sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Sucesso sustentável no sertão ameniza o impacto da seca.

Sociedade nordestina se mobiliza para construir cisternas e outros tipos de unidades de captação de água para quase 500 mil famílias.


A cisterna de calçadão de Antonio abastece toda sua família
Foto: Hans von Manteuffel
Uma experiência da sociedade civil mostra que é possível enfrentar o difícil clima do semiárido nordestino sem gastar rios de dinheiro. O Nordeste costuma ter a imagem associada à fome, à sede e à pobreza provocadas pela seca. A região abriga o mais populoso semiárido do planeta. São 22 milhões de habitantes, distribuídos em 1.133 municípios, que se espalham por 915 mil quilômetros quadrados.
Curiosamente, a área é tida, também, como o semiárido mais chuvoso do mundo, com registros de precipitações pluviométricas que chegam a 800 milímetros anuais. As chuvas, no entanto, são concentradas em determinadas épocas do ano.
Como resultado a conta não fecha, porque a água da chuva evapora rapidamente devido aos altos índices de insolação da Caatinga. Em poucos meses, a água acaba.
Os programas governamentais têm alcançado resultados pífios na amenização dos efeitos da seca, seja com medidas assistencialistas ou com a realização de obras que consumiram décadas de trabalho e dinheiro. Mas um trabalho bem-sucedido buscou soluções simples e baratas.
Ele é resultado da maior mobilização da sociedade civil no Nordeste, onde três mil entidades - entre sindicatos, associações comunitárias, instituições religiosas, organizações não-governamentais e conselhos municipais - participam da Articulação no Semiárido. A rede ASA, como é mais conhecida, surgiu em 1999, com a proposta de implantar 1 milhão de cisternas no agreste e no sertão nodestinos, para garantir água potável a 5 milhões de famílias.
A ASA criou o PM1C, o Programa Um Milhão de Cisternas que, pouco a pouco, muda a paisagem e a vida do sertanejo, antes fadado a andar até dez quilômetros por dia para conseguir uma lata de água, muitas vezes de má qualidade, para abastecer a família. As cisternas implantadas pela ASA somam hoje mais de 476 mil unidades de 16 mil litros em residências e mais 850 de 52 mil, em escolas que antes dependiam do carro-pipa para ter acesso à água.
De acordo com a ASA, a boa administração da chamada cisterna de placa, que capta água pluvial, garante o consumo doméstico de água fica garantido nos meses de escassez de chuva. De tecnologia simples e barata (a implantação custa R$ 2,4 mil por unidade), os reservatórios provocaram grandes mudanças na vida dos sertanejos.
Sem precisar passar tanto tempo em busca de água, eles puderam se dedicar mais às pequenas plantações que sustentam suas famílias. Educação e lazer se tornaram acessíveis pela primeira vez para algumas das famílias beneficiadas.
Moradora do sítio Pai Antônio, na comunidade de Caiana, em Campo Grande, Rio Grande do Norte, a agricultora Damiana Fernandes da Silva, de 39 anos, não gosta nem de lembrar da vida que levava antes:
- Ave Maria, a mudança é grande! - comemora, mostrando a cisterna que abastece a família de cinco pessoas. - Quando não tinha inverno (referindo-se à estação chuvosa), a gente cavava a mão um poço ou o leito do rio, procurando água. Para lavar a louça, andava com a bacia na cabeça por mais de dois quilômetros. Naquele tempo morria muita criança de diarreia. Hoje tenho água em casa. No dia 19 de abril, em uma só noite, caiu uma chuva que encheu tudo.
Se somadas as cisternas domésticas a outras iniciativas de captação e conservação de água, as 80 famílias do vilarejo vivem do que plantam, em pleno sertão. Além do milho e do feijão, Damiana cultiva hortaliças, frutos e plantas medicinais. O mesmo acontece com os lavradores da cidade vizinha de Areia Branca, a 232 quilômetros de Natal.
Embora ainda não tenha atingido o objetivo traçado de implantar 1 milhão de cisternas, a ASA já começou a executar uma iniciativa complementar: o Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), que consiste no uso de tecnologias simples que garantam água para os animais e a lavoura de famílias do sertão.
Neste segundo programa, até o momento, já foram implantadas quase 19 mil unidades de captação de água. São barragens subterrâneas, barraginhas (diversas pequenas barragens), BAPs (bombas de água) e barreiros-trincheiras (construídos sob o solo). Outras tecnologias, tão simples quanto as necessidades do homem da Caatinga, também vêm sendo implementadas pelo programa, como tanques de pedras e caldeirões, além de cisternas de vários tipos, como a calçadão e a enxurrada. Essas técnicas aproveitam a água da chuva e garantem às famílias água para seus pequenos rebanhos e para o plantio. Enquanto o primeiro programa era voltado apenas para o abastecimento da casa.
Processo libertador
Iniciativas como estas permitiram aos moradores de Caiana atravessar a última seca, tida como a maior dos últimos 50 anos, sem o registro de mortes de animais. Além das cisternas, a comunidade conta com uma BAP, instalada em um poço que passou duas décadas desativado. A água não é lá essas coisas, mas mata a sede do rebanho. Com cinco filhos, João Fernandes Nogueira, 59 anos, e a mulher, Rita Maria de Paula, de 49, garantiram o abastecimento familiar com a cisterna. Já com o poço, conseguiram manter o roçado e os bichos.
- Tenho 15 bodes e algumas ovelhas, e nenhum morreu na seca, devido à água do poço, que também serviu para lavar louça e as roupas - conta ele. - Conseguimos plantar milho, feijão, melancia e jerimum.
Perto dali, José Maria da Costa, 55, e a mulher, Expedita Almeida Fernandes, 51, também comemoram: os dezoito bois, as cinco ovelhas e os três bodes sobreviveram à seca. Eles conseguiram dar água aos animais com uma barraginha, que também serviu à plantação. Antes obrigado a andar três horas por dia atrás de água, o jumento Cabano está agora aposentado no pasto.
Outra moradora, Maria Nogueira, de 80 anos, com seis filhos, comemora. Ela nasceu em 1932, ano de uma grande seca. E já perdeu as contas das outras que enfrentou. Hoje, com duas cisternas, tem seis cabeças de gado e dez ovelhas que sobreviveram à seca. Seu filho vendeu seis bois durante a estiagem.
Na semana passada, a ASA reuniu mais de 2 mil pessoas no município de Areia Branca, a 232 quilômetros de Natal, para participar da inauguração de implementações do P1+2. Para este projeto, a organização vem ganhando apoio importante do governo federal - através do Ministério do Desenvolvimento Social e de Combate à Fome - e de empresas e bancos estatais, como a Petrobras, o BNDES e o Banco do Brasil. Na festa, um dos mais eufóricos era Antônio Pinheiro, o seu Totonho, de 65 anos, do sítio Boa Sorte, em Areia Branca, que exibia orgulhoso os produtos do roçado. Em sua propriedade, há cisterna de placa, cisterna de enxurrada e, por conta própria, fará um barreiro-trincheira.
- Eu antes via a chuva e ficava triste, vendo a água escorrer e ir embora. Agora não posso mais reclamar - comemora.
Na semana passada, o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, José Miranda Formigli, confirmou repasse de R$200 milhões à ASA, que permitirão a implementação de 20 mil de unidades do P1+2, para beneficiar famílias de 210 municípios nordestinos. Ele também prometeu doar poços perfurados pela Petrobras a comunidades do sertão do Rio Grande do Norte. No estado, fica o maior campo terrestre de extração de petróleo do país.
Para Naidison Baptista, um dos coordenadores da ASA, essas tecnologias simples, associadas a uma grande rede de proteção social, fazem o homem da Caatinga passar por um processo libertador:
- Com água em casa, as pessoas entraram em uma outra dimensão da cidadania. Com o prolongamento da seca, a água de muitos desses reservatórios até se acabou. Mas muitas comunidades, em vez de entrar na fila para mendigar a água, pediam a pipa para abastecer suas cisternas. Em Pernambuco e no Rio Grande do Norte, houve vilarejos onde os prefeitos queriam escolher os beneficiados pelos carros-pipas. Mas os moradores disseram a eles: "sua tarefa é abastecer, o processo de distribuição é conosco".
Questionado sobre o motivo dessa mudança, ele lembra que os beneficiados pelo programa não precisam mais trocar o voto por água. Sendo impossível combater a seca, argumenta, não resta outra solução senão conviver com ela.
- Há duas questões fundamentais - aponta Baptista. - A primeira é o acesso à terra. Temos 2 milhões de famílias de pequenos agricultores que vivem no semiárido. Eles representam 42% de toda a agricultura familiar do país, mas ocupam apenas 4,2% das terras agricultáveis. A segunda é que precisamos desenvolver uma nova mentalidade, tecnologias e concepção de estoque. Estoque de água, alimentos, sementes e animais adaptados para o semiárido. Se criarmos esse arcabouço, pode vir a seca que for, as pessoas vão aprender a conviver.
(Letícia Lins / O Globo)
 
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João Suassuna - Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, Recife


A questão do abastecimento das populações difusas no Semiárido nordestino faz parte do nosso discurso contrário ao projeto da transposição do rio São Francisco. Não há clareza, no referido projeto, sobre a forma como a qual as águas do rio São Francisco irão abastecer esse contingente populacional.  O que está claro no projeto é que, uma vez abastecidas as principais represas nordestinas, a água do Velho Chico irá beneficiar, única e tão somente o grande capital, atendendo a irrigação pesada, os criadores de camarão e as indústrias. Para abastecer o povo que precisa e que vive de forma difusa no Semiárido - nos grotões, nos pés de serra, nos sítios e nos pequenos lugarejos - esse contingente populacional que vive, atualmente, sendo assistido por frotas de caminhões pipa, ele continuará assistido por essa modalidade de abastecimento, no nosso modo de entender é exatamente aí onde reside a verdadeira indústria da seca. A mobilização da sociedade nordestina se mostrou importantíssima, para alertar as autoridades sobre as reais possibilidades de solução do problema, com tecnologias mais simples, baratas e funcionais.  
 
 
por João SuassunaÚltima modificação 01/08/2013 09:23

As águas do Castanhão (CE) podem atender 50 cidades durante dois anos

O Castanhão é um dos poucos reservatórios que poderá suprir demandas, mesmo num quadro de seca até 2015.


http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1298937

Russas. Mesmo estando no terceiro ano sem receber recarga d´água significativa, o maior reservatório do estado do Ceará, o Castanhão, ainda consegue garantir sua atual demanda de abastecimento por mais dois anos. Trata-se de uma exceção, em vista da baixa capacidade da maioria dos reservatórios do Estado. Nas condições atuais, apenas 50 cidades, dos 184 municípios cearenses, contariam com reservas até 2015, num quadro de recargas insignificantes.

Apesar da recarga insuficiente ocorrida no maior reservatório do Estado, a expectativa é que o fornecimento para Fortaleza e também perímetros irrigados recebam água, considerando, inclusive os níveis de evaporação FOTO: ELLEN FREITAS
A Agência Nacional de Águas (ANA) realizou um amplo trabalho de diagnóstico e planejamento nas áreas de recursos hídricos e saneamento no Brasil, com foco na garantia da oferta de água para o abastecimento das sedes urbanas em todo o País.

No diagnóstico, nomeado de Atlas de Abastecimento Urbano de Água, foi verificado que a situação dos mananciais e dos sistemas produtores de água quanto ao atendimento das demandas hídricas futuras no Ceará. Dos 184 municípios cearenses, 134 município necessitam de investimentos, seja para ampliação de sistemas de abastecimento ou novos mananciais. Também sobre a situação de oferta da água, tendo como referência os pontos de captação de água bruta, o diagnóstico apontou que a maior parte dos mananciais isolados (superficial/misto ou subterrâneo) estão em localidades com população inferior a 50 mil habitantes.

Dos 184 municípios estudados, o diagnóstico aprontou que 133 requerem investimentos em abastecimento de água, resultado do saldo negativo (déficit) entre a oferta e demanda de água. Nos próximos dois anos, o Castanhão ainda garante a demanda de água para Capital e outras regiões.

Recarga

Segundo afirmou o coordenador geral do Complexo Castanhão, José Ulisses de Souza, do DNOCS, a água esta sendo usada "de forma disciplinada".

As chuvas deste ano resultaram em uma recarga de 50 milhões de m³ para o açude, volume considerado "insignificante" pelo coordenador. Atualmente, o Castanhão encontra-se com 3,3 bilhões de m³, representando 50,44% de sua capacidade total de armazenamento. Porém, a demanda anual é estimada em 1 bilhão de m³, mas segundo Ulisses, esse valor não chega a ser utilizado.

"A gente tem uma demanda anual prevista de 1 bilhão de m³, mas nós só utilizamos cerca de 850 milhões de m³ e isso nos garante uma cerca folga se houver necessidade de aumento desta demanda. Como a chuva foi praticamente zero nos últimos três anos, estamos utilizando a água de forma disciplinada", explica Ulisses.

Essa demanda é especialmente para o abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza e para perenização do rio Jaguaribe, onde nele há a captação da água para o perímetro irrigado Jaguaribe/Apodi, no Vale do Jaguaribe. Atualmente o açude bombeia 10 mil litros por segundo de água para o abastecimento da capital através do canal Eixão das Águas e libera mais 12 mil litros por segundo para o rio Jaguaribe, até a cidade de Fortim, beneficiando uma população de cerca de 600 mil pessoas. Mesmo que haja mais dois anos de seca, o reservatório possui recursos para continuar atendendo a esta demanda.

Contraste

A cada semestre ou a caráter emergencial, os Comitês de Bacias, a Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh) e o Dnocs solicitam a atualização da válvula dispersora que libera água do Castanhão no leito do rio Jaguaribe. Este ano a válvula chegou a soltar 18 mil litros por segundo, reduziu a liberação para 14 mil l/s e manteve o fluxo nos atuais 12 mil l/s.

A diminuição em pouco mais de 9 metros do nível do Castanhão afetou negativamente a aquicultura. A criação de tilápia no açude responde por 45% da produção anual cearense, que atualmente gira em torno de 27 mil toneladas de peixe no Estado. Por outro lado é notório o contraste na região no entorno do açude. Comunidades circunvizinhas ao açude sofrem com o abastecimento de água. Localidades de Nova Jaguaribara, onde a antiga cidade foi desapropriada para construção do açude, passam sede e recebem água através de carros pipa.

Mais informações
Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos
(Cogerh)
Rua Adualdo Batista, 1550
Telefone: (85) 3218.7020

ELLEN FREITASCOLABORADORA

Apreensão persiste em Novo Oriente
Novo Oriente. Populações deste município e de Crateús estão preocupadas com o abastecimento de água em 2014. Ao ver a água saindo do Açude Flor do Campo e escorrendo de forma rápida pelo leito do Rio Poty em direção ao Açude Carnaubal, em Crateús, na operação realizada pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) a população deste município começa a ficar temerosa com relação ao seu futuro hídrico. Como ficaremos ano que vem se não houver um bom inverno? É a pergunta que não quer calar dos cidadãos novorientenses.

Moradores de Novo Oriente chegaram a ocupar as margens do reservatório, a fim de impedir a transferência de água até a cidade de Crateús. O medo é que as reservas fique mais baixas e ambas as cidades sejam prejudicadas FOTO: SILVÂNIA CLAUDINO

Na verdade, a pergunta traz em si uma preocupação comum à população também da cidade de Crateús, que recebe a água com a segurança de que em um período de sete meses - até fevereiro de 2014, segundo a própria Cogerh - estará abastecida, e ao mesmo tempo com a incerteza de que em um futuro próximo o colapso poderá de fato se concretizar, caso não haja aporte nos reservatórios pela falta de chuvas, tal como aconteceu na quadra chuvosa deste ano.

Fatores climáticos e ambientais, como o desperdício de milhões de metros cúbicos de água - anunciado pela própria Companhia em seu plano - que ocorrerá na transferência, evaporação intensa nos próximos meses, mortandade de peixes e a incerteza sobre a quadra invernosa de 2014 geram na população a sensação de insegurança quanto ao futuro hídrico na região.

Desperdício
O agricultor José Benevaldo, de Novo Oriente lamenta a transferência e o percentual de água que será desperdiçado na operação. "Fui contra abrir desde o começo porque estraga muita água. A água chega a Crateús, como dizem os técnicos, mas perde muito. E como vai ficar depois, se não chover?", indaga.

"Sou contra porque haveria meios de levar com mais segurança, com a adutora, que economizaria muita água e depois poderia ser utilizada em projetos de irrigação. Temo que não chova e ano que vem todos nós fiquemos sem água. E ainda que a água fique pouca e os peixes morram e aí a água ficará imprópria para consumo", diz o pescador Ronildo da Costa, que mora nas proximidades do açude.

O Açude Flor do Campo, atualmente com 14,2 milhões de metros cúbicos de água é um dos poucos reservatórios com razoável volume de água na região, que sofre com a estiagem prolongada desde 2012. O reservatório está abastecendo, além de Novo Oriente, Quiterianópolis e algumas localidade Tauá. E agora, com a operação da Cogerh para evitar o colapso de água em Crateús - cujo reserva hídrica chegou praticamente ao fim - transferirá 7 milhões de metros cúbicos para Crateús.

Essa apreensão com relação ao futuro foi o motor para que comunidades ocupassem margens do reservatório, a fim de impedir o transporte de água até Crateús. Para a Cogerh, a operação de transferência hídrica ocorre com êxito e está concretizando os estudos técnicos do órgão. Chegará ao Açude Carnaubal antes do tempo previsto.

"Em 77 horas a água já percorreu 20km pelo leito do rio - a metade do percurso - e projetamos que em sete dias seja concluída, com a chegada no Açude Carnaubal", informa Rodrigues Júnior, coordenador do escritório de Crateús, ressaltando que a Companhia acompanha o trabalho por meio de duas equipes de técnicos dispostas ao longo do trecho e maquinários. Medições contínuas são realizadas e desobstruções no leito, quando há necessidade.

Inverno

A Companhia tranquiliza a população de Novo Oriente garantindo que "o volume que ficará no Açude Flor do Campo será suficiente para garantir o abastecimento de água até dezembro de 2014, mesmo na ocorrência de reduzida quadra invernosa em 2014", garante o coordenador.

Com relação à Crateús, o órgão, segundo a assessoria de imprensa adianta que supõe com base em apontamentos de hidrólogos de órgãos estaduais que 2014 será um ano de bom inverno, embora ainda seja cedo para projeções. E que realiza estudos para evitar colapso no abastecimento da população de 70 mil habitantes de Crateús, caso a quadra invernosa não se confirme.

SILVANIA CLAUDINOREPÓRTER

COMENTÁRIOS
João Suassuna - Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, Recife


A questão do uso das águas interiores nordestinas faz parte do nosso discurso contrário ao projeto da Transposição do rio São Francisco. No caso em questão, a represa do Castanhão irá receber as águas do Velho Chico, para promover aquilo que as autoridades estão chamando de sinergia hídrica do reservatório. Ora, essa operação irá “chover no molhado”, pois, de acordo com a matéria, atualmente a referida represa tem volumes suficientes ao atendimento da demanda de 50 municípios, durante dois anos, mesmo estando àquela região cearense vivendo longo período de estiagem.


 
por João SuassunaÚltima modificação 02/08/2013 16:16

Situação volumétrica dos reservatórios das hidrelétricas da CHESF - 02/08/2013.



Estamos iniciando uma atividade semanal de informação, aos interessados, dos estágios em que se encontram os níveis de acumulações volumétricas dos principais reservatórios da Chesf, na bacia do rio São Francisco. No caso específico da região do Sub-médio São Francisco - local onde é gerada a maior parte da energia elétrica do Nordeste -, os reservatórios, principalmente o de Sobradinho, acumulam água no período de novembro a abril, para disponibilizarem os volumes acumulados, no processo de regularização das vazões do Velho Chico, no período de maio a outubro. Estamos no dia 02/08/2013, portanto, em período no qual os reservatórios estão numa fase de disponibilização volumétrica. Acompanhem a evolução desse processo, nos endereços abaixo, clicando no canal “Bacia do Rio São Francisco”.
02/08/2013
Reservatório            Data                 Afluência                Defluência                Volume
                                                           (m³/s)                     (m³/s)                   útil (%)
Sobradinho            31/07                    0840                       1686                     41,40
Itaparica                31/07                    1630                       1246                     26,80
Xingó*                   31/07                    1182                       1276                        -
* - Não há percentuais acumulatórios, tendo em vista o rio correr em seu leito, a fio d´água
 
26/07/2013
Reservatório            Data                 Afluência                Defluência                Volume
                                                           (m³/s)                     (m³/s)                   útil (%)
Sobradinho            22/07                    0910                       1605                     44,10
Itaparica                22/07                    1310                       1541                     27,30
Xingó*                   22/07                    1653                       1819                        -
* - Não há percentuais acumulatórios, tendo em vista o rio correr em seu leito, a fio d´água
_____________________________________________________________
 
Fonte: Chesf
http://www.chesf.gov.br/portal/page/portal/chesf_portal/paginas/sistema_chesf/sistema_chesf_bacias/conteiner_bacias

Fonte: ANA
http://www2.ana.gov.br/Paginas/servicos/saladesituacao/default.aspx

É o Núcleo de Estudos e Articulação sobre o Semiárido (NESA), da Fundação Joaquim Nabuco, divulgando a realidade do Nordeste seco.
 
Sobre o assunto:
Comitê do São Francisco critica decisão do governo federal de reduzir a vazão do rio
http://www.remabrasil.org/Members/suassuna/campanhas/comite-do-sao-francisco-critica-decisao-do-governo-federal-de-reduzir-a-vazao-do-rio/view

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João Suassuna - Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, Recife
O problema da vazão média regularizada, de 2060 m³/s, do rio São Francisco:
Para o setor elétrico, a construção da represa de Sobradinho foi muito importante para a regularização da vazão do São Francisco, principalmente nos trechos do Submédio e do Baixo. Primeiramente, a vazão é dita “média regularizada ”. Isso significa dizer que durante o dia, o rio poderá estar correndo com várias leituras de vazões:  1.500, 1.800, 2.000, 2.100 m³/s, as quais irão depender da quantidade de energia que está sendo gerada  nas hidrelétricas do complexo Chesf. Quanto maior a quantidade de energia gerada, maior o valor da vazão lançada no rio pelas turbinas geradoras, em direção a sua foz. Nesse sentido, o importante é que, com a construção de Sobradinho, a Chesf conseguiu manter uma vazão regularizada média, a jusante da represa de Sobradinho, de cerca de 2.060 m³/s, ao final de cada dia.
O problema que está sendo verificado na atualidade é que essa vazão média regularizada do rio está caindo a níveis preocupantes. Determinações recentes de vazões realizadas na foz do rio têm demonstrado valores médios diários da ordem de  1.850 m³/s. A razão disso é que tem chovido frequentemente abaixo da média ao logo da bacia do rio, principalmente na região do Alto e do Médio São Francisco, somado ao uso indiscriminado das águas, com a irrigação praticada em áreas pertencentes aos seus principais aquíferos, o que tem resultado em baixas acumulações volumétricas em Sobradinho. Para compreensão do problema, no mês de março de 2013, a represa de Sobradinho, que deveria estar próxima ao nível de vertimento (sangria), para surpresa de todos, apresentava, apenas, uma acumulação de cerca de 37%. Isso obrigou as autoridades, à adoção de medidas urgentes para a recuperação da represa. E essas medidas passaram, necessariamente, pelo manejo das vazões que entram e que saem de Sobradinho, os chamados volumes afluentes e defluentes. No caso em questão, os volumes afluentes (os que entram na represa) teriam que ser maiores do que os defluentes (os volumes que saem da represa). Caso não se obedecesse a esse critério, Sobradinho jamais iria recuperar seu volume acumulado em patamares satisfatórios. Foi com essa estratégia adotada pela Chesf que se iniciou o lançamento, de Sobradinho, para o Submédio e Baixo São Francisco, de cerca de 1.100 m³/s, apenas. Essa baixa vazão, inclusive, vem contrariando determinações do IBAMA, que estipulou uma vazão mínima de 1.300 m³/s – a chamada vazão ecológica – a qual deveria, necessariamente, chegar à foz do rio. Ora, se estão lançando, de Sobradinho, cerca de 1.100 m³/s, uma vazão parecida com essa está chegando à sua foz. Isso tem preocupado os ribeirinhos, pelo fato de estar causando o “sumiço” do peixe e o aparecimento de bancos de areia no leito do rio, dificultando a navegação.

 
por João SuassunaÚltima modificação 02/08/2013 10:19

Aventura Selvagem em Cabaceiras - Paraíba

Rodrigo Castro, fundador da Associação Caatinga, da Asa Branca e da Aliança da Caatinga

Bioma Caatinga

Vale do Catimbau - Pernambuco

Tom da Caatinga

A Caatinga Nordestina

Rio São Francisco - Momento Brasil

O mundo da Caatinga