domingo, 6 de novembro de 2011

Sacos de lixo feitos com folha de jornal - Boas Atitudes


Esta é uma atitude que merece aplausos. É importante fazer o saquinho e cultivar essa ideia.
Este é o primeiro passo para mudar o mundo!!!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

MOVIMENTO ANTINUCLEAR EM PERNAMBUCO.

USINA NUCLEAR NÃO, SEJA NO SERTÃO, EM PERNAMBUCO OU NO BRASIL.
NOSSO SERTÃO NÃO MERECE UMA USINA NUCLEAR

Cordel de Climério Lima (Jatobá-PE/outubro-2011)
Lido durante a passagem da Caravana Antinuclear naquele município

Vocês que estão em Brasília
Com as rédeas da nação
Nos gabinetes trancados
Para tomar a decisão
Escutem a voz do povo
Sofrido deste Sertão

Nosso Nordeste é marcado
Por seca, fome, abandono
Para o país um problema
Um território sem dono
E o Sudeste com as riquezas
E as benesses do trono

No passado nós lutamos
Até de armas na mão
Tantas guerras nós travamos
Revoltas, revolução
E produzimos riquezas
Pra engrandecer a nação

Acham pouco, meus senhores
Nossa contribuição?
Usinas no São Francisco
Iluminando a nação
A custa do ribeirinho
Sem direito a irrigação?

Porque querem construir
Nessa terra renegada
Uma usina nuclear
Pelo mundo condenada?
Porque não constroem mais
Hospital, escola, estrada?

Venham melhorar os níveis
Da nossa educação
Melhor salário, emprego
Projetos de irrigação
Proteger o São Francisco
Veia de amor do Sertão
Uma usina nuclear
É um perigo constante
Na União Soviética
Numa explosão gigante
Matou e espalhou câncer
Numa área bem distante

Também nos Estados Unidos
O acidente aconteceu
Fukushima no Japão
Com uma explosão sofreu
Depois de um terremoto
Aquela terra tremeu

O lixo dessas usinas
É um resíduo fatal
Não pode ser reciclado
Jogado em qualquer local
Se posto na natureza
É perigoso e mortal


Esse tipo de energia
É, por demais, perigosa
A causa de uma explosão
É ligeira e desastrosa
A energia do Sol
É muito mais vantajosa

Todos sabem: Temos ventos
Abundantes no Sertão
Para gerar energia
Sem a tal poluição
Essa usina nuclear
É uma contradição

Ao povo de Itacuruba
Pra que não seja enganado
Tem político querendo
Esse projeto aprovado
Pensem: se tiver dinheiro
Quem é o beneficiado?


Eu repondo sem pensar
O povo é quem não é
O dinheiro vai pros ricos
Comprarem carro e chalé
E fugirem da cidade
Quando o perigo vier

A região vai sofrer
Belém, Florest e Jatobá
Petrolândia, Paulo Afonso
Sem dever irão pagar
Se o rio São Francisco
Vier se contaminar

Também a piscicultura
Será bem prejudicada
A morte tomará conta
Da água contaminada
Se isso acontecer
Ninguém pode fazer nada

Projetos de agricultura
Terão que paralisar
Sergipe também Bahia
Preços altos vão pagar
De Pernambuco a Alagoas
Até descambar no mar

O problema, como sempre
Sobra pro povo sofrido
Precisamos nos unir
Criar um grande alarido
Político só tem medo
Do povo que está unido

Desculpem-me pelas rimas
Se não são do seu agrado
Sou um poeta pequeno
Que não quer ver aprovado
Esse projeto maluco
Pelo Governo criado

PAÍS FAZ MAPEAMENTO DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS.


Mais da metade dos municípios brasileiros utiliza águas subterrâneas para abastecer a população - e pouco se sabe sobre elas. Para mapear esse tesouro sob o solo, a Agência Nacional de Águas (ANA) está coordenando o monitoramento dessas grandes reservas subterrâneas de águas, chamadas de aquíferos. O objetivo é criar uma agenda nacional para a gestão integrada dos recursos hídricos subterrâneos e de superfície.
26/10/2011


Na mira estão os Aquíferos Açu, Urucuia, Jandaíra e as águas subterrâneas da Amazônia. O Aquífero Guarani, o mais estudado, tem um plano específico voltado para as áreas metropolitanas, sob as quais ele se encontra.

Segundo a ANA, 39% dos municípios brasileiros - ou 2.153 cidades - são integralmente abastecidos por águas subterrâneas, enquanto 14% também usam águas superficiais. O restante depende das superficiais, mas a pressão sobre elas aumenta a importância das que estão no subsolo.

Os aquíferos são formações rochosas que permitem que a água se infiltre e se movimente em seu interior. A ANA contabiliza no Brasil 27 sistemas aquíferos importantes, tanto para abastecimento público como para a agricultura, que usa na irrigação parte da água subterrânea disponível no País.

'Os aquíferos são reservas estratégicas', afirma Paulo Varella, diretor da ANA. 'Sabemos, de antemão, que há problemas ao redor das grandes cidades, principalmente ligados à falta de saneamento', afirma.

Entre as principais preocupações dos especialistas está a capacidade de preservação da qualidade dos recursos encontrados entre as rochas, no subsolo. Urbanização desordenada, uso intensivo de pesticidas nas lavouras, reflorestamento, salinização e outros estão levando autoridades e estudiosos a pensar sobre a gestão dessas reservas.

Os aquíferos possuem as chamadas 'áreas de recarga', locais por onde a água da chuva se infiltra e recarrega o sistema. Nessas áreas há maior vulnerabilidade da contaminação vinda da superfície. Elas geralmente correspondem a afloramentos e locais onde a 'capa' protetora, que pode ser uma rocha, é fraturada ou apresenta 'janelas' (descontinuidades).

Em São Paulo, que usa 80% do total retirado anualmente pelos quatro países que têm recursos do Aquífero Guarani (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), a Secretaria de Meio Ambiente já discute a criação de lei que institua uma área de proteção e recuperação de mananciais específica para o afloramento do Guarani.

Vulnerabilidade.


De acordo com levantamento coordenado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), ligado ao governo paulista, cerca de 4 mil km² da região de proteção proposta são considerados altamente vulneráveis à contaminação (mais informações nesta página).

Além de levar em consideração a proteção natural que os aquíferos têm, os especialistas observam a persistência e a mobilidade dos contaminantes que a reserva pode estar recebendo.

'Quando há quantidade o suficiente, é só uma questão de tempo até os contaminantes chegarem às águas subterrâneas, pela persistência. Agora, há contaminantes que se degradam ou que não chegam mesmo', explica Ricardo Hirata, professor do Instituto de Geociências da USP.

'Metais pesados, por exemplo, se movem pouco e ficam presos. Já os nitratos são muito móveis e persistentes', diz Hirata.

Ele afirma que os fertilizantes nitrogenados, aterros e lixões, redes de esgoto com vazamentos e locais de estoque de matéria-prima industrial são as fontes de contaminantes que mais preocupam os especialistas.

É consenso que a qualidade das águas do Guarani é ainda muito boa. Mas há preocupação com o excesso de exploração e o rebaixamento dos níveis de água nas cidades que mais utilizam os recursos.

Recentemente, um estudo financiado pelo Banco Mundial revelou que o Guarani não tinha tanta água assim como se pensava. 'As pessoas diziam que era uma reserva de 30 mil km³ de água. Isso é irreal. Porque nós não temos acesso a toda essa água. Temos acesso, na área confinada, a cerca de 2,1 mil km³ - mais os 40 km³ de recarga anual', explica o geólogo Ricardo Hirata, da USP.

Segundo ele, usamos anualmente cerca de 1 km³ de água do Guarani: 94 % no Brasil, 3% no Uruguai, 2% no Paraguai e 1% na Argentina. Cerca de 80% do total é usado para abastecimento público e 15%, para processos industriais.

Se a disponibilidade de uma reserva que atrai atenção e investimentos ainda não é consenso, o potencial de aquíferos recém-descobertos, como o Alter do Chão, na Região Norte, é totalmente desconhecido. No ano passado, uma equipe da Universidade Federal do Pará (UFPA) divulgou a descoberta de uma reserva entre Pará, Amazonas e Amapá que seria bem maior do que o Guarani.

'Ainda não sabemos nada sobre ela. Temos de fazer mapas de fluxo hídrico subterrâneo para saber quais as regiões de recarga e transformá-las em área de proteção ambiental', explica Milton Matta, geólogo da UFPA.

O Alter do Chão abastece 100% de Santarém (PA) e quase toda Manaus (AM). 'Não sabemos, por exemplo, as consequências do plantio de soja em Santarém. E como não conhecemos as áreas de recarga, não podemos medir as dimensões do problema', diz Matta. Por essa razão, a ANA destinou R$ 4,5 milhões para um mapeamento da hidrodinâmica das águas subterrâneas da Amazônia.

Agência reguladora prepara monitoramento de aquíferos e libera verba para mapear reservas na Amazônia.

Por João Suassuna.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

REAÇÃO A MATERIAL NUCLEAR NA BAHIA.


"POPULAÇÃO DE CAETITÉ FAZ VIGÍLIA E IMPEDE ENTRADA DE URÂNIO NA CIDADE


Pelo menos duas mil pessoas se reuniram em vigília para impedir o recebimento de material radioativo pela mina de Caetité, município a 757 km de Salvador. A mobilização começou por volta das 17h de domingo (15) e durou até as 2h da madrugada desta segunda-feira (16).

A reportagem é de Tatiana Maria Dourado e publicada pelo G1, 16-05-2011.

Com a vigília, as nove carretas que transportavam o material de São Paulo para a unidade de beneficiamento de urânio, na região sudoeste do estado, foram impedidas pela população de seguir viagem e tiveram de retornar ao município de Guanambi, a 45 km de Caetité. Até as 11h desta segunda (16), elas permaneciam no posto da Polícia Militar da região.

“A população está de prontidão para fazer novamente a barreira humana e não deixar o caminhão passar por aqui”, afirma o padre Osvaldino Barbosa, da Comissão Paroquial do Meio Ambiente de Caetité.

A mobilização popular foi convocada por movimentos sociais como a Comissão Paroquial do Meio Ambiente do município, a Comissão Pastoral da Terra e o Movimento Paulo Jackson – Ética Justiça e Cidadania.

De acordo com a INB (Indústrias Nucleares do Brasil), as carretas estão transportando 90 toneladas de concentrado de urânio, de propriedade da Marinha brasileira, o mesmo material que é produzido na mina, com objetivo de criar um novo reservatório e retomar a capacidade de produção máxima. Em 2010, a unidade de mineração não atingiu as 400 toneladas da meta anual, chegando apenas a 180 toneladas.

"Nós tivemos frustração na produção e solicitamos da Marinha, que tinha o material em reserva. O que aconteceu é um mal-entendido. O comboio está levando concentrado de urânio, não lixo atômico, como pensa a população", comenta o presidente da INB, Alfredo Tranjan.

O transporte partiu do Centro Experimental de Aramar, no município de Iperó, em São Paulo. Tranjan explica que a carga será reembalada em Caetité para depois ser enviada, junto à produção local, para a Europa, onde será enriquecida. O objetivo final é o abastecimento das usinas nuclares de Angra 1 e Angra 2, que ficam situadas no Rio de Janeiro. Segundo a INB, o plano de transporte foi comunicado ao Ibama e recebeu aprovação da Comissão Nacional de Energia Nuclear. "Caetité é a única mina brasileira que produz urânio, por isso o procedimento só pode ser realizado lá", diz Tranjan.

Medo

O padre Osvaldino argumenta que o processo para reembalar o urânio é nocivo para o meio ambiente e para a população. “Eles dizem que o processo só pode ser feito aqui, mas isto está trazendo consequências graves, como poluição da água e incidência de câncer nas pessoas”, informa. Ainda segundo relato do padre, a população está insegura se há real ausência de lixo atômico na carga.

O presidente da INB afirma que terá que planejar alguma metodologia de conversa com a população, para tentar solucionar a divergência.

Relatório do Greenpeace

Em outubro de 2008, o Greenpeace encontrou contaminação radioativa em amostras de água usada pela população, coletadas na área de influência direta da mineração de urânio no município de Caetité.

A coleta das amostras de água para consumo humano e animal foi feita por uma equipe da organização ambientalista em abril de 2008, em pontos localizados dentro de um raio de 20 quilômetros ao redor da mineração de urânio da INB em Caetité.

As amostras foram encaminhadas a um laboratório independente credenciado no Reino Unido para a realização de análises. Pelo menos duas amostras de água apresentaram contaminação por urânio muito acima dos índices máximos sugeridos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Conselho Nacional de


Meio Ambiente (Conama).

A amostra de água colhida de um poço artesiano a cerca de oito quilômetros da mina apresentou concentrações de urânio sete vezes maiores do que os limites máximos indicados pela OMS, e cinco vezes maiores do que os especificados pelo Conama. Outra amostra, coletada de uma torneira que bombeia água de poços artesianos da área de influência direta do empreendimento da INB, estava com o dobro do limite estabelecido pela OMS e acima do índice Conama."

ENERGIA NUCLEAR: ENTREVISTA.


"Não faz sentido o Brasil retomar

a opção pela energia nuclear".


Entrevista especial com Washington Novaes.


IHU On-Line - O governo federal elaborou um estudo pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) prevê a construção de mais sete reatores nucleares no Brasil, no máximo até 2025. Qual a sua opinião sobre essa notícia?

Washington Novaes - A meu ver não traz nenhum sentido o Brasil voltar à opção da energia nuclear por muitas razões. Primeira delas é que a energia nuclear é mais cara que qualquer outra forma de energia. Existem estudos no mundo inteiro mostrando isso, é a energia mais cara que existe. Segundo, que a energia nuclear não tem destinação para os resíduos de lixo nuclear que ela produz. O Brasil continua com dezenas de milhares de toneladas de resíduos nas usinas de Angra I e II, por não ter onde depositar isso. Primeiro, por que ninguém aceita o lixo. Segundo, por que não há uma tecnologia segura para isso. Ninguém no mundo encontrou uma forma segura de depositar o lixo nuclear em algum lugar. Os Estados Unidos estão tentando encontrar uma solução construindo um depósito debaixo da Yucca Mountain, em Nevada, a trezentos metros abaixo do solo. Mas, com objeções muito sérias de várias áreas dos geólogos que acham que não há como garantir que aquilo vai resistir durante milhares de anos, e que o lixo vai continuar radioativo. Os hidrólogos acham que pode haver infiltração, dos vulcanologistas que não garantem que os dois vulcões que são próximos ao depósito continuem inativos e também dos sismólogos, que lembram há alguns anos houve um abalo de 5.3 graus na Escala Richter a três milhas do local do depósito. Quando visitei o depósito eu perguntei ao engenheiro do departamento de energia dos Estados Unidos que nos acompanhava se havia ocorrido algum abalo ali. Ele confirmou que sim, mas que o depósito resistiu bem. E eu voltei a perguntar: “E se houver um abalo mais forte?”. O engenheiro apontou para o céu e disse: “Daí ELE garante”. A implantação de mais depósitos está embargado pela justiça nos Estados Unidos. As autoridades não consideram seguro pelo tempo de vida que o depósito vai ter. Ainda existe uma última questão que pergunta como os Estados Unidos farão para transferir os resíduos de mais de 100 usinas que eles têm em atividade para esse único local no estado de Nevada. Então, o Brasil voltar a isso não faz nenhum sentido. E inclusive, o país não pode fazer esse tipo de opção antes de mostrar para a sociedade com clareza qual é o quadro da matriz energética brasileira. Há pouco tempo saiu um estudo do WWF feito por técnicos da Universidade de Campinas mostrando que o Brasil pode economizar 30% na energia que consome hoje sem nenhum prejuízo. E pode também ganhar com a repotenciação de usinas que estão chegando ao seu prazo de validade. Parece-me uma opção, se acontecer, injustificada e inapropriada para o país.

IHU On-Line - Como o senhor vê a questão da transposição do Rio São Francisco em um segundo mandato de Luís Inácio Lula da Silva?

Washington Novaes - O projeto está embargado na justiça. Para poder ser tocado ele precisa ser liberado na justiça por que há muitas questões que precisam ser esclarecidas e respondidas antecipadamente. Acredito que o projeto não faz nenhum sentido. Ele foi aprovado pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos passando por cima da decisão do Comitê de Gestão da Bacia do Rio São Francisco que é o órgão que devia ser respeitado. O Comitê da Bacia votou por 44 votos a 2 contra o Projeto de Transposição, dando prioridade para a revitalização. Mas o Conselho Nacional de Recursos Hídricos do governo federal tem maioria absoluta e desrespeitou o Comitê de Gestão e aprovou esse projeto. A alegação é que assim pode-se levar uma caneca de água para milhões de pessoas que sofrem com a seca. É evidente que isso não vai acontecer. As pessoas que sofrem com a seca no Nordeste são as que vivem em pequenas comunidades isoladas e a transposição não vai chegar até elas. Não se vai fazer uma adutora para atender uma casa ou duas. Para essas pessoas a solução mais adequada é a de cisternas de placa que são feitas pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), e pelo Projeto Fome Zero. Já tem 160 mil cisternas instaladas. As cisternas são muito eficientes e tornaram-se uma benção na vida daquelas pessoas. Isso custa muito mais barato do que fazer transposição. A água da transposição destina-se a grandes projetos de frutas, flores, camarões para exportação. É o velho modelo de continuar exportando produtos primários com baixos preços para atender os países industrializados. Mais de 70% da água será para isso. A análise do projeto que o IBAMA fez diz que mais de 60% das terras que serão irrigadas estão em início de desertificação. Há muitas questões que deveriam ser respondidas antes de se entrar num projeto como esse. Que é caríssimo e que não vai atender essas populações. Fora o fato de que a água que virá desse projeto será uma água cara. O semi-árido brasileiro segundo o diagnóstico de vários especialistas respeitados como o professor Maldo Rebouças, da Universidade de São Paulo, e o professor João Abner, do Rio Grande do Norte, não é de escassez de água, e sim de má gestão da água.

IHU On-Line - De que forma o Brasil deve administrar essa crise entre a Petrobrás e a Bolívia?

Washington Novaes - Eu creio que é uma questão complicada. Evidentemente a Bolívia tem o direito de usar como entender melhor os seus recursos naturais. Agora, ela tem também de respeitar contratos. Se a Bolívia acha que deve confrontar esses contratos é preciso ver os direitos da Petrobrás nessa questão.

IHU On-Line - Que fontes alternativas de combustível e energia são viáveis ao Brasil hoje?

Washington Novaes - O Brasil tem muitas alternativas se precisar. Mas eu insisto que o país não precisa ampliar o seu potencial instalado. O Brasil tem a hidroeletricidade, nos lugares em que ela for adequada e não provocar problemas, e energias todas renováveis que se pode usar como a eólica, a energia de marés ou como as de biomassas. São muitas as alternativas que o país tem.

IHU On-Line - Como o senhor analisa o governo Lula no aspecto ambiental?

Washington Novaes - A chamada questão ambiental não foi prioridade no governo Lula, muito ao contrário. O Ministério do Meio Ambiente sempre falou muito na necessidade de implantar uma política transversal no sentido de uma política que fosse comum a todas as áreas de governo e ministérios. Mas isso não aconteceu na prática. Nem o Ministério da Agricultura, Ministério dos Transportes, Ministério do Desenvolvimento e Minas de Energia, colocou ênfase e importância na questão ambiental. Ao contrário, o Ministério do Meio Ambiente foi sistematicamente derrotado em várias questões. Por exemplo, a questão de importar pneus usados do Uruguai. Foi uma decisão imposta pelo Itamaraty sob a alegação de que um tribunal arbitral do Mercosul exigia isso. Mas nenhum país do Mercosul cumpre isso, só o Brasil. E passou a importar lixo. Na questão dos transgênicos que o Ministério do Meio Ambiente defendia a necessidade de aplicar o princípio da precaução e estudos prévios de impacto ambiental e epidemiológicos. Ele foi derrotado no Congresso pelo próprio partido do governo que comandou a votação. A questão de reduzir a mistura de álcool na gasolina para poder exportar mais álcool para a Suíça e o Japão. Países estes que usam o álcool para reduzir emissões de gases poluentes. O Ministério do Meio Ambiente foi vencido nisso também. E nós ficamos com o ar mais poluído aqui para que se exportasse álcool para países que queriam reduzir a poluição. E assim por diante, foram muitas derrotas. Tem a questão da Amazônia que não teve políticas eficazes e não concordo com o projeto aprovado de cessão de florestas públicas para empresas privadas fazerem o manejo sustentável. Os próprios índices de desmatamento na Amazônia. Vejo que isso tudo mostra que o meio ambiente não foi prioritário, foi um gueto dentro de governo com um orçamento insignificante, pouco mais de ½ do orçamento federal. Além disso, acho que o governo nem sequer percebeu que precisaria ter uma estratégia para essa área. Por que hoje no mundo, está ficando evidente a escassez de recursos e serviços naturais. Um país que tem a biodiversidade que o Brasil tem, os recursos hídricos, a insolação o ano todo, enfim, com a riqueza que o país tem, deveria ter uma estratégia que colocasse esse fator escasso no mundo numa posição privilegiada como base de políticas. Mas essa estratégia não existe.

IHU On-Line - Qual a sua visão sobre a utilização de transgênicos no país?

Washington Novaes - Penso que deveria vigorar o princípio da precaução. É preciso saber antecipadamente quais são as conseqüências ambientais e epidemiológicas para a saúde da utilização destes transgênicos. Isso foi derrotado no projeto que foi para o Congresso. O Ministério da Saúde e do Meio Ambiente perderam o direito de exigir isso previamente. Há muito estudos no mundo mostrando vária questões. Por exemplo, existe um estudo do governo inglês que foi feito com a canola, a beterraba e o milho. Só o milho não contaminou plantações vizinhas. O governo inglês se dispôs a liberar a plantação de milho transgênico se os produtores de sementes e os plantadores assumissem por escrito o risco em relação a eventuais danos que pudessem acontecer e seguissem regras estabelecidas pelo governo. Eles se recusaram. Na Bélgica eles também não aceitaram esse compromisso. A União Européia continua mantendo restrições a esses transgênicos. Nos Estados Unidos há vários estudos mostrando que a produtividade dos transgênicos é inferior. São muitas as razões fora o fato de que nesse sistema, o produtor fica dependente da empresa produtora de transgênicos. Ele tem que comprar a semente todo ano. Ele não pode usar a sua própria produção para gerar semente.

IHU On-Line - Como a teoria de Gaia poderia chegar aos governantes? O senhor poderia dar uma explicação sobre esta teoria?

Washington Novaes - A Teoria de Gaia que foi formulada pelo James Lovelok fala que o planeta é um organismo vivo em que tudo está relacionado com tudo. Não há nada que seja isolado. Tudo que está no meio físico depende de tudo, inclusive os seres humanos. O nosso corpo é formado de água, minérios, nós respiramos ar, nos alimentamos de outros seres vivos. O que acontecer no meio físico acontecerá também no nosso organismo. Mais recentemente o James Lovelok, disse que os danos que o planeta já está sofrendo em função de mudanças climáticas são irreversíveis e serão cada vez maiores. A única forma de deter isso seria utilizar a energia nuclear para substituir as outras fontes como o petróleo, gás e o carvão. Por que para fazer isso por outro caminho levaria muito tempo e o resultado não daria certo. É uma posição. Ele está sendo muito criticado por ela. Eu mesmo não estou de acordo com essa idéia. Mas o que eu penso é que tudo o que o ser humano faz tem impactos sobre o meio físico, e se é assim, em todas as políticas públicas, e em todos os empreendimentos privados, esses impactos deveriam ser calculados previamente para saber se vale à pena correr o risco desses impactos no meio ambiente. E saber quem é que vai arcar com esses custos que eles vão produzir.Quando não se faz isso quem paga o preço é a sociedade enquanto algumas poucas pessoas se beneficiam do projeto específico. Não se trata penas de proteger o meio ambiente, não é isso. São vários estudo sérios que estão mostrando que nós já ultrapassamos os limites de segurança. Seja na área de mudanças climáticas ou padrões de produção e de consumo. Nós estamos consumindo mais do que a biosfera terrestre pode repor. Caminhamos para a falência. Mudanças climáticas são um problema já presente e em andamento."

SIMPÓSIO.

I SIMPÓSIO DE ÉTICA PROFISSIONAL EM BIOCIÊNCIAS

Dias 10 e 11 de Novembro na Sala de Seminarios do CEGOE - UFRPE


Publico-Alvo: Estudantes e Profissionais de Biociencias
Coordenaçao: Professoras Rejane Magalhaes de Mendonça Pimentel e Rosa Maria Nunes Galdino
Carga Horaria: 15 horas Horario: 8:30-12h e 14-18h nos dois dias
Numero de Vagas Limitado
Local de Inscriçao: Presencial - CEGOE e Predio Central da UFRPE das 9-12h e das 14-18h
Inscriçoes online: http://eticaembiociencias.blogspot.com/
Correio-e: eticaembiociencias@hotmail.com
Valor da Inscriçao: 15 reais + 1kg de alimento nao perecivel (facultativo)

sábado, 22 de outubro de 2011

ACIDENTE NUCLEAR DE FUKUSHIMA.


Estudo detecta plâncton radioativo em Fukushima.

Mostras recolhidas em julho por pesquisadores da Universidade de Tóquio revelaram altas concentrações de césio radioativo no plâncton marinho perto da usina nuclear de Fukushima, afetada pelo terremoto seguido de tsunami de março passado, informou neste sábado a emissora local NHK.

15/10/2011

http://noticias.terra.com.br/mundo/asia/terremotonojapao/noticias/0,,OI5413854-EI17716,00-Estudo+detecta+plancton+radioativo+em+Fukushima.html

Image mostra a usina de Fukushima momentos depois do tsunami, em março
Foto: Reuters

Os pesquisadores, pertencentes à faculdade de Ciências Marinhas e Tecnologia de Tóquio, disseram que as mostras, recolhidas em 60 km desde a costa de Iwaki, ao sul da usina, e a 3 km da margem, revelaram zooplâncton com até 669 becquerels por quilo de césio radioativo.

Segundo o estudo, uma grande variedade de peixes se alimenta deste plâncton com o que a contaminação poderia se acumular na cadeia alimentar e ter um impacto muito maior para espécies marinhas maiores. O líder da pesquisa, professor Takashi Ishimaru, afirmou à NHK que o zooplâncton foi contaminado pelas correntes marinhas, que arrastam a água contaminada ao sul da usina nuclear.

Segundo Takashi, os estudos com base nas mostras recolhidas são necessários para determinar durante quanto tempo a água contaminada afetará os peixes. No final de junho, a empresa administradora do complexo nuclear de Fukushima, Tokyo Electric Power Company (Tepco), já detectou estrôncio radioativo no leito marinho próximo à usina, mais especificamente estrôncio-89 e estrôncio-90, dois elementos gerados pela fissão de átomos de urânio, com vida média de 29 anos.

Desde o início da crise nuclear, em 11 de março, a Agência de Segurança Nuclear do Japão e o Ministério de Pesca do país realizam análises para investigar o impacto da acumulação das substâncias radioativas na vida marinha. Depois do início da crise atômica, a pior desde Chernobyl em 1986, estima-se que entre 21 de março e 30 de abril a usina tenha liberado ao mar cerca de 15 mil terabecquerels de césio e iodo radioativo.

Aventura Selvagem em Cabaceiras - Paraíba

Rodrigo Castro, fundador da Associação Caatinga, da Asa Branca e da Aliança da Caatinga

Bioma Caatinga

Vale do Catimbau - Pernambuco

Tom da Caatinga

A Caatinga Nordestina

Rio São Francisco - Momento Brasil

O mundo da Caatinga