terça-feira, 24 de abril de 2012

O Reinado de Luiz Gonzaga na música brasileira. Para lembrar da caatinga.

"Assembleia discute drama da seca no Piauí em audiência pública

A Assembleia Legislativa do Estado realiza nesta segunda-feira(16), audiência pública para discutir a situação das 75 cidades piauienses que decretaram estado de emergência por causa da seca. A deputada estadual Liziê Coelho (PTB), autora da proposta de realização do encontro, alerta as autoridades para a possibilidade deste número ultrapassar mais de 150 municípios nos próximos meses se a falta de chuva continuar.

15/04/2012


A audiência pública irá reunir governo, prefeituras, parlamentares e a sociedade civil com o objetivo de discutir ações e políticas públicas de ajuda ao homem do campo atingido pela estiagem. Durante o encontro, a parlamentar irá cobrar do Governo Federal que seja revista à decisão do Ministério do Desenvolvimento Agrário que suspendeu o repasse do Seguro Safra a 35 municípios do semiárido piauienses.
Das 38 cidades piauienses que realizaram o pedido, apenas Caridade do Piauí, Itaueira e São Raimundo Nonato foram beneficiadas. O Ministério afirma que os prejuízos apresentados nos relatórios repassados pelas prefeituras desses municípios não alcançaram a dimensão necessária para que o repasse do seguro seja efetivado. Segundo Liziê, é preciso que o Governo Federal reveja a metodologia de análise para aprovação deste repasse.

“Essa será uma das piores estiagem que o semiárido piauiense irá passar nos últimos anos. Os municípios e os governos Estadual e Federal devem trabalhar em conjunto para amenizar esse problema. Se nada for feito as famílias que moram nesses municípios correm o risco de ficarem sem água para consumo próprio e dos animais”, declarou.

Segundo Liziê, os municípios cumpriram a sua parte, mas uma análise incorreta do ministério tem prejudicado o homem do campo. “Para essas pessoas que vivem da agricultura familiar qualquer perda representa um prejuízo sem tamanho. O recurso do seguro safra é fundamental para que essas famílias possam sobreviver durante a estiagem”, disse.

Deverão participar da audiência o Governo do Estado, a APPM, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Estado, a Secretaria de Defesa Civil e prefeituras. “O tempo está passando e nada está sendo feito de concreto. Enquanto isso o homem do campo está sofrendo as consequências, precisamos agir. Mas para isso é preciso reunir todos os envolvidos nesse assunto e mobilizar e sensibilizar o Governo Federal sobre a situação desses municípios piauienses”, comentou."
redacao@cidadeverde.com

"Funceme registra pouca chuva no CE em 2012 e estado sofre 'seca verde'

Segundo a Funceme, houve queda de 50% no registro de chuva em 2012. Chove em 24 cidades do estado nas últimas 24 horas, diz fundação.

15/04/2012


O Ceará registra no primeiro trimestre de 2012 uma queda de 50% no volume de chuva em relação à média histórica do estado, de acordo com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Ainda conforme a Funceme, a região mais afetada pelas chuvas irregulares é Jaguaribara, que teve queda de 75% em relação à média histórica.

Por conta das chuvas irregulares, ocorre no Ceará o fenômeno conhecido como "seca verde", quando chove o suficiente para deixar a vegetação verde mas insuficiente para render uma boa safra. Devido à baixa incidência de chuva, o governo do estado se reuniu nesta semana como agricultores para traçar estratégias que possam reduzir os efeitos da seca.

O titular da Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Ceará, Nelson Martins, afirmou que vai liberar neste ano recursos do "garantia safra", programa que distribui verba a agricultores cadastrados em caso de perda da safra. "Nós temos hoje 240 mil agricultores cadastrados no Garantia Safra. O município que teve perda de até 50%, os agricultores poderão receber até R$ 680 em cinco parcelas", explica.

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Fortaleza registra segunda maior chuva desde 1974, segundo fundação

Previsão
De acordo com a meteorologista da Funceme Meire Sakamoto, ainda para este mês há previsão de "boa expectativa" quanto às chuvas. "Há uma expectativa boa, há uma tendência a favorecer a ocorrência de chuva ainda no mês de abril e em parte do mês de maio, embora ainda as chuvas possam continuar irregulares", diz.

Entre sábado (14) e domingo (15), a Funceme registrou chuvas em 24 cidades do Ceará. As precipitações foram entre 4 milímetros (Fortaleza) e 24 milímetros (Santa Quitéria)."
"

Rio Grande do Norte espera ações contra a seca


O Decreto de nº 22.637 do Governo Estadual declara situação de emergência em 139 municípios, o que corresponde a 82 % dos 167 do Rio Grande do Norte, em virtude da chamada "seca verde". O predomínio de poucas e irregulares chuvas em janeiro e fevereiro, se prolongou em março e começo de abril, quando, segundo a meteorologia, são os meses que apresentam maiores índices pluviométricos. Durante o decreto, o Governo pretende realizar ações que vão desde investimentos em infraestrutura, até descontos nas contas das pessoas que economizarem água destinada à irrigação.

13/04/2012


No município de Pilões, distante 390 quilômetros de Natal, o açude secou e o custo semanal com os carros-pipa é de R$ 1.200,00

A validade do decreto é de 90 dias, podendo ser prorrogado por igual período. O documento prevê que os órgãos do Sistema Nacional de Defesa Civil, sediados no Estado, ficam autorizados a prestar apoio suplementar aos municípios afetados pelo desastre natural, mediante prévia articulação com a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Codec).

Segundo o coordenador de Defesa Civil, coronel Josenildo Acioli Bento, a legislação permite que o Estado se antecipe aos municípios e decrete situação de emergência, em função das informações obtidas através da Emparn, Secretaria Estadual da Agricultura (SAPP) e também da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos.

Apesar do Decreto, ainda não foi divulgado pelo Governo um cronograma para as ações no interior do Estado. O objetivo do é viabilizar a construção de barragens subterrâneas - obras que fazem parte do programa "Segunda Água" -, o incremento da agricultura irrigada junto aos pequenos produtores de forma racionalizada, facilitando, inclusive, o uso da "Tarifa Verde", um desconto de até 73% na irrigação durante o período noturno. Além disso, o Governo também vai buscar a liberação de emendas parlamentares direcionadas ao setor rural, bem como o descontingenciamento de verbas de programas do Governo Federal. As datas para as ações ainda não estão definidas.

A execução de ações devem demorar mais um pouco para os municípios afetados, devido à principal dificuldade, segundo o coronel Josenildo Acioli Bento, de que apenas 37 municípios contam com apoio institucional formalizado.

"O que a gente percebe é a falta de interesse de ocupação preventiva dos gestores municipais", diz o coronel Josenildo Acioli, para esclarecer que os municípios precisam se preparar para uma série de exigências da Secretaria Nacional, por exemplo, relacionada à aquisição do Cartão de Pagamento da Defesa Civil, com o qual se habilita a receber recursos federais.

Acioli afirma que os municípios só terão acesso aos recursos se estiverem de posse desse cartão, que pode ser solicitado na agência regional do Banco do Brasil: "Se existir alguma exceção, essa deverá vir de uma decisão do Governo Federal".

Segundo Acioli, a decretação da situação de emergência também tem a finalidade de permitir, aos órgãos públicos, mais agilidade nas ações de socorro à população afetada pela estiagem, pois de acordo com o artigo 24 da Lei das Licitações (nº 8.666/90), pode haver a contratação de serviços e obras com dispensa de concorrência pública.

A insuficiência das chuvas já afeta, reforça o parecer técnico 002/2012 da Codec, a oferta de água para a produção agrícola e pecuária, "bem como para o consumo humano e animal". Segundo ainda o documento, pelo menos 500 habitantes estão na zona rural desses 139 municípios.

O monitoramento do inverno feito pelo Setor de Meteorologia da Empresa de Pesquisa de Agropecuária do RN (Emparn) identifica um acúmulo de chuvas no ano em 112 municípios. Segundo o parecer da Codec, o desastre natural de estiagem que ocorre no Rio Grande do Norte "é caracterizado como gradual, de evolução crônica e de nível III". Neste caso, o fenômeno é tido como de grande porte e grande intensidade", onde os danos causados são importantes e os prejuízos vultosos, contribuindo para "intensificar a estagnação econômica e o nível de pobreza" na região semiárida norte-riograndense e, consequentemente, os desequilíbrios nas regiões afetadas pela escassez de chuvas.

População quer medidas urgentes para abastecimento

O município de Luís Gomes, distante 452 quilômetros de Natal, é a localidade mais afetada com a falta de chuva no Rio Grande do Norte. Além da água que não cai do céu há mais de dois meses, os cerca de 10.500 habitantes sofrem com a falta de abastecimento da Companhia de Águas e Esgotos do Estado (Caern) desde outubro passado devido à seca do açude do local. Inconformados com a situação, parte da população resolveu protestar. Na manhã de ontem, crianças, jovens e idosos interromperam o tráfego de veículos na BR-405, que liga o RN a Paraíba.

Segurando faixas e cartazes, os moradores gritavam palavras de ordem e exigiam alguma resposta por parte da Prefeitura ou Governo do Estado. Eles querem que a obra de uma adutora seja retomada. "Estamos cansados dessa situação humilhante. Não temos água para as necessidades básicas. Alguma coisa precisa ser feita. Do jeito que está, alguém vai acabar morrendo. É muito triste", desabafou a presidente da Associação dos Produtores Rurais do Sítio Caixão, Maria Gerusa. "A agricultura eu nem falo mais porque já perdemos tudo, queremos ao menos que o abastecimento seja feito regularmente", completou.

O protesto teve início por volta das 7h e interrompeu a viagem de muita gente. Irritados, motoristas desceram dos carros e foram conversar com os organizadores da manifestação. "Eu não tenho nada a ver com a falta d'água de ninguém. Preciso levar minha carga e já estou atrasado. Acho isso um absurdo. O protesto deveria ser feito na Prefeitura, e não aqui na estrada", disse o caminhoneiro Raimundo Nonato que transportava sal de Mossoró para Uberlândia-MG.

Três viaturas da Polícia Militar do RN e uma da Paraíba estiveram no local. Ambulâncias do Corpo de Bombeiros do município de Pau dos Ferros ficaram presas no engarrafamento que se formou com o bloqueio na via. De acordo com o pedreiro Wagner Almeida, um dos organizadores da manifestação, essa não foi a primeira vez que a população de Luís Gomes sai às ruas para protestar. "Já fizemos uma passeata e protesto na prefeitura, mas não adiantou nada. Enquanto o problema não for resolvido, vamos continuar fazendo manifestações. Aqui na BR ou no meio da cidade", informou.

Na manhã de ontem, a reportagem da TRIBUNA DO NORTE tentou falar com o prefeito Francisco Tadeu Nunes. Na prefeitura, funcionários informaram que ele estava participando de um encontro com a governadora Rosalba Ciarlini na cidade de Caicó. "Ele foi justamente tentar conversar com a governadora para encontrar uma solução para esse problema", disse um funcionário.

De acordo com a assessoria de imprensa da Caern, a falta de abastecimento da cidade foi ocasionada devido à seca do único açude que servia de reservatório no município. "Como não tem mais água no reservatório, suspendemos a cobrança da taxa de água bem como o fornecimento", informou a assessoria. Como alternativa, a Caern, juntamente com a Prefeitura, instalou 18 caixas d'água, cada um com capacidade para 1.000 litros, em alguns pontos da cidade. Todos os dias, caminhões-pipa abastecem essas caixas e a população retira a água para o consumo.

Ainda de acordo com a Caern, o problema só será resolvido quando a adutora do Alto Oeste estiver construída. Segundo informações de populares, as obras da adutora foram interrompidas há mais de dois anos. "A Semarh está providenciando a perfuração de poços e o Governo do Estado deve retomar a construção da adutora", informou a assessoria.

O protesto na BR-405 foi encerrado por volta das 9h. A Polícia Rodoviária Federal foi acionada, mas os populares desbloquearam a via antes da chegada da PRF. "Mas se não for feito algo, a gente vai voltar no início do mês para fechar a estrada de novo", disse um dos protestantes.

Emparn chama atenção para complicações

A seca está afetando boa parte do Estado. Os municípios localizados na região semiárida são os que mais necessitam de ajuda para combater a falta de água. Na última semana, a Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN (Emparn) informou que o quadro atual pode trazer consequências perigosas para o interior do RN caso se mantenha durante o mês de abril. Representantes do municípios se reuniram e, juntamente com secretaria de Estado da Agricultura, da Pecuária e da Pesca (Sape), elaboraram um documento em que embasam o pedido para a decretação da situação de emergência.

De acordo com o documento, as chuvas ocorridas em janeiro e fevereiro de 2012 foram consideradas de baixo volume. Em março, a situação voltou a ocorrer. A ocorrência de chuvas foi considerada abaixo do normal, configurando-se um quadro de "seca", "com sérias consequências negativas para a atividade rural do Estado, que tem na agricultura de sequeiro e na pecuária, as principais fontes de geração de renda e de ocupação da mão de obra campesina".

Para as autoridades, "a situação vivencial tende a se agravar à medida que se amplia a escassez hídrica no campo". Conforme o documento entregue à governadora Rosalba Ciarlini, intitulado de "Situação Agroclimática do Rio Grande do Norte", o impacto dessas secas é complexo e diferenciado. Assim, há o prejuízo em "todos os elos das cadeias produtivas".

O meteorologista da Emparn, Gilmar Bristot, confirmou o registro de estiagem em parte do Estado. "A nossa preocupação é que se confirme o quadro de estiagem, como já tivemos o mês de março, durante o mês de abril", disse. Segundo ele, medidas precisam ser tomadas no sentido de antecipar o cenário que pode se complicar.

Para tentar amenizar a situação, os prefeitos contam hoje somente com a chamada "Operação Pipa", que é gerenciada pelo Exército Brasileiro. Segundo alguns gestores, o programa é muito burocrático e falho. "Pede-se muitos papéis para autorizar o abastecimento. É difícil porque é muito irregular. Às vezes vem, às vezes falta", disse Francisco Chagas, prefeito de Pilões, município localizado a 390 quilômetros de Natal. Ainda segundo o prefeito, o custo semanal com os carros-pipa é de R$ 1.200,00. "Estamos nos desdobrando para poder pagar esse valor, pois não temos condições". O único reservatório do município é um açude que, segundo o gestor, está cheio com apenas 30% de sua capacidade.

Açudes têm capacidade comprometida

A Secretaria Estadual de Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh) monitora a situação volumétrica de água de 44 reservatórios do Rio Grande do Norte e, de acordo com relatório encaminhado à Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Codec), apenas a barragem Flechas, em José da Penha, na região Oeste, tem volume suficiente para suportar a escassez de chuvas até dezembro deste ano.

Com capacidade para armazenar 8,95 milhões de metros cúbicos, atualmente a barragem Flechas tinha armazenado 3,8 milhões de metros cúbicos (42,48%) até 29 de março, data da última medição.

O relatório da Semarh ainda mostra que 23 desses reservatórios tem volume d'água para suportar o abastecimento de água humano e animal, em sua maioria, até o ano de 2013.

Uma das situações mais críticas é do açude Dourado, em Currais Novos, no Seridó, com volume atual de 5,73 milhões de metros cúbicos ou 55,51% de sua capacidade, mas só tem suporte até fevereiro do próximo ano.

Por intermédio de sua assessoria de imprensa, a Semarh informou que nem sempre os reservatórios monitorados têm captação de água pela Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), pois em algumas cidades do interior os açudes servem para abastecer as comunidades rurais mais próximas da zona urbana, além de outras fontes, como os mananciais subterrâneos de onde se retira água através de poços.

A Caern informa que apesar da estiagem, somente três dos 152 sistemas de abastecimento de água de sua responsabilidade, todos na região Oeste, estão em colapso, como em Antônio Martins, onde o açude Porcos está seco desde julho de 2011.

Diariamente, três carros-pipa da Caern realizam quatro viagens, totalizando 96 mil litros de água distribuídos por dia à população da cidade.

Quanto a Luís Gomes, a Caern informa que tem quatro carros-pipa levando 128 mil litros de água/dia para os habitantes da cidade, onde estão instaladas 18 caixas de água com capacidade para armazenar 10 mil litros, cada uma. Em Luís Gomes, o problema começou em novembro de 2011, quando o açude Lulu Pinto secou.

Em Pilões, o açude homônimo está com 10,35% de sua capacidade ou 610 mil dos 5,9 milhões de metros cúbicos que pode armazenar. O nível melhorou um pouco com as chuvas de janeiro."
"Seca: Ações do estado de Pernambuco em pauta na Assembleia

Diversas medidas do Governo do Estado para amenizar a seca que atinge cidades do Sertão e Agreste de Pernambuco foram anunciadas na Assembleia, hoje, pelo deputado Ângelo Ferreira (PSB). O parlamentar reuniu-se com o secretário de Agricultura e Reforma Agrária, Ranilson Ramos, e obteve dados sobre o planejamento de ações para o interior.

16/04/2012


De acordo com o deputado, serão construídos cerca de mil e duzentos sistemas de abastecimento de água. O estado vai instalar 440 barragens. De imediato, para buscar água no subsolo, a secretaria vai investir na implementação de mil poços que já estejam perfurados pelas prefeituras ou pelo próprio Governo, por meio de suas secretarias. Além disso, vai perfurar e instalar outros 400 poços.

Ainda segundo Ângelo Ferreira, as iniciativas serão realizadas em conjunto com o Ministério da Integração Nacional e as Secretarias de Agricultura e Recursos Hídricos do Estado.

Em aparte, os deputados Raimundo Pimentel (PSB), Diogo Moraes (PSB) e Aluísio Lessa(PSB) e Tony Gel (DEM) também demonstraram preocupação com o tema. O presidente da Assembleia, deputado Guilherme Uchoa, do PDT, registrou o convite da Comissão de Agricultura para audiência pública que será realizada, na próxima sexta, em Garanhuns, no Agreste, sobre o assunto. "

Da Assembleia Legislativa
"O Nordeste tem muita água", afirma João Suassuna
29/10/2009

João Suassuna estuda a questão hídrica do semi-árido/Foto: Divulgação/Fundaj
O engenheiro agrônomo João Suassuna é um dos especialistas mais respeitados do Brasil quando o assunto é a hidrologia do semi-árido, principalmente em relação ao Nordeste Seco do país, região que o também líder-parceiro da Avina estuda há mais de uma década. Nesta entrevista ao portal EcoDesenvolvimento.org, ele relata parte de sua trajetória como pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, defende a criação de cisternas e critica veementemente o projeto de transposição do Rio São Francisco.
EcoD: Como é que se deu a trajetória profissional do senhor até aqui?
João Suassuna: Eu terminei meu curso acadêmico em 1974. Depois trabalhei durante sete anos no Ibama. Já no início dos anos 1980, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) implantou em Brasília uma coordenação de energia (setor que do final dos anos 1970 até os 80 era prioridade nesse país...), e eu fui convidado a trabalhar nessa área com pesquisas sobre a biomassa, carvão e lenha vegetal, por exemplo. Então trabalhei em Brasília cerca de 10 anos, depois fui transferido para a Agência Nordeste do CNPq, em Recife, para trabalhar num programa de difusão de tecnologia em nível de produtores de baixa renda.
EcoD: É aí que começa o teu interesse pela água no Nordeste?
João Suassuna: Exatamente. Este trabalho junto aos pequenos produtores ampliou minha visão sobre as questões hídricas do Nordeste, como por exemplo levar a água para uma região onde aparentemente não tem. Foi aí que a minha trajetória evoluiu. Mas antes disso vale destacar que a Agência Nordeste do CNPq acabou extinta na gestão do então presidente Fernando Collor de Mello. Então, nos deram a opção de sair de Brasília e migrar para uma instituição federal vinculada ao Ministério da Educação (MEC), foi então que cheguei a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj).
EcoD: Que conta com pesquisas importantes sobre o desenvolvimento sustentável.
João Suassuna: Isso. O forte da Joaquim Nabuco é a área social. Lá, eu comecei a desenvolver um trabalho voltado para o convívio com o semi-árido e, numa dessas vertentes, tratamos das questões hídricas do Nordeste Seco, e mais especificamente da transposição do Rio São Francisco.
EcoD: E o senhor critica bastante esse projeto. Por qual razão?
João Suassuna: Porque o Nordeste tem muita água. Para você ter ideia, o Nordeste acumulou, em suas represas, algo em torno de 37 bilhões de metros cúbicos d’água – é o maior volume de água represada em regiões semi-áridas do mundo. O que nós não temos ao certo, é uma política específica que faça com que esta água que já existe seja distribuída para as torneiras das populações. E é nesse cenário que o governo federal quer trazer a água do São Francisco para abastecer as principais represas do Nordeste e fazer com que haja o que eles chamam de “sinergia hídrica”.
EcoD: Qual é o significado dessa expressão?
João Suassuna: O impedimento de que as represas sequem. Mas o que precisa estar claro é que o Nordeste tem grandes represas que jamais secarão, mesmo com o uso contínuo dessa água. Então se a água do São Francisco abastecer as principais represas da região, ela acabará sendo usada de maneira errada.
EcoD: Por que?
João Suassuna: Porque essa água não vai resolver os problemas de quem mais precisa: a população difusa do Nordeste. E olhe que estou falando de algo em torno de 10 milhões de pessoas, que no exacerbar de uma seca passam sede e fome.
EcoD: Nesse caso, qual alternativa o senhor propõe?
João Suassuna: Para problemas difusos, você precisa de soluções também difusas. Ao cair nas grandes represas, a água do São Francisco vai favorecer ao grande capital. Lá em Fortaleza, o governo do Ceará está construindo uma siderúrgica que sozinha vai consumir um volume de água capaz de suprir a necessidade de um município de 90 mil habitantes. Então se a água do São Francisco cai na Barragem do Castanhão, que é a maior represa do Nordeste, e que já há um canal que a liga até o Porto de Pecém, lógico que esta água irá abastecer esta siderúrgica. É aí que entra o que nós consideramos como a “indústria da seca”. Estão prometendo abastecer 12 milhões de pessoas no Nordeste com a água do São Francisco, e não vai acontecer isso. Essa água será utilizada para o agronegócio, e é aí que temos investido o nosso trabalho. Nós temos 74 artigos publicados na internet denunciando essa realidade.
EcoD: A construção de cisternas é uma boa alternativa?
João Suassuna: Sem dúvida. Não é um canal de transposição que vai resolver os problemas socioeconômicos dos que mais precisam, no caso, a população difusa. Ora, se hoje, nas margens do São Francisco você já tem problemas de desabastecimento, não é um canal que vai resolver tal impasse, porque nesse projeto não há a previsão de uma distribuição razoável dessa água para resolver o problema. Simplesmente não há.
Por intermédio da Agência Nacional das Águas (ANA), o governo federal editou o Atlas Nordeste de Abastecimento Humano de Água, que busca o abastecimento para 34 milhões de pessoas. Esta sim é uma grande ideia que está sendo implantada. Abrange um número muito maior de municípios e, pasme: custa a metade do que está previsto na transposição do Rio São Francisco. Esse projeto atende o problema de desabastecimento para os municípios até 5 mil habitantes. De que forma? Com a água que já existe na região, através da adução das águas já existentes nas represas, nos poços, enfim.
EcoD: E o que vem a ser a adução?
João Suassuna: Significa a utilização de tubulações para recalcar essa água, abduzi-la para as populações. Isso resolve o problema de 34 milhões de pessoas da área urbana. Para a área rural, referente às comunidades difusas, que moram nos pequenos lugarejos, grotões, pés de serra, existem alternativas, como as que vem sendo trabalhadas pela ASA Brasil – que desenvolve um programa de 1 milhão de cisternas na região seca do Nordeste. Esse programa já tem cerca de 300 mil cisternas implantadas. Uma cisterna de 16 mil litros resolve o problema de uma família de 5 pessoas durante os oito meses sem chuva na região. O Nordeste seco concentra suas chuvas quatro meses e nos oito meses restantes não chove, então, a cisterna rural abastece essas pessoas com água para beber e cozinhar durante oito meses. Nós temos que incentivar esse tipo de iniciativa, e não um projeto que vai trazer a água do São Francisco, que fica a 500 km do local de consumo, com preços exorbitantes.
EcoD: O senhor também é um defensor das fontes renováveis de energia. Já pesquisava a biomassa vegetal há 30 anos, não é mesmo?
João Suassuna: Verdade. É como eu disse, na época em que a energia era prioridade nesse país. Continuo defendendo essas alternativas aos combustíveis fósseis. O biodiesel também, já que ele também pode ser produzido a partir de oleaginosas como a mamona, a própria soja e o álcool combustível. Fui contra a proposta de implantação da cana de açúcar irrigada no Nordeste Seco para a produção de etanol. Caso acontecesse, seria um desastre. Ainda bem que houve o zoneamento da cana, o que isentou aquela região dessa proposta.
EcoD: Aquele anunciado pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, recentemente?
João Suassuna: Exato, em parceria com a Embrapa. Tive conhecimento que projetos nesse sentido seriam implantados no Oeste de Pernambuco, por exemplo, algo em torno de 80 mil hectares de cana de açúcar, com a água do São Francisco. Se hoje já não tem água do São Francisco para abastecer esse povo. Como é que eles querem tirar mais água para irrigar? E a gente sabe que a irrigação é que leva 70% do volume das águas extraídas dos rios. Seria um crime."
EcoD: João, o portal EcoDesenvolvimento.org agradece a tua entrevista.
"Energia solar ajuda a manter cultivo de uvas no deserto do Atacama
Uma parceria entre uma das maiores produtoras de frutas frescas do Chile e uma companhia de energia renovável alemã resultou no uso de energia solar para irrigar parreiras no deserto do Atacama, um das regiões mais secas do planeta.
17/04/2012
Katia Moskvitch
Enviada da BBC News ao deserto do Atacama, no Chile
Uma parceria entre uma das maiores produtoras de frutas frescas do Chile e uma companhia de energia renovável alemã resultou no uso de energia solar para irrigar parreiras no deserto do Atacama, um das regiões mais secas do planeta.
"Queríamos aproveitar a oportunidade que o deserto de Atacama oferece", afirmou José Miguel Fernandez, da companhia produtora de frutas Subsole, enquanto caminhava entre os painéis solares.
"Este projeto está de acordo com nosso compromisso com o ambiente para as gerações futuras e é uma forma de fazer com que outros produtores de frutas nos sigam", disse.
Os painéis para capturar a energia solar estão instalados no Vale de Copiapó, em uma área pequena que parece perdida em meio às colinas e montanhas do Atacama.
A região é um oásis verde no deserto e as parreiras da Subsole são cultivadas graças às reservas subterrâneas de água.
As bombas de água do sistema de irrigação dessas plantações é movida por eletricidade gerada pelos painéis solares, que se aproveitam da fartura de luz existente na região norte do Chile.

O Atacama é considerado o deserto mais seco da Terra, com os mais altos níveis de luz solar do mundo. As nuvens aparecem apenas cerca de 30 dias por ano e área para instalação dos painéis não falta.
No entanto, painéis para captação de energia solar não são comuns na região.

Capacidade

A capacidade de geração de energia é de apenas 300 kWp (kilowatt-pico) - o bastante para gerar energia para um prédio de 20 andares. Mas, Roberto Jordan, da subsidiária chilena da companhia de energia renovável alemã Kraftwerk, afirma que eles são os primeiros a trabalhar com uma instalação de tamanho industrial em todo o deserto do Atacama.
Para Jordan, o deserto é capaz de produzir muito mais energia.
Para Roberto Jordan, o Atacama pode gerar mais energia (Foto: BBC)
"Há sol o bastante, há terra o bastante, então devemos mesmo explorar mais", disse.

Protestos

Apesar de todo o potencial do Atacama, apenas 4% da energia elétrica consumida pelo Chile vem de fontes renováveis, tais como a energia solar, geotermal, eólica e das ondas do mar.
Combustíveis fósseis importados, por sua vez, são usados em 60% da produção de energia elétrica do país. O restante é suprido por usinas hidrelétricas.
O anúncio feito pelo governo no ano passado de que cinco novas usinas hidrelétricas seriam construídas na região da Patagônia deflagrou uma onda de protestos.
Projetos como esse, segundo o governo, são cruciais para suprir a crescente necessidade de energia do Chile. A demanda no país deve dobrar nos próximos anos devido ao boom da mineração chilena.
Contudo, aos poucos o governo tem prestado mais atenção em energias renováveis.
"Nós precisamos dobrar nossa capacidade de suprimento de energia elétrica nos próximos 10 anos", afirmou Gabriel Rodriguez, da chancelaria chilena.
"Nós dependemos muito da energia hidrelétrica, que é problemática por causa do impacto ambiental. Carvão, gás e petróleo nós temos que importar. Por isso é essencial investir na energia renovável", disse.
Após tomar posse em 2010, o presidente Sebastian Piñera delineou um plano para que até 2020 ao menos 20% da energia usada no país venha de fontes renováveis.
A opção mais atrativa no campo da energia renovável, tanto para o Estado quanto para a iniciativa privada, é a energia solar - principalmente devido à queda nos custos da tecnologia usada pelo setor.
Segundo a Kraftwerk, o preço dos painéis solares caíram cerca de 30% em 2011 e devem sofrer redução ainda maior neste ano.
Mas, a migração dos combustíveis fósseis para a energia limpa pode ser complicada: a Subsole, por exemplo, teve que conseguir financiamento do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento)
Instalação da Subsole recebeu dinheiro do BID (Foto: BBC)
"Emprestamos US$ 32 milhões (R$ 58 milhões) porque o projeto é muito importante. O governo está querendo mudar a matriz energética criando fontes alternativas de energia. Queremos participar disso", disse Maria Urriba, representante do BID no país.

Mineradoras

Segundo Urriba, o governo chileno deve investir no setor da energia renovável principalmente para suprir a necessidade das empresas mineradoras instaladas no Atacama.
A extração de cobre na região é responsável por 70% das exportações do Chile e as mineradoras consomem aproximadamente metade da energia produzida no país.
"O deserto do Atacama tem condições perfeitas para aproveitar a energia solar", disse Urriba.
A mineradora estatal Codelco está construindo em parceria com a empresa espanhola Solapark uma planta de energia solar próxima à cidade de Calama.
Uma vez em funcionamento, a usina fornecerá 1 megawatt de energia para a maior mina de cobre do mundo, a Chuquicamata.
Ainda não é possível saber se o Chile alcançará sua ambiciosa meta de que a energia renovável represente 20% do consumo do país em 2020, mas certamente o país começa a perceber o potencial do Atacama."

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