quarta-feira, 13 de julho de 2011

PROGRAMA SUAPE SUSTENTÁVEL.


Heitor Scalambrini Costa
Professor da Universidade Federal de Pernambuco


Com grande pompa e manchetes nos jornais foi lançado no último dia 29 de junho o Programa Suape Sustentável. O governo estadual na tentativa de mostrar que trabalha em sintonia com os anseios da sociedade, e que tem um modelo de desenvolvimento sustentável para o Estado, anunciou um programa gerido por um fórum, que reúne o poder público, entidades da sociedade civil organizada e iniciativa privada, cujo objetivo é propor e executar ações sustentáveis conjuntas no complexo industrial portuário de Suape.

O conceito de sustentabilidade para este empreendimento significa para o atual governo, nada mais “do que um processo produtivo cada vez mais eficiente e com tecnologia avançada”, e que o “sacrifício ambiental é necessário, para que ocorra o crescimento econômico”. Uma lógica completamente desconectada com as exigências atuais, que exige que um empreendimento desta natureza conduza, além dos aspectos econômicos, a uma maior igualdade e justiça social, e a preservação ambiental. Também pouco se exerce da democracia participativa, pois ao se anunciar a participação de entidades da sociedade civil neste fórum gestor tripartite, nada é informado sobre quem são e quais critérios foram adotados para a escolha destas organizações.

Todavia, diferentemente do que é propagandeado, o que se constata da realidade destes municípios, identificados como “estratégicos”, é a falta de compromisso com as necessidades sociais de seus moradores como alimentação, habitação, vestuário, trabalho, saúde, educação, transporte, cultura, lazer, segurança. O caos urbano é uma evidência, com destaque aos problemas sociais crescentes como a violência, a insegurança, a exploração e crimes sexuais. Problemas de desrespeito as leis trabalhistas pelas empresas de Suape também são conhecidos e de conhecimento público.

Nos primeiros quatro anos do atual governo foi difundido com intensa propaganda e apoio incondicional da mídia pernambucana, a ilusão e a promessa de que o crescimento econômico via Suape, levaria a redução e até eliminação do quadro de pobreza vergonhosa e imoral. Contudo o que se destacou neste período foi o considerável passivo ambiental com o aumento dos conflitos provocados pela frouxidão dos órgãos estaduais responsáveis pelo controle, fiscalização ambiental, conservação e recuperação dos recursos naturais, tais como a Agência Pernambucana de Meio Ambiente – CPRH, e a paralisação da fiscalização e exoneração de servidores do IBAMA que atuavam junto ao complexo de Suape.

Lamentavelmente, em tempos mais recentes, o elogio fácil, a adesão por interesses pessoais e algumas vezes não republicanos, a ausência da crítica; inibiu completamente o debate necessário sobre que tipo de crescimento que esta ocorrendo no estado. Ao contrário do crescimento, que para constituir base de um desenvolvimento sustentável, tem de ser socialmente regulado, com o controle da população e com a redistribuição da riqueza.

Algumas pessoas e entidades foram cooptadas e trazidas para dentro do aparelho do Estado, e lá se neutralizaram se anestesiaram, se despolitizaram. O “oficialismo” tirou qualquer possibilidade de crítica e de reivindicação. Sindicalistas, militantes, ambientalistas tornaram-se assim, em muitos casos, funcionários do governo. Outros, por um erro de avaliação, acreditando na expectativa de uma mudança de postura no trato das questões ambientais, aprovaram a transformação da antiga Secretaria de Ciências, Tecnologia e Meio Ambiente-SECTMA em Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade-SEMAS, e apoiram como seu titular o ex-presidente estadual do Partido Verde, candidato a governador em 2010, Sergio Xavier. Deram um “cheque” em branco a um governo que durante os quatro anos do seu primeiro mandato em nenhum momento discutiu e aceitou, mesmo que parcialmente, as reivindicações e ponderações do movimento ambientalista. Esqueceram a lei proposta pelo governador e aprovada em abril de 2010 pela Assembléia Legislativa, que autorizou o desmatamento de 691 hectares de vegetação nativa (508 hectares de mangue, 17 de mata atlântica e 166 de restinga) em Suape.

Agora chegou o Programa Suape Sustentável, com muita propaganda e marketing, seguido de declarações otimistas de quem está dentro e acha que faz o máximo, tentando passar a sensação de realmente estar mudando, transformando o Estado, começando a virada, criando as condições para um desenvolvimento sustentável. Assim, só é otimista quem precisa por dever de ofício animar o auditório.

Resta aos iludidos, para aqueles que não aceitam mais trocar “o seis por meia dúzia”, nem aceitam o falso discurso da novidade e dos novos caminhos, o fortalecimento dos movimentos sociais, da sociedade civil, pois só assim poderemos nos mobilizar e garantir a elevação da qualidade de vida dos pernambucanos.

terça-feira, 12 de julho de 2011

GRANDE SÃO PAULO VAI BUSCAR ÁGUA NO VALE DO RIBEIRA.


Sabesp investe R$ 1 bi para fazer captação a quase 80 km da capital; projeto garante abastecimento da região só até 2020. É a primeira vez que a captação ocorre fora da região metropolitana; escassez tende a piorar, afirma especialista.

VANESSA CORREA EDUARDO GERAQUE.
FOLHA DE SÃO PAULO.

Sem outras alternativas viáveis, a Sabesp -empresa de água que abastece boa parte da Grande São Paulo- vai investir R$ 1 bilhão até 2016 em um único projeto.

O objetivo é não perder a guerra contra a escassez. Mesmo assim, a realização da obra será apenas mais uma batalha, pois o fornecimento da região estará garantido apenas até 2020.

"Este é o último sistema pronto. Depois dele, teremos que buscar água cada vez mais longe" diz Dilma Pena, diretora-presidente da Sabesp e ex-secretária estadual de Saneamento e Energia.

Em cinco anos, parte dos paulistanos da zona sul e oeste, ao abrirem a torneira, vão consumir água carregada por quase 80km.

A captação será em uma represa entre as cidades de Juquitiba (72 km de SP) e Ibiúna (69 km de SP), na bacia do rio Ribeira de Iguape, no vale do Ribeira.

Será a primeira vez que a captação de água para a Grande São Paulo será feita fora da região metropolitana.

Segundo o engenheiro responsável pelo projeto executivo da obra, Ivanildo Calheiros (da empresa Concremat), além da distância, há outro desafio: a água terá que vencer um desnível de 360 m para chegar aos paulistanos.

MANANCIAIS.

O objetivo da Sabesp é até o final do ano contratar a empresa que fará as obras, a serem concluídas em 2016.
Será uma parceria público-privada e a vencedora poderá lucrar com a venda da água (por um período ainda não determinado).

Se tudo correr como o esperado, a nova captação vai gerar produção de até seis mil litros por segundo. O que significa 9% do que a Sabesp vende na Grande São Paulo.

A empresa atende 15,9 milhões de pessoas na zona metropolitana. E produz 67 mil litros de água por segundo.
Segundo Pena, a relação custo/benefício da obra é positiva. "Teremos competição [nalicitação]",afirma.

Mesmo se o projeto estiver funcionando em 2016, a segurança hídrica da metrópole está garantida só até 2020, indicam as estimativas da própria Sabesp. Mas, segundo Dilma Pena, também será preciso reduzir as perdas para dar conta da demanda.

Para Miron da Cunha, vice-presidente do Comitê da Bacia do Alto Tietê, a situação tende a ser mais dramática nas próximas décadas.

"A saída é cuidar da qualidade dos mananciais. Sob pena de sobrar só água muito poluída para o consumo."
Demanda vai gerar disputa, diz especialista. Sabesp estuda captar água em outras bacias.

DE SÃO PAULO.

"Já não temos mais água para captar na região metropolitana de São Paulo. E cada vez que se vai buscar mais longe, você vai dando cotoveladas nos vizinhos", analisa Mônica Porto, especialista em recursos hídricos da Escola Politécnica da USP.

Segundo Porto, fora o vale do Ribeira [onde será feita a nova captação], o restante das cidades do Estado têm uma demanda muito grande por água e haverá disputa.

Hoje, a "cotovelada" só ocorre na região da bacia do Piracicaba, de onde São Paulo traz quase metade da água que consome. "Óbvio que a região de Piracicaba quer diminuir essa transposição. Mas São Paulo precisa dessa água", afirma Porto.

As próximas "cotoveladas" poderão ser dadas nas cidades do Tietê na região de Barra Bonita, em municípios do vale do Paraíba ou até mesmo nos locais no entorno do rio Paranapanema.

A Sabesp estuda captar água em todos esses lugares, segundo Pena, mas ainda não há projetos prontos.

Para abastecer as cidades da Grande São Paulo, a empresa, hoje, usa água de outras bacias. Ela capta, por exemplo, na área do rio Piracicaba e transpõe a água para o sistema Cantareira.

Para a especialista da USP, já não faz mais sentido planejar o abastecimento da região metropolitana sozinha.


O foco deve ser a macrometrópole, que inclui a Baixada Santista e as regiões de Sorocaba, Campinas e São José dos Campos.

por João Suassuna — Última modificação 11/07/2011 09:19

O AMBIENTALISMO 'COLECIONA' DERROTAS, MAS DESISTIR NÃO É OPÇÃO.


Artigo de Henrique Cortez.
Publicado em julho 8, 2011 por HC.
http://www.ecodebate.com.br/2011/07/08/o-ambientalismo-coleciona-derrotas-mas-desistir-nao-e-opcao-artigo-de-henrique-cortez/
Tags: crise ambiental, reflexão, sociedade

[EcoDebate] A causa socioambiental passa por momentos difíceis, com seguidas derrotas. ‘Novo’ Código Florestal, Belo Monte, usinas no rio Madeira, transposição do Rio São Francisco, expansão do programa nuclear, poluição atmosférica crescente em nossas cidades, contaminação de alimentos e da água por agrotóxicos, abandono completo dos mais elementares cuidados de biossegurança, criminalização dos movimentos sociais, reforma agrária patinando e por aí vai.

Uma observação minimamente crítica indica que tivemos pequenos avanços pontuais e enormes derrotas estratégicas. Os movimentos sociais e populares discutem o que fazer e como identificar as melhores estratégias.

A discussão é pertinente e importante, mas devemos ter o cuidado de observar a estratégia que está por trás dos planos do governo. Estas estratégias estão interligadas e focadas no modelo de desenvolvimento, o desenvolvimentismo produtivista.

Em primeiro lugar, a insustentável expansão da fronteira agropecuária, incentivada pela exportação de grãos e carne, segue implacável.

Em segundo lugar, defende-se a expansão produtivista da capacidade de geração de energia elétrica, ‘esquecendo-se’ de que 20% de nossa energia firme é consumida pela indústria eletrointensiva (quase 500 empresas). Quase 80% das novas usinas projetadas e licitadas foram concebidas para atender este segmento industrial “energívoro”. É o caso das usinas do rio Madeira e de Belo Monte. Este segmento dedica-se, essencialmente, à exportação, tal como o alumínio primário, o que nos faz grandes exportadores de energia e água virtuais.

Na verdade, deveríamos iniciar as discussões sobre este modelo econômico neocolonial escorado na exportação de produtos primários, com destaque para minério, carne e grãos. É necessário questionar a quem serve este modelo e a quem beneficia.

Em terceiro, observem que existe uma estratégia cuidadosamente orquestrada, que inclui temas que, aparentemente, fazem parte de uma agenda secreta. É o caso das usinas do Madeira e Belo Monte, porque parece claro o interesse na hidrovia, novamente para atender aos exportadores de produtos primários.

Quanto ao rio São Francisco, já sabemos as verdadeiras razões da transposição. Mas qual é a lógica de criar novas usinas no rio, inclusive usinas nucleares?

Uma usina nuclear nada mais é do que uma usina termelétrica. Ou seja, simplificadamente, é uma gigantesca caldeira que através da queima de um combustível (gás, carvão ou nuclear) aquece água em alta pressão para girar uma turbina. Uma usina termelétrica, nuclear ou não, com 1,3 mil MW consome, por dia, água equivalente a uma cidade de 100 mil habitantes.

Na atual situação do São Francisco isto seria maluquice, certo? O governo acredita que não, por causa do “adormecido” projeto de transposição do Tocantins para o São Francisco. Este projeto, de Furnas, foi finalizado em meados do primeiro ano do Governo Lula (vejam em http://www.sfiec.org.br/artigos/infraestrutura/Transposicao_tocantins.htm). O então superministro José Dirceu falou do assunto várias vezes (vejam em http://www.planobrasil.gov.br/noticia.asp?cod=236).

Usinas nucleares também atendem a interesses militaristas. Desde o início do primeiro mandato do governo Lula, ocorreram várias defesas da bomba atômica e vários desmentidos, mas a freqüência com que o assunto volta a tona indica que a agenda nuclear militar pode estar adormecida, mas não está morta.

Bem, esta é apenas uma amostra do que pode estar acontecendo nos bastidores e indica que nossas propostas, quaisquer que sejam, serão solenemente ignoradas.

Os governos, e Lula o fez intensamente, reclamam dos ambientalistas, dos índios, dos quilombolas, dos ribeirinhos, do ministério público, do poder judiciário, dos movimentos sociais e de todos os que não concordam com esta opção pseudo-desenvolvimentista. E reclamam com razão, porque estes segmentos da sociedade não aceitam este modelo de desenvolvimento a qualquer custo.

Fomos considerados adversários porque recusamos este modelo de desenvolvimento neocolonial e porque somos um risco a esta orquestração e ao atendimento da agenda neoliberal. Esta é a essência dos ataques à legislação ambiental e da “flexibilização” dos licenciamentos.

Engana-se quem imagina que esta estratégia nasceu no governo Lula e foi herdada por Dilma. Ela é antiga e possui suficiente força econômica e política para manter-se ativa em quaisquer governos.

Como já disse antes, não vejo, de fato, qualquer diferença real entre o “desenvolvimentismo” de direita e o “desenvolvimentismo” com rótulo de esquerda. Nos dois casos, os perdedores são os mesmos de sempre.

O pragmatismo de governar, atendendo aos grandes interesses econômicos, acolhe em sua base de apoio políticos com longa e consolidada trajetória fisiológica.

Uma visão mais crítica e isenta elimina a ambigüidade e define claramente quem é quem. Quem tem um projeto de poder e quem tem um projeto de país.

Muitos acreditam que um outro Brasil é possível e necessário, meta da qual não nos “cansamos”. Podemos estar aborrecidos e frustrados, mas, definitivamente, não estamos desmotivados e muito menos “cansados”.

O lado bom da história é que esta tragédia anunciada não é irreversível, porque ainda é possível discutir e questionar este equivocado modelo de desenvolvimento. Podemos e devemos tentar mudar o curso deste governo eleito para ser democrático e popular. É o nosso papel e não podemos abrir mão dele.

Teremos o futuro que fizermos por merecer. Nem mais, nem menos.
Portanto, vamos à luta.

Henrique Cortez, henriquecortez@ecodebate.com.br
coordenador do EcoDebate
EcoDebate, 08/07/2011

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por João Suassuna — Última modificação 08/07/2011 08:38

VASOS QUEBRADOS PARA O MINISTRO DA INTEGRAÇÃO.


Artigo de Roberto Malvezzi (Gogó).

Dez anos do Comitê de Bacia do São Francisco.

Quando um grupo de mulheres atravessou a plenária com vasos de água e flores, postou-se diante da mesa da plenária do Comitê de Bacia do São Francisco, diante dos olhos interrogantes da mesa e do ministro Fernando Coelho, toda a platéia acompanhava a bela cena com olhos atentos.

Quando jogaram os vasos no chão, derramando lama sobre os tapetes do auditório do SENAI em Petrolina, nessa manhã do dia sete de Julho, a mesa ficou perplexa.

Então, tomando o microfone, a representante das comunidades do rio Salitre, um afluente do São Francisco em agonia, em outras palavras disse: “estamos aqui, nesses dez anos de Comitê da Bacia, para dizer que estamos passando sede e estamos com falta de energia. Por várias vezes tivemos que derrubar os postes para cancelar o acesso das bombas à água. Agora derrubamos mais cinco. Acabaram com nosso rio, fizeram o projeto de irrigação, mas não temos acesso à água. Sem energia não temos eletrodomésticos, nossas escolas não funcionam, as vacinas do posto de saúde se estragaram, nossas casas estão às escuras. Essa é a realidade triste do Salitre, um rio acabado. Queremos água, queremos que nossos direitos sejam respeitados”.

O grupo voltou a sair em ordem, sob o olhar patético da mesa. Houve um longo silêncio, o clima de triunfalismo dos dez anos não tinha mais concerto. Depois de uns dez minutos em silêncio, então a cerimônia foi retomada.

O discurso do presidente do Comitê foi honesto. Há um futuro pela frente, com metas de pôr água para todos em dez anos, de sanear todo o rio em vinte anos. Falou na revitalização hidroambiental do rio, para isso é necessário um bilhão de reais por ano, por vinte anos.

O antigo presidente do Comitê, José Carvalho, retomou o protesto dos salitreiros, disse que sabe haver muitos desafios, mas que é preciso avançar. Disse que obras como a Transposição, a história julgará.

O Comitê não é o que diz de si mesmo, mas tem contribuído nesse debate do rio, dos rios, posicionou-se contra a Transposição e, publicamente, posicionou-se contra a energia nuclear no São Francisco.

A história nos julgará, embora contada pelos vencedores, sempre haverá um grupo de mulheres ou os cocares dos Truká para dizer que a história verdadeira tem rostos que história oficial teima em não enxergar.

Roberto Malvezzi é da CPT, Bahia - robertomalvezzi@oi.com.br
É o Núcleo de Estudos e Articulação sobre o Semiárido (NESA), da Fundação Joaquim Nabuco, divulgando a realidade do Nordeste seco.
por João Suassuna — Última modificação 07/07/2011 16:23

MINISTRO FERNANDO BEZERRA LIBERA R$ 85 MI PARA REVITALIZAÇÃO DO VELHO CHICO.



O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, na 19ª plenária do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, que ocorre em Petrolina de hoje até o próximo sábado, autorizou ações de revitalização em diversos municípios pernambucanos. Na reunião que comemora os 10 anos de instalação do Comitê foram liberados por ele (ministro) R$ 85 milhões para obras de esgotamento sanitário de cidades ribeirinhas ou que estão localizadas às margens do rio.

A partir da autorização do ministro FBC, Codevasf e Compesa vão levar tratamento de esgoto para mais oito cidades de Pernambuco. O saneamento será retomado em Bodocó, Santa Terezinha, Buíque e Exu; a obra de esgotamento entrará na segunda etapa em Floresta e Trindade; enquanto Itacuruba e Petrolândia receberão o saneamento pela primeira vez, informou hoje a asessoria do Ministério.

As obras de saneamento de Granito e Belém do São Francisco, ora em execução, e de Santa Maria da Boa Vista (com mais de 92% conclu...
Fonte para edição no Rema:
Sérgio Kelner - sergio.kelner@gmail.com

domingo, 10 de julho de 2011

SITUAÇÃO VOLUMÉTRICA DOS RESERVATÓRIOS DAS HIDRELÉTRICAS DA CHESF.


08/07/2011.

Cerca de 95% da energia elétrica gerada no Nordeste são provenientes do rio São Francisco. Estamos iniciando uma atividade semanal de informação aos interessados, dos estágios em que se encontram os níveis de acumulações volumétricas dos principais reservatórios da Chesf, na bacia do Velho Chico. No caso específico da região do Sub-médio São Francisco, local onde é gerada a maior parte da energia elétrica do Nordeste, os reservatórios - principalmente o de Sobradinho - acumulam água no período de novembro a abril, para disponibilizarem os volumes acumulados, no processo de regularização das vazões do Velho Chico, no período de maio a outubro. Estamos no dia 08/07/2011, portanto, em período no qual os reservatórios estão numa fase de disponibilização volumétrica. Acompanhem a evolução desse processo, nos endereços abaixo, clicando no canal “Bacia do Rio São Francisco”.

Dia 08/07/2011

Sobradinho – 80,1%

Itaparica – 93,1%

Xingó – Não há percentuais acumulatórios, tendo em vista o rio correr a fio d´água (Afluência – 1819 m³/s /


Defluência – 1925 - m³/s).

Fonte: Chesf

DIREITOS E TERRAS INDÍGENAS DO NORDESTE.


Após a CF de 1988, que consolidou direitos indígenas e reconheceu sua autonomia jurídica e política, o estado brasileiro definiu novos parâmetros na relação com esses povos. Os direitos foram ratificados por acordos externos, como a Convenção 169 da OIT e a Declaração da ONU sobre direitos indígenas. Com isso, o reconhecimento à autodeterminação ganhou relevância no Nordeste, onde é marcante a exclusão desses direitos, sobretudo quanto à demarcação territorial.

DIARIO DE PERNAMBUCO
Recife, sexta-feira, 8 de julho de 2011
Opinião, p. B5
Marcondes Secundino
Antropólogo e coordenador do NEIN/Fundaj
marcondes.secundino@fundaj.gov.br
Ivson José Ferreira
Antropólogo da Funai/PE
Manoel Uilton dos Santos
Coordenador geral da Apoinme.

A região referida é o Nordeste Legal, segundo a Sudene, que exclui o Maranhão e inclui o norte de Minas e o Espírito Santo. Do ponto de vista geopolítico, é a região de referência das ações indigenistas do estado e do movimento, que nela estrutura sua atuação e representação, como a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do NE, MG e ES (Apoinme).

Com tal entendimento, o Núcleo de Estudos Indígenas (Nein/Fundaj), junto ao Museu Nacional/UFRJ, Apoinme e Finep/MCT, criou o Sistema de Monitoramento das Terras Indígenas nessas áreas. Os dados dão destaque à região no plano nacional. Hoje, são cerca de 80 povos indígenas, distribuídos nos estados da região, demandando 110 situações territoriais. Isso representa a segunda maior população indígena do Brasil, ou seja, 30% do total em 2010, segundo o IBGE. Só BA e PE detêm a terceira e a quarta população indígena do país.

O Sistema de Monitoramento dá continuidade, amplia e atualiza a iniciativa pioneira que originou o Atlas das Terras Indígenas do Nordeste (1993), organizado pelo antropólogo João Pacheco de Oliveira do Museu Nacional/UFRJ, cuja abrangência se restringia ao submédio São Francisco. Agora, o novo Atlas será editado com o mapeamento total dos povos e terras indígenas, segundo sua localização por municípios e estados, bem como fornecerá informações sobre impactos e sobreposições de ações governamentais e empreendimentos privados em Terras Indígenas (TIs), além do diagnóstico atual do processo de demarcação das TIs.

Ver-se-á, assim, que, em relação ao processo demarcatório, apenas 25% das TIs da região estão regularizadas. Desse percentual, a maioria ainda está ocupada por não-indígenas. Com isso, restringe-se o domínio dos índios e o pleno direito sobre as TIs, o que fere a legislação nacional e internacional. E mais: considerando as TIs que ainda não foram demarcadas, e as que aguardam providências, o CE é o primeiro no ranking regional com 95%, seguido por AL, 90,9%; MG, 73,3%; SE, 66,7%; BA, 65,5%; PE, 64,7%; e PB , 50%. O ES é o único com 100% das TIs regularizadas. Focalizando apenas as reivindicações ‘sem providência’, preocupa a situação de SE, AL, CE, MG, PB, PI e RN.

Nesse aspecto, o mapeamento atual – em breve no site da Fundaj – subsidiará intervenções qualificadas do estado nas áreas indígenas e políticas públicas diferenciadas, além de oferecer diagnóstico do estágio atual da demarcação das TIs e assim assegurar os direitos territoriais constitucionais. E poderá contribuir com iniciativas do Governo Federal, como o Política Nacional de Gestão Ambiental e Territorial das Terras Indígenas, já anunciado pela presidente Dilma Rousseff durante a mobilização indígena em Brasília em abril último.

por João Suassuna — Última modificação 08/07/2011 10:41

Aventura Selvagem em Cabaceiras - Paraíba

Rodrigo Castro, fundador da Associação Caatinga, da Asa Branca e da Aliança da Caatinga

Bioma Caatinga

Vale do Catimbau - Pernambuco

Tom da Caatinga

A Caatinga Nordestina

Rio São Francisco - Momento Brasil

O mundo da Caatinga