quinta-feira, 23 de junho de 2016

Manifesto Moratória São Francisco Vivo!
por João Suassuna  Última modificação 28/08/2014 14:33

MausPrezados,Recebi de um amigo conhecido em BH. Achei que merecia ser divulgado.“Para todos os meus amigos, tanto do peito quanto casuais, não importa. Este é um dos maiores posts que eu já fiz.... e o mais real também. Todos nós estamos sujeitos a passar por momentos ruins em algum momento. A vida não é fácil. Só algo a se pensar... vc sabia que as pessoas mais fortes são na verdade as mais sensíveis? Você sabia que as pessoas mais bondosas são as primeiras a serem destratadas? Sabia que aqueles que cuidam dos outros o tempo todo são aquelas que mais precisam de cuidados? Você sabia que as três coisas mais difíceis de se dizer são "eu te amo", "me desculpe" e "me ajude"?
As vezes alguém pode parecer feliz, devemos olhar através do seu sorriso e tentar perceber quanta dor ela pode estar sentindo naquele momento. A todos os meus que estão passando por qualquer coisa neste momento -- vamos começar uma avalanche de intenção. Nós precisamos da maior quantidade de pensamentos positivos agora.
Se eu não vir o seu nome eu entenderei.
Gostaria de pedir aos meus amigos onde quer que estejam para que copiem e colem esse status em suas linhas do tempo apenas por uma hora para dar uma força àqueles que estão passando por problemas na família, batalhando por saúde, questões de emprego, problemas de qualquer tipo e que estejam precisando saber que alguém se importa. Faça isso por todos nós, pois ninguém é imune. Espero ver isto nas linhas do tempo de todos os meus amigos apenas como apoio moral. E sei que alguns o farão! Estou fazendo por um amigo e você também pode. Você deve COPIAR e COLAR esta postagem. NÃO COMPARTILHE”

João Suassuna
Meus Prezados,


Em francês compreensível, esse projeto, na Líbia, na época de  Muammar Gaddafi, é apresentado ao mundo. Existem semelhanças significativas em relação ao projeto da transposição do rio São Francisco, em andamento no Semiárido brasileiro. Sua grandiosidade e a prática de se iludir o povo são marcantes. Apesar de haver a proposta do abastecimento de cerca de 5 milhões de pessoas (75% da população líbia), o projeto visa, também, o desenvolvimento do agronegócio do País (que não foi enfatizado). Ao final do vídeo, dá para se perceber isso. No tocante à forma de transporte da água, esse, ao nosso modo de entender, tem um diferencial importantíssimo em relação ao do projeto do São Francisco: as águas, no projeto da Líbia, são aduzidas, ou seja, são transportadas em tubulações de 4 m de diâmetro. Esse projeto líbio, ganha em eficiência, pois água entubada não evapora.

MANIFESTO MORATÓRIA SÃO FRANCISCO VIVO!


A Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco passa por um momento extremamente grave – a pior seca em 100 anos. E a falta de chuvas não é a única culpada, como querem fazer crer os governantes. A crise hídrica se deve também e principalmente aos múltiplos, crescentes e conflitantes usos de suas águas, matas, solos e subsolos, decorrentes do modelo econômico predatório; agravou-se de tal forma que os danos e riscos aumentam e assustam. A seca deixa este quadro ainda mais evidente. Esta situação, apesar do espanto e comoção, há algum tempo vem sendo denunciada pelas organizações populares e pesquisadores comprometidos com a luta socioambiental e a defesa da vida.
As intervenções degradantes na Bacia ao longo dos anos acumularam problemas que hoje “deságuam”, visíveis, no leito do Rio São Francisco. E mesmo assim não vemos os governantes movimentarem-se para enfrentar este desafio. Pelo contrário, anunciam como “crescimento” – nem é mais desenvolvimento – “benéfico” para todos, outros abusivos projetos econômicos, tais como as novas irrigações, transposições hídricas, minerações, minerodutos, monoculturas, agrocombustíveis, parques eólicos, ferrovias, hidrovias etc.
As águas minguadas do São Francisco podem ser notadas ao longo de todo o curso do rio e em afluentes grandes e pequenos, em muitos lugares já como calamidade. As reportagens mostradas pelos meios de comunicação e as imagens postadas nas redes sociais não deixam dúvidas: o Velho Chico apressa-se à morte!
Ribeirinhos, pescadores, vazanteiros e moradores das cidades dizem que nunca presenciaram o Rio com tão baixo volume. Isto também pode ser verificado nos dados do ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico.A barragem de Três Marias estava com 7,88% da sua capacidade de armazenamento no dia 24 de agosto deste ano. Municípios como Pirapora e Jaíba estão com problemas de abastecimento humano, pescadores não encontram mais os cardumes, balsas param sem poder transportar carro e gente, ou têm que dar longas voltas nas “croas”, como são chamados os acúmulos de areia no leito do rio, e em vários locais as pessoas já cortam o São Francisco a pé. A baixa vazão favorece a formação de cianobactérias (algas azuis), como já acontece no Rio das Velhas e nos próximos meses de seca aumentará a proliferação. Situações semelhantes ocorrem nas demais regiões, ao longo dos 2.830 km do rio, piorando a qualidade da água quanto mais se aproxima da foz, somando-se às baixas vazões e ao assoreamento as poluições doméstica, agrícola e industrial, num quadro angustiante.
O que fazer? Esperar chover? Ações emergenciais quando as algas azuis se espalharem por todo o Rio? Carros-pipa para abastecer povoados e cidades ribeirinhas? Cestas básicas para paliar a fome do povo quando as lagoas não mais reproduzirem os peixes? Mais obras inacabadas e superfaturadas de saneamento? A transposição do Rio Tocantins, para tapear as percepções do problema e potencializar mais usos degradantes das águas, matas e solos e exploração da população?
As seguidas reduções das vazões dos reservatórios determinadas pela ANA – Agência Nacional de Águas não podem ser as únicas medidas possíveis.A CHESF já conseguiu prorrogar a diminuição da vazão da Barragem de Sobradinho, “coração artificial” do São Francisco, em 1.100 m3/s, o que significa que na foz deve estar bem abaixo dos 1.300 m3/s, vazão ecológica mínima fixada por lei. Além de terem um limite intransponível (qual é este limite?), as reduções priorizam o negócio da energia hidrelétrica e não os demais usos. Enquanto isso, o Programa de Revitalização, apresentado como contrapartida governamental para a Transposição, a quantas anda? Quem dá notícia?
Os órgãos do Governo, em todos os níveis, mobilizarão, como sempre, recursos para ações paliativas, ainda mais em época eleitoral...Ao mesmo tempo o setor privado, empresas mineradoras, siderúrgicas, metalúrgicas, energéticas, indústrias alimentícias e do agronegócio (este é responsável por quase 70% dos usos consuntivos das águas) continuarão a receber e usar suas outorgas sem restrição e efetivo controle do Estado. Órgãos e empresas do Governo responsáveis por promover o “desenvolvimento” – Ministério do Interior, CODEVASF, CHESF, DNOCS etc. – continuarão implantando a “política dos grandes projetos” – Jequitaí, Jaíba, Congonhas, Salitre, transposição para o Nordeste Setentrional e outros – a beneficiar grandes empresas e expulsar camponeses e povos e comunidades tradicionais. Estesconvivem há séculos com os limites e potenciais do Velho Rio da Unidade Nacional e, assim, sinalizam critérios fundamentais para que o desenvolvimento seja abrangente, integral, multidimensional e sustentável de verdade.
O baixo volume de água do São Francisco não se deve exclusivamente à falta de chuvas, mas está diretamente relacionado ao uso degradante das águas superficiais e subterrâneas e do espaço geográfico da Bacia. As águas que também deveriam correr nas veredas, encher lagoas marginais e molhar vazantes estão alimentando monocultivos de eucalipto, soja, cana de açúcar, sugadas por moto-bombas, poços tubulares e pivôs centrais, entre outros. São consumidas e contaminadas pelas mineradoras e siderúrgicas. Servem aos interesses lucrativos de empresas de energia.
Os camponeses, povos e comunidades tradicionais e organizações populares lutam pra fazer a sua parte. Tal é o caso das revitalizações dos afluentes e subafluentes Rios dos Cochos, Peruaçú, Serra BRANCA , Verde, Mocambo, entre outros – alguns apoiados pelo Comitê da Bacia com recursos de cobrança de outorgas de água –, do Projeto de Assentamento Extrativista em Serra do Ramalho, de quilombos, terras indígenas e assentamentos de reforma agrária ao longo dos rios e em territórios da Bacia e tantas outras experiências importantes.
Neste momento de gravidade e caos eminentes, exigimos que as instituições dos Governos Federal e Estaduais da Bacia e o Comitê da Bacia declarem MORATÓRIA PARA O RIO SÃO FRANCISCO: suspensão de novos licenciamentos e outorgas de água para grandes e médios projetos e revisão dos já concedidos na Bacia do Rio São Francisco. Propomos que, além de retomar e ampliar o relegado Programa de Revitalização, realizem em caráter de urgência uma avaliação hidro-ambiental integrada de toda a Bacia, por pesquisadores das Universidades Públicas e técnicos do Estado, e a partir destes dados e informações se definam novos e mais restritivos parâmetros de uso das águas, matas e solos da Bacia:
1º) em caráter de emergência, para as águas acumuladas nas barragens, para amenizar a situação atual;
2º) em caráter permanente, para garantir condição de vida para o Rio e o Povo do Rio e evitar a sua extinção.
Conclamamos a população da Bacia do São Francisco, o povo brasileiro em geral e seus representantes a lutar por esta Moratória, a exigir seu imediato cumprimento, antes que seja tarde!

São Francisco Vivo, Terra Água Rio e Povo!
Articulação Popular São Francisco Vivo.

Bacia do Rio São Francisco, 27 de agosto de 2014.

Fonte para edição no Rema:
Ruben Siqueira
Comissão Pastoral da Terra / Bahia
Articulação Popular São Francisco Vivo


Sobre o assunto:
Seca na Grande São Paulo continua
Setor de energia brasileiro passa por período complicado
http://www.remabrasil.org/Members/suassuna/campanhas/setor-de-energia-brasileiro-passa-por-periodo-complicado/view

Si ce message ne s'affiche pas correctement, cliquez ici
Header de l'appel à don de Noé
Chère amie, cher ami, 

Stoppons la disparition du bourdon et des autres pollinisateurs sauvages ! 

Les fruits et légumes sont nécessaires à notre alimentation et à notre santé. En France la tomate est le légume le plus consommé et la cerise l’un des fruits les plus appréciés. Connaissez-vous le point commun entre ces 2 aliments ? Leur principal pollinisateur est le bourdon.

Encart faites un don>Calculez vos avantages fiscaux

Sur les 5 principaux pollinisateurs des cultures européennes, 3 sont des bourdons ! 
Malheureusement, 25 % des espèces de bourdons en Europe sont menacées d’extinction et 46 % sont en déclin.

Les pollinisateurs sont un maillon essentiel de notre chaîne alimentaire. Pour stopper leur déclin et assurer un avenir durable à nos enfants, il est donc urgent de restaurer l’habitat des pollinisateurs et d’arrêter l’usage des pesticides.

La restauration des prairies fleuries, la gestion écologique des jardins, l’accueil de la biodiversité dans les espaces verts, sont autant d’actions mises en œuvre par Noé depuis plus de 15 ans pour lutter contre le déclin des pollinisateurs. 

Ainsi grâce à Noé, 800 hectares de prairies ont été semés pour les pollinisateurs sauvages, plus de 1 400 hectares de « Jardins de Noé » (privés et publics) préservent la biodiversité et Noé milite activement pour l’arrêt de l’utilisation massive des pesticides. 

Mais il nous faut faire plus ! Noé a besoin de vos dons pour continuer à mobiliser les collectivités et le grand public afin de semer toujours plus de prairies et ainsi reconstituer les milieux naturels, permettant aux espèces animales et végétales de se développer, et à la nature de s’épanouir.

Votre générosité nous donne le pouvoir d’agir ! 

Au nom de la biodiversité, merci pour votre soutien ! 



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Arnaud GRETH,
 
Président 




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terça-feira, 31 de maio de 2016

Noé
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Lettre d'information3 - mai 2016

Le PresidentSauvegardons la biodiversité, 
pour toutes les espèces vivantes 
y compris l’homme !



Le 22 mai, nous avons célébré la nature dans toute sa richesse et sa beauté lors de la Journée Mondiale de la Biodiversité. La biodiversité mérite bien cette attention de notre part ! En effet, le bon fonctionnement de nos écosystèmes repose sur la diversité des espèces vivantes et leurs interactions entre elles. Et la biodiversité nous fournit de multiples services écologiques qui n’ont pas de prix : de l’oxygène à respirer, de l’eau potable, des aliments variés, des médicaments pour nous soigner, le stockage du carbone, etc. ! 

Malgré cela, partout sur la planète, la biodiversité est menacée par l’action de l’Homme. Une des illustrations les plus parlantes de cette érosion dramatique de la biodiversité est le déclin des insectes pollinisateurs, auxiliaires indispensables pour la production de nos fruits et légumes. Pour cette raison, Noé a lancé une campagne, intitulée#JaiLeBourdon, visant à attirer l’attention des citoyens et des pouvoirs publics sur l’urgence de préserver les pollinisateurs et leurs habitats naturels. 

Ensemble, continuons à nous mobiliser pour sauvegarder la biodiversité, c’est l’avenir de l’humanité qui en dépend !

Arnaud GRETH,
Président
  
J'ai le bourdonPour manger 5 fruits et légumes par jour, encore faut-il qu’il y en ait
70 % des plantes cultivées nécessitent une pollinisation par les animaux. A l’occasion de la Journée Mondiale de la Biodiversité, Noé a plaidé pour la sauvegarde des pollinisateurs avec la campagne #JaiLeBourdon.
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Glyphosate et neonicotinoidesGlyphosate et néonicotinoïdes, cas d’école sur les lobbys

Alors que le Sénat français a voté contre l’interdiction des néonicotinoïdes, l’UE hésite encore à interdire l’utilisation du glyphosate, pourtant reconnu cancérogène probable par le CIRC. Les lobbys mèneraient-ils la danse ?
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Addax menacéL’addax menacé d’extinction imminente dans la nature 

Seuls 3 addax ont été recensés lors du dernier comptage aérien réalisé début 2016 dans la Réserve Naturelle de Termit et Tin-Toumma au Niger. L’insécurité régionale et le développement des activités pétrolières expliquent le déclin alarmant de cette espèce protégée par Noé depuis 2005.
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pélican friséPélican frisé : Noé plaide contre la chasse en Albanie

En Albanie, la population de pélicans frisés a subi un déclin important à cause de la chasse, activité peu contrôlée avant son interdiction en 2014. Pour sauver cette espèce, Noé soutient devant le parlement albanais une proposition de loi visant à renouveler pour 5 ans l’interdiction de la chasse.
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70%
des plantes cultivées sont produites grâce aux insectes pollinisateurs
 






Leroy Merlin
Le 2 juin, Leroy Merlin organisera une journée du Développement Durable à son siège social. L’occasion pour notre partenaire de sensibiliser ses collaborateurs à diverses thématiques liées au développement durable, à travers des ateliers, des conférences et des stands. L’ambassadrice des Jardins de Noé, l’auteure Isabelle Brunet, proposera une conférence et une démonstration autour de la permaculture.
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quarta-feira, 25 de maio de 2016

CBHSF ABRE PLENÁRIA COM APELO PELA REVITALIZAÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO
 O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, Anivaldo Miranda, abriu às 10 horas desta quarta-feira, dia 9 de dezembro, no Hotel Catussaba, em Salvador, a XXVI Plenária Extraordinária do CBHSF alertando para a necessidade da urgente implantação do programa de revitalização do rio São Francisco, “porque não podemos falar em um futuro sustentável para a nossa bacia se não encararmos de frente o problema da revitalização”.
Miranda reconheceu o cenário “muito preocupante” que coincide com a realização dessa plenária do CBHSF em Salvador. Um dos problemas é a situação atual do reservatório de Sobradinho, na Bahia, que na última semana alcançou o nível mais baixo de sua história, com apenas 1,1% de volume útil. “Mais uma vez fomos minoria na decisão de reduzir para 800 m3/s a vazão que chega a Sobradinho. Achamos que essa decisão só deveria valer lá pelos meses de fevereiro ou março do próximo ano, e não a partir do dia 15 de dezembro, como querem o governo e o setor elétrico. Deveríamos aguardar um pouco mais para ver o comportamento das chuvas”. 
Finalmente, o presidente do CBHSF lembrou os reflexos que uma vazão baixa (atualmente na ordem de 900 m3/s) já vem provocando, inclusive em relação à saúde pública. “Em Piaçabuçu, na foz do São Francisco, o alto grau de salinidade por força da entrada da água do mar já é uma ameaça para os hipertensos. A própria Chesf reconheceu que existem cerca de 400 ações judiciais decorrentes dessa atual vazão. Imagine quando a vazão descer a 800 m3/s...”, observou Miranda.
Na parte da tarde, o debate continua com a mesa-redonda Situação Hidrológica a Bacia do Rio São Francisco, que contará com a presença de especialistas da Agência Nacional de Águas (ANA), Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), além de consultores e membros do próprio CBHSF.
Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco é um órgão colegiado, integrado pelo poder público, sociedade civil e empresas usuárias de água, que tem por finalidade realizar a gestão descentralizada e participativa dos recursos hídricos da bacia, na perspectiva de proteger os seus mananciais e contribuir para o seu desenvolvimento sustentável. A diversidade de representações e interesses torna o CBHSF uma das mais importantes experiências de gestão colegiada envolvendo Estado e sociedade no Brasil.

Assessoria de Comunicação
09.12.2015
Tel: (71) 3351-2769 e 8892-1119 (Antônio Moreno)

(71) 8216-8986 (André Santana)

Cagepa confirma em laudos que água de Boqueirão tem alto índice de contaminação

Situação é preocupante e pode se agravar com falta de chuvas; empresa monitora a água que sai da estação de tratamento e a que chega em hospitais que fazem hemodiálise.

Serviços | Em 20/05/16 às 20h30, atualizado em 20/05/16 às 21h16 | Por Hermes de Luna e Amanda Gabriel
Jornal Correio da Paraíba
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Boqueirão tem apenas 9,6% da capacidade
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O Portal Correio teve acesso, com exclusividade, a um documento oficial da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (CAGEPA) que confirma ao Comitê da Bacia Hidrográfica da Paraíba (CBP-PB) a presença de cianobactérias e cianotoxinas nas águas do Açude Epitácio Pessoa (Boqueirão), responsável pelo abastecimento em Campina Grande. O relatório fala que entre março e abril deste ano a concentração dos organismos havia superado 10 mil células por mililitro. Segundo o professor e especialista em recursos hídricos Janiro Costa, da Universidade federal de Campina Grande (UFCG), há risco iminente de interrupção total na distribuição da água, devido ao alto potencial de proliferação dessas cianotoxinas.
Leia mais Notícias no Portal Correio “Campina está em risco iminente de ficar completamente sem água. A proliferação dessas toxinas é muito rápida e esse processo é acelerado à medida que o nível no açude vai diminuindo. De uma hora para outra a concentração desses organismos pode ultrapassar o limite estabelecido pela legislação e, se isso acontecer, a Cagepa será obrigada a parar a distribuição da água do Boqueirão na cidade”, alerta oprofessor. 
“É importante ressaltar, porém, que a Cagepa já está consciente da situação. Pode ser que a suspensão total no abastecimento não venha a ocorrer, mas existe o risco sim. Se não houvesse a Cagepa não teria alertado sobre a necessidade de monitoramento semanal desses organismos e da qualidade da água”, pondera Janiro Costa. 
Em documento encaminhado ao presidente da CBP-PB, Ulysmar Curvelo Cavalcanti, no dia 28 de abril, cujo Portal Correio teve acesso, a Cagepa recomenda monitoramento semanal do manancial, conforme exige o Ministério da Saúde. 
No relatório, a Cagepa diz que terceiriza o monitoramento dessas análises com o Laboratório de Ecologia Aquática, da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), onde são feitas as determinações acerca da biodiversidade e quantificação da comunidade de cianobactérias.
“Deve-se realizar análises das concentrações de microcistina e saxitoxina no ponto de capacitação de água do manancial e na saída do tratamento da água com frequencia semanal. A ocorrência de organismos dos gêneros de Cylindropermopsis e Dolichospermum nas águas é um indicativo de contaminação potencial por cilindrospermopsina e anatoxina, respectivamente, deste modo, recomenda-se também a análise destas variantes de cianotoxinas", diz parte do parecer da CAGEPA. 
Risco de contaminação. Ainda segundo especialista em recursos hídricos Janiro Costa, o sistema de tratamento de água atual em Campina Grande não é capaz de reter as cianobactérias e cianotoxinas. Alguns desses organismos podem provocar doenças gastrointestinais, neurológicas ou na pele, podendo levar também à morte. 
O professor da UFCG lembra que em 1996 cerca de 60 pessoas morreram após sessões de hemodiálise em Caruaru, no estado de Pernambuco. Investigações apontaram que os pacientes podem ser sido intoxicados pela água utilizada no processo de hemodiálise. 
No relatório enviado ao Comitê da Bacia Hidrográfica da Paraíba, a Cagepa sustenta que amostras são feitas mensalmente nos hospitais e clínicas que realizam o procedimento em Campina Grande e que, até o presente momento, elas apresentaram valores dentro dos padrões de potabilidade.
Soluções. De acordo com o professor Janiro Costa, só há duas formas de conter a proliferação de cianotoxinas no Açude de Boqueirão. “A primeira seria ampliar a estação de tratamento, com utilização de métodos mais avançados que fossem capazes de reter os organismos. Mas essa tecnologia exigiria um investimento financeiro muito alto”, analisa. 
“A outra forma seria a chegada de água no reservatório, pois quanto menor o volume, maior o potencial de contaminação na água. Com chuvas não podemos contar mais este ano, pois o que chover não será suficiente. Uma alternativa seria acelerar a Transposição do Rio São Francisco, cuja conclusão só está prevista para janeiro do próximo ano. Até lá, Campina pode entrar em colapso”, alerta o especialista. 
Nessa quinta-feira (19), o Portal Correio divulgou que a hipótese de conclusão das obras ainda este ano foi levantada pelo ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho. O anúncio foi feito após reunião com senadores e deputados federais da Paraíba.

A Cagepa foi procurada pelo Portal Correio para comentar o assunto, dar mais detalhes sobre o documento e explicar sobre alternativas para o abastecimento de água em Campina Grande, mas até a publicação desta matéria os questionamentos não foram respondidos.

Açude Epitácio Pessoa. O açude Epitácio Pessoa tem uma capacidade total de mais de 441,6 milhões de metros cúbicos. Seu volume atual é de apenas 39,4 milhões, o que representa apenas 9,6% de sua capacidade total de armazenamento. A Cagepa garante que há água para o abastecimento até janeiro do ano que vem.
Sobre o assunto

Remoção de microrganismos emergentes e microcontaminantes orgânicos no tratamento de água para consumo humano, PROSAB, 2009

Sustentabilidade hídrica e qualidade das águas: avaliação das estratégias de convivência com o Semiárido, Margarida Regueira da Costa, 2009


Contribuição ao estudo hidrológico do Semiárido nordestino, João Suassuna, 1999

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Falta d'água em cidades tem a ver com devastação desenfreada da Amazônia

Hen learns to count to seven (BWNToday)

Chuvas que recarregam reservatórios da região Sudeste são oriundas da Amazônia. Árvores são ‘toque final’ da máquina biológica que produz chuvas.
Veja a matéria, clicando no endereço abaixo:

O chão foi o destino de 20% das árvores da Floresta Amazônica original. Que isso vem acontecendo há anos, todos sabem. O que você provavelmente não sabe é que esse crime ambiental tem a ver com a falta d'água na maior cidade da América Latina. É que a Amazônia bombeia para a atmosfera a umidade que vai se transformar em chuva nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Quanto maior o desmatamento, menos umidade e, portanto, menos chuva. E sem chuva, os reservatórios ficam vazios e as torneiras, secas.
É guerra contra a cobiça. No coração da Amazônia, o exército formado pelo Ibama, pela Funai e pela Polícia Federal atinge mais um alvo. Garimpeiros presos, madeireiros multados, equipamentos destruídos. E a prova do crime apreendida. Esse é o front de um conflito que já dura pelo menos quatro décadas no Brasil. Desde que as primeiras estradas rasgaram a floresta para permitir a colonização. Caminhos que acabaram facilitando também o acesso de exploradores gananciosos e sem escrúpulos. Um crime ambiental que ainda está longe do fim.
Uma árvore que leva mais de 100 anos para crescer. E que em menos de um minuto, já pode estar derrubada. E o pior é que a madeira nem é aproveitada. Nesse tipo de desmatamento, o objetivo é simplesmente derrubar tudo, tocar fogo e transformar a área em pastagem para a criação de gado. Um crime ambiental que geralmente só é notado pelos fiscais tarde demais, quando a floresta já virou carvão.
Clareiras somam área maior que França e Alemanha juntas
“Isso aqui é roubo de terras da União. Grileiros furtam a terra da União, praticam o desmate multiponto, vários pontos embaixo da floresta, dificultando o satélite de enxergá-lo.”, explica Luciano de Menezes Evaristo, diretor de proteção ambiental do Ibama.
O que os olhos poderosos dos satélites não veem, a floresta, lamentavelmente, sente: 20% das árvores da Amazônia original já foram para o chão. Restaram imensas clareiras que somam uma área maior que a França e a Alemanha juntas.
O Fantástico acompanhou, com exclusividade, a maior operação contra grileiros na Amazônia neste ano. Em uma conversa gravada pela Polícia Federal com autorização da Justiça, um dos presos admite que o interesse dos criminosos é apenas nas terras.
“Como a floresta lá é muito bruta, os troncos são muito grossos, então o custo é muito grande. São árvores antigas, árvores velhas”, ele diz.
Consequências da devastação estão próximas de todos
Derrubadas e garimpos deixam uma cicatriz gigantesca na mata que pode parecer um problema exclusivo de árvores e bichos, distante da maioria das pessoas. Mas a ciência e as novas tecnologias comprovam que as consequências da devastação estão muito mais próximas de todos nós.
Nascentes que já não vertem mais água. Represas com menos de 10% de sua capacidade original de armazenagem. Uma delas, por exemplo, perto de Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo, deveria ter em um ponto uma profundidade de pelo menos cinco metros. Está agonizando. Mas o que a falta de água nesta região do país tem a ver com a Amazônia que fica a mais de 2 mil quilômetros de distância? Tudo, absolutamente tudo, segundo cientistas que estudam as funções da floresta e as variações climáticas na América do Sul.
“Essas chuvas que ocorrem principalmente durante o verão, a umidade é oriunda da Amazônia. E essa chuva que fica vários dias é que recarrega os principais reservatórios da Região Sudeste.” explica Gilvan Sampaio, climatologista do Inpe.
Fantástico tem acesso exclusivo a relatório sobre futuro climático
O Fantástico teve acesso exclusivo ao relatório sobre o futuro climático da Amazônia que só vai ser divulgado oficialmente na Conferência Sobre o Clima em Lima, no Peru, no fim deste ano. O trabalho desenvolvido em parceria por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e do Inpa, que investiga a Amazônia, reúne mais de 200 estudos e traça um minucioso roteiro das chuvas no continente sul-americano.
“Está mudando o clima. A gente vê isso acontecendo na Amazônia. Tem muitos trabalhos mostrando que a extensão da estação seca está se prolongando”, diz Antônio Nobre, pesquisador do Inpa.
De acordo com esse relatório, nos últimos 400 milhões de anos, a umidade que evapora dos oceanos é empurrada naturalmente pelos ventos para dentro dos continentes. Uma parte desse vapor vira chuva e cai, principalmente, sobre as grandes florestas na altura do Equador. O excesso de umidade segue empurrado pelos ventos, atravessa os continentes e acaba indo para o mar. Um ciclo que ao redor da Terra só tem uma exceção: a Amazônia.
Diferencial da Amazônia
O que torna a Amazônia diferente de todas as grandes florestas equatoriais do planeta é a Cordilheira dos Andes. Um imenso paredão, de 7 mil metros, que impede que as nuvens se percam no Pacífico. Elas esbarram na Cordilheira e desviam para o Sul.
“Esses ventos viram aqui e se contrapõem à tendência natural dessa região aqui de ser deserto. É uma região que produz 70% do PIB da América do Sul - região industrial, agrícola, onde está a maior parte da população da América do Sul”, explica Antônio Nobre, pesquisador do Inpa.
Mas de onde vem tanta água? Como funciona a fantástica máquina biológica que faz chover? Segundo os cientistas, o toque final cabe às árvores.
Fincadas a até 20 ou 30 metros de profundidade, as raízes sugam a água da terra. Os troncos funcionam como tubos. E, pela transpiração, as folhas se encarregam de espalhar a umidade na atmosfera.
Diariamente, cada árvore amazônica bombeia em média 500 litros de água.
A Amazônia inteira é responsável por levar 20 bilhões de toneladas de água por dia do solo até a atmosfera, 3 bilhões de toneladas a mais do que a vazão diária do Amazonas, o maior rio do mundo.
“Se você tivesse uma chaleira gigante ligada na tomada, você precisaria de eletricidade da Usina de Itaipu, que é a maior do mundo em potência, funcionando por 145 anos para evaporar um dia de água na Amazônia. Quantas Itaipus precisaria para fazer o mesmo trabalho que as árvores estão fazendo silenciosamente lá? 50 mil usinas Itaipu”, explica Antônio Nobre.
“Rio voadores” cruzam o Brasil
Esse imenso fluxo de água pelos ares é chamado de "rios voadores". O Fantástico chamou a atenção para a importância desses rios já em 2007. Imagens feitas de um avião do projeto "rios voadores" revelam nuvens densas, carregadas de água, cruzando todo o Brasil.
Testes feitos em laboratório comprovaram: mais da metade da água das chuvas nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil e também na Bolívia, no Paraguai, na Argentina, no Uruguai e até no extremo sul do Chile vem da Amazônia.
Para os cientistas, uma prova irrefutável do papel dos Andes e da Floresta Amazônica no ecossistema do cone-sul é a inexistência de um deserto nessa região. Basta olhar o globo para constatar que na mesma latitude em volta do planeta tudo é deserto. Menos na América do Sul.
Os pesquisadores não têm dúvida: sem a Amazônia, os estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul fatalmente seriam desertos também.
“Para quem está no Brasil, seja Porto Alegre ou Manaus ou São Paulo tem que saber que a água que consome em sua residência, uma parte dela vem da Amazônia e que por isso temos que preservar”, alerta Gilvan Sampaio.
Devastação bloqueia “rios voadores” em São Paulo
As imagens dos satélites que acompanham a movimentação das nuvens de chuva comprovam que a grande seca que assola as regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, em parte, está relacionada aos desmatamentos. No estado de São Paulo, por exemplo, a devastação da Mata Atlântica permite a formação de uma massa de ar quente na atmosfera. Tão densa que chega a bloquear os “rios voadores”, já enfraquecidos por conta do desmatamento na Amazônia. Represados no céu, eles acabam desaguando no Acre e em Rondônia, onde, este ano, foram registradas as maiores enchentes da história.

MP e Receita Federal entram na luta contra o desmatamento
Na luta contra o desmatamento, o Ibama, a Funai e a Polícia Federal acabam de GANHAR  mais um aliado: o Ministério Público, que passou a juntar dados da Receita Federal para poder enquadrar as quadrilhas também por lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, falcatruas que podem levar a mais de 10 anos de cadeia.
Pelas contas da Procuradoria da República no Pará, só a quadrilha presa na última operação desviou dos cofres públicos R$ 67 milhões em impostos. Um crime que mistura ganância e ignorância.
Fantástico: Quando você mete a motoserra em uma árvore que levou 100 anos para chegar daquele tamanho, não dá dó?  Homem: Não tem como a gente ter dó das coisas. Ninguém tem dó da gente também, né? Tem que desmatar para viver, né?
“Eu não sei se tá errado, não. Pra mim, está certo porque eu estou trabalhando. Enquanto os vagabundos ficam soltos na cidade, a gente tem que trabalhar escondido. Aí é difícil”, diz uma mulher.
Reflorestar áreas desmatadas antes que seja tarde
Um comportamento que bate de frente com os interesses de quem depende da Amazônia para produzir alimentos de forma legal.
“É do interesse do próprio agricultor ou produtor de gado ou de quem está querendo produzir energia que a floresta seja mantida. Porque ela é o que garante que tenha água necessária para essas atividades econômicas poderem existir”, diz o engenheiro florestal Tasso Azevedo.
Os gráficos do Inpe revelam que os desmatamentos na Amazônia já caíram aos níveis mais baixos das últimas duas décadas, mas ainda que tivessem sido completamente zerados, os cientistas não estariam tranquilos. Eles alertam que é preciso também reflorestar as áreas desmatadas antes que seja tarde.
“Existe um fato simples: se você tira floresta, você tira fonte de umidade, muda o clima. E nós tiramos floresta. Isso foi o que a gente fez nos últimos 40 anos. O clima é um juiz que sabe contar árvores, que não esquece e não perdoa”, afirma Antônio Nomes.

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