sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013


Carro-pipa permanecerá na Paraíba.


A Famup avalia que os pequenos municípios não têm recursos para investir na distribuição da água. A distribuição de água é precária e municípios precisam de várias obras complementares.

Correio da Paraíba– 13/05/2012

Álisson Arruda

A zona rural da maioria dos municípios paraibanos vai continuar sendo abastecido por carro-pipa e precisando de cisternas para reservatórios, mesmo após a conclusão das obras de transposição das águas do Rio São Francisco. É o que acredita o vice presidente da Federação das Associações de Municípios da Paraíba (Famup), Tota Guedes. Segundo ele, as cidades não possuem recursos suficientes para bancar projetos de saneamento e abastecimento de água para a zona rural.

“Além das adutoras precisarem de reformas, o abastecimento é precário. A população da zona rural vai continuar sofrendo se não forem feitas várias obras complementares. O abastecimento é só para os centros urbanos. As águas do Rio São Francisco não devem chegar para outras pessoas que estão isoladas e sofrem com a seca. E no período da seca tem açude com menos de 30% da capacidade”, afirmou.

De acordo com o vice presidente da Famup, além dos poucos recursos para as obras de abastecimento, as pequenas cidades, mesmo as que estiverem próximas ao acesso das águas, devem enfrentar dificuldades para distribuir a água para seus moradores. “As cidades também precisam de mais incentivo para saneamento básico. É complicado levar água e esgotamento para moradores mais distantes, mas é importante, pelo menos, que as pequenas cidades tenham acesso a essas águas e condições de distribuição para o máximo possível”,destacou Tota Guedes.

COMENTÁRIOS

João Suassuna – josu@fundaj.gov.br

Abastecimento hídrico é uma questão complicada se conviver. Os seres vivos precisam de água, pois, na sua falta, eles desidratam e morrem. O nordestino é um ser vivo, portanto, precisa de água para sua existência.

Há 17 anos que estamos denunciando que a Transposição do Rio São Francisco não irá resolver os problemas de abastecimento do Semiárido nordestino. Antes de tudo, as águas transpostas irão atender ao grande capital, principalmente a grande irrigação, a criação do camarão e os usos industriais.

A matéria do Correio da Paraíba está nos dando razão, ao esclarecer que as águas do Velho Chico não irão abastecer os paraibanos carentes, residentes no meio rural do Estado. Essa assertiva irá se complicar com a chegada do pleito eleitoral de outubro próximo. O acesso a água será moeda de troca para o voto do eleitor iludido. Os maus políticos não terão interesse algum na solução dos problemas do abastecimento da região semiárida, pois sabem que, uma vez resolvidos, as torneiras dos votos irão se fechar. É a Indústria da Seca com suas garras afiadas em cima do povo do Semiárido nordestino. Isso, ao nosso modo de entender, é fazer política com o sofrimento e a miséria do cidadão do Nordeste seco.

por João Suassuna— Última modificação 16/05/2012 15:03

Jornal Nacional repercute desperdício de água em poços jorrantes no sul do Piauí.


A região do Vale do Gurguéia é abundante em água e possui muitos poços jorrantes, porém não são utilizados para combater os danos da seca.

http://www.gp1.com.br/noticias/jornal-nacional-repercute-desperdicio-de-agua-em-pocos-jorrantes-no-sul-do-piaui-258612.html

16/07/2012

Na Globo

MÍRIAN GOMES DO GP1

O programa jornalístico da Globo, Jornal Nacional, desta segunda-feira (16) apresentou uma matéria que denuncia o desperdício de água no sul do Piauí. A região do Vale do Gurguéia é abundante em água e possui muitos poços jorrantes, porém não são utilizados para combater os danos da seca.

Imagem: Reprodução Poços jorrantes no Vale do Gurguéia


A matéria destacou que a água é um bem natural abundante que está sendo tratado com descaso e citou exemplos em cidades como Cristino Castro, que tem poços onde a água que jorra atinge até 20 metros de altura.

Confira na íntegra a matéria veiculada no Jornal Nacional:

Mais de mil municípios do Nordeste brasileiro estão em situação de emergência por causa da seca, 184 no Piauí. Mesmo assim, milhões de litros de água são desperdiçados todos os dias.

Uma imagem improvável no meio do sertão. A água brota da terra com tanta força que chega a 20 metros de altura. O vale do Gurguéia, no sul do Piauí, tem a maior reserva subterrânea de água do Nordeste.

"Aqui, na nossa região, em todo lugar que perfurar um poço com 100, 200, 180 metros, jorra 60, 70 mil litros de água por hora”, conta o comerciante Antônio José Guimarães.

Uma riqueza natural tratada com descaso na região. No município de Cristino Castro dezenas de poços jorram sem parar. Alguns abastecem piscinas de restaurantes e hotéis, outros não servem para nada.

"A água é um recurso público e a gente vê desperdiçando e não tem força e nem meios para estancar esse prejuízo”, diz o produtor rural Inocêncio Oliveira.

A vazão de um único poço é de um milhão de litros de água por hora. O que é desperdiçado no local seria suficiente para abastecer 13 cidades com 10 mil habitantes.

E é exatamente essa a população do município de Caracol, na mesma região, onde todos sofrem com a falta d' água. O abastecimento na cidade é racionado.

"Dos últimos 40 anos esta é a seca de grande proporção nesta região inteira", lembra o frade franciscano FreiJonecildo da Silva Cruz.

No campo, açudes secaram e os moradores dividem a pouca água que ainda resta com os animais.

"Para beber, cozinhar, tomar banho e lavar roupa”, diz uma mulher.

Em outras localidades, animais estão morrendo no pasto e falta alimento também para os agricultores que perderam toda a lavoura.

"Quando a comida é mais pouca, que eu veja que dá só para os meus filhos, eu dou para eles e se sobrar para mim bem, se não dou só para eles”, fala uma moradora.

"Se a gente tivesse esse poder de Deus, de mandar um poço para gente, era feliz demais no lugar da gente", sonha uma mulher.

O Serviço Geológico do Brasil informou que já existe um projeto, aprovado pelo Ministério da Integração Nacional, que prevê o aproveitamento da reserva subterrânea do Vale do Gurguéia. A água seria canalizada e distribuída para 51 municípios da região mais atingida pela seca no Piauí.

Clique aqui e confira o vídeo da matéria



Sobre o assunto:

Águas do Rio São Francisco chegarão ao Piauí


O governador Wilson Martins e o deputado Assis Carvalho(PT), conseguiram junto a presidente Dilma autorização para que seja feita a integração a bacia do rio Parnaíba ao São Francisco, a aos afluentes do rio Parnaíba via Sobradinho na Bahia. Contudo, há um longo caminho a percorrer. O projeto é perenizar com as águas do São Francisco os rios Gurgueia, Piauí, Canindé e Itaim que desaguam no Parnaíba. A presidente autorizou. Agora, caberá a Codevasf e o Ministério da Integração cuidarem da execução. A obra, de acordo com informação da imprensa está atrasada três anos. O que deveria ser concluído em 2010, só será entregue em 2014. A inclusão do Piauí nesse projeto pode se transformar em coisa para inglês ver.

http://180graus.com/pedro-alcantara/aguas-do-rio-sao-francisco-chegarao-ao-piaui-584697.html


Fonte para edição no Rema:
Ruben Siqueira

Comissão Pastoral da Terra / Bahia
Articulação Popular São Francisco Vivo


por João Suassuna— Última modificação 06/02/2013 22:55

Governo desembolsa 18% do previsto no ano e obra de transposição avança pouco.


Valores reservados no Orçamento efetivamente pagos na construção de canais para levar a água do rio São Francisco para o sertão nordestino ficam em R$ 173 milhões.


30 de dezembro de 2012 | 22h 40

Eduardo Bresciani, de O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - O ritmo lento das obras da transposição do Rio São Francisco reflete as dificuldades que o governo vem enfrentando para levar adiante os investimentos na área de infraestrutura no País. Até 20 de dezembro, só 18% do Orçamento disponibilizado para 2012 havia sido desembolsado pelo Ministério da Integração Nacional. A execução se restringiu, basicamente, a restos a pagar dos anos anteriores. Com isso, o cronograma da megaobra de Dilma começou a ser afetado.

 

Veja também:
Chuva branda não traz alívio para a paisagem árida
Os inúteis caminhos para 'derrotar a seca'

Uma nova licitação foi lançada no final do ano e pode levar para 2014 a inauguração do trecho piloto da obra, antes previsto para entrar em funcionamento ainda neste dezembro. O governo, apesar disso, mantém para 2015 a previsão de conclusão total da obra - que é a maior do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Nordeste.

O Ministério da Integração Nacional atribui a baixa execução financeira aos contratos que tiveram de ser rescindidos com algumas empresas, criando a necessidade de abertura de novas licitações, algumas das quais só serão abertas em março. No eixo leste, só R$ 32,4 milhões foram pagos do Orçamento deste ano.

A dotação inicial era de R$ 439,9 milhões, mas, diante das dificuldades de execução, foi reduzida para R$ 149,9 milhões. No eixo norte, os recursos disponíveis foram aumentados, chegando a R$ 790 milhões, mas pouco mais de R$ 140 milhões foram efetivamente pagos.

A obra, como aconteceu com boa parte dos investimentos do governo federal, foi tocada basicamente com a sobra de orçamentos anteriores. Na Transposição foram aplicados R$ 501 milhões de restos a pagar. O valor é pouco mais da metade do que o governo tinha de sobra. Para 2013, a cota de restos a pagar chegará a R$ 1,4 bilhão.

Atrasos. O calendário da Transposição tem sido afetado, ainda que o governo se recuse a revisar a previsão de conclusão para 2015. O projeto piloto, um trecho de cerca de 16 quilômetros no interior de Pernambuco, tinha previsão de inauguração agora em dezembro, mas as obras estão longe do fim.

O governo lançou um novo edital em novembro e o contrato com o consórcio que terá a responsabilidade de terminar o trecho será assinado somente em 2013. O ministério prevê, agora, que a água do São Francisco comece a correr nesse trecho em setembro de 2013, mas a licitação dá prazo de um ano para que o novo contratado conclua o serviço, podendo estender as obras para 2014.

O atraso no projeto piloto frustra os planos do ministro Fernando Bezerra Coelho, que contava com a inauguração para afastar as críticas ao ritmo da obra, lento desde o início do governo Dilma Rousseff. O trecho é considerado importante por reunir alguns dos principais elementos da obra, como barragem, ponte e aqueduto, além dos canais, possibilitando um primeiro teste prático de como a Transposição vai funcionar.

O Orçamento total da obra chegou a R$ 8,2 bilhões e R$ 3,5 bilhões já foram investidos. Dos 16 lotes, sete estão em andamento e apenas um concluído. Foram realizadas rescisões parciais em alguns trechos e novas licitações serão lançadas até março de 2013, segundo a previsão da pasta.

O ministério informou ainda que dois lotes estão com as obras paralisadas. As empresas já foram advertidas e multadas. Foi aberto ainda um processo para suspendê-las de licitações da pasta e declará-las inidôneas, o que impediria sua contratação por qualquer outro órgão público.

Fonte para edição no Rema
Ruben Siqueira
Comissão Pastoral da Terra / Bahia
Articulação Popular São Francisco Vivo


por João Suassuna— Última modificação 06/02/2013 21:51

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013


Uso de leds na iluminação pública.

 

Heitor Scalambrini Costa e Silvio Diniz

 

Soluções em Energia e Design (SENDES) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

 

O Brasil continua atrasado em relação a outros paises no que se refere à implementação de políticas públicas na área da conservação e eficiência energética. Verificam-se perdas importantes na transmissão elétrica, relatadas por comissão especial do Tribunal de Contas da União (TCU), da ordem de 17% (enquanto na Europa e USA este valor é em torno de 5%); com o uso ineficiente dos chuveiros elétricos (atendem mais de 80% dos domicílios) que representam 7% de todo consumo nacional de eletricidade e mais de 18% do pico de demanda, e que poderiam ser trocados pelo aquecimento solar; e com motores e eletrodomésticos com baixas eficiências. Assim existe um grande potencial de economia de energia que se poderia alcançar com soluções já existentes.

 

O Plano Nacional de Eficiência Energética (PNEf) lançado pelo Ministério de Minas e Energia em outubro de 2011 (portaria 594/MME), apesar do bom diagnostico realizado da situação atual, tem metas e propostas pífias (redução de 10% no consumo total) do que se espera para um pais da importância do Brasil, dentro do contexto das mudanças climáticas, em que a cadeia produtiva da energia é a vilã e a que mais emite gases de efeito estufa.

 

Ainda prevalecem idéias e conceitos retrógrados do século passado, no que se refere à oferta de energia. Para os gestores públicos (e os empreiteiros, é claro) a única forma de ofertar mais energia para o país é construindo mega-hidreletricas na região Amazônica, termelétricas a combustíveis fósseis e usinas nucleares. Não se leva em conta que usando melhor e introduzindo novas tecnologias, também se pode “gerar” energia elétrica e disponibilizar no sistema elétrico nacional.

 

Um dos casos mais evidentes e emblemáticos da pouca visão, dos gestores reside na questão da iluminação pública. É estimado que em torno de 15% da energia elétrica produzida é consumida nesta modalidade. O PNEf prevê um potencial de redução na iluminação pública de 9% da demanda e na economia de energia, substituindo as lâmpadas menos eficientes por lâmpadas de vapor de sódio (LVS).

 

No Brasil, dos 15 milhões de pontos de iluminação existentes, em torno de 60% são LVS. No entanto, esta tecnologia está ultrapassada, quando comparada com os LEDs (diodos emissores de luz), que apresentam alto rendimento, mais do que o dobro da vida útil da LVS (em média 50.000 horas, porém fabricantes falam em 100.00 horas) e um baixo consumo de energia elétrica, com uma redução de até 50% menor às de vapor de sódio, proporcionando assim uma redução significativa do consumo, em particular no pico da demanda do setor elétrico.

 

Apesar de ainda ter um preço inicial de aquisição superior as LVS, é necessário considerar que os LEDs possuem um baixo custo de manutenção, visto que seriam substituídos a cada 12 anos (considerando o uso em média de 11 a 12 horas ao dia, com tempo de vida de 50.000 horas), e baixo consumo de energia, o que levaria ao longo de sua vida útil, a um custo menor que das LVS . Outros benefícios podem ainda ser destacados, como a não emissão de radiação ultravioleta, evitando a atração de insetos à luminária e sua degradação, contribuindo para redução dos custos da manutenção; maior resistência a impactos e vibrações e contribuição para a redução da poluição luminosa com iluminação direcionada.

 

Na iluminação das vias públicas, os LEDs apresentam mais uma vantagem, a reprodução das cores com mais eficiência e qualidade, o que favorece a visualização das informações apresentadas nas via públicas, tais como: sinalização de trânsito, de advertência, de localização, etc.

 

Devido à baixa tensão dos LEDs que trabalham com tensões e correntes contínuas, é possível a conexão às baterias eletroquímicas, dispensando o auxílio da rede elétrica. Com isso, possibilita aos atuais projetos para iluminação em vias públicas a integração de uma fonte eólica e/ou fotovoltaica aos postes de luz. Tornando possível prover iluminação aos municípios e rodovias que ainda não possuem linhas de transmissão, e mesmo aquelas que já possuem.

 

O estímulo à pesquisa e inovação desta fonte luminosa levou o laboratório SENDES/UFPE a desenvolver uma luminária denominada LUMISOL (www.lumisolcaa.blogspot.com.br) que reúne além da tecnologia LED, uma alimentação com eletricidade solar fotovoltaica. Este se configura como um dos muitos exemplos neste Brasil afora, de desenvolvimento de produto nacional com valor agregado, que apesar da miopia dos gestores encastelados que pouco dialogam com a academia e com os centros de pesquisa; no país, o desenvolvimento tecnológico e a inovação existem e permitem soluções viáveis, simples e com alto grau de maturidade.

Ainda indefinido, no Ceará, o início das obras do Cinturão das Águas.


A solução definitiva para a falta de água no Interior está na transposição hídrica com a ligação de bacias.

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1140578

Crateús Previsto para começar pelo Cariri no início do ano passado, o Projeto Cinturão das Águas do Ceará (CAC) continua com obras indefinidas. Com a meta de fazer a transposição das águas para todo o Estado, levará recursos hídricos do leste ao oeste do Ceará, indo também em direção ao norte, perenizando todas as grandes bacias. Estima-se que o primeiro trecho do CAC seja concluído até o fim de 2014.

O empreendimento, quando concluído, em 2040, vai assegurar o abastecimento de água para a totalidade da população cearense. Levará água para a região dos Inhamuns, uma das áreas mais secas e isoladas do Ceará. A Secretaria de Recursos Hídricos (SRH) admite que não há previsão para início da obra.

"Foi feita a licitação para a elaboração do projeto executivo, após a conclusão é que se marcará a ordem de serviço do primeiro trecho", informa a assessoria de imprensa da SRH. A previsão é de que a integração disponibilize 45 mil metros cúbicos de água por segundo para todo o Ceará.

Enquanto a população da zona rural da grande maioria dos Municípios do Ceará sofre com o desabastecimento de água provocado pela maior estiagem dos últimos 30 anos, e a da zona urbana já vislumbra passar por problemas similares, gerados pela diminuição de água nos reservatórios, as prováveis soluções para solucionar o crônico quadro hídrico do Ceará continuam no papel. Ou para ser mais otimista, andando a passos lentos, muito longe de alcançar a triste realidade e urgência do sertanejo. A solução ainda está a longo prazo.

No que diz respeito ao atendimento das demandas hídricas no horizonte de 2040, a implantação do CAC gerará um cenário favorável de suprimento hídrico, com o atendimento das demandas atingindo níveis elevados e equivalentes em todas as macrobacias.

O governador Cid Gomes e o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, assinaram, em outubro, no Palácio da Abolição, o termo de compromisso para o projeto executivo da obra. A partir de então, será possível - após a conclusão do projeto executivo - a realização da licitação do primeiro trecho do Projeto, que terá extensão de 150km e vai do Município de Jati ao Rio Cariús, na região Sul do Estado, transpondo águas do Rio São Francisco.

O Cinturão das Águas envolverá todo o Estado, através de um conjunto de canais e adutoras, com extensão de três mil quilômetros, para dar segurança hídrica a 92% da população cearense. É um sistema adutor extenso, com cerca de 1.200km de comprimento, quase integralmente gravitário - com somente um pequeno bombeamento em seu trecho litoral final - com trechos em canais em corte ou aterro, obras de travessia de talvegues e elevações topográficas através de sifões, aquedutos e túneis. Tem por objetivo principal aduzir as vazões transpostas do Rio São Francisco para todas as macro-bacias hidrográficas do Ceará.

Com o CAC, 80% do território do Estado será beneficiado pelo Projeto de Integração do Rio São Francisco com o Nordeste Setentrional e não somente as bacias do Jaguaribe e Metropolitanas, como previsto inicialmente no projeto. Aumentará significativamente a possibilidade de acumulação das águas possíveis de aduzir do Rio São Francisco, com a inclusão de cerca de 20 novos grande saçudes.

Segundo a SRH, o investimento total previsto é de R$ 28 bilhões, até 2040. O Cinturão será formado por um canal principal que margeará a Chapada do Cariri, aproximadamente no sentido leste-oeste, para depois, com diretriz sul-norte, atravessar as bacias do Alto Jaguaribe e Poti-Parnaíba, atingindo a bacia do Acaraú. No primeiro trecho, serão investidos R$ 1,5 bilhão no projeto, sendo R$ 400 milhões oriundos do Governo do Estado e o restante assegurados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

EixãoAlém do CAC, há o Eixão das Águas, outra grande obra hídrica estadual, que dará garantia hídrica durante 30 anos na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e aos projetos estruturantes do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), como a Siderúrgica, Refinaria e Zona de Processamento e Exportação (ZPE). Além dos dois grandes projetos, a SRH atua na construção de novos açudes, visando aumentar a reservas de água no Estado, mais canais, adutoras e perfuração de poços que asseguram o uprimento de água às populações urbanas e rurais.

Trata-se de investimentos financiados pelo Banco Mundial, Governo Federal, através do PAC-Programa de Aceleração do Crescimento, e recursos próprios do governo estadual.

Ruben Siqueira

Comissão Pastoral da Terra / Bahia

Articulação Popular São Francisco Vivo




Saibam mais:

Cinturão das águas



COMENTÁRIOS
João Suassuna
- josu@fundaj.gov.br

Essa é uma das questões que fazem parte do nosso discurso contrário ao projeto da Transposição do Rio São Francisco. O Semiárido brasileiro tem cerca de 37 bilhões de metros cúbicos de água estocados em cerca de 70 mil represas. É o maior volume represado em regiões semiáridas do mundo. O Estado do Ceará tem cerca da metade desse volume estocado (18 bilhões de metros cúbicos), distribuído em cerca de 8.000 represas. O Ceará foi o Estado pioneiro em ir em busca de suas águas interiores para o abastecimento de sua população rural difusa. A idéia no Ceará é interligar suas bacias, através de adutoras (uso de tubulações) e iniciar uma ação de abastecimento baseada no fornecimento de água através de bacias com melhores possibilidades de fornecimento de água, pois o sistema está sendo todo interligado. Essas ações são a prova clara de que a transposição do São Francisco para o Ceará será para o atendimento ao grande capital, principalmente a grande irrigação, a carcinicultura e aos usos industriais.

João Suassuna é Pesquisador Titular da Fundação Joaquim Nabuco

José do Patrocínio Tomaz Albuquerque

Prezado João Suassuna

Sobre este projeto Cinturão das Águas do Ceará (CAC), tenho duas observações a fazer. A primeira, está relacionada com a afirmação contida na primeira frase da notícia, de que o projeto CAC perenizará todas as grandes bacias do Estado. Isto vai de encontro à condições hidrológicas naturais das bacias hidrográficas do semi-árido cearense e, por extensão, de todo o Nordeste. Essas condições, naturais, se manifestam no regime desses rios que são intermitentes ou, mesmo, efêmeros. E, porque isso? Por duas razões: a primeira, por não existirem no território cearence grandes e potentes sistemas aqüíferos que perenizem os rios dessas bacias; a segunda razão, não menos importante, é a taxa de evaporação que incide sobre a superfície livre dos cursos d'água, reduzindo o período de intermitência. Essa taxa de evaporação é a mesma que incide sobre os reservatóros superficiais, tendo como motivo principal, a baixa umidade relativa do ar no período de estiagem (outro fator importante está relacionado com a velocidade dos ventos). Portanto, a perenização de rios, significa o favorecimento destas perdas por evaporação, o que, evidentemente, poderia ser evitado. No caso dos reservatórios, estruturas absolutamente necessárias ao atendimentos de demandas da região, não há como evitar tais perdas. É o preço adicional que pagamos para este atendimento. O que se deve fazer, ao invés de perenizar, é conduzir e distribuir, diretamente na fonte, estas águas destes reservatórios. Ainda assim, acontecem perdas, mas, muito menores. A segunda observação diz respeito à afirmação de que o CAC "quando concluído, em 2040, vai assegurar o abastecimento de água para a totalidade da população cearense". Ora, o Ceará dispõe de reservatórios superficiais localizados em suas macrobacis hidrográficas que regularizam uma vazão firme (100% garantidas, qualquer que seja o evento hidrometereológico) total de 30,48 m3/s, para uma demanda humana urbana projetada para 2.025, de 7,55 m3/s , segundo os "Estudos de Inserção Regional, Relatório Geral, Tomo I, Março de 2000", realizados para o projeto de Tranposição. A demanda humana difusa do meio rural, naquele mesmo ano (população projetada em torno de 1.650.000 habitantes, a 100L/dia/hab) é de 1,91 m3/s, o que, no conjunto, representa cerca de 31% da oferta citada. Então, para que esperar esse CAC, quando as Leis federal e estadual, e a própria Constituição priorizam o abastecimento humano? Por já não terem cumprido o que preceituam as leis e aconselha o bom senso é que certos sistemas de abastecimento urbano (que usam reservatórios superficiais sem condição de atendimento da demanda humana em períodos de seca) entram em colapso, provocando o desabastecimento da população e os problemas dele decorrentes, como os divulgados pela imprensa sobre a seca em curso. O que o Ceará precisa (e. de resto, todo o Nordeste semi-árido) não é de mais água e, sim, de fazer o uso (e, em algumas de suas áreas, captar e usar) correto das já acumuladas em seus reservatórios. Abraços, Patrocínio

José do Patrocínio Tomaz Albuquerque - patrociniotomaz@uol.com.br

Graduado em geologia (hidrogeólogo) com mestrado em Engª Civil, área de Recursos Hídricos.

Apolo Heringer Lisboa - apololisboa@gmail.com

Olá Cassio Borges,

Li pensando em receber as suas competentes e sempre independentes observações. Como leigo esforçado e estudioso, li as observações do Patrocínio Tomaz e fiquei bem impressionado, concordando com ele. Estou correto? Por favor, qual a sua avaliação? Grato, Apolo Lisboa. Idealizador/fundador do Projeto Manuelzão (PMz)

 

Cassio Borges - borgescassio@hotmail.com

Caro Apolo Hering,

Na realidade, desde quando regressei daquela viagem a Florianópolis e a Gramado, ausentando-me de Fortaleza por 18 dias, ainda não coloquei as minhas demandas obrigatórias em dia tanto no trabalho, como na vida familiar. Além disso, aconteceram muitos fatores inesperados, inclusive feriados etc. Este caso do confisco dos salários do pessoal do DNOCS determinado pela CGH, também me atingiu em cheio. Foram-se 33% dos meus vencimentos. Uma perda muito grande. Um desestímulo também. Vindo ao caso, concordo plenamente com o que disse o nosso amigo Patrocínio sobre o tal Cinturão das Águas projetado aqui no Estado do Ceará e está sendo imitado no Estado de Pernambuco na região de Araripina. E na Paraíba não estão pensando também algo fantasmagórico semelhante, pergunto ao Patrocínio? E o Rio Grande do Norte, vai ficar atrás desta desvairada corrida pelos recursos da União? E de onde virá tanta água para alimentar esses fantasiosos projetos? Vão dizer, com certeza, do Rio São Francisco. É o único manancial perene existente em nossa Região.

Segundo o Editorial do Diário do Nordeste do último dia 24/05 (ontem, portanto) , o projeto denominado Cinturão das Águas vai custar a bagatela de 28 (vinte e oito) bilhões de reais. Repito: 28 bilhões de e reais. Será isto mesmo? Para mim um inusitado projeto de engenharia, uma nova forma milionária de combate às secas. Uma loucura dentre outras que o pessoal do Ceará, que propaga aos quatro ventos ser detentor de um modelo de gestão de água, digno de ser imitado pelos outros Estados nordestinos. Será que este pessoal perdeu o bom senso? Ou lhes falta mesmo é competência para conduzir tão delicado assunto? Ademais, é inadmíssivel a vazão pretendida para alimentar o esse tal Cinturão das Águas: 45 metros cúbicos por segundo. Eu disse: 45 metros cúbicos por segundo, quase cinco vezes a vazão regularizada do Açude Orós. Acredite se quiser.

De onde virá tanta água? Para mim, existe um desvairo técnico nestes projetos mirabolantes que somente alimentam e fazem a festa das firmas prestadoras de serviço, as chamadas "consultoras” . No meu livro, escrito em 1998, escrevi um capítulo sobre este assunto. Acho que o Patrocínio tem condições de dizer muito mais sobre esse projeto e relacioná-lo com o nosso Rio São Francisco. Abraços. Cássio Borges

Apolo H. Lisboa

Cássio, você é extraordinário em sua coragem e independência de atitudes. Além da inteligência e espírito cidadão estas atitudes suas em escrever o que pensa, sem pedir permissão a nenhuma autoridade além da sua consciência, são seu maior referencial para mim. Continue nos iluminando. Enviei sua denúncia do sequestro salarial feito pelo DNOCS a meus amigos e quero compartilhar esta sua mensagem que acima conservei, onde gentilmente me responde, com meus amigos do NE e das lutas pelo semi-árido. Parabéns. Se fosse na ditadura militar você estaria preso! Mas não se cale Cássio, não deixe de nos ensinar. Abraço, Apolo Lisboa

José do Patrocínio Tomaz Albuquerque - patrociniotomaz@uol.com.br

Prezados amigos Apolo e Cássio

Manifesto, mais uma vez, a minha solidariedade aos funcionários do DNOCS e, particularmente, ao Cássio pele sua luta. Concordo com tudo o que escreveu Apolo nesta mensagem sobre ele. Gostaria, contudo, de fazer uma pequena observação. É que, a despeito das conhecidas atrocidades praticadas pelo regime militar contra os brasileiros que se opunham às ações políticas e ideológicas daqueles governos, é possível e, até, provável que o Cássio não fosse preso. Isto porque ele não precisaria fazer as denúncias que, hoje, está fazendo. O regime militar (e a Constituição por eles outorgada) respeitou os direitos adquiridos pelos funcionários, mantendo as suas remunerações originais, inclusive as gratificações. O que houve, foi uma política de arrocho salarial que atingiu a todos os funcionários, indistintamente, caracterizado por reajustes salariais inferiores às inflações anuais. Este arrocho vem sendo perpretado pelos últimos governos, após a redemocratização. Todos! Sendo que, no caso do governo anterior do PT e, agora, desse, houve sim desrespeito ao que reza a Constituição de 1988, em suas cláusulas pétreas, como a do artigo que trata do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da sentença transitada em julgado e de outro que diz que ninguém pode ter sua remuneração nominal reduzida, a não ser que as duas partes envolvidas concordem. Além do caso dos servidores do DNOCS, cito o de funcionários já aposentados (como eu) que voltaram a ter descontos de contribuição para previdência pública. Admitindo que isso fosse correto (o que não acho), esse desconto somente poderia ser realizado para os que se aposentassem dali para a frente (nenhuma Lei pode retroagir para prejudicar) e,não, para os que já estavam aposentados (pensionistas também). Mas o governo Lula da Silva, contrariando o histórico do PT (que tinha, no governo anterior entrado com uma ação direta de inconstitucionalidade dessas medidas encaminhadas por FHC), resolveu rasgar a Constituição ( o Presidente do Supremo era Nelson Jobim, depois seu Ministro da Defesa). Cito, ainda outro, que atingiu o magistério superior: Uma nota técnica do Superintendente de Pessoal do Min. do Planejamento, retirou os direitos assegurados pela Lei do Regime Jurídico Único a quem se aposentou na classe imediatamente superior que era, no fim da carreira, o de Titular e que, hoje, com a criação do cargo de Professor Associado, passou a receber como tal. É o meu caso, mais uma vez. Sou um demandante de justiça, como o é o amigo Cássio. Entrei com ação pedindo o ressarcimento de meus direitos.

Quanto ao tal Cinturão, não conheço os detalhes do projeto, apenas o que foi aqui divulgado pelo amigo João Suassuna.

Abraços solidários do Patrocínio

por João Suassuna— Última modificação 25/05/2012 15:23

Bom dia !!!

Neste período de crise energética volta a tona as propostas de instalação em nosso pais de usinas nucleares.

Envio, e espero que possa interessar, este texto sobre a posição que defendo sobre este tema.

Infelizmente os contrarios a esta tecnologia não dispõe do mesmo espaço dos lobistas nucleares na grande midia.

A internet acaba sendo o espaço mais democratico para esta discussão. Dai solicito, que divulgue o exto, cordialmente.
Heitor.

Pense, reflita e diga não a energia nuclear

Heitor Scalambrini Costa

Professor da Universidade Federal de Pernambuco

As decisões tomadas pelos governos da França, Alemanha, Japão, Bélgica, Itália, entre outros, de reverem seus programas de instalação de novas usinas nucleares, e desativarem as existentes, são mais do que um indicativo que esta fonte de energia perdeu espaço considerável no século XXI. Por trás (e a frente) das decisões governamentais, está a pressão popular. A conscientização sobre os reais riscos desta tecnologia tem levado milhares de pessoas a se manifestarem publicamente contrárias ao uso da energia nuclear. Dificilmente por vontade de novos governos haverá mudanças na política não nuclear destes países. Nem mesmo no Japão, onde o atual primeiro ministro tem insinuado que não só reativará as 50 usinas fechadas pós Fukushima, mas construirá novas centrais núcleo-elétricas. A razão é simples a população não quer conviver com o perigo constante de uma catástrofe nuclear.

A China, utilizada como exemplo na rota pró-nuclear, não deve ser imitada. Suas situação política, social e ambiental, não serve como exemplo. O país que é o mais populoso do mundo (mais de 1,3 bilhões de habitantes), tolhe a liberdade de expressão e impede pela força, a participação popular. Por outro lado, os Estados Unidos da América, citado como exemplo de modelo nuclear, vive um grande dilema com relação a sua economia, a seu modo de vida, e as suas posições nos fóruns internacionais referentes às mudanças climáticas. As contradições são enormes, em um país que já foi à locomotiva do mundo ocidental capitalista. Hoje, ao mesmo tempo, propõe a produção e a utilização do gás do xisto betuminoso (verdadeiro crime ambiental), acena para o fortalecimento de políticas na área de energias renováveis.

O Brasil é que deveria servir de exemplo e modelo para outros paises na área energética. Com recursos naturais abundantes como o Sol, o vento, as águas, a biomassa, deveríamos estar à frente e propor novos caminhos para sociedade mundial, na utilização destes recursos, de maneira eficiente, sem desperdício, e sem impacto ambiental e agressão social, levando em conta para que e para quem os recursos energéticos são destinados. Complementando a rede elétrica nacional com geração de energia descentralizada, substituindo os chuveiros elétricos, a iluminação e motores ineficientes, por novas tecnologias disponíveis. Enfim priorizando o uso das novas fontes renováveis e políticas de conservação.

Mas infelizmente, estamos andando para trás, no que concerne a matriz elétrica. Cada vez mais se instalam termelétricas a combustíveis fósseis, menosprezando os recursos naturais disponíveis. O planejamento tecnocrático indica o aumento das termelétricas nos próximos anos, desenhando para o futuro uma matriz hidro-térmica. Verdadeiro crime lesa-pátria que está sendo cometido com as gerações futuras, e com o planeta, ao desprezar as novas fontes renováveis.

Ainda, o que chama a atenção, são as posições dos eternos lobistas da energia nuclear, uns mais belicistas que outros. Aquele mesmo, ex-ministro de Ciência e Tecnologia, que defendeu e defende que o país se insira no “clube da bomba”, volta nestes tempos de crise elétrica, a propor que a energia nuclear seja “tratada com mais carinho” pelo governo federal. Empregados ilustres da Eletronuclear utilizam velhos argumentos, os mesmos que respaldaram a assinatura do acordo Brasil-Alemanha em plena ditadura militar. Defendem que o Brasil necessita da energia nuclear para atender as necessidades elétricas de agora e futura, daí não pode abrir mão, nem de suas reservas de urânio (para os negócios), e nem da construção de novos reatores nucleares. Propõem não só Angra III em construção, e mais 4 outras usinas até 2030, sendo dois destes complexos nucleares no Nordeste brasileiro, ao lado do Rio São Francisco. Verdadeiro descalabro ao povo sertanejo.

No próximo mês, no dia 11 de março, lembraremos 2 anos da catástrofe de Fukushima. Não se pode esquecer a gravidade, e as repercussões para a vida de tal acidente, que esta sendo abafado pelas agências de notícia. A população brasileira não se deixará enganar, e mais uma vez continuará afirmando “Não queremos energia nuclear, nem em Pernambuco, nem no Nordeste, e nem no Brasil”.

Eis ai um breve texto sobre as bravatas da presidenta com relação a questão energética
espero que interesse, cordialmente.

 

 Setor elétrico: a batalha da comunicação

Heitor Scalambrini Costa

Professor da Universidade Federal de Pernambuco

A questão energética definitivamente esta incorporada no debate da sucessão presidencial. Ela o foi na eleição de 2002. Assunto que rendeu após o racionamento de longos 8 meses, pela barbeiragem do governo FHC, que preferiu obedecer aos ditames do FMI quanto ao ajuste fiscal, ao invés de investir na geração e transmissão de energia. Sem dúvida a falta de energia para atender as necessidades da população com o corte imposto de 20%, contribuiu decisivamente para a derrocada do seu candidato, indicado para sucedê-lo.

Em 2008, voltou em destaque. E o País passou “raspando” de um novo racionamento. Em 2010, 2011 e 2012 as interrupções temporárias no fornecimento de energia proliferaram Brasil afora. Nunca antes na história recente tivemos tantos “apagões” e “apaguinhos”, atingindo as varias regiões do Sul ao Norte, do Leste ao Oeste, caracterizados por uma grande freqüência e longa duração no tempo. São Pedro, equipamentos com defeitos, mão de obra desatenciosa, foram alguns dos responsáveis aos olhos do governo federal.

Agora, no inicio de 2013 os níveis de água dos reservatórios das hidrelétricas atingiram patamares semelhantes aos alcançados no racionamento de 2001/2002. O alerta amarelo foi acionado, e voltou-se a discutir o porque do sistema elétrico brasileiro viver aos sobressaltos.

Nestes episódios recorrentes já se passaram 12 anos desde o maior racionamento da história brasileira, e verificou-se neste período que as tarifas não pararam de aumentar, e a qualidade dos serviços oferecidos à população, deterioraram.

Todavia, os sucessivos governos, não admitiram e nem admitem que as estratégias adotadas no setor foram erradas, no mínimo equivocadas. Culpa a situação de crise, como sendo a responsabilidade de outros. E até é culpabilizado aquele que ocupa um cargo junto a Deus, o santo das chuvas. É brincadeira!!!!

Mas, o mais importante para o governo de plantão é manter sua imagem fictícia, e incólume junto à população (ou na verdade os eleitores?). E qual é esta imagem? No presente caso, a da presidenta como rigorosa gestora, administradora competente, tocadora de obras públicas, a mãe do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), e a excepcional especialista na temática da energia. “Colou” naquela que ocupa o cargo público de maior relevância, a grande “expert” em assuntos energéticos, sendo até escolhida como primeira mulher a ocupar o cargo de Ministra de Minas e Energia. Com isto, se esperava garantir junto à população traumatizada com o racionamento da época do FHC, a credibilidade de que no Brasil não haveria mais problemas com a energia.

Ledo engano. A realidade foi mais forte que os criadores de ilusão, os marqueteiros. Todavia não jogaram a toalha, e na corrida a reeleição presidencial, voltaram com tudo, querendo vender “gato por lebra”.

No segundo semestre do ano passado à presidenta em rede nacional de rádio e televisão em duas oportunidades abordou sobre a questão energética enfaticamente. A primeira em um dia emblemático para os brasileiros, as vésperas do 7 de setembro – Dia da Independência. Em tom triunfal e apoteótico anunciou o corte nas tarifas de energia elétrica. A presidenta invocou o talento, o esforço e a coragem de seu governo em tomar esta medida, que, diga-se de passagem, ela mesma contribuiu para a explosão tarifária, tanto no cargo de ministra de Minas e Energia, como da Casa Civil, e agora como Presidenta do Brasil.

No segundo pronunciamento, no dia 23 de dezembro de 2012 em cadeia nacional, além das tradicionais desejos de boas festas, ela mais uma vez afirmou que a conta de luz residencial e a das empresas vão ficar menores. Pura jogada de marketing, pois todos os analistas do setor elétrico, que estão fora do governo, não cansam de afirmar que o governo federal com uma mão diminuirá as tarifas e com a outra neutralizará esta redução, com a introdução do encargo denominado “risco hidrológico”, as bandeiras tarifárias e no repasse do custo da energia das termelétricas (até 5 vezes maior que as hidrelétricas ), nos reajustes anuais previstos nas revisões tarifárias.

Neste 23 de janeiro de 2013, a Presidenta em novo pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão voltou a abordar o tema energético. Agora, depois de muita reza para que chovesse, e descartada a iminência de um racionamento. E mais uma vez, como uma “questão de honra” e em tom bombástico, não só garantiu que as tarifas serão reduzidas, acusando os pessimistas de sempre, como também anunciou a antecipação do desconto na conta de luz, que passará a vigorar a partir do dia 24 de janeiro. O tom triunfalista predominou na fala de sua excelência, fazendo até lembrar do velho refrão usado pela ditadura militar “Brasil: ame-o ou deixe-o”. Já se disse que "uma mentira muitas vezes repetida, torna-se uma verdade". Vamos aguardar quantas vezes mais será repetida que as tarifas elétricas vão diminuir. Uma vez mais, o marketing das falas presidencial subestima a inteligência e a capacidade de discernimento dos brasileiros.
E nesta batalha da comunicação não adianta a oposição à direita estrebucha,r acusando que se está praticando o populismo energético, etc e tal. Pois não devemos esquecer que tudo começou com FHC e continuou com Lula e Dilma. Durma com esta bronca!!!

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