terça-feira, 23 de outubro de 2012

Maior seca dos últimos 30 anos transforma cidades da Paraíba em cemitérios a céu aberto‏

Fazia tempo - pelo menos 30 anos - que os agricultores do semi-árido da Paraíba não sentiam de maneira tão perversa os efeitos de uma seca, a maior das últimas três décadas.

Fonte: http://portalcorreio.uol.com.br/noticias/cidades/cidadania/2012/10/18/NWS,215654,4,96,NOTICIAS,2190-MAIOR-SECA-ULTIMOS-ANOS-TRANSFORMA-CIDADES-PARAIBA-CEMITERIOS-CEU-ABERTO.aspx

O cenário não é inédito: longa estiagem, falta d’água, rios e pastos secos, famílias sem ter o que comer e animais morrendo de fome e sede, sendo deixados para trás, transformando a paisagem num cemitério a céu aberto. Mas, fazia tempo - pelo menos 30 anos - que os agricultores do semiárido da Paraíba não sentiam de maneira tão perversa os efeitos de uma seca, a maior das últimas três décadas.
No meio de tanta dificuldade, as famílias que vivem diretamente os efeitos da estiagem contam com o apoio do poder público, instituições e até mesmo pessoas físicas que trabalham com ações de combate à seca. Uma dessas pessoas é o padre Djacy Brasileiro, que comanda a paróquia da cidade de Pedra Branca (localizada a 438 km de João Pessoa). Padre Djacy acompanha diariamente o drama de muitos sertanejos e amplia seu grito de socorro por meio de relatos e fotos que posta em redes sociais.
Seca na Paraíba Foto: Seca na Paraíba
Créditos: Foto: Padre Djacy Brasileiro
Sem água e capim para dar aos ovinos e bovinos, os pequenos criadores estão vendendo os animais, que perdem valor comercial graças ao baixo peso. Marcos Ferreira mora na zona rural da cidade de Cabaceiras ( localizada 180km de João Pessoa). O municipío conhecido nacionalmente como a 'Roliúde Nordestina', devido os mais de 20 filmes produzidos, como o Auto da Compadecida, tem o menor índice pluviométrico da Paraíba. Na semana passada,  Ferreira vendeu um bovino por R$ 100. Em outra época, com o animal bem alimentado e com peso satisfatório, seu custo poderia chegar a R$ 1.200.
Seca na Paraíba Foto: Seca na Paraíba
Créditos: Foto: Padre Djacy Brasileiro
“Há meses que o mato está completamente seco. A gente anda pelas terras e encontra carcaças de bois e vacas espalhadas por todo canto. Não tem comida pra dá aos animais. O caso está grave”, lamenta Marcos Ferreira.
Seca na Paraíba Foto: Seca na Paraíba
Créditos: Foto: Padre Djacy Brasileiro
Sem dinheiro para alimentar os animais que ainda restam no pasto seco, os agricultores do semiárido – que compreende 75% do território paraibano – depende do Governo do Estado, que distribui ração aos pequenos produtores. “O Estado distribui, mas não dá. São apenas alguns quilos para cada criador”, informou o padre Djacy. Ele disse que o produto é vendido no comércio das pequenas cidades, mas que é inacessível para a maioria dos pequenos produtores, cuja única fonte de renda que sobrou é do Bolsa Família, programa do Governo Federal.
Seca na Paraíba Foto: Seca na Paraíba
Créditos: Foto: Padre Djacy Brasileiro
De acordo com a Secretaria de Infraestrutura do Estado, que coordena o Programa de Distribuição de Ração Animal, já foram distribuídas mais de 10 mil  toneladas de ração animal e até o final deste ano outras nove toneladas serão entregues para 20 mil pequenos agricultores.
Água virou raridade
Para a maioria dos sertanejos paraibanos, água se tornou um produto raro. Tomar banho, lavar as roupas e aguar as plantas se tornaram sonhos que eles esperam um dia realizar. A realidade, hoje, é da busca constante por água para satisfazer necessidades mais imediatas, como beber, cozinhar e matar a sede dos animais.
Cento e nove carros pipas estão atendendo as cidades mais atingidas pela estiagem. A água é aguardada com ansiedade e cada gota é bastante disputada. De acordo com informações do Comitê Integrado de Combate à Seca na Região do Semi-Árido Brasileiro, a distribuição de água potável está sendo feita pelo Exército Brasileiro, com ajuda do Governo do Estado.
Mais de oito mil cisternas de placa (para consumo humano) deverão ser construídas em 72 cidades paraibanas a partir de janeiro de 2013. Conforme o gerente de apoio a programas governamentais do Estado, Luiz Lianza, o processo está em fase de cadastramentos das famílias. “Ao todo serão investidos mais de R$ 15 milhões e os recursos são fruto de uma parceria entre os governados federal e estadual”, acrescentou Lianza.
Bolsa Estiagem
Num período onde cada centavo é necessário para garantir a sobrevivência das famílias atingidas pela seca, os pequenos produtores sofrem com um outro problema grave: a ignorância. De acordo com a delegada federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) na Paraíba, Giucélia Figueiredo, 78 mil agricultores dos 195 municípios paraibanos em estado de emergência foram beneficiados com o programa “Bolsa Estiagem”. Entretanto, uma grande parte não foi ao banco sacar o valor.
Seca na Paraíba Foto: Seca na Paraíba
Créditos: Foto: Padre Djacy Brasileiro
A delegada fez um apelo para que os beneficiários do programa ‘Bolsa Estiagem’ retirem o dinheiro que está retido na Caixa Econômica Federal. “Cada agricultor cadastrado foi beneficiado com R$ 400, divididos em cinco parcelas e muitos que tiveram as parcelas depositas na Caixa nunca foram retirar o dinheiro”, informou a delegada.
A par da gravidade da situação vivida em mais de dois terços dos municípios paraibanos, Giucélia Figueiredo disse que o Bolsa Família (e o Bolsa Estiagem) são os únicos meios de sobrevivência que restam a esses agricultores. Para ela, são esses programas que têm permitido que haja tranqüilidade, mesmo diante de um cenário tão desanimador. “Se não fossem esses programas federais já tinha havido saques em supermercados em várias cidades, como já tivemos no passado”, completou.

por João Suassuna — Última modificação 19/10/2012 11:41

domingo, 14 de outubro de 2012


Manelito Vilar falando do gado Sindi.


Para quem ainda não leu, reeditamos a matéria da entrevista do criador Manelito Vilar concedida a Revista da ABCZ no ano de 2004, destacando os trechos onde o Sindi é o assunto. Nesta época, o Sindi deixava os currais das fazendas e começava a sua caminhada rumo ao lugar de destaque que hoje ocupa em nossa pecuária, fato marcado pela realização da 1ª Exposição Nacional Sindi e do seu primero leilão nacional. Vale a pena reler, refletir e por em prática os ensinamentos do grande sertanejo, autêntico e original criador de gados, de sonhos e de resultados.

http://sindidorn.blogspot.com.br/2010/11/manelito-vilar-falando-de-sindi.html?spref=fb

”Som ente um sertanejo legítimo, que aposta na pecuária como a melhor maneira para viabilizar uma vida digna ao povo do sertão, poderia falar com propriedade sobre a importância do gado zebuíno para o desenvolvimento do Nordeste brasileiro. É devido às raízes do sertão, que o criador e engenheiro Manoel Dantas Vilar Filho, procura manter-se fiel às possibilidades que a terra do Nordeste oferece a quem se dispõe a respeitá-las, conservando suas características naturais.

Ele alia qualidade e altos índices de produção em uma região onde as dificuldades climáticas poderiam ser um empecilho a qualquer tipo de atividade agropecuária. Entusiasta e criador da raça sindi, Dr. Manelito como é conhecido entre os amigos cria-dores, procura valorizar nessa raça rústica não só sua vocação leiteira milenar, como também a pos-sibilidade de investimentos na boa aptidão para corte. Para manter o lema de balde sempre cheio, as fazendas Carnaúba e Pau Leite, ambas localizadas no estado da Paraíba, contam com boas matrizes e reprodutores, entre os quais se destacam as vacas Mabiroba-D e Parafina-D e os touros Iaque-D e Danúbio-FC, este último, recordista nacional na avaliação genética da Embrapa Gado de Leite. Salientando a vocação nordestina, o criador investe também na criação de guzerá e ainda em ovinos e caprinos.

Nesta entrevista ele fala sobre a crença no gado vermelho, o trabalho diário como criador e a abertura de mercado para a raça – em 2005, o sindi contou com a realização da sua primeira feira única no Brasil, a ExpoSindi realizada em outubro, além do primeiro leilão composto apenas de exemplares sindi, com cerca de 60 bovinos registrados colocados à venda e faturamento total de R$259.840,00.

E é com a habilidade de quem se dedica há mais de três décadas ao gado vermelho, mais exatamente na região do Cariri Velho, no município de Taperoá, que seu Manelito concedeu esta entrevista à revista ABCZ.

Revista ABCZ: O senhor é engenheiro por formação. Porque decidiu se dedicar à pecuária?

Manelito Vilar: Sou engenheiro civil por formação acadêmica. Por natureza e sentimento, sempre fui criador. A dedicação exclusiva à pecuária ocorreu por sucessão súbita de meu pai, há 36 anos. Foi um encargo, mas, também, um reencontro com minhas raízes e minha vocação essencial.

Revista ABCZ: E porque a opção pelo zebu, especificamente pelo Sindi e o Guzerá?

Manelito Vilar: Minha escolha pelo sindi decorre da minha ligação com as terras secas do Nordeste e da crença radical de que é preciso respeitar a harmonia entre os animais e as latitudes. Meu pai, desde 1934, já criava e ordenhava guzerás de Cantagalo (RJ) e eu me limitei a seguir sua lucidez e sua experiência de vida no Cariri das secas. Com a morte de seu Joãozinho Abreu nos anos 70, simultaneamente à segurança que adquiri no uso dos capins perenes que consegui importar da Austrália, fui buscar outro zebu leiteiro dos pré-desertos da Ásia, temendo que não desse para ficar tudo no Guzerá JA, puro e bom de leite. Se não tiver leite, não é guzerá e nem é sindi. O sindi, de rebanho complementar, já é hoje metade do gado total que eu crio. Há uma dívida nacional de gratidão com José Cezário Castilho, que o preservou no sudoeste de São Paulo e com Felisberto Camargo que foi buscá-lo para produzir na Amazônia, também de clima rigoroso, em 1952.

ABCZ: Como é a forma de criação do sindi em sua propriedade?

Manelito Vilar: No pasto nativo da rica caatinga nordestina em consórcio com área de capim Buffel e Urocloa, na época das chuvas. No segundo semestre seco, as vacas em produção comem feno desses capins, palma forrageira, uréia e discreto suplemento de concentrados nas cocheiras. A ordenha é sistemática para sindis e guzerás, com controle leiteiro e avaliação genética oficiais. Nas secas extremadas, o volumoso utilizado é o bagaço de cana das usinas do litoral, hidrolisado com cal.

ABCZ: O senhor seleciona seus animais para obter dupla função. O sindi tem conquistado bons resultados tanto na produção de leite, quanto de carne?

Manelito Vilar: A conversão alimentar do sindi nos períodos secos, os ossos firmes e finos de sua carcaça, sua vocação leiteira e milenar e a qualidade do seu leite, fazem um conjunto de bons resultados aqui ou no resto do mundo tropical onde se queira definir uma raça apropriada de bovinos, mesmo havendo resistência cultural a modismos ou a promiscuidades genéticas. Quando a produtividade for avaliada não pela produção individual de cada vaca ou peso absoluto de cada boi e sim pela produção no tempo, de cada hectare de terra ocupado com a criação, sob a ótica racional da dupla função – o caminho do Brasil molhado ou seco – a eclética raça sindi será estrelada na constelação pecuária de nosso País. O Brasil é pioneiro mundial na seleção funcional de zebuínos, e se tornou por causa deles, um dos poucos do mundo que criam um bovino por habitante e pode, como ninguém, oferecer a seu povo, proteínas nobres a baixo custo.

ABCZ: O senhor acredita que apostar no sindi é a melhor maneira de viabilizar a pecuária na região semi-árida, uma região pouca valorizada pelo governo e instituições públicas do Brasil?

Manelito Vilar: A pecuária do mundo é majoritariamente praticada nas zonas secas. No semi-árido do Brasil a melhor maneira de viabilizar a vida em padrões decentes, é através da pecuária, à base de elementos biológicos (plantas e animais) compatíveis com seu clima caprichoso e saudável. Já era assim desde antes de Cristo, no sertão de Nazaré, na Galiléia. As nossas instituições públicas, desde as de ensino e pesquisa até as de fomento e crédito rural, nunca assumiram as potencialidades da floresta seca do Nordeste. Escapamos até agora e havemos de continuar vivendo, pela conterraneidade com o filho de Deus e graças à persistência dos sertanejos e suas cabras e ovelhas nativas, suas ervas e leguminosas, suas guzerás e suas sindis.

ABCZ: O pequeno porte do sindi fez com que muitos criadores desacreditassem no potencial da raça. Apesar disso, os criadores da raça exaltam o pequeno porte como uma característica que é diferencial e garante preferência no exterior. Como o senhor avalia essa contradição?

Manelito Vilar: Costumo dizer que se confunde muito o conceito de “volume aparente” com o de “peso específico” ou rendimento. O menor porte do sindi é uma virtude para efeito de precocidade, prolificidade e velocidade de ganho em peso. A longevidade do guzerá é maior. O conjunto das duas raças, rústicas, leiteiras, fisiologicamente perfeitas para a fotossíntese do mundo tropical é fantástico. Sem, contudo, misturar raças, indo contra conceitos básicos da zootecnia. O menor porte do sindi, talvez, esteja relacionado com sua fantástica precocidade e seu rúmen, forjado nos pré-desertos da Ásia, convertendo melhor o material fibroso do mundo tropical cheio de sol, em leite rico e carcaça de ossos finos bem coberta por carne enxuta.

ABCZ: Recentemente, foi realizado o primeiro leilão nacional da raça. Como está a comercialização de sindi no Nordeste? Qual a avaliação do senhor diante os resultados da primeira exposição de gado sindi?

Manelito Vilar: A primeira exposição e os leilões da raça sindi foram episódios marcantes na evolução da verdadeira pecuária do Nordeste. A procura por fêmeas sindi é sufocante. E machos sindis estão cada vez mais sendo usados para absorver lastros mestiços de gado europeu e mesmo de outros zebuínos, cuja fisiologia não se harmoniza tão bem com a nossa natureza. A realidade vai se impondo por si e esses eventos aceleram o processo de sua apreensão. A integração entre o sindi e a ABCZ é valiosa.

ABCZ: A introdução do sindi no Brasil contou com a participação de homens que visionaram na raça uma opção para a seca. Fale um pouco sobre isso.

Manelito Vilar: A introdução do sindi no Nordeste foi devida ao entusiasmo ideológico de Virgolino de Farias Leite (técnico da ABCZ) e a consciência profissional de seu primo, o zootecnista Paulo Roberto de Miranda Leite. Foi algo muito pouco institucional. Houve muito espírito público das pessoas, inclusive algumas da Universidade Federal da Paraíba e, sobretudo, de criadores mais esclarecidos.

ABCZ: A partir deste ano todos os registros genealógicos (RGD e RGN) de animais da raça sindi terão desconto de 50% até o final de julho de 2006. O senhor acredita que essa medida irá ajudar a fortalecer a raça ainda mais no País?

Manelito Vilar: Acredito firmemente. Esse estímulo deveria ser estendido também para os custos das provas zootécnicas do sindi, por um prazo racional.

 

por João Suassuna— Última modificação 10/09/2012 15:10

Comitiva da ALPB visita trechos parados da Transposição.


A comitiva da Assembleia Legislativa que inspeciona as obras de transposição do Rio São Francisco conheceu trechos que estão paralisados por desencontros entre as construtoras e o Governo. “É com muita tristeza que vejo uma cena dessas, quando muita gente precisa de água no Cariri da Paraíba”, disse o deputado Assis Quintans, representante da ALPB na inspeção.


Vários trechos da transposição estão paralisados. No trecho 3, situado no município de Salgueiro, em Pernambuco, parte da obra está concluída e o canal pronto para receber água (veja foto). Mas a Construtora Encalso se desentendeu com o Ministério da Integração Nacional e abandonou a obra. O trecho 3 faz parte do Eixo Norte. Segundo o engenheiro Ednaldo Castro, do Ministério da Integração Nacional, agora será feita uma nova licitação para que a obra possa ser retomada.

Do município de São José de Piranhas, na Paraíba, até o município de Cabrobó, em Pernambuco, existem cinco trechos das obras de transposição paralisados. Estão funcionando, apenas, os trechos 1, 2, 8 e 14.

O trecho 14 está situado entre os municípios de São José de Piranhas, na Paraíba, e Mauriti, no Ceará. É onde estão sendo construídos os túneis Cuncas I e Cuncas II, na Serra do Braga.

O túnel Cuncas I tem 15 quilômetros de extensão e o Cuncas II terá uma extensão de 4 quilômetros e estão sendo escavados em rocha bruta. O Cuncas I, quando estava com pouco mais de três quilômetros de escavação, rocha à dentro, desabou.

O consórcio que faz a obra paralisou as atividades e pediu uma explicação ao projetista. Segundo o engenheiro de segurança Raul Zoperalo, o erro foi de projeto e o projetista terá que apontar uma solução ao consórcio de três empresas responsável pela obra. A comitiva da Assembleia Legislativa esteve visitando um desses túneis. Segundo o engenheiro e presidente do Tribunal de Contas do Estado, Fernando Catão, obra faz jus a fama que tem a engenharia brasileira.

Os dois túneis ‘rasgam’ a Serra do Braga na divida entre os estados da Paraíba e Ceará. “Estamos perfurando uma média de 200 metros de rocha por mês e acreditamos que no final de 2013 estaremos entregando a obra”, diz o engenheiro Raul.


Assessoria

por João Suassuna— Última modificação 10/09/2012 17:24

Meus Prezados,

É preciso uma investigação mais aprofundada com essa cifra apresentada.
É provável que ela não esteja de acordo com o que realmente foi executado na bacia do Velho Chico.
Na nossa ótica, a revitalização do rio São Francisco é uma "colcha de retalhos" que precisa ser "costurada" pelas autoridades, com mais clareza.
Socializamos a informação no Rema. Confiram. Revitalização do São Francisco já soma R$ 6,4 bilhões.

Governo anuncia investimentos dos Planos Plurianuais nos anos de 2004-2007, 2008-2011 e 2012-2015 para preservação do rio, cuja bacia é habitada por cerca de 18 milhões de pessoas.

Publicado por Redação em 04/10/2011 as 17:57
Arquivado em Cidades, Municípios

http://www.ojornalweb.com/2011/10/04/revitalizacao-do-sao-francisco-ja-soma-r-64-bilhoes/

A nascente e a foz do São Francisco serão abraçadas, neste 4 de outubro, em um ato simbólico em favor da preservação do rio, cuja bacia é habitada por cerca de 18 milhões de pessoas. Em vários pontos do trajeto em que as águas correm, serão realizadas atividades de educação ambiental, eventos culturais e apresentadas ações relativas a R$ 6,4 bilhões aplicados em revitalização.

Aproveitando a data em que se comemora o Dia de São Francisco, o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com os ministérios da Integração e da Cultura, realizam o evento “São Francisco Vive”, para chamar atenção da população sobre a necessidade de participar do processo de revitalização da bacia hidrográfica. Os números foram anunciados nesta terça-feira (4/9), na foz, em Penedo (AL), e em cidades de três estados, pelo secretário de Mudança Climática do MMA, Eduardo Assad.
“Chega-se ao total de R$ 1,4 bilhão em ações concluídas, R$ 3 bilhões em andamento e R$ 2 bilhões em iniciativas programadas, um significativo investimento que demonstra o comprometimento do Governo Federal com a revitalização?, enfatiza o diretor de Revitalização de Bacias, do Ministério do Meio Ambiente, Renato Ferreira. Ele ressalta a importância da participação popular.

Renato Ferreira ressalta que ?as pessoas precisam se engajar, evitando, por exemplo, o depósito de lixo em locais inadequados”. Ele explica que a revitalização consiste na preservação e na recuperação da bacia, por meio de ações integradas e permanentes, para a promoção do uso sustentável dos recursos naturais, melhoria das condições socioambientais, aumento da quantidade e a melhoria da qualidade da água para usos múltiplos.


O Programa de Revitalização de Bacias Hidrográficas foi incluído nos Planos Plurianuais do Governo Federal nos anos de 2004-2007, 2008-2011 e 2012-2015. O programa é coordenado pelo Departamento de Revitalização de Bacias Hidrográficas do Ministério do Meio Ambiente, com o Ministério da Integração Nacional, o Ministério da Cultura e órgãos ministeriais.

As ações envolvem estados e municípios, com participação da sociedade e apoio das universidades que se situam ao longo da bacia. Entre os principais parceiros se destacam o Ministério das Cidades, a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), Instituto Nacional de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Agência Nacional de Águas (ANA), Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), Fundação Nacional do Índio (Funai), comitês de bacias e Ministérios Públicos.
Água e saneamento – Entre os empreendimentos, destacam-se a ampliação dos sistemas de abastecimento de água, com extensão das ações do Programa Água para Todos, em comunidades ribeirinhas, sendo 119 obras concluídas (entre elas, 126 mil cisternas de captação da água da chuva), 115 em andamento e 20 programadas.
Foram concluídas 44 obras de esgotamento sanitário, com ligações domiciliares, unidades sanitárias, coleta, tratamento e destinação final de efluentes. São outras 113 obras em andamento.

Cumprindo a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que tem como um dos principais propósitos a redução dos lixões e aproveitamento de materiais para reciclagem, o MMA contribuiu com a elaboração dos Planos de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos dos estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.
Festejos - Aproximadamente 40 atividades serão desenvolvidas especialmente no Baixo São Francisco, em Penedo, onde o rio desemboca no mar, e em São Roque de Minas (MG), onde ele nasce. Mas outras cidades também estarão engajadas nos festejos: Porto Real do Colégio e Piaçabuçu, em Alagoas, e também Propriá e Amparo do São Francisco, em Sergipe.

ZEE - No trajeto do rio estão áreas de Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga ? biomas habitados por populações urbanas de grandes metrópoles, por indígenas, ribeirinhos e quilombolas, com diferentes culturas. Com tanta diversidade, para planejar e tomar decisões acertadas, foi formulado o Zoneamento Ecológico-Econômico da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco.

Recuperação de ecossistemas – Foram criados sete Centros de Referência de Áreas Degradadas para a criação de modelos apropriados de recuperação de ecossistemas. Esses centros modificam as paisagens, prestam assistência técnica e oferecem cursos para cerca de 400 agricultores todos os anos, para que possam desenvolver sistemas agroflorestais, evitar erosões, preservar mananciais, fazer manejo de madeiras que usam para cercamento. Esses centros, coordenados pelo MMA, têm a parceria especialmente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).
Pré-história – O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) fez um Inventário do Patrimônio Cultural da Calha do Rio São Francisco, onde, entre diversos aspectos, foram identificados mais de 200 sítios arqueológicos na chamada Província Cárstica de Arcos-Pains-Doresópolis, em Minas Gerais.

Nas ondas do São Francisco – Cerca de 50 rádios (algumas comunitárias e a maioria comerciais) estão ligadas em uma rede que contribui com o MMA com notícias para toda a bacia do São Francisco. Em Barreiras (BA), por exemplo, radialistas criaram “econovelas” e conquistaram tanta audiência e participação dos ouvintes na programação sobre meio ambiente que acabaram se envolvendo na realização do I Congresso de Educação Ambiental da Bacia do Rio Grande (afluente do São Francisco), para instituições públicas e privadas para debater sobre desenvolvimento sustentável.

Ministério do Meio Ambiente

http://www.ibama.gov.br/publicadas/revitalizacao-do-sao-francisco-ja-soma-r-64-bilhoes

COMENTÁRIOS

Edézio Teixeira de Carvalho - edeziotc@gmail.com

Caro João Suassuna: Acho que Ouro Preto e Itabirito, no alto rio das Velhas, afluente principal do São Francisco, nada viram desse dinheiro. Envio as imagens (anexas) em contribuição ao processo de revitalização do Velhas, mesmo sabendo que o Código Florestal, pelas nascentes existentes no interior das voçorocas, tenderá a não permitir, talvez porque goste de termos uma Bolívia inteira de voçorocas, expulsando precocemente as águas da terra para o mar. Grande abraço.

Edézio Teixeira de Carvalho

Geolurb - Geologia Urbana e de Reabilitação Ltda

(31) 32622722; 84762977


Heitor Scalambrini Costa
Movimento Ecossocialista de Pernambuco
(
www.mespe.com.br)

LANÇADA A FRENTE CONTRA A ENERGIA SUJA EM PERNAMBUCO.

Foi realizado na noite desta segunda-feira, 3 de outubro, no Sindicato dos Médicos de Pernambuco/SIMEPE o ato de lançamento da Frente Contra a Energia Suja em Pernambuco. Estiveram presentes o deputado federal Raul Henry, o presidente estadual do PSol, Edilson Silva, representantes dos deputados estaduais Betinho Gomes e Daniel Coellho, do presidente estadual do PPS, Raul Jugmann, do Fórum Estadual de Reforma Urbana, do Movimento Eco Vida do Cabo de Santo Agostinho e da ONG Ame a Terra, membros do Movimento Ecossocialista de Pernambuco e um grupo de estudantes.

Inicialmente, o deputado Raul Henry falou sobre a representação que havia protocolado horas antes junto ao Procurador da República de defesa das Tutelas Coletivas, para que ocorra uma apuração do cometimento de gravíssimo crime ambiental, caso seja instalada em Pernambuco a Termelétrica Suape III.

O professor Heitor Scalambrini Costa, da Universidade Federal de Pernambuco, analisou os impactos da termoelétrica a óleo combustível prevista para ser instalada em Pernambuco. Em sua apresentação ele enfatizou "Pernambuco nao precisa desta usina, e uma decisao no minimo equivocada. A energia gerada e cara, agride o meio ambiente e provoca emissoes danosa a saude das pessoas".

Logo em seguida a palavra franqueada às pessoas presentes que propuseram vários encaminhamentos. A próxima reunião da Frente Contra a Energia Suja em Pernambuco será realizada no dia 17 de outubro (segunda-feira), as 19h:30m, no SIMEPE. Foram sugeridos e criados alguns grupos de trabalho para a mobilização até a próxima reunião, dentre eles o de mobilização parlamentar, mobilização sindical, mobilização do movimento ambientalista, mobilização empresarial (do setor turístico) e mobilização da imprensa.

Outra decisão tomada na reunião foi a de agendar audiências da Frente com Dom Fernando Saburido, arcebispo de Olinda e Recife (nascido no Cabo de Santo Agostinho) e com o presidente da Fiepe. Também foi recomendada a criação de um evento no facebook para a reunião do dia 17/10.

terça-feira, 9 de outubro de 2012


Situação volumétrica dos reservatórios das hidrelétricas da CHESF – 05/10/2012.


Estamos iniciando uma atividade semanal de informação, aos interessados, dos estágios em que se encontram os níveis de acumulações volumétricas dos principais reservatórios da Chesf, na bacia do rio São Francisco. No caso específico da região do Sub-médio São Francisco - local onde é gerada a maior parte da energia elétrica do Nordeste -, os reservatórios, principalmente o de Sobradinho, acumulam água no período de novembro a abril, para disponibilizaremos volumes acumulados, no processo de regularização das vazões do Velho Chico, no período de maio a outubro. Estamos no dia 05/10/2012, portanto, em período no qual os reservatórios estão numa fase de disponibilizaçãovolumétrica. Acompanhem a evolução desse processo, nos endereços abaixo, clicando no canal “Bacia do Rio São Francisco”.

05/10/2012

Reservatório Data Afluência Defluência Volume

(m³/s) (m³/s) útil (%)

Sobradinho 04/10 860 2039 28,40

Itaparica 04/10 1650 2274 76,90

Xingó* 04/10 2315 2427 -

* - Não há percentuais acumulatórios, tendo em vista o rio correr em seu leito, a fio d´água

21/09/2012

Reservatório Data Afluência Defluência Volume

(m³/s) (m³/s) útil (%)

Sobradinho 27/09 750 1935 30,30

Itaparica 27/09 1810 1982 79,30

Xingó* 27/09 1852 1876 -

* - Não há percentuais acumulatórios, tendo em vista o rio correr em seu leito, a fio d´água

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Fonte: Chesf

http://www.chesf.gov.br/portal/page/portal/chesf_portal/paginas/sistema_chesf/sistema_chesf_bacias/conteiner_bacias

Fonte: ANA

http://www2.ana.gov.br/Paginas/servicos/saladesituacao/default.aspx

É o Núcleo de Estudos e Articulação sobre o Semiárido (NESA), da Fundação Joaquim Nabuco, divulgando a realidade do Nordeste seco.

 

Com a estiagem, níveis baixos dos reservatórios já encarecem a energia no país.


O nível dos reservatórios das usinas da Região Sudeste e Centro-Oeste chegou ao nível mais baixo para o mês de setembro desde 2001, ano do racionamento de energia no Brasil. De acordo com o Operador Nacional do Sistema (ONS), os reservatórios das duas regiões retinham apenas 20,61% de sua capacidade de armazenamento em setembro de 2001. Em igual período de 2012, a água acumulada nos lagos das usinas ocupa 47,89%, menos de metade de seu potencial de reserva. A situação já fez soar o alarme do fornecimento de energia a preços módicos que vem das hidrelétricas. No mercado spot, que vende energia para grandes consumidores no curto prazo, o preço de liquidação das diferenças (PLD), a ser cobrado nesta semana, subiu 34,67%.

http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/economia/2012/10/09/internas_economia,401227/seca-ja-encarece-energia-no-pais.shtml

Estado de Minas

Publicação: 09/10/2012 08:33

“Quando o preço da energia no mercado spot sobe, isso sinaliza que o custo médio da energia tende a aumentar porque será necessário colocar na matriz energética do país a energia produzida nas térmicas, que é muito mais cara do que a hidreletrica”, diz Eduardo Nery, diretor da consultoria Energy Choice. De acordo com ele, isso significa também que o nível dos reservatórios começa a alcançar patamares preocupantes. A situação só não é pior porque o crescimento da econonomia brasileira patina em 2012. Além disso, em caso de emergência, o ONS pode acionar a produção de energia nas termelétricas. O efeito colateral é o encarecimento no custo do insumo consumido no país. Pagarão pela falta de chuva consumidores residenciais e industriais.

No início de setembro, o operador nacional do sistema integrado de energia no país aumentou o despacho de energia das térmicas a gás para reduzir geração hidrelétrica e garantir a meta de segurança dos reservatórios ao final do período de seca. O abastecimento de energia está garantido, mas a seca natural nesta época do ano, levou o ONS a despachar 2.500 megawatts (MW) no início de setembro além do usual para suprir as necessidades do sistema elétrico. O objetivo é garantir um patamar mínimo de 33% no Nordeste e 44% no Sudeste.

Luz amarela.

Para Walter Froes, diretor da CMU, comercializadora de energia, a situação dos reservatóprios no país é extremamente delicada. De acordo com ele, se chover de maneira abundante nas próximas duas semanas, os reservatórios poderão começar a ser recompostos. “Mas a previsão é de chuva média neste ano. É o momento de acender a luz amarela”, sustenta. Além da má vontade de São Pedro, o atraso na entrada de enrgia nova de grandes empreendimentos energéticos no país está obrigando o ONS a acionar as térmicas. É o que vem ocorrendo nas usinas da Região Norte, como Santo Antônio e Jirau.

“Em Santo Antônio, as primeiras turbinas estão rodando, mas não há linha de transmissão para o Sudeste. Isso ocorre também no caso de usinas eólicas. E até mesmo nas térmicas, onde, segundo Nery, mais de 1.500 megawatts deixaram de entrar no sistema. “Existe atraso na execução das obras e isso é até normal. O sistema de transmissão não está pronto por problemas de licenciamento ambiental e, na geração, também por causa da fabricação de equipamentos, que são novos. Só em Santo Antônio, no Rio Madeira, são 50 máquinas que estão sendo fabricadas pela primeira vez no mundo.”

Renovações indefinidas

A poucos dias para acabar o prazo no qual as empresas do setor elétrico devem manifestar interesse em renovar ou não as concessões que vencem entre 2015 e 2017, representantes do segmento ainda reclamam da falta de informações a respeito das novas tarifas e das indenizações a que terão direito a partir de 2013. O prazo para que os concessionários entreguem os pedidos de extensão dos contratos à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acaba no dia 15, com as condições dessa renovação ainda "no escuro". Além disso, os contratos – que serão assinados de fato em até 30 dias após a divulgação dos valores de indenização dos ativos e descontos nas tarifas – dependerão da aprovação da Medida Provisória (MP) 579, que ainda nem começou a tramitar no Congresso.

A pressa do governo em fazer com que as companhias do setor aceitem as novas regras cria um ambiente de grande insegurança jurídica porque se a MP caducar sem uma votação favorável, esses documentos simplesmente perderão o propósito e, consequentemente, a validade.

O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Márcio Zimmermann, admitiu que o governo terá de fazer uma malabarismo jurídico na confecção desses contratos, deixando em aberto a possibilidade de atualização a depender do que aconteça com a MP nas mãos dos parlamentares. Para o empresariado, porém, essa insegurança se torna ainda maior por causa da tradicional demora da Justiça em analisar eventuais recursos, o que, na prática, obrigaria as empresas a assinar contratos para depois "torcer por ter a menor quantidade de novas surpresas possível".

O presidente da Associação Brasileira das Companhias de Energia Elétrica (ABCE), Alexei Macorin Vivan, afirmou que as empresas do setor ainda não têm informações suficientes para tomar uma decisão a esse respeito. Vivan também criticou a postura do governo, que ameaça barrar as empresas que não quiserem renovar as concessões neste ano de participar dos leilões que poderão ser feitos entre 2015 e 2017. "Proibir quem conhece e opera de participar de uma licitação em condições de igualdade é algo que pode ser questionado, pois viola a isonomia", afirmou.

Para o executivo, embora a renovação das concessões possa ser feita a critério do poder concedente, houve grandes mudanças em relação às regras dos contratos anteriores, o que traz insegurança jurídica ao setor. "São regras novas que alteram o panorama jurídico existente", afirmou. "Esse é o principal motivo da queda das ações dessas companhias na bolsa."

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