quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Brasil alcança marca de 1 gigawatt de potência instalada de energia eólica.

Produção é suficiente para suprir cidade com 1,5 milhão de habitantes. Potencial do país é maior; veja mapa com áreas propícias. Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

A reportagem é do G1

O Brasil alcançou pela primeira vez, em junho, a potência de 1 gigawatt (GW) de energia elétrica gerada nos parques eólicos instalados, principalmente, nas regiões Nordeste e Sul do país.

De acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), o potencial, suficiente para abastecer uma cidade com população com 1,5 milhão de habitantes, é proveniente do funcionamento de 51 parques eólicos, distribuídos por nove estados.

Mas o potencial nacional para energia limpa vinda dos ventos poderia ser bem maior se os custos para instalação das torres e do sistema de distribuição fossem menores e houvesse ainda mais incentivos públicos.

A expectativa da ABEEólica é de que, até 2013, a matriz energética brasileira receba 5,3 GW gerados por turbinas movidas por ventos. Os investimentos devem ultrapassar os R$ 25 bilhões e serão feitos pela iniciativa privada, através de incentivos dados pelo governo federal pelo Proinfa (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica). Estão em construção atualmente outras 36 usinas eólicas, com capacidade de gerar mais 1 GW, e que devem operar ainda este ano.

Atraso

Porém, o número ainda é baixo se comparado a outros países emergentes como China e Índia, que desde 2010 estão entre as cinco nações que mais detêm este tipo de tecnologia, segundo o Conselho Internacional de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês).

“O Brasil ainda tem um megapotencial para energia hidrelétrica e facilidade para energia térmica. Além disso, a exploração é feita pelas fontes consideradas mais baratas”, disse Pedro Perrelli, diretor-executivo da ABEEólica.

O preço do MWh proveniente de usinas eólicas tem registrado constante queda. O valor estava em torno de R$ 148, mas já caiu para R$ 135 o MWh em 2011, segundo a ABEEólica. Entretanto, não se equipara ao custo da energia elétrica gerada por hidrelétricas (R$ 115 por MWh).

Mapa

Muitas regiões do país ainda são pouco exploradas quando se trata da questão eólica. De acordo com a ABBEólica, apenas nove estados brasileiros têm uma ou mais usinas com turbinas eólicas (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí). Entretanto, de acordo com o mapa abaixo, estados como Mato Grosso do Sul, Roraima e São Paulo têm potencial para fornecer este tipo de energia.

O governo de São Paulo já reconheceu o potencial elétrico dos ventos e encomendou estudo à Secretaria de Energia para verificar quais regiões do estado podem receber torres eólicas.


(Ecodebate, 12/07/2011) publicado pela IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.

ENERGIA EÓLICA.

"Brasil alcança marca de 1 gigawatt de

potência instalada de energia eólica.
Publicado em julho 12, 2011 por HC
Tags: energia, energia eólica
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Produção é suficiente para suprir cidade com 1,5 milhão de habitantes. Potencial do país é maior; veja mapa com áreas propícias.

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)
A reportagem é do G1, 09-07-2011.

O Brasil alcançou pela primeira vez, em junho, a potência de 1 gigawatt (GW) de energia elétrica gerada nos parques eólicos instalados, principalmente, nas regiões Nordeste e Sul do país.

De acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), o potencial, suficiente para abastecer uma cidade com população com 1,5 milhão de habitantes, é proveniente do funcionamento de 51 parques eólicos, distribuídos por nove estados.

Mas o potencial nacional para energia limpa vinda dos ventos poderia ser bem maior se os custos para instalação das torres e do sistema de distribuição fossem menores e houvesse ainda mais incentivos públicos.

A expectativa da ABEEólica é de que, até 2013, a matriz energética brasileira receba 5,3 GW gerados por turbinas movidas por ventos. Os investimentos devem ultrapassar os R$ 25 bilhões e serão feitos pela iniciativa privada, através de incentivos dados pelo governo federal pelo Proinfa (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica). Estão em construção atualmente outras 36 usinas eólicas, com capacidade de gerar mais 1 GW, e que devem operar ainda este ano.

Atraso

Porém, o número ainda é baixo se comparado a outros países emergentes como China e Índia, que desde 2010 estão entre as cinco nações que mais detêm este tipo de tecnologia, segundo o Conselho Internacional de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês).

“O Brasil ainda tem um megapotencial para energia hidrelétrica e facilidade para energia térmica. Além disso, a exploração é feita pelas fontes consideradas mais baratas”, disse Pedro Perrelli, diretor-executivo da ABEEólica.

O preço do MWh proveniente de usinas eólicas tem registrado constante queda. O valor estava em torno de R$ 148, mas já caiu para R$ 135 o MWh em 2011, segundo a ABEEólica. Entretanto, não se equipara ao custo da energia elétrica gerada por hidrelétricas (R$ 115 por MWh).

Mapa

Muitas regiões do país ainda são pouco exploradas quando se trata da questão eólica. De acordo com a ABBEólica, apenas nove estados brasileiros têm uma ou mais usinas com turbinas eólicas (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí). Entretanto, de acordo com o mapa abaixo, estados como Mato Grosso do Sul, Roraima e São Paulo têm potencial para fornecer este tipo de energia.

O governo de São Paulo já reconheceu o potencial elétrico dos ventos e encomendou estudo à Secretaria de Energia para verificar quais regiões do estado podem receber torres eólicas."


(Ecodebate, 12/07/2011) publicado pela IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.

O Veneno Está na Mesa - O filme completo.


Sinopse
O Brasil é o país do mundo que mais consome agrotóxicos: 5,2 litros/ano por habitante. Muitos desses herbicidas, fungicidas e pesticidas que consumimos estão proibidos em quase todo mundo pelo risco que representam à saúde pública.

O perigo é tanto para os trabalhadores, que manipulam os venenos, quanto para os cidadãos, que consumem os produtos agrícolas. Só quem lucra são as transnacionais que fabricam os agrotóxicos. A idéia do filme é mostrar à população como estamos nos alimentando mal e perigosamente, por conta de um modelo agrário perverso, baseado no agronegócio.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

USINA NUCLEAR EM PERNAMBUCO: NÃO!!!





Divulgue, comente, fale, poste, se posicione.
Somos contra usinas nucleares em Pernambuco, no Nordeste e no Brasil


PARTICIPE DA CARAVANA ANTINUCLEAR
No período de 28 a 31 de outubro a Caravana Antinuclear estará percorrendo os municípios pernambucanos de Jatobá, Floresta, Itacuruba e Belém de São Francisco. O objetivo é trazer para estas cidades sertanejas informações sobre o que pode acontecer se a usina nuclear for construído na região, além de mostrar outras opções energéticas como a energia solar e a energia eólica.
Vamos ter exposição de fotografia “Mãos de Césio”, debates, feira de ciências com protótipos de aproveitamento da energia solar e energia eólica, apresentação da peça “Bicho Homem”, cantadores e muito mais. Tudo para ajudar você a compreender as desvantagens da instalação da usina nuclear na região e como é possível gerar energia elétrica a partir do sol, dos ventos, de outras maneiras que não destroem a natureza. A Caravana Antinuclear espera alertar as populações para os riscos da instalação dessa usina. O governo decidiu e planeja instalar a usina nuclear, mas não faz um diálogo com o povo da região para que ele fique ciente dos riscos, principalmente à saúde e ao meio ambiente. A Caravana vem para cumprir esse papel, ajude a mobilizar o maior número de pessoas.
A sua participação é muito importante. Convide outras pessoas da sua família, do trabalho, da escola, da igreja e venham participar. Todas as atividades da Caravana serão gratuitas. Mesmo você que mora em outros municípios da região, organize um grupo da sua associação, do seu sindicato, da sua igreja e vamos juntos dizer NÃO A INSTALAÇÃO DE USINAS NUCLEARES EM PERNAMBUCO, NO NORDESTE E NO BRASIL.
Mais informações e agenda completa das atividades da Caravana Antinuclear nas cidade acesse:
www.MESPE.com.br
Atenciosamente,

Movimento Ecossocialista de Pernambuco
site: www.mespe2011.ning.com
e-mail: mespe2011@gmail.com
Twitter: @mespe2011
Facebook: www.facebook.com/mespe2011

"ELFUTURO DE BRASIL ES LA ECONOMIA DEL CONOCIMIENTO NATURAL"


PORTO DE GALINHAS, Brasil, oct (Tierramérica) - Brasil puede liderar una nueva agenda global de desarrollo sustentable y convertirse en una potencia ambiental, sostiene Carlos Nobre, uno de los principales especialistas mundiales en cambio climático.
04/10/2011
http://www.ipsnoticias.net/nota.asp?idnews=99280

Además de una serie de condiciones naturales del país, la sociedad brasileña tiene conciencia de que ese futuro es posible, estima Nobre, secretario de Políticas y Programas de Investigación y Desarrollo del Ministerio de Ciencia y Tecnología y profesor de posgrados del Instituto Nacional de Investigaciones Espaciales.

Brasil tiene potencial para explorar un nuevo modelo de desarrollo tropical, utilizando plenamente la energía renovable y la economía del conocimiento natural, dijo a Tierramérica este ingeniero y doctor en meteorología que ha investigado el clima de la Amazonia y es uno de los galardonados con el premio Nobel de la Paz que recibió en 2007 el Panel Intergubernamental de Expertos sobre el Cambio Climático.

Nobre habló con Tierramérica en exclusiva durante el XIV Congreso Mundial del Agua de la International Water Resources Association (IWRA), que se realizó del 25 al 29 de septiembre en Porto de Galinhas, en el nordestino estado brasileño de Pernambuco.

TIERRAMÉRICA: ¿Qué evaluación hace casi 20 años después de la Cumbre de la Tierra, celebrada en Río de Janeiro?

CARLOS NOBRE: La convención sobre cambio climático (adoptada en 1992) no logró crear el ímpetu para un movimiento global de reducción de emisiones.

El esfuerzo debe ser, por equidad y justicia, primero de los países que históricamente más emitieron y, en segundo lugar, de los países en desarrollo, que tendrán también que adecuarse a reducir los gases de efecto invernadero, si queremos realmente entrar en una trayectoria menos peligrosa.

La temperatura global aumentaría entre tres y cinco grados a fines de este siglo. Eso es mucho. Ya subió 0,8 grados en 200 años. Esa trayectoria es bastante pesimista.

TIERRAMÉRICA: Entonces no se avanzó en ese aspecto desde 1992.

CN: En 2010 se registró el mayor volumen de emisiones de la historia de la civilización humana: casi 45 por ciento más que las emisiones de 1990 en dióxido de carbono y otros gases invernadero. No hay forma de mirar esos números sin preocuparse.

Cambiar el clima en 200 años, lo que lleva 20.000 o 30.000 años según los ciclos naturales de la Tierra, es una mudanza muy abrupta para la manera en que la naturaleza se ajusta a los ciclos naturales.

Y la primera víctima directa es la biodiversidad, que es muy variable. El ritmo natural de emergencia de una especie se cuenta en cientos de miles de años, pero la extinción es muy rápida, basta una perturbación.

Los biólogos estiman que si ese escenario pesimista persiste hasta el final del siglo sin control, estará amenazada la existencia de 40 por ciento de todas las especies. Esto es un gran cataclismo para la vida del planeta Tierra.

TIERRAMÉRICA: ¿Cómo puede afectar el cambio climático los recursos hídricos?

CN: El clima es más variable, y los sistemas de producción de los que dependemos para vivir se perturban. Por ejemplo: hoy hay un gran número de desastres naturales y la capacidad de resiliencia está disminuyendo.

Ese es el aspecto que importa cuando hablamos de la falta de agua: las proyecciones de las mudanzas climáticas en el siglo afectan las regiones semiáridas, donde está la pobreza del mundo.

En 100 años, el nivel del mar puede subir entre 50 centímetros y 1,4 metros. Eso inundará muchas áreas costeras bajas donde viven centenas de miles de personas que tendrán que ser reubicadas.

En general, con grandes aumentos de temperatura y con extremos meteorológicos, la agricultura global sufre porque las olas de calor aumentan, así como las sequías, que se hacen imprevisibles. El problema es que la agricultura ya usa tres cuartos de los recursos hídricos disponibles, está en su límite.

TIERRAMÉRICA: ¿Cómo se coloca Brasil en este contexto de crisis climática?

CN: Existe sin duda una crisis y para Brasil no es diferente. No sólo es étnicamente una mezcla de culturas, sino también una mezcla climática y ecológica y sufre todos los problemas globales. El cuadro de regiones semiáridas es agudo en el Nordeste de Brasil, que es el semiárido más poblado del mundo, con 20 millones de personas.

Los desastres naturales están aumentando mucho en Brasil, con inundaciones, deslizamientos, olas de calor, contaminación y un ambiente cada vez más inhóspito para la calidad de vida.

La mayor vulnerabilidad ecológica está en la Amazonia y en el Cerrado, donde hay un riesgo enorme de extinción de especies a gran escala, jamás vista por la humanidad.

Estamos hablando de una posibilidad de variación en la Amazonia no vista en decenas de millones de años, una mudanza de la floresta que podría tornarse en una sabana empobrecida. Si el clima cambia mucho en 200 años, perderemos gran parte de la selva amazónica.

TIERRAMÉRICA: Ésas son previsiones muy catastróficas. ¿Cómo puede Brasil liderar un movimiento de desarrollo más sostenible?

CN: Brasil es un país muy rico en recursos naturales, más que India y China. La demografía brasileña es muy favorable, y hay una aspiración de desarrollo sustentable. La población (hoy de 192 millones de personas) debe estabilizarse en los próximos 15 años y no pasar de 215 millones.

Brasil puede, al contrario de China e India, planificar un desarrollo mucho más equilibrado y un futuro sustentable, pues tiene una cantidad de recursos naturales que tal vez ningún otro país en el mundo tenga.

Hoy ya usa 46 por ciento de fuentes renovables de energía y puede llegar a 2050 con cerca de 80 por ciento de su matriz renovable. Todo esto permite trazar un futuro como uno de los países más limpios.

TIERRAMÉRICA: ¿Usted cree realmente que Brasil, una de las naciones emergentes, quiera transformarse en una potencia ecológica?

CN: Hoy existe una conciencia en la sociedad brasileña de que ese futuro es posible. Brasil no quiere ser una potencia hegemónica militar, pero tiene un potencial de explorar un nuevo modelo de desarrollo tropical y de ser una potencia ambiental utilizando plenamente la energía renovable en un plazo de 20 a 30 años.

La economía de Brasil no puede separarse de la economía del conocimiento natural. El gran diferencial es una economía del conocimiento natural. El país puede ser un líder mundial de esa nueva visión con la aplicación del conocimiento, y esa es la imagen que debe dar en la cumbre de Río+20 (Conferencia de las Naciones Unidas sobre el Desarrollo Sostenible).

Queremos ser el país más limpio del mundo en los sectores energéticos, en la producción y en el modelo de agricultura sustentable.

* La autora es colaboradora de IPS. Este artículo fue publicado originalmente el 1 de octubre por la red latinoamericana de diarios de Tierramérica.
(FIN/2011)

por João Suassuna — Última modificação 04/10/2011 09:46

O BRASILEIRO COME VENENO.


Para o conhecimento de todos...

O documentarista Silvio Tendler fala sobre seu filme/denúncia contra os rumos do modelo adotado na agricultura brasileira

01/08/2011- Jornal BRASIL DE FATO - Aline Scarso, da Redação

Silvio Tendler é um especialista em documentar a história brasileira. Já o fez a partir de João Goulart, Juscelino Kubitschek, Carlos Mariguela, Milton Santos, Glauber Rocha e outros nomes importantes. Em seu último documentário, Silvio não define nenhum personagem em particular, mas dá o alerta para uma grave questão que atualmente afeta a vida e a saúde dos brasileiros: o envenenamento a partir dos alimentos.

Em O VENENO ESTÁ NA MESA, lançado na segunda-feira (25) no Rio de Janeiro, o documentarista mostra que o Brasil está envenenando diariamente sua população a partir do uso abusivo de agrotóxicos nos alimentos. Em um ranking para se envergonhar, o brasileiro é o que mais consome agrotóxico em todo o mundo, sendo 5,2 litros a cada ano por habitante. As consequências, como mostra o documentário, são desastrosas.

Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Silvio Tendler diz que o problema está no modelo de desenvolvimento brasileiro. E seu filme, que também é um produto da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida, capitaneada por uma dezena de movimentos sociais, nos leva a uma reflexão sobre os rumos desse modelo. Confira.

Brasil de Fato – Você que é um especialista em registrar a história do Brasil, por que resolveu documentar o impacto dos agrotóxicos sobre a agricultura e não um outro tema nacional?

Silvio Tendler – Porque a partir de agora estou querendo discutir o futuro e não mais o passado. Eu tenho todo o respeito pelo passado, adoro os filmes que fiz, adoro minha obra. Aliás, meus filmes não são voltados para o passado, são voltados para uma reflexão que ajuda a construir o presente e, de uma certa forma, o futuro. Mas estou muito preocupado. Na verdade esse filme nasceu de uma conversa minha com [o jornalista e escritor] Eduardo Galeano em Montevidéu [no Uruguai] há uns dois anos atrás, em que discutíamos o mundo, o futuro, a vida. E o Galeano estava muito preocupado porque o Brasil é o país que mais consumia agrotóxico no mundo. O mundo está sendo completamente intoxicado por uma indústria absolutamente desnecessária e gananciosa, cujo único objetivo realmente é ganhar dinheiro. Quer dizer, não tem nenhum sentido para a humanidade que justifique isso que está se fazendo com os seres humanos e a própria terra. A partir daí resolvi trabalhar essa questão. Conversei com o João Pedro Stédile [coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra], e ele disse que estavam preocupados com isso também. Por coincidência, surgiu a Campanha permanente contra os Agrotóxicos, movida por muitas entidades, todas absolutamente muito respeitadas e respeitáveis. Fizemos a parceria e o filme ficou pronto. É um filme que vai ter desdobramentos, porque eu agora quero trabalhar essas questões.

Então seus próximos documentários deverão tratar desse tema?

Pra você ter uma ideia, no contrato inicial desse documentário consta que ele seria feito em 26 minutos, mas é muita coisa pra falar. Então ficou em 50 [minutos]. E as pessoas quando viram o filme, ao invés de me dizerem ‘está muito longo’, disseram ‘está curto, você tem que falar mais’. Quer dizer, tem que discutir outras questões, e aí eu me entusiasmei com essa ideia e estou querendo discutir temas conexos à destruição do planeta por conta do modelo de desenvolvimento perverso que está sendo adotado. Uma questão para ser discutida de forma urgente, que é conexa a esse filme, é o agronegócio. É o modelo de desenvolvimento brasileiro. Quer dizer, porque colocar os trabalhadores para fora da terra deles para que vivam de forma absolutamente marginal, provocando o inchaço das cidades e a perda de qualidade de vida para todo mundo, já que no espaço onde moravam cinco, vão morar 15? Por que se plantou no Brasil esse modelo que expulsa as pessoas da terra para concentrar a propriedade rural em poucas mãos, esse modelo de desenvolvimento, todo ele mecanizado, industrializado, desempregando mão de obra para que algumas pessoas tenham um lucro absurdo? E tudo está vinculado à exploração predatória da terra. Por que nós temos que desenvolver o mundo, a terra, o Brasil em função do lucro e não dos direitos do homem e da natureza? Essas são as questões que quero discutir.

Você também mostrou que até mesmo os trabalhadores que não foram expulsos do campo estão morrendo por aplicar em agrotóxicos nas plantações. O impacto na saúde desses agricultores é muito grande...

É mais grave que isso. Na verdade, o cara é obrigado a usar o agrotóxico. Se ele não usar o agrotóxico, ele não recebe o crédito do banco. O banco não financia a agricultura sem agrotóxico. Inclusive tem um camponês que fala isso no filme, o Adonai. Ele conta que no dia em que o inspetor do banco vai à plantação verificar se ele comprou os produtos, se você não tiver as notas da semente transgênica, do herbicida, etc., você é obrigado a devolver o dinheiro. Então não é verdade que se dá ao camponês agricultor o direito de dizer ‘não quero plantar transgênico’, ‘não quero trabalhar com herbicidas’, ‘quero trabalhar com agricultura orgânica, natural’. Porque para o banco, a garantia de que a safra vai vingar não é o trabalho do camponês e a sua relação com a terra, são os produtos químicos que são usados para afastar as pestes, afastar pragas. Esse modelo está completamente errado. O camponês não tem nenhum tipo de crédito alternativo, que dê a ele o direito de fazer um outro tipo de agricultura. E aí você deixa as pessoas morrendo como empregadas do agronegócio, como tem o Vanderlei, que é mostrado no filme. Depois de três anos fazendo a tal da mistura dos agrotóxicos, morreu de uma hepatopatia grave. Tem outra senhora de 32 anos que está ficando totalmente paralítica por conta do trabalho dela com agrotóxico na lavoura do fumo.

A impressão que dá é que os brasileiros estão se envenenando sem saber. Você acha que o filme pode contribuir para colocar o assunto em discussão?

Eu acho que a discussão é exatamente essa, a discussão é política. Eu, de uma certa maneira, despolitizei propositadamente o documentário. Eu não queria fazer um discurso em defesa da reforma agrária ou contra o agronegócio para não politizar a questão, para não parecer que, na verdade, a gente não quer comer bem, a gente quer dividir a terra. E são duas coisas que, apesar de conexas, eu não quis abordar. Eu não quis, digamos assustar a classe média. Eu só estou mostrando os malefícios que o agrotóxico provoca na vida da gente para que a classe média se convença que tem que lutar contra os agrotóxicos, que é uma luta que não é individual, é uma luta coletiva e política. Tem muita gente que parte do princípio ‘ah, então já sei, perto da minha casa tem uma feirinha orgânica e eu vou me virar e comer lá’, porque são pessoas que têm maior poder aquisitivo e poderiam comprar. Mas a questão não é essa. A questão é política porque o agrotóxico está infiltrado no nosso cotidiano, entendeu? Queira você ou não, o agrotóxico chega à sua mesa através do pão, da pizza, do macarrão. O trigo é um trigo transgênico e chega a ser tratado com até oito cargas de pulverizador por ano. Você vai na pizzaria comer uma pizza deliciosa e aquilo ali tem transgênico. O que você está comendo na sua mesa é veneno. Isso independe de você. Hoje nada escapa. Então, ou você vai ser um monge recluso, plantando sua hortinha e sua terrinha, ou se você é uma pessoa que vai ficar exposta a isso e será obrigada a consumir.

Como você avalia o governo Dilma a partir dessa política de isenção fiscal para o uso de agrotóxico no campo brasileiro?

Deixa eu te falar, o governo Dilma está começando agora, não tem nenhum ano, então não dá para responsabilizá-la por essa política. Na verdade esse filme vai servir de alerta para ela também. Muitas das coisas que são ditas no filme, eles [o governo] não têm consciência. Esse filme não é para se vingar de ninguém. É para alertar. Quer dizer, na verdade você mora em Brasília, você está longe do mundo, e alguém diz para você ‘ah, isso é frescura da esquerda, esse problema não existe’, e os relatórios que colocam na sua mesa omitem as pessoas que estão morrendo por lidar diretamente com agrotóxico. [As mortes] vão todas para as vírgulas das estatísticas, entendeu? Acho que está na hora de mostrar que muitas vidas não seriam sacrificadas se a gente partisse para um modelo de agricultura mais humano, mais baseado nos insumos naturais, no manejo da terra, ao invés de intoxicar com veneno os rios, os lagos, os açudes, as pessoas, as crianças que vivem em volta, entendeu? Eu acho que seria ótimo se esse filme chegasse nas mãos da presidenta e ela pudesse tomar consciência desse modelo que nós estamos vivendo e, a partir daí, começasse a mudar as políticas.

No documentário você optou por não falar com as empresas produtoras de agrotóxicos. Essa ideia ficou para um outro documentário?

É porque eu não quis fazer um filme que abrisse uma discussão técnica. Se as empresas reclamarem muito e pedirem para falar, eu ouço. Eu já recebi alguns pedidos e deixei as portas abertas. No Ceará eu filmei um cara que trabalha com gado leiteiro que estava morrendo contaminado por causa de uma empresa vizinha. Eu filmei, a empresa vizinha reclamou e eu deixei a porta aberta, dizendo ‘tudo bem, então vamos trabalhar em breve isso num outro filme’. Se as empresas que manipulam e produzem agrotóxico me chamarem para conversar, eu vou. E vou me basear cientificamente na questão porque eles também são craques em enrolar. Querem comprovar que você está comendo veneno e tudo bem (risos). E eu preciso de subsídios para dizer que não, que aquele veneno não é necessário para a minha vida. Nesse primeiro momento, eu quis botar a discussão na mesa. Algumas pessoas já começaram a me assustar, ‘você vai tomar processo’, mas eu estou na vida para viver. Se o cara quiser me processar por um documentário no qual eu falei a verdade, ele processa pois tem o direito. Agora, eu tenho direito como cineasta, de dizer o que eu penso.

Esse filme será lançado somente no Rio ou em outras capitais também?

Eu estou convidado também para ir para Pernambuco em setembro, mas o filme pode acontecer independente de mim. Esse filme está saindo com o selinho de ‘copie e distribua’. Ele não será vendido. A gente vai fazer algumas cópias e distribuir dentro do sentido de multiplicação, no qual as pessoas recebem as cópias, fazem novas e as distribuem. O ideal é que cada entidade, e são mais de 20 bancando a Campanha, consiga distribuir pelo menos mil unidades. De cara você tem 20 mil cópias para serem distribuídas. E depois nós temos os estudantes, os movimentos sociais e sindicais, os professores. Vai ser uma discussão no Brasil. Temos que levar esse documentário para Brasília, para o Congresso, para a presidenta da República, para o ministro da Agricultura, para o Ibama. Todo mundo tem que ver esse filme.

E expectativa é boa então?

Sim. Eu sou um otimista. Sempre fui.

PORQUE NÃO A USINA NUCLEAR EM PERNAMBUCO.

Energia renovável chegará a 46% no Brasil até 2020.

Documento da Empresa de Pesquisa Energética calcula que serão necessários R$ 190 bilhões em investimentos para atingir essa meta para que o país continue a ter “uma das matrizes energéticas com menos emissão de carbono”.
03/10/2011
http://envolverde.com.br/noticias/energia-renovavel-chegara-a-46-no-brasil-ate-2020/?utm_source=CRM&utm_medium=cpc&utm_campaign=03

Não é novidade que o Brasil é um país rico em fontes de energia renovável, mas que estas fontes ainda são subaproveitadas. Felizmente, esse cenário pode estar mudando, de acordo com o Plano Decenal de Expansão de Energia de 2020, lançado recentemente pela Empresa de Pesquisa Enérgetica (EPE). Em pouco tempo, o país poderá deixar de ser reconhecido apenas por suas belezas naturais, e se tornar uma nova potência das energias renováveis.

Segundo o relatório da EPE, a rápida expansão da população brasileira e o consequente crescimento no consumo de bens farão com que o país tenha que aumentar sua capacidade energética. Para se ter uma ideia, entre 2010 e 2020, a população brasileira vai passar de 195 milhões para 205 milhões, enquanto o número de residências vai subir em 15 milhões chegando a 75 milhões.

Por isso, o Brasil pretende investir em energias renováveis para suprir parte do aumento da demanda energética. Em 2010, 44,8% da demanda energética do país era abastecida a partir de fontes renováveis, e em 2011 espera-se que esse índice chegue a 46,3%. Em termos de eletricidade, o número é ainda mais alto: 83% das necessidades do país são atingidas pelo uso das renováveis.

Para isso, o país pretende investir RS 190 bilhões no setor. Destes, R$ 100 bilhões serão para projetos ainda não contratados, sendo 55% para centrais hidrelétricas de grande porte e 45% para biomassa, energia eólica e pequenas centrais hidrelétricas. Desta forma, o Brasil poderá atingir seu compromisso de redução de emissões dos gases do efeito estufa (GEEs) de 36% a 39% até 2020.

Hidrelétricas

Atualmente, a hidrelétrica é a principal fonte de energia do Brasil, e a capacidade instalada do país aumentará de 85 GW para mais de 115 GW até 2020. Apesar disso, porcentagem de energia gerada a partir das grandes hidrelétricas deve cair de 75% em 2010 para 67% em 2020.

O principal projeto hidrelétrico atual, a usina de Belo Monte, que terá mais de 11 mil MW de capacidade e que deveria começar a funcionar em janeiro de 2015, ainda é alvo de controvérsias, pois a construção da usina, que será instalada no rio Xingú, na Amazônia paraense, poderá acarretar sérios danos para a população local e para os ecossistemas da região.

Por isso, as fontes que devem aumentar sua participação no fornecimento energética são a biomassa, a energia eólica e as pequenas centrais hidrelétricas, que devem ter suas capacidades aumentadas dos atuais 9 GW para 27GW em 2020, elevando a contribuição destas de 8% para 16% da matriz energética nacional.

Bioenergia

Segundo o documento, um dos pontos fortes do Brasil na corrida das renováveis é o etanol. Com o aumento da frota de veículos no país, que deve passar de 29 para 56 milhões na próxima década, a demanda pelo álcool deve subir de 27 para 73 bilhões de litros. “O etanol é mais competitivo e consumidores com carros flex preferem usar etanol”, declarou Mauricio Tolmasquim, presidente da EPE.

Isso não significa, no entanto, que o país reduzirá a produção de petróleo; pelo contrário, esta deve triplicar, chegando a 6,1 milhões de barris por dia até 2020, embora o consumo de energia pelo petróleo deva diminuir de 38,1% para 31,9% nos próximos dez anos. A questão é que, de acordo com o relatório, o país se tornará um grande exportador do item.

“Primeiro, o Brasil será um exportador de petróleo importante e segundo, o país terá uma das matrizes energéticas com menos emissão de carbono. O Brasil será um parceiro estratégico para os países do ocidente que precisarem de muito petróleo. É um país democrático com bom quadro regulatório. Acho que será muito importante em termos de estabelecer o fornecimento de petróleo”, explicou Tolmasquim.

Eólica

O Brasil tem uma capacidade potencial eólica muito grande, de 350 GW. Apesar disso, o país só conseguiu atingir a capacidade instalada de 1 GW em maio deste ano. Para 2020, Plano Decenal prevê que essa capacidade chegue a 12 GW, mas Pedro Perrelli, diretor executivo da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), acredita que o número aumentará ainda mais.

“Na verdade, estamos esperando quase o dobro disso, cerca de 22 GW. O que a indústria está pedindo ao governo, a fim de se consolidar como uma indústria autossustentável, é entre cerca de dois mil a 2,5 mil MW em contratos por ano. 12 GW [até 2020] não é suficiente para sustentar uma indústria inteira. A energia eólica no Brasil tem menos de cinco anos, na verdade. Em 2005 tivemos apenas 29 MW instalados e agora temos 1.070 MW”.

A maioria das usinas eólicas atuais e previstas está e será instalada no Nordeste, devido à forte concentração de ventos no litoral nordestino. “A eólica está transformando áreas do Nordeste que estavam importando energia do Sul. Elas começarão a produzir mais energia do que podem consumir, então terão capacidade de criar economias mais fortes e exportar energia”, afirmou Perrelli.

Solar: empreendimento futuro

Apesar do grande potencial solar do país, os especialistas acreditam que esta fonte energética deverá se desenvolver no país posteriormente às outras renováveis, principalmente por causa do preço das instalações.


“O potencial solar para o Brasil é enorme. Temos que explorar fontes eólicas, que são mais baratas em primeira instância, e pensar a respeito da solar em quatro ou cinco anos”, esclareceu Lauro Fiúza, vice-presidente da Abeeólica.

Tomasquim concorda, e crê que até 2020 essa fonte já terá ganhado importância no Brasil. “Provavelmente não usaremos todo o potencial hídrico da Amazônia porque temos que balancear o potencial com o meio ambiente. O custo da energia solar está caindo muito rápido no mundo, então provavelmente depois de 2020 ela será bem importante no Brasil”, acrescentou.

Muito a fazer

Mas para que esse potencial energético se desenvolva plenamente, o país deve contar também com mecanismos de eficiência energética, que reduziriam a perda de eletricidade que acontece atualmente e que atinge entre 15% e 17% do total de energia produzido.

Na próxima década, o Brasil deverá investir R$ 46,4 bilhões para aumentar suas linhas de transmissão, que devem sair dos 100 mil km de 2010 para 142 mil km em 2020, ligando as fontes de energia a diversas áreas do país.

“Sabemos muito bem o que aconteceu nas décadas perdidas, nos anos 1980 e 1990, quando nada foi feito e então a indústria começou a sofrer porque não havia energia suficiente disponível. Isso tem que chegar a um fim. Ainda temos espaços abertos na rede entre as linhas de transmissão que são tão grandes que você poderia colocar um país como a França dentro”, concluiu Tolmasquim.

* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.

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