quarta-feira, 15 de maio de 2013


28 DE ABRIL - DIA NACIONAL DA CAATINGA

 Instituída por decreto do presidente Lula, em 2003, a data faz alusão ao nascimento de um dos maiores ecólogos brasileiros, João de Vasconcelos Sobrinho, docente pioneiro da disciplina “Ecologia Conservacionista”, por ele instituída na Universidade Federal Rural de Pernambuco.

Vasconcelos Sobrinho mostrou ao mundo que a caatinga, “além de muito rica, constitui patrimônio biológico único no planeta”. Este bioma engloba partes dos Estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, concentra espécimes da fauna e da flora peculiares, e exige técnicas específicas de manejo para evitar a degradação e não sucumbir à desertificação.

Infelizmente, as condições de preservação da caatinga são entristecedoras. Depois da Mata Atlântica e do cerrado, ela é o terceiro ecossistema mais afetado pela ação humana. Cerca de 80% de sua área já sofreu algum tipo de alteração, seja pela expansão urbana, seja pela produção agrícola, seja pelo uso de técnicas não sustentáveis de manejo e extração dos recursos naturais”.

A forma irracional como se deu a exploração da caatinga, durante o período colonial, causou “danos irreparáveis” ao meio ambiente, sendo o pior deles a desertificação de grandes áreas. Por abrigar população muito numerosa, a pressão pelo uso da água é enorme, tanto para uso doméstico quanto para a agricultura. É urgente, portanto, que medidas sejam tomadas no sentido de preservar o bioma, sem que os moradores da região sejam apenados.

Urge à aprovação da Proposta de Emenda à Constituição nº 504, de 2010, que visa a assegurar a exploração dos biomas brasileiros dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida da população. A matéria, já aprovada no Senado, aguarda a manifestação da Câmara.

Não queremos que a caatinga acabe! Precisamos unir forças para que ações integradas e eficientes sejam colocadas em prática. A região carece de novas unidades de preservação, da disseminação de técnicas sustentáveis de manejo florestal e de agroecologia, além de educação ambiental para seus habitantes. Todos esses pontos devem ser contemplados em políticas públicas do Governo Federal e dos Estados, especialmente os do Nordeste.

terça-feira, 14 de maio de 2013


INFORMAÇÃO
 
 
 
INFORMAMOS AOS INTERESSADOS QUE, POR INICIATIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE PERNAMBUCO, SERÁ REALIZADA, NO DIA  15 DE MAIO PRÓXIMO, AMANHÃ, UMA AUDIÊNCIA PÚBLICA, NA CIDADE DE FLORESTA-PE.:
 
LOCAL: AUDITÓRIO DA CÂMARA DE VEREADORES DE FLORESTA;
ENDEREÇO: PRAÇA CEL. FAUSTO FERRAZ;
PAUTA: O PROBLEMA DO LIXÃO, COM SUGESTÃO DE CRIAÇÃO DE UM ATERRO SANITÁRIO COMUM AOS MUNICÍPIOS DE FLORESTA E CARNAUBEIRA DAPENHA..
 
 
SUA PRESENÇA É IMPORTANTE.

 
COMPARAÇA!
 
PARTICIPE!



Situação volumétrica dos reservatórios das hidrelétricas da CHESF - 10/05/2013


Estamos iniciando uma atividade semanal de informação, aos interessados, dos estágios em que se encontram os níveis de acumulações volumétricas dos principais reservatórios da Chesf, na bacia do rio São Francisco. No caso específico da região do Sub-médio São Francisco - local onde é gerada a maior parte da energia elétrica do Nordeste -, os reservatórios, principalmente o de Sobradinho, acumulam água no período de novembro a abril, para disponibilizarem os volumes acumulados, no processo de regularização das vazões do Velho Chico, no período de maio a outubro. Estamos no dia 10/05/2013, portanto, em período no qual os reservatórios estão numa fase de disponibilização volumétrica. Acompanhem a evolução desse processo, nos endereços abaixo, clicando no canal “Bacia do Rio São Francisco”.

10/05/2013

Reservatório            Data                 Afluência                Defluência                Volume

                                                           (m³/s)                     (m³/s)                   útil (%)

Sobradinho            08/05                    1650                       1352                     48,40

Itaparica                08/05                    1200                       1200                     33,00

Xingó*                   08/05                    1214                      1221                        -

* - Não há percentuais acumulatórios, tendo em vista o rio correr em seu leito, a fio d´água

 

03/05/2013

Reservatório            Data                 Afluência                Defluência                Volume

                                                           (m³/s)                     (m³/s)                   útil (%)

Sobradinho            01/05                    2320                       1620                     47,00

Itaparica                01/05                    1660                       1266                     29,60

Xingó*                   01/05                    1184                      1338                        -

* - Não há percentuais acumulatórios, tendo em vista o rio correr em seu leito, a fio d´água

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Fonte: Chesf

http://www.chesf.gov.br/portal/page/portal/chesf_portal/paginas/sistema_chesf/sistema_chesf_bacias/conteiner_bacias

 

Fonte: ANA

http://www2.ana.gov.br/Paginas/servicos/saladesituacao/default.aspx

 

É o Núcleo de Estudos e Articulação sobre o Semiárido (NESA), da Fundação Joaquim Nabuco, divulgando a realidade do Nordeste seco.

 

COMENTÁRIOS

João Suasuna - Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, Recife

Segue a lenta recuperação de Sobradinho. Existe uma exigência do IBAMA, de que se deve respeitar uma vazão regularizada mínima (vazão Ecológica), na foz do rio São Francisco, de cerca de 1300 m³/s. Ora, vazão menor do que essa é a que está sendo liberada atualmente da hidrelétrica de Xingó, para o Baixo São Francisco. O agravante dessa questão é que a Chesf já conseguiu autorização da ANA, para lançar, de Sobradinho, cerca de 1100 m³/s, apenas. Essa medida irá contrariar, não apenas a exigências do IBAMA (chegará, na foz, volumes inferiores a 1300 m³/s), mas, e principalmente, o pescador do Velho Chico, que irá ter o desprazer de ver o peixe sumindo de suas redes.

Situação volumétrica dos reservatórios das hidrelétricas da CHESF - 19/04/2013


Estamos iniciando uma atividade semanal de informação, aos interessados, dos estágiosem que se encontram os níveis de acumulações volumétricas dos principais reservatórios da Chesf, na bacia do rio São Francisco. No caso específico da região do Sub-médio São Francisco - local onde é gerada a maior parte da energia elétrica do Nordeste -, os reservatórios, principalmente o de Sobradinho, acumulam água no período de novembro a abril, para disponibilizaremos volumes acumulados, no processo de regularização das vazões do Velho Chico, no período de maio a outubro. Estamos no dia 19/04/2013, portanto, em período no qual os reservatórios estão numa fase de acumulaçãovolumétrica. Acompanhem a evolução desse processo, nos endereços abaixo, clicando no canal “Bacia do Rio São Francisco”.

19/04/2013

Reservatório Data Afluência Defluência Volume

(m³/s) (m³/s) útil (%)

Sobradinho 17/04 2280 1320 43,20

Itaparica 17/04 1330 1031 23,20

Xingó* 17/03 1135 1358 -

* - Não há percentuais acumulatórios, tendo em vista o rio correr em seu leito, a fio d´água

12/04/2013

Reservatório Data Afluência Defluência Volume

(m³/s) (m³/s) útil (%)

Sobradinho 11/04 2620 1351 41,40

Itaparica 11/04 1100 1097 25,40

Xingó* 11/03 1132 1327 -

* - Não há percentuais acumulatórios, tendo em vista o rio correr em seu leito, a fio d´água

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Fonte: Chesf

http://www.chesf.gov.br/portal/page/portal/chesf_portal/paginas/sistema_chesf/sistema_chesf_bacias/conteiner_bacias

Fonte: ANA

http://www2.ana.gov.br/Paginas/servicos/saladesituacao/default.aspx

É o Núcleo de Estudos e Articulação sobre o Semiárido (NESA), da Fundação Joaquim Nabuco, divulgando a realidade do Nordeste seco.

COMENTÁRIOS

João Suassuna - Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, Recife

Segue a lenta recuperação da represa de Sobradinho. Atualmente, ela está com cerca de 43% de sua capacidade preenchida. Se permanecerem as tendências de chuvas abaixo da média na bacia do rio São Francisco, as autoridades avaliam que, em novembro, a represa deva estar com cerca de 7% de sua capacidade preenchida. É muito pouco se levarmos em consideração com os 5% atingidos no ano de 2001, período no qual os nordestinos tiveram o desprazer de passar por um racionamento de energia de grande monta. A situação preocupa.

 

por João Suassuna— Última modificação 19/04/2013 08:04

Meus Prezados,

Estamos chegando ao final da quadra chuvosa (até o final de abril) na região central de Minas Gerais, região essa responsável pelos volumes que abastecem a represa de Sobradinho, a qual, no momento, encontra-se com cerca de 38,7% de sua capacidade. Em igual período do ano passado, Sobradinho chegou a atingir um volume acumulado de cerca de 80%. Tendo chovido abaixo da média no ano em curso, e com a continuidade desse cenário, as autoridades já estão contando com a possibilidade de Sobradinho chegar, no mês de outubro, com um percentual acumulado de apenas 7%. Muito pouco se comparado ao volume verificado em 2001, de 5%, que resultou na necessidade de o Nordeste vir a racionar energia. Esse é o preço pago pelo uso inadequado, e sem o menor critério, das águas do Velho Chico.

Situação volumétrica dos reservatórios das hidrelétricas da CHESF - 05/04/2013


Estamos iniciando uma atividade semanal de informação, aos interessados, dos estágios em que se encontram os níveis de acumulações volumétricas dos principais reservatórios da Chesf, na bacia do rio São Francisco. No caso específico da região do Sub-médio São Francisco - local onde é gerada a maior parte da energia elétrica do Nordeste -, os reservatórios, principalmente o de Sobradinho, acumulam água no período de novembro a abril, para disponibilizaremos volumes acumulados, no processo de regularização das vazões do Velho Chico, no período de maio a outubro. Estamos no dia 05/04/2013, portanto, em período no qual os reservatórios estão numa fase de acumulaçãovolumétrica. Acompanhem a evolução desse processo, nos endereços abaixo, clicando no canal “Bacia do Rio São Francisco”.

05/04/2013

Reservatório Data Afluência Defluência Volume

(m³/s) (m³/s) útil (%)

Sobradinho 04/04 2010 1348 38,70

Itaparica 04/04 1430 1430 27,50

Xingó* 04/03 1320 1326 -

* - Não há percentuais acumulatórios, tendo em vista o rio correr em seu leito, a fio d´água

15/03/2013

Reservatório Data Afluência Defluência Volume

(m³/s) (m³/s) útil (%)

Sobradinho 14/03 1530 1363 37,90

Itaparica 14/03 1450 1610 29,00

Xingó* 14/03 1271 1371 -

* - Não há percentuais acumulatórios, tendo em vista o rio correr em seu leito, a fio d´água

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Fonte: Chesf

http://www.chesf.gov.br/portal/page/portal/chesf_portal/paginas/sistema_chesf/sistema_chesf_bacias/conteiner_bacias

Fonte: ANA

http://www2.ana.gov.br/Paginas/servicos/saladesituacao/default.aspx

É o Núcleo de Estudos e Articulação sobre o Semiárido (NESA), da Fundação Joaquim Nabuco, divulgando a realidade do Nordeste seco.

COMENTÁRIOS

João Suassuna - Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, Recife.

Estamos chegando ao final da quadra chuvosa (até o final de abril) na região central de Minas Gerais, região essa responsável pelos volumes que abastecem a represa de Sobradinho, a qual, no momento, encontra-se com cerca de 38,7% de sua capacidade. Em igual período do ano passado, Sobradinho chegou a atingir um volume acumulado de cerca de 80%. Tendo chovido abaixo da média no ano em curso, e com a continuidade desse cenário, as autoridades já estão contando com a possibilidade de Sobradinho chegar, no mês de outubro, com um percentual de acumulação de apenas 7%. Muito pouco se comparado ao volume verificado em 2001, de 5%, que resultou na necessidade de o Nordeste vir a racionar energia. Esse é o preço pago pelo uso inadequado, e sem o menor critério, das águas do Velho Chico.

por João Suassuna— Última modificação 05/04/2013 10:46

Situação volumétrica dos reservatórios das hidrelétricas da CHESF - 22/02/2013


Estamos iniciando uma atividade semanal de informação, aos interessados, dos estágios em que se encontram os níveis de acumulações volumétricas dos principais reservatórios da Chesf, na bacia do rio São Francisco. No caso específico da região do Sub-médio São Francisco - local onde é gerada a maior parte da energia elétrica do Nordeste -, os reservatórios, principalmente o de Sobradinho, acumulam água no período de novembro a abril, para disponibilizarem os volumes acumulados, no processo de regularização das vazões do Velho Chico, no período de maio a outubro. Estamos no dia 22/02/2013, portanto, em período no qual os reservatórios estão numa fase de acumulação volumétrica. Acompanhem a evolução desse processo, nos endereços abaixo, clicando no canal “Bacia do Rio São Francisco”.

22/02/2013

Reservatório Data Afluência Defluência Volume

(m³/s) (m³/s) útil (%)

Sobradinho 14/02 2470 1345 36,60

Itaparica 14/02 1280 1196 37,10

Xingó* 14/02 1246 1344 -

* - Não há percentuais acumulatórios, tendo em vista o rio correr em seu leito, a fio d´água

15/02/2013

Reservatório Data Afluência Defluência Volume

(m³/s) (m³/s) útil (%)

Sobradinho 14/02 3350 1338 33,10

Itaparica 14/02 1320 1720 39,80

Xingó* 14/02 1414 1449 -

* - Não há percentuais acumulatórios, tendo em vista o rio correr em seu leito, a fio d´água

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Fonte: Chesf

http://www.chesf.gov.br/portal/page/portal/chesf_portal/paginas/sistema_chesf/sistema_chesf_bacias/conteiner_bacias

Fonte: ANA

http://www2.ana.gov.br/Paginas/servicos/saladesituacao/default.aspx

É o Núcleo de Estudos e Articulação sobre o Semiárido (NESA), da Fundação Joaquim Nabuco, divulgando a realidade do Nordeste seco.

http://www.remaatlantico.org/Members/suassuna/campanhas/situacao-volumetrica-dos-reservatorios-das-hidreletricas-da-chesf-06-02-2013/view

COMENTÁRIOS

João Suassuna - Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, Recife

Observem a lenta recuperação dos reservatórios da Chesf. Mesmo em um período de acumulação volumétrica, a represa de Sobradinho aumentou o seu volume em apenas 3%, isso quando comparada com a avaliação da semana anterior. É preocupante, nessa avaliação, a diminuição dos volumes afluentes no reservatório, consequência direta das caídas de chuvas abaixo da média na região central de Minas Gerais. A represa de Itaparica diminuiu de volume.

por João Suassuna— Última modificação 22/02/2013 11:33

domingo, 12 de maio de 2013


Transposição do São Francisco. Uma obra desnecessária. Entrevista especial com João Suassuna.


Instituto Humanitas Unisinus - Entrevista concedida em 22/04/2010

http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/31640-transposicao-do-sao-francisco-uma-obra-desnecessaria-entrevista-especial-com-joao-suassuna

Envolvido em questões relativas ao Rio São Francisco há 15 anos, o pesquisador João Suassuna acaba de lançar o livro “A Transposição do Rio São Francisco na Perspectiva do Brasil Real”. A ideia da obra, segundo Suassuna, é esclarecer a existência do projeto para o centro-sul do país. Em entrevista à IHU On-Line, feita por telefone, o pesquisador fala a respeito da situação atual das obras do projeto. “O projeto da transposição do Rio São Francisco vai utilizar esses volumes para abastecer 12 milhões de pessoas no nordeste. Então, se já há um conflito, fisicamente será impossível a retirada desses volumes para o abastecimento do povo”, lamenta.

Preocupado com o agravamento do processo de desertificação da região nordeste, Suassuna constata que no núcleo de Cabrobró, já existe um deserto praticamente formado, isso pela retirada da vegetação da caatinga para o fabrico de carvão. Este será um impacto crucial, e inclusive já está acontecendo”. Sobre as possíveis obras de revitalização do rio, Suassuna garante que tudo não passa de falácia. “O governo Lula deveria apostar todas as suas fichas na revitalização, no replantio de árvores e na reconstrução de matas ciliares, que não existem mais”, diz.

João Suassuna é engenheiro-agrônomo e pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, em Recife. Confira a entrevista.

IHU On-Line – O senhor está lançando este livro sobre a transposição do Rio São Francisco. Quais os aspectos positivos e negativos do projeto?

João Suassuna – O São Francisco é um rio com múltiplos usos, mas já houve prioridades dos usos ao longo do tempo. É um rio que tem um potencial gerador de energia elétrica importantíssimo. 95% da energia que é gerada no nordeste são do São Francisco. Ele também tem um potencial de irrigação muito importante. Nas margens do rio, temos cerca de um milhão de hectares para serem irrigados, dos quais 340 mil já estão irrigados, mas já há um uso muito conflituoso entre esses usos. Para termos uma ideia, em 2001, o Rio São Francisco correu com pouca água, e tivemos que racionar a energia no nordeste, onde a coisa foi mais grave, pois as autoridades adotaram os feriadões, já que não havia volume suficiente no rio para gerar energia elétrica. Existe um conflito enorme entre o uso da água do São Francisco para gerar energia e para irrigar. O projeto da transposição do Rio São Francisco vai utilizar esses volumes para abastecer 12 milhões de pessoas no nordeste. Então, se já há um conflito, fisicamente será impossível a retirada desses volumes para o abastecimento do povo.

Estou envolvido com essas questões há 15 anos, isso gerou uma quantidade grande de artigos, tenho cerca de 80 artigos publicados e circulando na Internet. Sabemos que o centro-sul do país desconhece totalmente a existência do projeto, não sabe nem do que se trata. Afirmo isso, pois participei de uma caravana, em 2008, que visitou onze capitais brasileiras, discutindo esse projeto. Da Bahia para baixo, o que observamos é que ninguém estava sabendo absolutamente nada sobre esse projeto. Reuni os 80 artigos que escrevi sobre o tema e transformei-os em um livro. Temos a ideia de divulgar esse livro para o centro-sul do país, para começar a esclarecer ao pessoal do sul a existência desse projeto. Uma coisa interessante é que, quando chegar a hora de pagar essa conta, todos irão pagar, do Oiapoque ao Chuí, pois fazemos parte de uma federação.

IHU On-Line – Qual a situação atual das obras de transposição do rio São Francisco?

João Suassuna – Os eixos leste e norte do projeto, que vão retirar água do São Francisco, da represa de Itaparica e de Cabrobró, em Pernambuco, e levar essa água para o setentrional nordestino, na Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, para abastecer as principais represas do nordeste, já estão com as construções bem adiantadas. Estes canais irão ter 25 metros de largura, 5 metros de profundidade e algo em torno de 700 km de extensão. No final de 2010, com o fim do governo Lula, ele promete que a água do eixo leste chegue à Paraíba. O eixo norte, cuja água será retirada de Cabrobró e vai para o Ceará, será concluído lá por 2012. Essa é a estimativa das autoridades.

IHU On-Line – Até esse momento, quais são os impactos sociais, econômicos e ambientais que a obra já causou?

João Suassuna – Os eixos estão saindo do nordeste, numa região semiárida, onde já foram identificados alguns núcleos de desertificação. No núcleo de Cabrobró, por exemplo, já existe um deserto praticamente formado, isso pela retirada da vegetação da caatinga para o fabrico de carvão. O que o exército brasileiro está fazendo com a construção dos canais naquele ponto é agravar o processo de desertificação que já está em curso. Este será um impacto crucial, e inclusive já está acontecendo. Futuramente, teremos impactos na geração de energia e na qualidade da água que irá chegar ao nordestino. A água do São Francisco hoje está muito ruim, em termos de qualidade biológica. Para termos uma ideia, a cidade de Januária, no norte de Minas, está à margem do Rio São Francisco, e sua população bebe água de poços tubulares, cavados pela prefeitura local, pois a qualidade da água do rio está imprópria para o consumo humano. É com essa água, com essa qualidade, que querem abastecer as principais represas do nordeste. Se fizerem isso, levarão um problema de saúde pública enorme. Teremos problemas de hepatite, esquistossomose, xistossomose, entre outras doenças veiculadas pela água.

IHU On-Line – As obras de revitalização do S. Francisco, conforme o prometido, estão em andamento?

João Suassuna – Isso é uma falácia. Inclusive, o programa de revitalização deveria ser a “menina dos olhos” do governo Lula, e não está sendo. O governo Lula deveria apostar todas as suas fichas na revitalização, no replantio de árvores e na reconstrução de matas ciliares, que não existem mais. O São Francisco é um rio de barranco, e um rio sem mata ciliar sofre com um desabarranqueamento natural, e esse material será carreado para a calha do rio, irá assorear tudo, irá impedir a navegação, como já está impedindo, e irá diminuir a vazão do rio. Deve haver um trabalho sério no tratamento dos esgotos, que estão sendo lançados in natura para dentro da calha do rio. O governo Lula deveria estar apostando todas suas fichas neste tipo de obra e não está. No Orçamento Geral da União, no ano passado, foram reservados um bilhão de reais para o projeto da transposição do Rio São Francisco. Para a revitalização, 100 milhões, dez vezes menos. Não consigo acreditar num programa desses.

IHU On-Line – E aí entram projetos de saneamento básico?

João Suassuna – Existem muitas cidades na orla do São Francisco onde já se começou alguma coisa neste sentido. É um trabalho que está sendo iniciado agora, mas já existe uma preocupação. Porém, a bacia do São Francisco são 640 mil km². Existem trabalhos pontuais e que precisam ser acelerados e implementados, pois ainda é feito muito pouco.

IHU On-Line – Existem alternativas à transposição?

João Suassuna – Existem sim. O próprio governo federal apresentou esse tipo de alternativa através de um trabalho da Agência Nacional de Águas (ANA), que editou em dezembro de 2006, o Atlas Nordeste de Abastecimento Urbano de Água. O governo e as autoridades mostram que é possível resolver os problemas de abastecimento de município com até cinco mil habitantes, com água de boa qualidade, que já existe na região nordeste. Temos 70 mil represas no nordeste, que acumulam um potencial de cerca de 37 bilhões de metros cúbicos de água. É o maior volume represado em regiões semiáridas do mundo. Existem regiões sedimentares onde é possível perfurar poços e obter água de subsolo. Tudo isso está sendo previsto pela ANA, que colocou isso no Atlas Nordeste, para resolver os problemas de 34 milhões de pessoas no Nordeste. Inclusive, é um programa bem mais abrangente do que o da transposição do Rio São Francisco, que visa o abastecimento de água para apenas 12 milhões de pessoas, e com a metade dos custos previstos pelo programa da transposição. Para a transposição, está previsto um custo de 6,6 bilhões de reais, na primeira fase. O Atlas Nordeste prevê a metade disso, 3,3 bilhões de reais, para ter um programa de abastecimento bem mais abrangente, abastecendo cinco vezes mais pessoas no nordeste.

Porém, também temos uma população que chamamos de difusa, falo algo em torno de 10 milhões de pessoas, que vivem nos pés de serra, nos sítios e nos pequenos vilarejos. Para esse tipo de população, a solução é através de um programa que está sendo desenvolvido pela Articulação no Semi-Árido Brasileiro, a ASA Brasil, uma ONG que congrega 600 outras ONGs que trabalham a convivência com o semiárido. Essas ONGs estão propondo alternativas interessantes de abastecimento através de barragens subterrâneas e de cisternas rurais. Só de tecnologias na área hídrica, a ASA Brasil tem mais de quarenta. O trabalho da ASA Brasil resolveria os problemas dessas populações difusas do nordeste. Nossa visão é que, para a solução dos problemas de abastecimento do povo nordestino, teríamos que contar, necessariamente, com o trabalho da ANA e da ASA Brasil.

A transposição do São Francisco seria desnecessária para o nordeste. Não tem o menor sentido, tendo água na região, abdicar o uso dessa água e ir buscar água do São Francisco, há 500 km do local de consumo. Isso mostra que a água do São Francisco, ao cair nas principais represas do nordeste, será utilizada no agronegócio, na criação do camarão e no uso industrial.  No Porto de Pecém, em Fortaleza, está sendo construída a Ceará Steel, uma siderúrgica que, sozinha, irá demandar volumes equivalentes ao consumo de um município de 90 mil habitantes. Se a água do São Francisco cair nas principais represas do nordeste, não terá o uso de abastecimento do povo, que é o mais necessitado. Hoje, esse povo, que está sendo abastecido por frotas de caminhões pipa, vai continuar assim. É aí que reside a indústria da seca.

IHU On-Line – A resistência contra a obra cessou?

João Suassuna – Não acabou não, a resistência continua, e essa situação irá se agravar porque, neste ano, teremos eleições. É possível que os candidatos utilizem essa obra como a panacéia da solução de tudo, e não será. Nossa preocupação é essa, é que isso sirva como moeda de troca para voto. Isso, certamente, irá acontecer. Eles irão centrar as campanhas no nordeste para o abastecimento das pessoas, e utilizarão como pano de fundo o projeto da transposição. Mas sabemos que isso será um engodo, porque o abastecimento das populações não irá se proceder com esse projeto, que vai se utilizar da água para o agronegócio.

IHU On-Line – Em sua opinião, quem vai se beneficiar com a transposição do São Francisco?

João Suassuna – Os beneficiários da transposição do São Francisco serão as empreiteiras, os industriais, o grande capital. O povo está sendo iludido, não terá acesso a uma gota d’água sequer da transposição. Não está claro no projeto como essa água sairá das grandes represas para abastecer o povo. Está claro que a água irá caminhar nos 700 km de canais e abastecerão as principais represas do nordeste, para promover aquilo que as autoridades estão chamando de sinergia hídrica, que é a forma dessas represas não virem a secar. Mas essas represas foram dimensionadas para nunca secarem, porque elas têm volumes suficientes para aguentarem secas sucessivas, mesmo com o uso continuado de suas águas.

IHU On-Line – O senhor considera que essa obra aumentará no futuro a popularidade de Lula no Nordeste ou funcionará ao contrário, ficará como uma herança maldita do seu governo?

João Suassuna – Do jeito que está sendo construída, ela está sendo orientada ou divulgada para resolver o problema de abastecimento do povo. Futuramente, quando o povo começar a raciocinar no sentido de as águas do São Francisco estarem sendo utilizadas para o agronegócio, e não para o abastecimento, haverá uma espécie de revolta popular no nordeste.

Acesse o livro de João Suassuna no seguinte endereço:

"Transposição do Rio São Francisco na perspectiva do Brasil real"
João Suassuna


Aventura Selvagem em Cabaceiras - Paraíba

Rodrigo Castro, fundador da Associação Caatinga, da Asa Branca e da Aliança da Caatinga

Bioma Caatinga

Vale do Catimbau - Pernambuco

Tom da Caatinga

A Caatinga Nordestina

Rio São Francisco - Momento Brasil

O mundo da Caatinga