segunda-feira, 3 de outubro de 2011

“PROJETO VALORIZAÇÃO DA CAATINGA”.


O Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga de Pernambuco – CERBCAAPE concluiu o “PROJETO VALORIZAÇÃO DO BIOMA CAATINGA” com a realização de Seminários nos seguintes Municípios: de Afogados da Ingazeira e Solidão (dias 30 e 31 de agosto), Quixaba e Triunfo (dias 31/08 e 01/09).

A realização do “PROJETO VALORIZAÇÃO DA CAATINGA” contou com a participação da EMA através de seu Presidente Dr. Alipio Carvalho Filho, a quem coube a exposição da matéria institucional.

O “PROJETO VALORIZAÇÃO DA CAATINGA”, cujo principal objetivo é a criação do primeiro SUBCOMITÊ DO CERBCAAPE, foi realizado na região geo-política de Pernambuco, que compreende os municípios de Afogados da Ingazeira, Brejinho, Calumbi, Carnaíba, Flores, Iguaraci, Ingazeira, Itapetim, Quixaba, Santa Cruz da Baixa Verde, Santa Teresinha, S. José do Egito, Solidão, Tabira, Triunfo, Tuparetama e Serra Talhada, entre os meses de abril e setembro do corrente ano.

Durante a realização do mencionado Projeto pudemos constatar naqueles Municípios uma preocupação com a biodiversidade, tanto por parte dos Poderes Públicos constituídos (Prefeitos e Vereadores), como por parte de lideranças comunitárias, sindicatos, professores e alunos das escolas públicas e privadas.

A propósito, publicamos abaixo um belo Poema produzido por Elenilda Amaral, Professora com exercício nas Escolas Domingos Teotônio e São João do Sítio São João, do município de Afogados da Ingazeira, intitulado:

“A Caatinga”.

A caatinga brasileira,
que mais rica foi outrora,
está sendo destruída
por quem nela mesmo mora,
por que não sabe a riqueza
que tem na mata e na flora.

Nossa flora catingueira
é de se admirar.
Tem planta alta e rasteira
sem ser preciso plantar.
Mas se tirar sem controle
um dia pode acabar.

A caatinga é muito sábia
em todas suas escolhas.
Pra se proteger da seca
as plantas ficam zarolhas.
Algumas guardam a água
e outras perdem as folhas.”

Durante a realização dos Seminários tivemos a oportunidade de ouvir os reclamos da população quanto às agressões à caatinga, especialmente no que tange ao desmatamento descontrolado (corte de lenha e fabricação de carvão), sendo ressaltado sempre a ausência de fiscalização por parte dos Órgãos Públicos competentes, tais como CPRH e IBAMA.

Aguardamos agora a realização do Seminário Final com a participação de representantes de todos os Municípios da Região do Pajeú, quando será instituído e formalizado o Primeiro Subcomitê do CERBCAAPE no interior do Estado.

Queremos ressaltar a dedicação, o denodo, o esforço e o amor à causa, demonstrados, a toda hora, pelo Dr. Élcio Barros, Coordenador do CERBECAAPE, bem como das biólogas Rita de Cássia, Ana Luiza, Irapuam (do IPA), Ednilza Maranhão e seus competentes alunos Gleimerson e Rosa (UFRPE, UAST).

PRESERVE O MEIO AMBIENTE. VOCÊ FAZ PARTE DELE.

FONTES ALTERNATIVAS DE ENERGIA.


O sol e o vento podem salvar a Grécia.


Artigo de José Eustáquio Diniz Alves.
Publicado em agosto 31, 2011 por HC
Tags: economia, energia, energia eólica, energia solar
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[EcoDebate] A crise econômica da Grécia tem trazido sofrimento para o povo grego, instabilidade para a economia do Euro e aumentado das incertezas do cenário internacional. A Grécia, que tanto contribuiu para a cultura ocidental e mundial, vive uma situação econômica muito precária e frágil.

Em 2010, o produto Interno Bruto (PIB) da Grécia era de 305 bilhões de dólares, para uma população de 10,7 milhões de habitantes. A renda per capita estava em 29 mil dólares, o que equivalia a quase 3 vezes a renda per capita brasileira. Mas o crescimento da Grécia, nos últimos anos, aconteceu por meio de déficits internos e externos crescentes. A dívida pública estava em 150% do PIB. Em 2008 a Grécia exportou 25,6 bilhões de dólares e importou 89,6 bilhões de dólares, resultando em um déficit da balança comercial de 64 bilhões de dólares. Em 2010, o déficit comercial caiu para 30 bilhões de dólares, mas mesmo assim, isto representou cerca de 10% do PIB. Um dos componentes do déficit comercial grego são as altas importações de petróleo, que estavam em torno de 500 mil barris por dia, em 2008.

Por conta dos desequilíbrios, o PIB da Grécia deve ter uma queda em torno de 15% entre 2009 e 2011 e as perspectivas de retomada do crescimento não são animadoras. Uma rápida olhada no quadro da economia grega possibilita ver que a Grécia precisa reduzir os déficits comerciais e fiscais, aumentar os investimentos para gerar emprego, gerar superávits fiscais e comerciais para reduzir a dívida pública e retomar a capacidade de administração das políticas sociais.

Parece uma missão impossível. Mas existe uma solução que pode ser boa para a Grécia, para a Europa, para o mundo e para o meio ambiente. A solução passa pela utilização dos recursos naturais que a Grécia é rica e que já foi explorado pela mitologia grega. Na rica cultura helênica, Éolo era o deus dos ventos e Hélio era a representação divina do Sol. O famoso Colosso de Rodes, considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo, era uma estátua dedicada ao deus Hélio.

Portanto, a Grécia já conhece, há muito tempo, o poder do vento e do sol. Mas os gregos modernos sucumbiram à facilidade da utilização do petróleo, mesmo tendo de pagar um alto preço pela importação de combustíveis fósseis. Porém, a crise econômica atual pode servir como ponto de inflexão nesta história.

Se a Grécia investir em energia eólica e solar pode deixar de ser importadora bruta de energia para se tornar exportadora líquida. A produção doméstica de energias renováveis seria uma solução para os múltiplos problemas gregos, pois, em um primeiro momento, a construção de turbinas eólicas, de painéis fotovoltaícos e de usinas de Energia Solar Concentrada poderia gerar empregos verdes, gerar impostos para o Estado e criar um efeito multiplicador que ajudaria toda a economia do país. Em um segundo momento, a Grécia poderia exportar energia renovável para o resto da Europa, gerando recursos para reverter os déficits comerciais e para abater a dívida pública.

Portanto, a produção de energia eólica e solar pode ser a melhor solução para a saída da crise econômica grega. Mas, fundamentalmente, esta solução pode ser essencial para a resolução da crise ambiental e para mitigar os problemas do aquecimento global. Com a ajuda dos deuses Éolo e Hélio, a Grécia pode renovar e revigorar sua economia e o meio ambiente, contribuindo para colocar o país no caminho da economia verde, renovável e limpa.

José Eustáquio Diniz Alves, colunista do EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves{at}yahoo.com.br
EcoDebate, 31/08/2011

SOBRTE ENERGIA SOLAR.


Energia solar pode reduzir consumo

de energia elétrica em até 17% nos

horários de pico.

Publicado em julho 28, 2011 por HC
Tags: energia, energia solar
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O Brasil tem a matriz energética mais limpa do mundo. E esse padrão deve ser mantido, mesmo com o desenvolvimento econômico previsto para os próximos anos. Para isso, o Governo Federal incentiva projetos de energia solar para aquecimento da água, aproveitamento dos ventos, da biomassa e das ondas do mar.

“É importante montar estratégias de consumo energético que também contribuam para mitigar as emissões de gases de efeito estufa, mantendo o crescimento econômico”, observa o secretário de Mudanças Climáticas do MMA, Eduardo Assad.

As alternativas energéticas à produção são importantes para evitar o aumento da participação das fontes fósseis de energia. O esforço nacional é chegar a 2020 com o mesmo padrão de emissões de 2005. “Há potencial de redução do consumo de energia elétrica em até 17% nos horários de pico, com aquecimento da água do banho por energia solar. Estamos buscando esse caminho”, afirma Eduardo Assad.

Opções populares – Por meio da Portaria 238, de 21 de junho de 2009, o MMA criou um grupo de trabalho para incentivar o uso de Sistemas de Aquecimento Solar de Água, incluindo os conjuntos habitacionais do Programa Minha Casa Minha Vida.

A meta estipulada é de 15 milhões de m² de áreas com coletores solares até 2015. Hoje são 6,24 milhões de m². “Para tanto, as linhas de atuação são políticas públicas que incluam gestões junto a programas governamentais como o Minha Casa Minha Vida e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), além do foco na criação de ‘empregos verdes’ e inovação tecnológica, por exemplo”, explica o secretário.

Já foi alcançada a primeira meta de 40 mil unidades habitacionais com os sistemas de aquecimento solar. Para a segunda fase, deve se atingir outras 260 mil. “Acho que os coletores solares para aquecimento de água são viáveis, e podem reduzir o consumo de energia elétrica, com bom resultado na conta de luz”, diz Assad. “O Minha Casa Minha Vida é um programa que está adotando a energia solar, e o Fundo Clima está apoiando. Na área de inovação tecnológica também. Sem ciência e tecnologia, o País não cresce.”

O secretário enfatiza a importância da conscientização, que é uma das soluções, aliada a fortes campanhas educativas, além da apresentação de projetos factíveis. “E a energia solar é fundamental.”

Infraestrutura – O Ministério do Meio Ambiente firmou contrato com o Banco Nacional de Desenvolvimento

Econômico e Social (BNDES) para a aplicação de R$ 233.727.463,00 previstos no Orçamento da União, por meio do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, para incentivar a economia de baixo carbono no País. As primeiras chamadas públicas e editais já foram publicados.

O BNDES vai operar linhas de crédito reembolsáveis a governos, empresas públicas ou privadas para a redução de emissões de gases-estufa e também de adaptações a situações provocadas por mudanças climáticas. Entre os temas prioritários estão projetos para a geração de energia renovável.

Há previsão para o desenvolvimento tecnológico e cadeia produtiva de energia solar para todo o Brasil. Mas, especialmente para as regiões sem acesso ao sistema integrado de energia elétrica (como áreas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste), existem recursos a serem liberados para geração e distribuição local de energias eólica, de biomassa e marés.

“Existem no Fundo Clima dois tipos de financiamentos: não reembolsáveis e reembolsáveis. No primeiro tipo, serão estimulados estudos de potencial de utilização e incentivo à busca de novos materiais, incluindo a geração de energia por células fotovoltaicas (onde a energia solar é transformada em energia elétrica). O segundo incentiva a ampliação do uso de coletores solares, principalmente para aquecimento de água”, detalha o secretário Assad.

O Fundo Clima possibilita, inclusive, acesso a crédito para indústrias que invistam na compra de máquinas e equipamentos de melhor eficiência energética. E ainda para o setor de energia com uso de resíduos sólidos nas 12 capitais metropolitanas que sediarão os jogos da Copa do Mundo em 2014.

Sustentabilidade – Um dos maiores desafios do planeta é o desenvolvimento com sustentabilidade. Estudos científicos indicam um limite de aumento de 2° C na temperatura mundial. “A partir desse patamar, será muito difícil voltar à situação de, por exemplo, 350 ppm de CO² na atmosfera. Hoje estamos chegando a 400 ppm. O limite seria algo próximo de 450 a 500 ppm”, enfatiza Eduardo Assad.

Os reflexos poderão ser reduções na produção agrícola, aumento da vulnerabilidade das regiões costeiras e mais riscos de desastres naturais, com consequente impacto na saúde. A meta é deixar de emitir até 1,2 bilhão de toneladas de CO² até 2020, com reduções de até 38%.

O secretário, que há 25 anos trabalha com mudanças climáticas, afirma que os impactos ainda são controláveis, mas já se observam eventos extremos de temperatura e de chuva, que podem estar diretamente influenciados pelo aquecimento global.

Texto de Cristina Ávila, MMA, publicado pelo EcoDebate, 28/07/2011

AS MULHERES QUE A PRIMEIRA PRESIDENTE PREFERE NÃO ESCUTAR.


Por ELIANE BRUM


ELIANE BRUM Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de um romance - Uma Duas (LeYa) - e de três livros de reportagem: Coluna restes – O Avesso da Lenda Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).

E codiretora de dois documentários: Uma História Severina e Gretchen Filme Estrada. elianebrum@uol.com.br@brumelianebrum

Antonia Melo é uma mulher forte, reta. O Brasil não sabe, porque ela vive bem longe do poder central, mas todos nós temos uma dívida histórica com Antonia que há décadas luta pelos direitos humanos e pelo desenvolvimento sustentável em uma das regiões mais conflagradas da Amazônia. Hoje, Antonia é uma das principais vozes contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte – a maior e mais controversa obra do PAC. É neste ponto que a história de Antonia Melo cruza com a de Dilma Rousseff, que mesmo antes de ser presidente era chamada por Lula de “mãe do PAC”.

Em 2004, as lideranças da região do Xingu, na Amazônia, foram surpreendidas pela informação de que os boatos eram verdadeiros: apesar do compromisso assumido no programa do candidato Lula e contra todas as promessas de campanha, o projeto de Belo Monte estava na mesa de Dilma Rousseff, ministra de Minas e Energia. O deputado federal Zé Geraldo (PT-PA) convidou então um grupo de lideranças para uma audiência com a ministra, em Brasília, onde poderiam expor suas preocupações. Lula havia sido eleito com o apoio maciço do movimento social do Xingu e, neste momento, era fácil acreditar que seriam bem recebidos. E, principalmente, escutados.

Antonia Melo preferia declinar do convite porque, naquele período, estava em curso o julgamento do caso dos meninos emasculados de Altamira, no Pará. E ela havia dedicado mais de uma década da sua vida à luta para que os assassinos fossem descobertos e punidos. Mas a insistência foi grande, e Antonia viajou a Brasília para compor o grupo de lideranças que se encontraria com a ministra. O que aconteceu ali eu escutei da sua boca, recentemente, quando estava na sua casa, em Altamira, para entrevistá-la. Os olhos de Antonia se encheram de lágrimas e sua voz embargou. Fiquei pensando no que poderia causar tanta dor àquela mulher que enfrentava grileiros de peito aberto, já havia sido ameaçada de morte e perdera vários companheiros assassinados por pistoleiros. Só depois de ouvir o relato compreendi que, para alguém com a dignidade de Antonia Melo, o sentimento de ser traída poderia ser devastador. Foi isso que ela me contou, enquanto um dos seus netos pequenos dormia no quarto.

- Quando chegamos à audiência, a Dilma demorou um pouco para aparecer. Aí veio, com um cara do lado e outro do outro, como se fosse uma rainha cercada por seu séquito. Nós estávamos ali porque, se era desejo do governo estudar esse projeto, queríamos ter certeza de que seria um estudo eficiente, já que sabíamos que todos os estudos feitos até então eram uma grande mentira, sem respeito pelos povos da floresta nem conhecimento do funcionamento da região. Então, já que o governo queria estudar a viabilidade de Belo Monte, que o fizesse com a seriedade necessária. A Dilma chegou e se sentou na cabeceira da mesa. O Zé Geraldo nos apresentou e eu tomei a palavra. Eu disse: "Olha, senhora ministra, se este estudo vai mesmo sair, queremos poder ter a confiança de que será feito com seriedade”. Assim que eu terminei essa frase, a Dilma deu um murro na mesa. Um murro, mesmo. E disse: "Belo Monte vai sair". Levantou-se e foi embora.

Quando Antonia Melo terminou seu relato, compreendi que sua emoção se devia à lembrança da humilhação sofrida e à descoberta do autoritarismo do governo que ela tinha apoiado. Mesmo assim, Antonia só se desfiliaria do PT cinco anos e muitas decepções depois, em 2009.

Lembrei-me deste episódio ao ler a reportagem da revista americana Newsweek, da semana passada, que tem Dilma Rousseff na capa, fato amplamente comemorado como um triunfo feminino. Na chamada de capa, o título é: “Dilma Dinamite: Onde as mulheres estão vencendo”. Dentro, o perfil da presidente brasileira tem o seguinte título: “Não mexa com Dilma”. Ao ver Dilma Rousseff discorrendo na ONU, em Nova York, sobre as vantagens da ascensão das mulheres ao poder, pensei imediatamente nas mulheres que a presidente não escuta no Brasil. Entre elas, as mulheres do Xingu.

Sobre Dilma Rousseff, a editora-chefe da Newsweek, Tina Brown, disse à coluna de Monica Bergamo, na Folha de S. Paulo. “Dilma, e não Lula, é hoje o político alfa do Brasil”.

Como mulher, esse papo de “alfa” me dá um pouco de sono. É tão masculino, não no sentido dos homens interessantes que estão surgindo nesta época, mas no sentido John Wayne dos trópicos. Na cultura colaborativa que está nascendo, nada menos moderno do que achar inovador uma mulher alfa. Quando as empresas e também os governos têm o desafio de se horizontalizar, valorizar os aspectos autoritários de uma liderança, seja ela um homem ou uma mulher, é manter o debate em marcha a ré.

Reconheço o valor de Dilma Rousseff ser a primeira mulher na presidência do Brasil e a primeira mulher a abrir a Assembleia Geral das Nações Unidas como líder de uma nação. Mas este fato só ganha densidade se o discurso abandonar os velhos chavões sobre o feminino – e a prática se afastar do autoritarismo no país que essa mulher governa. O que se passou foi o contrário disso. As partes interessantes do discurso de Dilma – como puxar as orelhas das nações que geraram a mais recente crise econômica global e a defesa do estado palestino – nada tem a ver, pelo menos diretamente, com o fato de Dilma ser mulher.

Já quando a presidente se refere ao protagonismo feminino, desde a campanha o discurso é uma coleção de clichês distanciados da realidade. Por exemplo. “Na língua portuguesa, palavras como vida, alma e esperança pertencem ao gênero feminino. E são também femininas duas outras palavras muito especiais para mim: coragem e sinceridade”. Truque pobre de retórica, já que as palavras morte, tortura e violência, assim como covardia e mentira também pertencem ao gênero feminino na língua portuguesa. E todas essas palavras pertencem de fato aos homens e mulheres encarnados na vida, independentemente do gênero.

Antes, em evento na ONU sobre a participação das mulheres na política, ao lado de Hillary Clinton e Michelle Bachelet, Dilma afirmara: "As mulheres são especialmente interessadas na construção de um mundo pacífico e seguro. Quem gera vida não aceita a violência como meio de solução de conflitos". Com todo o respeito que Dilma merece como presidente legitimamente eleita, assim como por várias qualidades e aspectos de sua trajetória, isso é uma enorme bobagem. Alguém acredita que as mulheres são menos violentas que os homens?

Podem ser, por questões históricas e culturais, violentas de uma forma diferente. Mas até isso não é muito preciso. E mais estranho soa quando é dito por uma mulher conhecida por destratar seus subordinados a ponto de levar alguns às lágrimas e dá murros na mesa como qualquer chefe bruto que ninguém quer ter não por ser exigente, mas porque berrar com alguém é desrespeitoso – e, como as empresas já começam a aprender, improdutivo. E, neste caso, pouco importa se o destempero seja praticado por um homem ou uma mulher. Há um bom tempo, esse tipo de comportamento deixou de ser confundido com firmeza e autoridade, independentemente de gênero.

Outro aspecto raso dessa afirmação sobre as mulheres e a geração da vida se evidencia no fato de que vivemos um momento histórico onde os homens estão sendo chamados a ocupar seu lugar na educação e no cuidado dos filhos. Neste momento, valorizar a biologia na gestação da vida como algo que tornaria as mulheres mais aptas a governar apenas por serem mulheres é um tanto arcaico. Gerar a vida vem ganhando significados mais profundos no mundo complexo e com fronteiras menos definidas em que temos o privilégio de viver.

É bonito quando Dilma Rousseff diz no seu discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU o seguinte: “O desafio colocado pela crise é substituir teorias defasadas, de um mundo velho, por novas formulações para um mundo novo”. Dilma refere-se à crise econômica global gerada pela Europa e pelos Estados Unidos. Mas seria importante que olhasse para dentro do país que governa e percebesse que não há nada mais velho do que a sua política para a Amazônia, muito semelhante à política da ditadura que ela combateu, tanto nas obras monumentais quanto na maneira autoritária como têm sido impostas à população brasileira e aos povos diretamente atingidos.

A maior obra do PAC, a hidrelétrica de Belo Monte, financiada em grande parte por dinheiro público, está a anos-luz de qualquer exemplo de desenvolvimento sustentável para a Amazônia. Isso dito não por mim, mas pelos maiores especialistas brasileiros na área. Sem contar que Belo Monte tem sido imposta não só aos povos da floresta, mas a todos nós, ameaçando uma das mais ricas biodiversidades do planeta, estratégica para o futuro da humanidade, e também condenando à destruição a cultura e a vida de indígenas, ribeirinhos e agricultores.

A truculência no trato de Belo Monte está mais próxima das práticas do “velho mundo” do que das “novas formulações para um novo mundo”, para usar a expressão da presidente. A política do governo tem um bom exemplo neste vídeo em que o atual presidente do Ibama, Curt Trennepohl, deixa claro o modus operandi do Planalto – seu antecessor, Abelardo Bayma, aliás, pediu demissão por não suportar a pressão da Eletronorte para liberar Belo Monte sem o cumprimento das exigências da lei. Vale a pena assistir ao vídeo: é curto e contundente.

Quando estive na região que será alagada pela hidrelétrica, na Volta Grande do Xingu, deparei-me com a cena abaixo, protagonizada pelo Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM), formado, convém não esquecer, por estatais como Eletrobrás, Chesf e Eletronorte, fundos de pensão e de investimento, como Petros, Funcef e Caixa FIP Cevix, construtoras como OAS, Queiroz, Galvão e Mendes Júnior, entre outras. Até a Vale entrou no consórcio por pressão do governo. A foto abaixo seria cômica, não fosse trágica. Revela a ideia que o Consórcio faz da nossa inteligência. Sim, sim, a Norte Energia destrói a floresta amazônica, mas recicla lixo.

A mesma presidente que enalteceu as vantagens da liderança feminina na ONU não recebeu as mulheres do Xingu que, com grande esforço, viajaram até Brasília para levar a sua voz e as suas reivindicações. Para quem viaja de ônibus, o percurso do interior dos travessões da Transamazônica até Brasília é muito mais penoso do que pegar o avião presidencial rumo a Nova York. A história do encontro que não houve me foi contada pela principal liderança feminina de Cobra Choca, comunidade de agricultores da Volta Grande do Xingu que tem colaborado para transformar o Brasil num dos maiores produtores de cacau do mundo – e fazem isso mantendo boa parte da floresta em pé.

Ana Alice Santos migrou do Paraná, onde trabalhava como doméstica desde os 6 anos de idade, para a Amazônia, onde se tornou agricultora. Ela me contou sua experiência com Dilma Rousseff comendo um cacau diante de sua casa cercada por floresta. E em nenhum momento foi possível esquecer que, se a sociedade não se fizer ouvir, toda a vida ali será afogada em breve por Belo Monte.

- Eu votei na Dilma. E a maior decepção que eu tive foi o diálogo que ela não teve com a gente. Em março, no mês das mulheres, nós fomos até Brasília: 1.800 pessoas. E ela não nos recebeu. Mostrou que não dá importância nenhuma para as mulheres da Amazônia. Chamaram até a tropa de choque, mas a gente saiu pacificamente. Fomos para conversar, não para brigar. Saímos derrotadas, mas tentamos de novo entre o final de abril e o início de maio. E ela mandou alguém da Casa Civil pegar o documento que trazíamos. Viajamos três dias e duas noites. E a presidenta não nos escutou. Foi quando decidi não votar mais. Não compensa você votar em quem não te representa. Não compensa votar numa presidenta que é uma vergonha para as mulheres. Porque nós, mulheres, tínhamos de fazer a diferença. E como a Dilma está fazendo a diferença? Matando as mulheres da Amazônia? Matando os seres humanos que aqui sobrevivem? Matando a nossa floresta, as nossas espécies dentro do rio? Esta presidenta mulher está matando a nossa vida ao matar o Xingu.

Em seu discurso histórico na ONU, Dilma Rousseff afirmou: “Junto minha voz às vozes das mulheres que ousaram lutar, que ousaram participar da vida política e da vida profissional, e conquistaram o espaço de poder que me permite estar aqui hoje”. Ao ouvir essa parte do discurso, pensei que era de mulheres como Antonia Melo e Ana Alice que Dilma falava em sua retórica politicamente correta. E que deveria dar minha contribuição para que essas vozes que tentam alcançar Dilma, mas que por ela têm sido repelidas, pudessem ser escutadas – se não pela presidente, pelo menos pela sociedade brasileira.

Vozes das mulheres do Xingu, cuja vida, a cultura e o futuro dos filhos estão ameaçados pela política para a Amazônia da “mãe do PAC”. Como mulher urbana, moradora de São Paulo, que compreende que o que acontece na floresta repercute não só no Brasil, mas no planeta, diz respeito não só aos filhos e netos delas, mas também aos nossos, compartilho da mesma angústia ao testemunhar a imposição de Belo Monte e o início do rastro de destruição que ela já começou a provocar.

Gostaria que a primeira mulher presidente botasse em prática no Brasil o que disse nos Estados Unidos: “Quem gera vida não aceita a violência como meio de solução de conflitos”. Não por ser mulher, mas porque dignidade não depende de gênero.

(Eliane Brum escreve às segundas-feiras.)
OPINIÃO - 26/09/2011 10h42 - Atualizado em 26/09/2011 11h01
Devemos ter medo de Dilma Dinamite?

domingo, 2 de outubro de 2011

04 de outubro - Aniversário do Rio São Francisco.


O rio São Francisco, também chamado de Velho Chico, foi descoberto há mais de 500 anos (em 4 de outubro de 1501) pelos navegadores Américo Vespúcio e André Gonçalves. Os índios da região o chamavam de Opara (rio-mar), mas foi batizado de São Francisco, em homenagem a São Francisco de Assis, nascido no mesmo dia, 319 anos antes.

sábado, 1 de outubro de 2011

I Conferência Regional de Desenvolvimento Sustentável do Bioma Caatinga - A Caatinga na Rio+20 é tema na XXI Reunião Ordinária do CERBCAA/PE.











Em reunião realizada hoje na sede do IPA-Instituto Agronômico de Pernambuco, o Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga contou com a participação e apresentação sobre a Conferência Regional de Desenvolvimento Sustentável do Bioma Caatinga - A Caatinga na Rio+20, realizada pelos técnicos do Banco do Nordeste, Maria Clézia Pinto e Pedro Henrique F. Araújo.



Os técnicos explicaram que o Banco do Nordeste do Brasil, em parceria com o Instituto Nordeste XXI, irá realizar a I Conferência Regional de Desenvolvimento Sustentável do Bioma Caatinga - A Caatinga na Rio+20, nos dias 9, 10 e 11 de Novembro de 2011, na sede do Banco, em Fortaleza (CE). O evento tem como objetivos: Discutir a gestão do bioma Caatinga; Elaborar o documento intitulado "Declaração da Caatinga", que formalizará os compromissos a serem assumidos pelos governos e demais setores da sociedade para a promoção do desenvolvimento sustentável do bioma e por fim inserir, por meio da Declaração da Caatinga, as questões relacionadas ao bioma nas discussões da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável - Rio+20.


Mais informações e inscrições no site: http://www.caatinganariomais20.org.br/
(Fonte: O Nordeste.com)



Aventura Selvagem em Cabaceiras - Paraíba

Rodrigo Castro, fundador da Associação Caatinga, da Asa Branca e da Aliança da Caatinga

Bioma Caatinga

Vale do Catimbau - Pernambuco

Tom da Caatinga

A Caatinga Nordestina

Rio São Francisco - Momento Brasil

O mundo da Caatinga