danse ?
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Addax menacéL’addax menacé d’extinction imminente dans la nature 

Seuls 3 addax ont été recensés lors du dernier comptage aérien réalisé début 2016 dans la Réserve Naturelle de Termit et Tin-Toumma au Niger. L’insécurité régionale et le développement des activités pétrolières expliquent le déclin alarmant de cette espèce protégée par Noé depuis 2005.
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pélican friséPélican frisé : Noé plaide contre la chasse en Albanie

En Albanie, la population de pélicans frisés a subi un déclin important à cause de la chasse, activité peu contrôlée avant son interdiction en 2014. Pour sauver cette espèce, Noé soutient devant le parlement albanais une proposition de loi visant à renouveler pour 5 ans l’interdiction de la chasse.
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Leroy Merlin
Le 2 juin, Leroy Merlin organisera une journée du Développement Durable à son siège social. L’occasion pour notre partenaire de sensibiliser ses collaborateurs à diverses thématiques liées au développement durable, à travers des ateliers, des conférences et des stands. L’ambassadrice des Jardins de Noé, l’auteure Isabelle Brunet, proposera une conférence et une démonstration autour de la permaculture.
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