quarta-feira, 30 de maio de 2012


Comissão Nacional de Combate à Desertificação se reúne em Campina Grande.



por João Suassuna — Última modificação 29/05/2012 11:05

No período de 30 de maio a 1º de junho acontece, na sede do Instituto Nacional do Semiárido (INSA/MCTI), em Campina Grande (PB), a 4ª Reunião Ordinária da Comissão Nacional de Combate à Desertificação (CNCD). Vinculada ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), a CNCD é um órgão deliberativo e consultivo criado em 2008 com a finalidade de: deliberar sobre a implementação da política nacional de combate à desertificação e mitigação dos efeitos da seca, em articulação com as demais políticas setoriais, programas, projetos e atividades governamentais de combate à desertificação e mitigação dos efeitos da seca; promover a articulação da política nacional de combate à desertificação e mitigação dos efeitos da seca com o planejamento em âmbito nacional, regional, estadual e municipal e, orientar, acompanhar e avaliar a implementação dos compromissos assumidos pelo Brasil junto à Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (UNCCD).

A Reunião Ordinária conta com a participação de representantes de vários Ministérios, dos Parlamentos, da Sociedade Civil e do Poder Executivo Estadual e Municipal. Na ocasião, vai ser discutido o documento elaborado pelo grupo de trabalho da CNCD intitulado Ações Estratégicas para Convivência com o Semiárido e o Enfrentamento da Seca, a respeito de um tema que se encontra na ordem do dia em razão do preocupante fenômeno da seca atual no Brasil, em particular, na região do Semiárido brasileiro.

Dentre os assuntos a serem abordados na Reunião, destacam-se: exposição de diagnósticos e previsões, pelo Diretor do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET); relato da COP 10 da UNCCD e obrigações do Brasil; Expectativas da Rio+20 e Ponto Focal Político da UNCCD, pelo representante do Ministério das Relações Exteriores (MRE) na CNCD; haverá também discussão sobre o alinhamento do Plano de Ação de Combate à Desertificação à estratégia de implementação da UNCCD e acerca do Relatório Brasileiro sobre a Implementação da UNCCD para o Secretariado da Convenção, com Francisco Campello, Diretor de Combate à Desertificação e Ponto Focal técnico da UNCCD.

Além disso, serão discutidos outros assuntos como Política Nacional de Combate à Desertificação, acompanhamento das iniciativas de Fomento (FNMA, Fundo Clima, Fundo Socioambiental CAIXA e FNDF); acompanhamento para liberação da Emenda Parlamentar – Programa de segurança alimentar, hídrica e energética, outras políticas e ações correlatas; Programa de Cooperação Técnica para Combate à Desertificação do MMA e anti-Desertificação do Ministério da Integração Nacional (MI)/Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

Para discutir as ações estratégicas da CNCD, durante a Reunião serão formados os seguintes Grupos de Trabalho para definir Plano para o acompanhamento e elaboração de ações estratégicas: 1) Alinhamento do Plano Nacional às diretrizes da UNCCD; 2) Relatório Nacional para o Comitê para Revisão da Implementação da Convenção de Combate à Desertificação (CRIC); 3) Participação na Rio+20; 4) Política Nacional de Combate à Desertificação; 5) Elaboração de ações emergências, de mitigação, adaptativas e estruturantes para o Enfrentamento dos efeitos da Seca, em especial, a que ocorre na atualidade em todo o Semiárido brasileiro; 6) Adequação do Regimento Interno da UNCCD; 7) Participar da elaboração do Programa Nacional de Agroecologia; 8) Acompanhar as iniciativas de Fomento (FNMA, Fundo Clima, Fundo Socioambiental CAIXA e FNDF); 9) Acompanhar e articular ações no âmbito do PPA; 10) Liberação da Emenda Parlamentar; 11) Programa de segurança alimentar, hídrica e energética.

Deste modo, com a realização de mais esta Reunião, a CNCD propõe estabelecer estratégias de ações de governo para o combate à desertificação e a mitigação dos efeitos da seca, com vistas ao desenvolvimento sustentável nas Áreas Susceptíveis à Desertificação (ASD).

Fonte para edição no Rema:
Alexandre Bakker -
bakker1000@yahoo.com

terça-feira, 29 de maio de 2012


Conferência Ethos: Mecanismos anticorrupção, um desafio para a Rio+20.


Delia Rubio (foto), da Transparência Internacional, teme que a falta de compromissos na Rio+20 se transforme em risco para as “finanças climáticas”.

28/05/2012

http://www.ecoagencia.com.br/?open=noticias&id=VZlSXRFWwJlUspFUjdEeWJFbKVVVB1TP

Por Denise Ribeiro - Instituto Ethos

“A Rio+20 oferece uma oportunidade sem precedentes para definir a agenda para o desenvolvimento sustentável. No entanto, se essa agenda não incluir mecanismos de combate à corrupção, o grande volume de recursos financeiros canalizados no processo pode criar ainda mais incentivos para a corrupção e o esgotamento dos recursos.” O alerta é da advogada argentina Delia Ferreira Rubio, membro do Conselho Internacional da Transparência Internacional e uma das palestrantes da Conferência Ethos Internacional 2012, que ocorre em São Paulo, de 11 a 13 de junho, com o tema geral “A Empresa e a Nova Economia. O que muda com a Rio+20?”.

Doutora em direito e consultora de inúmeras instituições internacionais, como a Organização de Estados Americanos (OEA) – onde atua no Programa de Educação em Valores Democráticos e Formação de Lideranças –, Delia Rubio afirma que mecanismos de transparência e prestação de contas são vitais para o dinheiro chegar onde é mais necessário: “A corrupção é uma séria ameaça à sustentabilidade. Ela mina realizações voltadas à redução da pobreza e ao crescimento da economia verde e é um dos principais entraves ao cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Baixos níveis de transparência, responsabilidade e integridade estão empiricamente correlacionados com menor número de alunos alfabetizados, maiores índices de mortalidade materna e maior dificuldade no acesso à água potável”.

Segundo Delia, com o crescimento populacional e a expansão do consumo acelerando a competição pelos recursos escassos do planeta, aumentam as tensões sociais e também a probabilidade de corrupção. “Décadas de experiência colaborando com o desenvolvimento nos ensinaram que salvaguardas anticorrupção não devem se constituir numa reflexão tardia. Elas precisam ser inscritas no projeto de desenvolvimento e processos sustentáveis agora, enquanto esses mecanismos ainda estão tomando forma. É por isso que a prevenção da corrupção deve ser uma parte integrante da Rio+20”, argumenta.

Governança, questão central

Na visão da especialista, para assegurar que os resultados do desenvolvimento sustentável sejam alcançados, o acordo deve abordar explicitamente formas de fortalecer a governança em todos os níveis (local, nacional e global). Deve também consagrar mecanismos que promovam a transparência e a responsabilidade, bem como a conduta ética, “na política e na prática”, por parte de todos os interessados (governos, empresas e sociedade civil).

Delia Rubio alerta para duas questões críticas ausentes do texto em negociação para o documento final da Rio+20: a prevenção à corrupção e o enfrentamento aos riscos associados ao que ela define como “finanças climáticas” – os fundos que serão criados para a adaptação às mudanças climáticas e sua mitigação.

“Se não trabalharmos a governança, não haverá desenvolvimento sustentável verdadeiro. Mecanismos de controle e de prestação de contas que permitam o acesso à informação e a participação da sociedade em relação ao uso racional dos recursos públicos são a única forma de conseguir garantir, desde o começo, que o dinheiro não vá parar nos bolsos de protegidos e chegue onde é mais necessário”, afirma.

A representante da Transparência Internacional ressalta a importância da Conferência Ethos, especialmente por reunir um número significativo de empresas e coligações do setor privado: “Dessa forma, aumentamos nosso poder coletivo e ganhamos voz para defender um futuro global justo e sustentável, que vá além do crescimento do PIB”.

Como resultado, ela espera um sólido conjunto de políticas e recomendações que possam ser inspiradoras para a Rio+20. Admite, no entanto, que suas expectativas são “mistas”: ao mesmo tempo que enxerga a Conferência Ethos como “um passo significativo”, não tem esperanças de grandes avanços na Rio+20. “Acho que a cúpula da ONU tende a produzir acordos com o menor denominador comum possível – o que geralmente significa compromissos fracos ou a falta de compromissos em termos de transparência e responsabilidade”, opina.

Vontade do cidadão

A advogada afirma que a luta anticorrupção leva muitos anos e que, embora o tema faça parte da agenda de muitos governos, a solução do problema depende da vontade do cidadão comum. “Ela virá apenas quando houver demanda por transparência da cidadania. Nosso grande desafio é incorporar o cidadão comum a essa luta”, ressalta.

Delia Rubio afirma que isso só vai acontecer quando a população entender que a corrupção não envolve só políticos, traficantes e maus empresários, mas afeta a saúde, a educação, os serviços públicos e a qualidade de vida. “Quando o cidadão comum conseguir fazer essa ligação, de que ele é a grande vítima, o maior afetado pelas consequências da corrupção – seja pelo medicamento falsificado ou vencido, seja pela parede da escola que desabou porque foi feita com material inadequado –, então teremos mais gente lutando contra isso”, explica.

Brasil exemplar

A demanda por transparência vem aumentando em todo o mundo, segundo a especialista, que cita o Brasil como exemplo de avanço nessa área: “A informação é insumo fundamental para a tarefa de um Congresso sério. Tanto para legislar como para controlar, é indispensável contar com informação suficiente, verídica e atualizada. Há uma tendência mundial de demanda por abertura e transparência, que vem sendo liderada pelo Brasil e pelos Estados Unidos. Estamos muito atentos à política da presidenta Dilma Rousseff, uma mulher com posição firme, cuja linha de conduta tem demonstrado que transparência e ética pública são princípios não negociáveis”, diz.

A iniciativa de governo aberto, copatrocinada por Brasil e Estados Unidos, com o lançamento de iniciativas que facilitam o acesso à informação pública, vem sendo seguida por outros países. “Ao contrário do que muitos governantes pensam, o controle do Estado não é feito para molestar os governos. A exigência de ética pública, de informes ao parlamento e de prestação de contas é uma forma de garantir os direitos das pessoas que os governantes representam. Nós, cidadãos, que demos a eles um contrato para que governem por nós durante um período, temos de saber quais são nossos direitos, quais as regras para chegar a determinado posto, obter um benefício ou entrar numa concorrência. Quando todos podem ler os requisitos, terminam as arbitrariedades na tomada de decisões ”, argumenta.

De acordo com um ranking elaborado a cada dois anos pela Transparência Internacional – chamado Índice de Percepção de Corrupção –, El Salvador, Argentina, Venezuela, Guatemala e Paraguai são os países latinos com pior desempenho. Entre os 183 países pesquisados em 2011, o Brasil ocupava o posto 73, com 3,8 pontos. O primeiro colocado era a Nova Zelândia, seguida da Finlândia e da Dinamarca – as três com 9,5 de nota (o máximo é 10). Somália e Coréia do Norte, as últimas colocadas, tiveram 1 ponto.

“Creio que, na América Latina, nem todos os países estão no mesmo nível de avanço. Alguns avançaram na criação de institutos e colocaram em marcha políticas públicas, mas em outros fazem falta algumas leis que garantam maior transparência. O Brasil avançou em matéria de transparência no financiamento da política com a lei que obriga os candidatos a reportarem a origem dos fundos da campanha eleitoral”, analisa.

Falta dinamizar a justiça

Segundo ela, ainda há muito a fazer: “A justiça é lenta e não muito independente. As pessoas ficam desiludidas com isso, porque um escândalo é descoberto, os jornais dão visibilidade à história, mas um novo escândalo se sobrepõe a ele, passa o tempo, as causas prescrevem e nada acontece. Fazem falta códigos processuais adequados e uma justiça independente do poder político, com recursos orçamentários e humanos suficientes e capacidade de investigar”, esclarece. Informa ainda que, atualmente, o crime organizado é o grande desafio transnacional, “algo distinto do risco de corrupção, mas muito grave, porque vem comprando decisões e proteção. Seu combate requer trabalho coordenado entre inúmeros países”.

Delia Rubio afirma que a Transparência Internacional sempre acreditou na união de forças em torno de uma causa e por isso elogia a iniciativa do Instituto Ethos de promover “alianças de diferentes atores”. Ela qualifica a atuação conjunta “com uma abordagem integrada e construtiva” como “mais eficiente” no combate à corrupção: “É por isso que nós trabalhamos com parceiros nos negócios, no governo e na sociedade civil para o desenvolvimento e a implementação de medidas eficazes”.

Para que a corrupção não prejudique os objetivos de desenvolvimento sustentável, a advogada defende uma fiscalização construída com iniciativas inter-relacionadas. “Ter o setor privado como parte da solução é a única maneira de podermos avançar para a justiça social real”, conclui, convidando todos os interessados no tema a participar da 15 ª Conferência Internacional de Combate à Corrupção, que acontecerá no Brasil, em novembro próximo: “Virão mais de 1.500 pessoas de vários países e setores para discutir, entre outros assuntos, os resultados de Rio+20”.

Para fazer sua inscrição na Conferência Ethos Internacional 2012, clique aqui.

Instituto Ethos/EcoAgência

 

Os donos do paraíso, artigo de Janio de Freitas.


Coronéis que conduziram o Brasil no século 19 continuam como força política predominante.

http://sergyovitro.blogspot.com.br/2012/05/janio-de-freitas-os-donos-do-paraiso.html


OS VETOS a 12 artigos e as 32 alterações que Dilma Rousseff precisou fazer, antes de sancionar, no Código Florestal aprovado pela Câmara só pela quantidade já oferecem uma demonstração importante sobre o poder político e social no Brasil: os "coronéis" do meio rural que conduziram o Brasil político, econômico e social no século 19 continuam, até hoje, por seus sucessores atuais na agricultura e na pecuária, como força politicamente predominante.

A longa confrontação em torno do projeto de Código Florestal parecera terminada com o texto enfim aprovado no Senado. Nele, não estavam mais a anistia aos desmatadores, a recomposição florestal das margens de rios, as brechas para mais desmatamentos e outras exigências ultraconservadoras dos ruralistas.

O governo vencera no Senado e buscava na Câmara, onde o texto dos senadores tinha que ser votado, a confirmação da vitória. Perdeu.

A bancada ruralista arregimentou seus aliados do conservadorismo urbano e fez a Câmara aprovar, contra todo o empenho do governo, o texto final com tudo o que perdera no Senado.
Os 12 vetos e as alterações presidenciais (estas a serem formalizadas por medida provisória) recompõem o texto da maioria de senadores e aprimoram o conjunto.

Dilma Rousseff nada introduz de muito novo no meio rural. Nada que não esteja nos acordos internacionais de meio ambiente e nas teses que o Brasil defende nos fóruns ambientais, como fará na Rio+20. Mas as exigências dos ruralistas não estão inviabilizadas. Os vetos e as alterações presidenciais ainda serão submetidos ao Congresso, para aceitação ou rejeição. E nenhum resultado será surpreendente.

Desde a Constituinte de 1988, quando a linhagem dos "coronéis" surpreendeu com o Centrão e impôs a obediência da Constituição aos seus interesses, o conservadorismo ruralista dispôs de uma alternativa simples. Ou conseguiu reverter no Congresso o que não lhe convinha, ou manteve na prática, e sem problemas, o que a lei deixara de admitir. Caso do desmatamento, em especial pelos produtores de soja, pela recente pecuária na Amazônia e pelos exportadores de madeira; caso da destruição de áreas de preservação ambiental, da invasão de reservas indígenas, do não pagamento dos impostos rurais -e nenhum incômodo por isso no país que faz leis para defender-se, mas não tem fiscais para defendê-las.

Este mesmo será o destino do Código Florestal por muito tempo, mesmo que aceitos pelo Congresso os vetos e as alterações presidenciais. Na prática, nada, ou só raramente alguma exceção, mudará para os "coronéis" atuais.

Se derrubados os vetos e as alterações, também nada mudará para os "coronéis". Para eles, o paraíso é na Terra. Aqui.
Folha de S.Paulo
7/05/2012
 

Janio de Freitas, colunista e membro do Conselho Editorial da Folha, é um dos mais importantes jornalistas brasileiros. Analisa com perspicácia e ousadia as questões políticas e econômicas.

por João Suassuna— Última modificação 28/05/2012 11:59

Em silêncio, governo começa a tocar usinas do rio Tapajós.


O rio Tapajós, artéria principal de uma Amazônia ainda virgem, está no limiar de ter as suas águas liberadas para a construção de um complexo de hidrelétricas. O antigo plano de erguer cinco usinas ao longo desse rio que nasce no Mato Grosso e avança pelo Pará, até encontrar o Amazonas, começou a sair do papel silenciosamente, processo que foi detonado por uma polêmica Medida Provisória editada no dia 6 de janeiro pela presidente Dilma Rousseff. Com a MP 558/2012, o governo alterou os limites de sete unidades de conservação da Amazônia e retirou delas a área que será alagada pelos reservatórios das usinas. Boa parte da redução dessas florestas protegidas por lei tem o propósito específico de desobstruir o caminho para o licenciamento ambiental das duas primeiras hidrelétricas previstas para a Bacia do Tapajós: São Luiz do Tapajós e Jatobá. Para a primeira delas, o resultado da ação governo foi imediato.

25/05/2012

http://www.cerpch.unifei.edu.br/noticias/em-silencio-governo-comeca-a-tocar-usinas-do-rio-tapajos.html

O Valor apurou que, de fevereiro para cá, a Eletrobras entregou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) uma série de pedidos de autorização para coletar os dados que vão basear o estudo de impacto ambiental da usina São Luiz do Tapajós, maior empreendimento do complexo e prioridade máxima do governo.


O Ibama já aprovou os pedidos. Em fevereiro, o órgão ambiental liberou o "plano de trabalho" da hidrelétrica e autorizou a Eletrobras a abrir uma "picada" de um metro de largura em uma extensão de 33,5 quilômetros de mata. No mês passado, foi dado sinal verde para que a estatal faça a captura, coleta e transporte de animais e plantas para concluir seus estudos, o que deve ocorrer até o fim deste ano.

Ambição alimentada há cerca de uma década pelo governo federal, a hidrelétrica de São Luiz tem uma potência estimada em 6.133 megawatts (MW), praticamente duas vezes a potência da usina de Santo Antônio, que está em fase de conclusão em Porto Velho (RO). Só o comprimento de sua barragem alcança 3.483 metros de uma ponta a outra.

O governo defende a tese de que o empreendimento terá um impacto ambiental extremamente reduzido. A previsão, no entanto, é de que a área total do reservatório de São Luiz do Tapajós atinja 722,2 km2, um área muito superior, por exemplo, aos 510 km2 do lago que será formado pela usina de Belo Monte, em construção no rio Xingu, no Pará. Pesa ainda o fato de que Belo Monte está sendo construída em uma área em que parte da mata já foi utilizada para pasto, além de estar próxima de cidades como Vitória do Xingu e Altamira. No caso de São Luiz do Tapajós, trata-se de construção em uma mata intacta, rodeada apenas por famílias de ribeirinhos e aldeias indígenas.

Segundo o Ministério Público Federal no Pará, o complexo das cinco usinas da Bacia do Tapajós deverá inundar cerca de 2 mil km2 de mata, quase duas vezes a extensão da cidade do Rio de Janeiro. "Do ponto de vista ambiental, não há dúvidas de que o estrago ambiental de São Luiz e do complexo do Tapajós é ainda superior ao que será causado por Belo Monte", diz Felício Pontes Júnior, procurador da República no Pará.

O instituto de pesquisas Imazon aponta que todas as áreas excluídas das unidades de conservação pelo governo estão no mapa das regiões prioritárias para a conservação da biodiversidade. Cerca de 80% delas são classificadas pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) como de prioridade "extremamente alta".

O governo justifica que o projeto é absolutamente imprescindível para garantir a oferta de energia do país e que fará um projeto hidrelétrico revolucionário no coração da Amazônia. A operação para a construção da usina de São Luiz do Tapajós, sustenta Altino Ventura Filho, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME), vai se basear no modelo inédito de "usina plataforma", inspirado nas plataformas de petróleo que ficam isoladas nos oceanos.

Para construir São Luiz, tudo terá que ser transportado exclusivamente por meio do rio ou por via aérea. Está previsto a construção de um heliporto e, possivelmente, de uma pequena pista de pouso para aviões. Dessa forma, não haverá abertura de estradas para transportar trabalhadores, máquinas ou materiais. Os canteiros de obra serão abertos na margem do rio, mas ficarão absolutamente isolados e não poderão se expandir, como costuma ocorrer com esse tipo de empreendimento. "Se seguíssemos a mesma linha das outras usinas, abriríamos uma estrada para chegar até lá e montaríamos uma vila operária que levaria a um processo de urbanização", diz Altino. "Isso não ocorrerá. Não haverá estradas de acesso, o local não se transformará em objeto de desenvolvimento. Passada a fase da construção, essa estrutura será completamente desativada e tudo será reflorestado, só restando ali poucos funcionários para manutenção e fiscalização da usina."

O plano do governo é que, uma vez concluída, a hidrelétrica de São Luiz seja incorporada a um parque nacional. "Não vamos fazer a usina de forma atropelada. Os responsáveis pela obra ficarão, inclusive, com a responsabilidade de preservar aquela região, protegendo de possíveis invasões e desmatamentos", argumenta Altino.

O leilão de hidrelétricas está condicionado à emissão de licença ambiental prévia pelo Ibama. Conforme o cronograma a que o Valor teve acesso, a Eletrobras pretende concluir o seu relatório de impacto ambiental em janeiro de 2013. O plano do governo é que o Ibama aprove o estudo já em fevereiro para que, no mês seguinte, o estudo de viabilidade técnica e econômica (EVTE) da usina São Luiz passe pelo crivo do Tribunal de Contas da União (TCU). A meta é que as audiências públicas feitas pelo Ibama ocorram em abril do ano que vem, com emissão da licença prévia prevista para junho. Entre junho e o fim de 2013, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realiza o leilão da primeira hidrelétrica do rio Tapajós.

Fonte: Valor Econômico

‘Caminho do Esgoto de Juazeiro’ questiona a execução do Projeto de Revitalização do Rio São Francisco.


“Na trilha das baronesas: o Caminho do Esgoto de Juazeiro-BA“. Esse é o título do curta-documentário apresentado na tarde de sexta, 25/5, durante a Miniplenária de Transposição/Revitalização do III Encontro Popular da Bacia do Rio São Francisco, que aconteceu até domingo em Januária, interior de Minas Gerais.

Publicado em maio 28, 2012 por HC

http://www.ecodebate.com.br/2012/05/28/caminho-do-esgoto-de-juazeiro-questiona-a-execucao-do-projeto-de-revitalizacao-do-rio-sao-francisco/


Os 12 minutos do vídeo, resultado de uma pesquisa realizada pela Articulação Popular São Francisco Vivo em parceria com estudantes universitárias de Juazeiro/Petrolina, põe em discussão as obras de saneamento básico executadas pela prefeitura municipal de Juazeiro, através do Projeto de Revitalização do Rio São Francisco.

No curta, três estudantes partem do bairro Quidé, na periferia de Juazeiro, e percorrem todo o trajeto do esgoto, até o desemboque. No itinerário, encontram canais a céu aberto vizinhos a casas de taipa e com pontes improvisadas, pondo em risco a saúde das pessoas e dos animais. Dialogam com um representante do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) e descobrem que a Estação de Tratamento anunciada no portão do SAAE não existe. Questionam uma placa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que divulga os dados técnicos da construção de uma Estação Elevatória não concretizada.

Depois de ser canalizado com outros esgotamentos sanitários e se transformar em depósito de lixo e animais em decomposição, o esgoto chega ao bairro Tabuleiro. Por lá, segue dois caminhos: um leva à estação de tratamento do SAAE e o outro vai em direção ao rio São Francisco, sem qualquer tratamento. “Isso é um desaforo, a estação de tratamento do lado e o esgoto aqui vai direto pro Rio”, desabafa uma das estudantes.

O vídeo finaliza com dados do Ministério Público Federal (MPF), que este ano ajuizou ação civil pública contra o município de Juazeiro, o SAAE e o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) pelo despejo de 45% do esgoto diretamente no rio São Francisco. Mesmo com os diversos convênios entre as instituições federais e o poder municipal, o despejo do esgoto ainda está ocorrendo de maneira inadequada. E para onde foi esse dinheiro? A descarga na última cena anseia responder.

** Nota no Boletim do III Encontro Popular da Bacia do rio São Francisco, enviada por Ruben Siqueira [ Comissão Pastoral da Terra / Bahia - Articulação Popular São Francisco Vivo] para o EcoDebate, 28/05/2012

‘Caminho do Esgoto de Juazeiro’ questiona a execução do Projeto de Revitalização do Rio São Francisco.


“Na trilha das baronesas: o Caminho do Esgoto de Juazeiro-BA“. Esse é o título do curta-documentário apresentado na tarde de sexta, 25/5, durante a Miniplenária de Transposição/Revitalização do III Encontro Popular da Bacia do Rio São Francisco, que aconteceu até domingo em Januária, interior de Minas Gerais.

Publicado em maio 28, 2012 por HC

http://www.ecodebate.com.br/2012/05/28/caminho-do-esgoto-de-juazeiro-questiona-a-execucao-do-projeto-de-revitalizacao-do-rio-sao-francisco/


Os 12 minutos do vídeo, resultado de uma pesquisa realizada pela Articulação Popular São Francisco Vivo em parceria com estudantes universitárias de Juazeiro/Petrolina, põe em discussão as obras de saneamento básico executadas pela prefeitura municipal de Juazeiro, através do Projeto de Revitalização do Rio São Francisco.

No curta, três estudantes partem do bairro Quidé, na periferia de Juazeiro, e percorrem todo o trajeto do esgoto, até o desemboque. No itinerário, encontram canais a céu aberto vizinhos a casas de taipa e com pontes improvisadas, pondo em risco a saúde das pessoas e dos animais. Dialogam com um representante do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) e descobrem que a Estação de Tratamento anunciada no portão do SAAE não existe. Questionam uma placa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que divulga os dados técnicos da construção de uma Estação Elevatória não concretizada.

Depois de ser canalizado com outros esgotamentos sanitários e se transformar em depósito de lixo e animais em decomposição, o esgoto chega ao bairro Tabuleiro. Por lá, segue dois caminhos: um leva à estação de tratamento do SAAE e o outro vai em direção ao rio São Francisco, sem qualquer tratamento. “Isso é um desaforo, a estação de tratamento do lado e o esgoto aqui vai direto pro Rio”, desabafa uma das estudantes.

O vídeo finaliza com dados do Ministério Público Federal (MPF), que este ano ajuizou ação civil pública contra o município de Juazeiro, o SAAE e o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) pelo despejo de 45% do esgoto diretamente no rio São Francisco. Mesmo com os diversos convênios entre as instituições federais e o poder municipal, o despejo do esgoto ainda está ocorrendo de maneira inadequada. E para onde foi esse dinheiro? A descarga na última cena anseia responder.

** Nota no Boletim do III Encontro Popular da Bacia do rio São Francisco, enviada por Ruben Siqueira [ Comissão Pastoral da Terra / Bahia - Articulação Popular São Francisco Vivo] para o EcoDebate, 28/05/2012

sábado, 26 de maio de 2012


Ainda indefinido, no Ceará, o início das obras do Cinturão das Águas.


A solução definitiva para a falta de água no Interior está na transposição hídrica com a ligação de bacias.

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1140578

Crateús Previsto para começar pelo Cariri no início do ano passado, o Projeto Cinturão das Águas do Ceará (CAC) continua com obras indefinidas. Com a meta de fazer a transposição das águas para todo o Estado, levará recursos hídricos do leste ao oeste do Ceará, indo também em direção ao norte, perenizando todas as grandes bacias. Estima-se que o primeiro trecho do CAC seja concluído até o fim de 2014.

O empreendimento, quando concluído, em 2040, vai assegurar o abastecimento de água para a totalidade da população cearense. Levará água para a região dos Inhamuns, uma das áreas mais secas e isoladas do Ceará. A Secretaria de Recursos Hídricos (SRH) admite que não há previsão para início da obra.

"Foi feita a licitação para a elaboração do projeto executivo, após a conclusão é que se marcará a ordem de serviço do primeiro trecho", informa a assessoria de imprensa da SRH. A previsão é de que a integração disponibilize 45 mil metros cúbicos de água por segundo para todo o Ceará.

Enquanto a população da zona rural da grande maioria dos Municípios do Ceará sofre com o desabastecimento de água provocado pela maior estiagem dos últimos 30 anos, e a da zona urbana já vislumbra passar por problemas similares, gerados pela diminuição de água nos reservatórios, as prováveis soluções para solucionar o crônico quadro hídrico do Ceará continuam no papel. Ou para ser mais otimista, andando a passos lentos, muito longe de alcançar a triste realidade e urgência do sertanejo. A solução ainda está a longo prazo.

No que diz respeito ao atendimento das demandas hídricas no horizonte de 2040, a implantação do CAC gerará um cenário favorável de suprimento hídrico, com o atendimento das demandas atingindo níveis elevados e equivalentes em todas as macrobacias.

O governador Cid Gomes e o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, assinaram, em outubro, no Palácio da Abolição, o termo de compromisso para o projeto executivo da obra. A partir de então, será possível - após a conclusão do projeto executivo - a realização da licitação do primeiro trecho do Projeto, que terá extensão de 150km e vai do Município de Jati ao Rio Cariús, na região Sul do Estado, transpondo águas do Rio São Francisco.

O Cinturão das Águas envolverá todo o Estado, através de um conjunto de canais e adutoras, com extensão de três mil quilômetros, para dar segurança hídrica a 92% da população cearense. É um sistema adutor extenso, com cerca de 1.200km de comprimento, quase integralmente gravitário - com somente um pequeno bombeamento em seu trecho litoral final - com trechos em canais em corte ou aterro, obras de travessia de talvegues e elevações topográficas através de sifões, aquedutos e túneis. Tem por objetivo principal aduzir as vazões transpostas do Rio São Francisco para todas as macro-bacias hidrográficas do Ceará.

Com o CAC, 80% do território do Estado será beneficiado pelo Projeto de Integração do Rio São Francisco com o Nordeste Setentrional e não somente as bacias do Jaguaribe e Metropolitanas, como previsto inicialmente no projeto. Aumentará significativamente a possibilidade de acumulação das águas possíveis de aduzir do Rio São Francisco, com a inclusão de cerca de 20 novos grande saçudes.

Segundo a SRH, o investimento total previsto é de R$ 28 bilhões, até 2040. O Cinturão será formado por um canal principal que margeará a Chapada do Cariri, aproximadamente no sentido leste-oeste, para depois, com diretriz sul-norte, atravessar as bacias do Alto Jaguaribe e Poti-Parnaíba, atingindo a bacia do Acaraú. No primeiro trecho, serão investidos R$ 1,5 bilhão no projeto, sendo R$ 400 milhões oriundos do Governo do Estado e o restante assegurados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

EixãoAlém do CAC, há o Eixão das Águas, outra grande obra hídrica estadual, que dará garantia hídrica durante 30 anos na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e aos projetos estruturantes do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), como a Siderúrgica, Refinaria e Zona de Processamento e Exportação (ZPE). Além dos dois grandes projetos, a SRH atua na construção de novos açudes, visando aumentar a reservas de água no Estado, mais canais, adutoras e perfuração de poços que asseguram o suprimento de água às populações urbanas e rurais.

Trata-se de investimentos financiados pelo Banco Mundial, Governo Federal, através do PAC-Programa de Aceleração do Crescimento, e recursos próprios do governo estadual.


COMENTÁRIOS
João Suassuna
- josu@fundaj.gov.br

Essa é uma das questões que fazem parte do nosso discurso contrário ao projeto da Transposição do Rio São Francisco. O Semiárido brasileiro tem cerca de 37 bilhões de metros cúbicos de água estocados em cerca de 70 mil represas. É o maior volume represado em regiões semiáridas do mundo. O Estado do Ceará tem cerca da metade desse volume estocado (18 bilhões de metros cúbicos), distribuído em cerca de 8.000 represas. O Ceará foi o Estado pioneiro em ir em busca de suas águas interiores para o abastecimento de sua população rural difusa. A idéia no Ceará é interligar suas bacias, através de adutoras (uso de tubulações) e iniciar uma ação de abastecimento baseada no fornecimento de água através de bacias com melhores possibilidades de fornecimento de água, pois o sistema está sendo todo interligado. Essas ações são a prova clara de que a transposição do São Francisco para o Ceará será para o atendimento ao grande capital, principalmente a grande irrigação, a carcinicultura e aos usos industriais.


Ruben Siqueira

Comissão Pastoral da Terra / Bahia

Articulação Popular São Francisco Vivo


Aventura Selvagem em Cabaceiras - Paraíba

Rodrigo Castro, fundador da Associação Caatinga, da Asa Branca e da Aliança da Caatinga

Bioma Caatinga

Vale do Catimbau - Pernambuco

Tom da Caatinga

A Caatinga Nordestina

Rio São Francisco - Momento Brasil

O mundo da Caatinga