sábado, 14 de abril de 2012

INJUSTIÇA AMBIENTAL E CONFLITOS SOCIAIS.

"Mapa da Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil:
Ferramenta dos movimentos sociais nas lutas territoriais.

Por racismoambiental, 13/04/2012 08:31

Share on twitterShare on facebookShare on orkutShare on gmailShare on yahoomailShare on hotmailShare on emailShare on wordpressShare on liveShare on googletranslateShare on favoritesShare on pdfonlineShare on printShare on google_plusone5

Por Diogo Ferreira da Rocha*

O Mapa de Conflitos envolvendo injustiça ambiental e saúde no Brasil[1] é resultado da vasta experiência acumulada pelo movimento brasileiro de luta por justiça ambiental – em grande parte capitaneado pela Rede Brasileira de Justiça Ambiental (RBJA). Nascido do debate a respeito do modelo de desenvolvimento existente no país e suas articulações com a economia global, abrange contextos de degradação, racismo, injustiça e desigualdades sociais dele resultantes ou por ele intensificadas.

O mapa foi lançado oficialmente na internet em janeiro de 2010, com 297 casos pesquisados. Assim como muitos projetos derivados da articulação entre diferentes setores sociais para a construção do conhecimento e para a luta social, desde a sua origem o mapa foi movido por duas forças propulsoras de grande fecundidade: a necessidade e o desejo. Necessidade de enfrentar as diversas situações de discriminação e injustiça que levam ao empobrecimento de uma parcela já destituída de direitos econômicos e sociais da sociedade brasileira, mas também de construir novos referenciais teóricos e conceituais para o entendimento dos processos que estão no cerne dos conflitos ambientais. E desejo de transformação da realidade social.

Herdeiro de iniciativas locais de mapeamento de conflitos ambientais, de situações de racismo ambiental ou de impactos à saúde de populações vulneráveis produzidos pelo padrão de desenvolvimento hegemônico, o projeto foi realizado por uma parcela da academia brasileira incomodada com o papel assumido majoritariamente por seu próprio campo de atuação. Um papel de suporte teórico e tecnológico a processos que geram injustiças ambientais e de legitimação de discursos que tendem a obscurecer as causas ou a apoiar soluções paliativas para problemas urgentes e estruturais. Um papel, ainda, que contribui para inviabilizar a explicitação das consequências negativas de projetos ou processos desenvolvimentistas sobre a integridade dos ecossistemas, a saúde e o bem-estar das comunidades, cuja reprodução social depende da biodiversidade e de outros recursos naturais presentes nos territórios em disputa.

O conceito de território que embasa as análises presentes no mapa vai além da concepção hegemônica que vê o território como um mero conjunto de unidades administrativas formalmente constituídas sob o controle dos diversos níveis da administração estatal. Ele avança na tentativa de abranger as áreas que, apesar de carecerem de registro cartorial ou de caracterização dentro do arcabouço jurídico vigente, são fundamentais para o exercício da territorialidade das diversas formas de organização cultural e social existentes em nosso país.

Após décadas de luta por reconhecimento, os povos e comunidades tradicionais[2] são hoje cada vez mais legitimados legal e socialmente. São também os principais atores sociais que enfrentam (muitas vezes pagando com a própria vida e saúde) o avanço da economia capitalista sobre biomas e ecossistemas preservados pelo manejo tradicional ou pela não incorporação desses territórios à economia global no passado.

Ao delinear os conflitos em que essas comunidades estão envolvidas, bem como os impactos ambientais e suas consequências sobre a saúde coletiva, o mapa tem como principal objetivo romper com a invisibilidade dessas situações e suas causas. Também busca apontar a influência do Estado e das dinâmicas econômicas contemporâneas sobre a desestruturação dos laços sociais, de formas não capitalistas de organização social e de economias que funcionam para além do mercado, com base em mecanismos de solidariedade e de cooperação. A iniciativa visibiliza, portanto, as cargas de dor e sofrimento infligidas a comunidades cujo principal capital é a capacidade de reprodução a partir do manejo dos recursos naturais. Esse esforço requer o resgate das trajetórias de luta, dos dilemas envolvidos, das histórias de vida das comunidades e da busca de alternativas de desenvolvimento. Como resultado, a denúncia de que é sobre essas populações e territórios que recaem prioritariamente os custos sociais e ambientais do avanço das monoculturas, da pecuária, da mineração, das indústrias eletrointensivas, dos grandes projetos de infraestrutura e energéticos.

No processo inicial de elaboração do mapa, foi realizado um extenso levantamento em bases de dados dos movimentos sociais identificados à luta contra o racismo e a injustiça ambiental e engajados na defesa dos direitos humanos e da justiça socioambiental. As principais fontes de informação dos casos apresentados provêm do acúmulo da Rede Brasileira de Justiça Ambiental (RBJA) e de seus Grupos de Trabalho (GTs). Dentre eles, destacamos o GT Químicos e o GT Combate ao Racismo Ambiental, este último autor da iniciativa do Mapa do Racismo Ambiental no Brasil, que embasou não só a elaboração do formulário utilizado pelos pesquisadores como a sistematização dos primeiros 120 conflitos registrados. Parte dos documentos resgatados encontrava-se disponibilizada no Banco Temático, ferramenta acessível pela internet elaborada pela Fiocruz e pela ONG Fase.

A sistematização dos casos inspirou-se também na experiência de vários parceiros, como o Mapa dos Conflitos Ambientais no Estado do Rio de Janeiro, elaborado pela Fase/IPPUR/UFRJ; o Mapa dos Conflitos Socioambientais da Amazônia Legal, da Fase Belém; o projeto da Nova Cartografia Social, organizado pelo pesquisador Alfredo Wagner de Almeida; trabalhos realizados por universidades e centros de pesquisa; e os relatórios da Plataforma Dhesca Brasil, em especial da Relatoria de Meio Ambiente. Essas fontes foram complementadas com informações da mídia ou de instituições parceiras das comunidades em conflito, assim como do Ministério Público e da Justiça, que forneceram dados sobre ações ou processos judiciais em andamento.

A partir desse levantamento, foram elaboradas cerca de 300 fichas iniciais, às quais foram posteriormente agregadas outras 100. Cada ficha registra o local do conflito, a população atingida, o tipo de dano à saúde e/ou de agravo ambiental, apresentando ainda uma síntese e um contexto ampliado do conflito, indicando os seus responsáveis, os apoios recebidos, as soluções buscadas e/ou encontradas, além das fontes consultadas.

Todas as fichas foram primeiramente armazenadas em um banco de dados construído a partir de tecnologia desenvolvida pelo Departamento de Informática do SUS (Datasus). Depois de revisadas, foram validadas por pesquisadores ligados aos movimentos sociais de cada estado, para garantir a fidedignidade das informações coletadas e suprir possíveis lacunas existentes nas fontes consultadas. Após a revisão e a edição no formato definitivo, as fichas foram georreferenciadas por uma equipe do Laboratório de Informação em Saúde do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (LIS/ ICICT/Fiocruz) e lançadas numa Plataforma Google.

Numa primeira leitura dos dados, foi possível verificar que, em pelo menos 60% dos casos identificados, as populações atingidas estão situadas em áreas rurais. Outros 10% vivem nas periferias dos grandes centros urbanos. Os povos indígenas são os mais impactados pelos conflitos ambientais (representando 33% dos casos mapeados até 2011), seguidos pelos agricultores familiares (31%), quilombolas (21%), pescadores artesanais (14%) e vilas ribeirinhas (13%). Esses dados corroboram a afirmação de que as comunidades tradicionais são as principais vítimas do avanço territorial da economia capitalista.

Com a continuidade do projeto, esperamos manter uma base de dados atualizada e relevante como instrumento de democratização das informações sobre os conflitos ambientais e de desocultamento dos processos econômicos e políticos a eles subjacentes. Além disso, o mapa tem como objetivo permitir a troca de experiências e estratégias entre comunidades atingidas pela injustiça e racismo ambiental. Nesse sentido, a divulgação de casos de conflito em que as comunidades asseguraram seus direitos territoriais e sociais ou impediram a violação de direitos humanos essenciais (especialmente o acesso a um meio ambiente equilibrado e à saúde) pode reforçar resistências e apontar caminhos.

O mapa também procura servir de ferramenta para que setores da administração pública engajados na redução das desigualdades e iniquidades sociais obtenham informações atualizadas a respeito das demandas e necessidades de saúde das comunidades envolvidas a partir de seus próprios discursos. Para alcançar o objetivo de privilegiar o relato das comunidades, a iniciativa tem contado com o apoio do Ministério Público, das defensorias e de redes de advogados populares de alguns estados.

Como horizonte de longo prazo, o mapa pretende contribuir para o fortalecimento da luta das comunidades atingidas e para a redução das vulnerabilidades socioambientais resultantes de um modelo de desenvolvimento socialmente injusto e ambientalmente insustentável."
—
[1] O mapa é resultado de uma parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase), com o apoio do Departamento de Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde.

[2] Categoria que abrange povos indígenas, quilombolas, pescadores artesanais, extrativistas, geraizeiros, vazanteiros, caatingueiros, caiçaras, comunidades rurais, faxinalenses, catadores de frutos diversos, entre outros, incluindo os agricultores familiares."
*Diogo Ferreira da Rocha - diogorocha.mapa@gmail.com - sociólogo, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz e mestrando em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca.

http://www.agriculturesnetwork.org/magazines/brazil/accesso-terra-direitos-territoriais/mapa-da-injustica-ambiental-e-saude-no-brasil

PARCERIA PÚBLICO PRIVADA.

"Presidente da Compesa fala da PPP em Washington.

O programa de Parceria Público Privada (PPP) do Saneamento foi apresentado nesta quarta-feira para investidores privados e financiadores pelo presidente da Compesa, Roberto Tavares, em Washington, nos Estados Unidos. O projeto, concebido pelo governo do estado, vai atender as 14 cidades da Região Metropolitana do Recife (RMR) e mais o município de Goiana, na Mata Norte.
12/04/2012

A PPP do Saneamento estima um aporte de R$ 4,3 bilhões para execução de obras de implantação e melhorias dos sistemas de esgoto nas cidades contempladas, com recursos públicos e privados. O objetivo do programa é de universalizar os serviços de esgotamento sanitário nos municípios em um período de 12 anos.

“Sabemos que a estrutura do projeto é bastante ousada, pois a RMR terá a maior evolução no atendimento de esgoto do país, e os participantes ressaltaram a capacidade do governador Eduardo Campos de tocar projetos com essa envergadura”, afirmou Roberto Tavares no final da reunião.

Os investidores que assistiram a apresentação, de acordo com Tavares, ficaram impressionados com a magnitude do programa, que vai beneficiar 3,7 milhões de pessoas. O edital do projeto será lançado ainda este mês e a previsão é iniciar as obras em janeiro de 2013."

Fonte: Pernambuco.com

ENERGIA NUCLEAR.

"Radioatividade de Fukushima é
detectada em algas na Califórnia

Biólogos encontraram significativos níveis de radioatividade em algas pardas na costa da Califórnia decorrentes do desastre na central nuclear japonesa de Fukushima, atingida por um maremoto em março de 2011.
10/04/2012
Em Los Angeles

"A radioatividade da central nuclear de Fukushima Daiichi viajou pela atmosfera ao longo do Pacífico até a costa americana em questão de dias após o terremoto e tsunami de 11 de março", revelaram os professores Steven Manley e Christopher Lowe, dois biólogos marinhos da Universidade de Long Beach, Califórnia.

"Foi detectada a presença de iodo 131 em amostras de sargaços da Califórnia um mês após o tsunami".

O iodo 131 é um isótopo radioativo liberado em acidentes nucleares, e o sargaço ou 'Macrocystis pyrifera' é uma das plantas que mais acumulam iodo, destaca o estudo publicado na revista Environmental Science & Technology.

"Medimos significativos níveis de radioatividade no tecido da 'Macrocystis pyrifera'" em amostras recolhidas em praias desde Laguna Beach, ao sul, até Santa Cruz, na região de San Francisco, assinalou Manley.

"Provavelmente (a radioatividade) não é nociva a humanos por seus níveis relativamente baixos, mas pode ter afetado certos peixes que se alimentam das algas".


O tsunami que varreu a costa nordeste do Japão em 11 de março do ano passado deixou 20 mil mortos ou desaparecidos, além de abalar significativamente a economia do país."

Antônio Emilson - aemilson@atarde.com.br

ENCHENTES E INUNDAÇÕES.


"ENCHENTES: GOVERNADOR, É PRECISO VIRAR A MESA

Artigo de Álvaro Rodrigues dos Santos

Há poucos dias o Governador Geraldo Alckmin deu surpreendente e reveladora declaração à imprensa: a prioridade do governo no combate às enchentes estaria em construir mais dezenas de piscinões e, através de operações de desassoreamento, transformar o Tietê também em um grande “piscinão”, recuperando sua capacidade de vazão de 2005, ano da conclusão das últimas obras de ampliação da calha, 1.048 m³ por segundo nas proximidades do Cebolão. Vazão, diga-se de passagem, já hoje insuficiente para dar conta do gigantesco volume de águas pluviais que aportam ao rio em episódios de chuvas mais intensas na região.

Primeiro, uma admissão da culpa direta da administração pública pelas enchentes que ocorreram nesses últimos anos, dada a voluntária interrupção do desassoreamento do rio e seus afluentes; segundo, uma triste rendição do governo à continuada e incrivelmente equivocada estratégia de combate às enchentes que vem sendo há anos adotada pelo governo estadual e pelos governos municipais da RMSP. Estratégia a eles “vendida” por aqueles que arrogantemente e irresponsavelmente, e talvez interessadamente, insistem em afirmar que as enchentes somente serão evitadas com grandes obras hidráulicas bilionárias e com o espalhamento dos deletérios e caríssimos piscinões por toda a metrópole. Estratégia que, por segurança, adota também o esperto costume, induzindo os governantes a também adotá-lo, de culpar a Natureza, o aquecimento global e São Pedro pelas chuvas que dizem sempre ser “anormais”.

Prezado Governador, nossas enchentes são decorrência direta e exclusiva de três fatores causais que têm marcado a história de nosso crescimento urbano: a impermeabilização generalizada da cidade, o excesso de canalização de cursos d’água e a redução da capacidade de vazão de nossas drenagens pelo volumoso assoreamento provocado pelos milhões de metros cúbicos de sedimentos que anualmente provém dos intensos processos erosivos que ocorrem nas frentes periféricas de expansão urbana e pelo lançamento irregular de entulhos da construção civil e do lixo urbano. Desde há muito impõe-se como um imperativo da lógica técnica uma nova estratégia baseada no esforço em se reduzir o impacto desses fatores causais, revertendo a impermeabilização das cidades para que a região urbanizada recupere boa parte de sua capacidade original de reter as águas de chuva, não mais retificando e canalizando cursos d1água e, concomitantemente, promovendo um intenso combate técnico à erosão e ao lançamento irregular de entulho e lixo, com o que se reduziria o fantástico grau de assoreamento do sistema de drenagem. Se com a adoção dessa nova estratégia algumas obras hidráulicas de maior porte eventualmente ainda se mostrarem necessárias, por certo serão de muito menor dimensão e de custos financeiros extremamente mais reduzidos. Como também serão de muito menor porte e custo as indispensáveis operações de desassoreamento.

Depois de décadas de contínua aplicação não cabem mais dúvidas, Governador, a atual estratégia de combate às enchentes fracassou fragorosamente em seus objetivos e promessas. Sendo que a incrível insistência na manutenção dessa estratégia vem custando um altíssimo preço à sociedade paulistana.


Como na medicina, caro Governador, ouvir uma segunda opinião e atacar as causas da doença. Esperamos todos que não lhe faltem a coragem e o discernimento para tal decisão, pela qual os paulistanos lhe seriam eternamente agradecidos."

Geól. Álvaro Rodrigues dos Santos (santosalvaro@uol.com.br)

 Ex-Diretor de Planejamento e Gestão do IPT e Ex-Diretor da Divisão de Geologia
 Autor dos livros “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática”, “A Grande Barreira da Serra do Mar”, “Cubatão” e “Diálogos Geológicos”

sexta-feira, 6 de abril de 2012

III Wokshop potencial biotecnológico da Caatinga em Petrolina (PE) dia 24.04 - Univasf



Programação

Dia 24 de abril de 2012 (terça-feira)

9:00- 9:30h Abertura oficial do evento

9:30-9:45h Intervalo

9:45- 12:15h

Mesa Redonda: Conservação e substâncias biologicamente ativas do Bioma da Caatinga

Coordenador: Profa. Dra. Márcia Vanusa da Silva- Departamento de Bioquímica- UFPE

Manejo de espécies florestais para a região Semiárida

Dr. Marcos Drumond- Embrapa Semiárido

Avaliação do potencial químico e farmacológico de espécies da família Bromeliaceae nativas da caatinga: pesquisa de novas moléculas com atividade analgésica, antiinflamatória e antiulcerogênica.
Dr. Jackson Roberto Guedes da Silva Almeida- Colegiado de Ciências Farmacêuticas- UNIVASF.

Plantas da Caatinga: atividade contra microrganismos patogênicos
Dr. Alexandre José Macedo- UFRGS. Coordenador da Rede de Biofuncionalização de Superfícies.


12:15h Intervalo Almoço

14:00- 16:30h Mesa Redonda: Caracterização de Metabólitos Especiais e Sistemas produtivos de plantas medicinais
Coordenador: Dr. Jackson Roberto Guedes da Silva Almeida- Colegiado de Ciências Farmacêuticas- UNIVASF.

O Bioma da Caatinga como fonte de recursos genéticos para o melhoramento de plantas
Dra. Carolina V. Morgante- Embrapa Semiárido
Isolamento e identificação estrutural de metabólitos secundários oriundos das plantas da Caatinga.
Dra. Tânia Maria Sarmento da Silva- Departamento de Química- UFRPE
Desenvolvimento de cadeia produtiva de Plantas Medicinais.
Dra. Cláudia Sampaio de Andrade Lima- UFPE


16:30h Instituto de Bioprospecção e Conservação da Caatinga- IbcC.

Dra. Márcia Vanusa da Silva- Coordenadora do IbcC
Realização:

Instituto de Bioprospecção e Conservação da Caatinga- IbcC

quinta-feira, 5 de abril de 2012

TRANSPOSIÇÃO DO SÃO FRANCISCO.

"TCU aponta superfaturamento de R$ 29 milhões
num dos trechos da transposição do São Francisco.

Publicado em março 29, 2012 por HC
http://www.ecodebate.com.br/2012/03/29/tcu-aponta-superfaturamento-de-r-29-milhoes-num-dos-trechos-da-transposicao-do-sao-francisco/
Tags: rio São Francisco, transposição do rio São Francisco

Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou superfaturamento de R$ 29 milhões num dos trechos da obra da transposição do São Francisco, localizado no Ceará, e mandou rever os custos do negócio. As novas licitações deverão consumir R$ 2,6 bilhões, segundo previsão do Ministério da Integração. Reportagem de Marta Salomon, em O Estado de S. Paulo.

As irregularidades encontradas no edital do lote cinco da obra foram consideradas graves, e incluem preços de até 143% acima dos cobrados pelo mercado, no caso da areia, além de suposta restrição à concorrência. O TCU mandou rever o edital antes do lançamento, previsto para abril.

Mas, logo depois do anúncio da decisão do tribunal, o ministério informou que o edital já havia sido lançado no início de março. À revelia, portanto, do processo em curso no tribunal.

A licitação do chamado lote cinco havia sido suspensa em janeiro por causa de reclamações apresentadas por empresas concorrentes. É um dos trechos mais complicados da obra. O lote cinco já passou por duas tentativas fracassadas de licitação desde 2007 e prevê a construção de seis barragens, duas pontes, quatro trechos de canais de concretos e 463 metros de túneis.

O mais caro. A transposição do São Francisco é o mais caro dos projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Só no governo Dilma Rousseff, os preços aumentaram 71% e saltaram para R$ 8,2 bilhões. O trecho cinco tem custo estimado em R$ 720 milhões, de acordo com o TCU, mas o edital lançado 20 dias antes do aprovação da auditoria do tribunal teve preço fixado em R$ 693 milhões, segundo o ministério.

A transposição prevê a construção de mais de 600 quilômetros de canais de concreto para desviar parte das águas do rio São Francisco para o semiárido de quatro Estados do Nordeste: Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. O principal uso da água será para projetos de irrigação.

Em fevereiro, a presidente Dilma Rousseff visitou a obra e destacou sua importância “estratégica” para o País. “O istro Fernando Bezerra Coelho negociou contratos, reequilibrou esses contratos e agora nós temos uma clara perspectiva de fazer com que essa obra entre em regime de cruzeiro e não tenha nenhum problema de ontinuidade”, disse a presidente, conforme registro do evento feito pela equipe do ministério.
O lote cinco é o mais atrasado no cronograma da transposição. A mais recente previsão indica a conclusão desse trecho em dezembro de 2015, mais de cinco anos depois da previsão original. A transposição do São Francisco tem outros três trechos parados. As obras remanescentes nesses trechos passarão por novas licitações até junho, informou o Ministério da Integração."
EcoDebate, 29/03/2012

ÁGUA.

"Entrevista com Roberto Malvezzi (Gogó),
integrante da Equipe da CPT do
São Francisco, sobre a água.
Publicado em março 28, 2012 por HC
http://www.ecodebate.com.br/2012/03/28/entrevista-com-roberto-malvezzi-gogo-integrante-da-equipe-da-cpt-do-sao-francisco-sobre-a-agua/
Tags: acesso à água, água
O integrante da Equipe da Comissão Pastoral da Terra (CPT) do São Francisco, Roberto Malvezzi, concede entrevista exclusiva ao Jornal Santuário de Aparecida. Ele fala sobre a problemática relacionada à água e o trabalho desenvolvido pela Igreja no Brasil neste sentido.
Saiba mais sobre o assunto clicando aqui.

Roberto Malvezzi
Jornal Santuário de Aparecida – Qual é o foco central do trabalho da Igreja no Brasil no que diz respeito à defesa da água?
Roberto Malvezzi – O foco central é o acesso das populações à água potável. Dessa forma, pastorais, paróquias e dioceses, por exemplo, estão muito envolvidas com a captação da água de chuva no Nordeste para beber e cozinhar através das cisternas.
Mas não é só isso. A Campanha da Fraternidade da Água em 2004 ressaltou a defesa da água como um direito humano, bem público, não sujeita a qualquer tipo de privatização. Esses princípios básicos ajudaram, e tem ajudado, toda sociedade brasileira a fazer um esforço pela defesa da água como um direito humano e patrimônio de todos os seres vivos.
Jornal Santuário de Aparecida – Percebe-se que a água, muitas vezes, é considerada sob uma abordagem destacadamente mercantilista. Como transformar essa visão e ressaltá-la como bem comum mundial?
Malvezzi – Esse é o “nó” da política mundial da água. Nas Pastorais e Movimentos Sociais, chamamos essa política de “hidronegócio”. Como na crise civilizacional que atravessamos existe uma crise da água, empresas do ramo viram aí uma grande oportunidade de negócio. Nenhum negócio pode ser melhor que o da água. Afinal, ninguém vive sem ela. Então, surgiu o que alguns especialistas chamam de Oligarquia Internacional da Água, ou seja, um grupo restrito de empresas, apoiadas por organismos multilaterais como o Banco Mundial e o FMI, mas também com apoio de governos locais, iniciando um processo mundial de privatização da água de diversas formas. Mas a reação mundial também foi à altura. A chamada guerra da água em Cochabamba, forçando a desprivatização do setor de abastecimento, tornou-se um símbolo da resistência a essa lógica mercantil insana.
Jornal Santuário de Aparecida – O Brasil está em uma fase de grande desenvolvimento e expansão e, para isso, é preciso também a produção de muita energia. Nesse contexto, como lidar com questões emblemáticas, como Belo Monte? Especialistas chegam a afirmar que se deve escolher entre Belo Monte ou Angra 3. A situação é assim tão extrema ou há alternativas?
Malvezzi – O Brasil tem um leque enorme de opções para gerar energia limpa. Agora, especialistas já falam que até 2100 o topo da energia estará vindo dos ventos, isto, a eólica. O Brasil tem um potencial eólico calculado entre dez a vinte vezes o que gera Itaipu. É a hora das eólicas, que estão se disseminando particularmente no Nordeste, mas num modelo social sujo, impactando comunidades e ambiente.
A segunda fonte que tem enorme potencial é a solar. Mas aqui o Brasil ainda patina. Energias sujas estarão em decadência, como petróleo, gás e carvão. O potencial hidráulico brasileiro está se esgotando. Só temos possibilidades na Amazônia, cada vez mais longe, cada vez mais cara. É aí que muitos acham que o Brasil deveria partir para as energias limpas desde já, com toda a força.
Belo Monte impacta rios, florestas e populações tradicionais, as grandes vítimas do modelo energético em questão. Estão tentando ainda ressuscitar a energia atômica. Uma loucura! Mas no Brasil, mesmo após Fukushima, existem loucos que querem implantar aqui essa matriz energética.
Jornal Santuário de Aparecida – Apesar de o governo ter uma grande parcela de responsabilidade nesse cenário, através da formulação de políticas públicas mais bem estruturadas, a sociedade civil também possui sua carga de trabalho. Quais seriam as principais ações que o cidadão comum pode fazer para tentar ajudar na amenização do problema?
Malvezzi – A luta por energias limpas no Brasil faz parte do calendário, da agenda dos movimentos sociais e ambientalistas, mas também das comunidades eclesiais que tem envolvimento sócio-ambiental. Agora, na Cúpula dos Povos, que acontecerá durante a Rio+20, no Rio de Janeiro, a questão das energias estará presente. Não é possível ter um clima planetário saudável sem considerar a matriz energética. A energia fóssil é a principal emissora de CO2 na atmosfera. Um cidadão isolado não é um cidadão. Faz parte da cidadania buscar locais, espaços, grupos que se solidarizam e se envolvem com os destinos da humanidade.
Jornal Santuário de Aparecida – O problema do Brasil não é tanto a disponibilidade de recursos hídricos, mas sim a desigualdade geográfica da distribuição desses. Como esse problema pode ser solucionado? Há projetos de sucesso que já existem e contam com o apoio da Igreja?
Malvezzi – É verdade que a distribuição da água no Brasil é desigual naturalmente, mas aí também existe uma “pegadinha” que precisa ser esclarecida. Mesmo a região mais pobre de água no Brasil, o sertão Pernambucano, tem uma média de água suficiente para abastecer toda a população da região com tranquilidade. O desafio é a distribuição dessa água para a população.
Hoje, com o Atlas Brasil de Águas, da Agência Nacional de Águas (ANA), podemos mapear região por região, município por município, de todo o Brasil, e averiguarmos a situação hídrica, o que precisa ser feito, o custo do que deve ser feito. É um trabalho fantástico, jamais feito no Brasil em outras épocas.
Agora é uma questão de decisão política. O governo brasileiro poderia ter optado pelas adutoras do Atlas do Nordeste para abastecer toda a população Nordestina urbana, mas preferiu fazer a Transposição do São Francisco, que tem finalidade econômica. Portanto, o acesso à água passa por uma dimensão política, de quem está no poder, de fazer o que é recomendado por estudiosos do assunto e pela experiência das populações locais. As soluções técnicas hoje estão em nossas mãos. Continua faltando decisão política."
Entrevista originalmente publicada pelo Jornal Santuário de Aparecida e reproduzida pelo EcoDebate, 28/03/2012

Aventura Selvagem em Cabaceiras - Paraíba

Rodrigo Castro, fundador da Associação Caatinga, da Asa Branca e da Aliança da Caatinga

Bioma Caatinga

Vale do Catimbau - Pernambuco

Tom da Caatinga

A Caatinga Nordestina

Rio São Francisco - Momento Brasil

O mundo da Caatinga