segunda-feira, 26 de abril de 2010

DIA NACIONAL DA CAATINGA.

Caatinga é um termo de origem Tupi-Guarani e significa floresta branca.
(Foto MMA)


Caros Amigos,

O Dia Nacional da Caatinga - 28 DE ABRIL - será comemorado em Pernambuco com a seguinte programação:

1) No Sesc de Petrolina (PE), no dia 27.04 (terça-feira) , a partir das 08:30h, com o tema Sertão Lindo, o Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Caatinga (CNRBCAA) promoverá palestras envolvendo a apresentação de vários produtos relativos ao bioma caatinga e atividades socioculturais da região do semiárido. A programação destaca apresentação dos resultados do Projeto Conservação e Uso Sustentável da Caatinga pelo Engenheiro Florestal, Francisco Barreto Campello - IBAMA além de exposições temáticas, palestras oficinas, degustações, capacitações, amostras, visitas e shows temáticos valorizando a biodiversidade do bioma caatinga;

2) Em Olinda (PE), no auditório do Espaço Ciência, Complexo de Salgadinho, com o tema "Mudanças Climáticas e Bioma Caatinga", o Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga - CERBCAA/PE promoverá dia 28.04 (quarta-feira) a partir das 08:30h, palestras com estes temas de interesse para a flora e fauna da caatinga. O evento tem o apoio da SECTMA e da APNE e patrocínio do Banco do Nordeste;

3) Em Serra Talhada (PE), no dia 28.04 (quarta-feira) a partir das 07:30h no auditório da UAST/UFRPE, ela promoverá juntamente com o CERBCAA/PE e outros parceiros, palestras com o tema "Biodiversidade e Sustentabilidade: Uma discussão necessária".

Os evento serão abertos ao público.

Leia mais no: Blog da Caatinga

sábado, 17 de abril de 2010

ENTREVISTA


PORQUE MANTER O MANGUE DE SUAPE
Pelo Professo Ralf Schwamborn

Ralf Schwamborn é professor do Departamento de Zoologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Com doutorado na Alemanha, ele pesquisa a dinâmica dos manguezais e a teia trófica (cadeia alimentar) desses ecossistemas. O biólogo foi um dos pesquisadores convidados pela Comissão de Meio da Assembleia Legislativa para debater, nesta terça, o projeto de lei do governo de Pernambuco que propõe o desmatamento de 1.076 hectares de vegetação nativa em Suape, dos quais 893 são de mangue. Veja o que o especialista acha do aterro recorde na entrevista a seguir:

1-O senhor tem conhecimento de um desmatamento de mangue dessas proporções, no Brasil?
Ralf Schwamborn - Não conheço projeto de lei com uma destruição de manguezais nas proporções que observamos em Suape. Acho totalmente absurdo. Trata-se de um modelo de desenvolvimento econômico antiquado, do século 19: destruição permanente dos recursos renováveis com a perspectiva do lucro imediato. Não sei como alguém pode propor uma lei dessas. O caminho deveria ser o inverso: em função dos imensos danos ambientais já causados em Suape, deveria se propor, como medida compensatória, a preservação das poucas áreas remanescentes, com estruturas que favorecessem a educação ambiental.

2- Que danos o corte de uma área tão extensa acarretaria ao meio ambiente?
Ralf Schwamborn - O desmatamento proposto causaria impactos drásticos e permanentes sobre o meio físico, geológico, biótico e antrópico, em escala local e regional.
3-No meio físico?
Ralf Schwamborn -Alteração das propriedades da água do mar nas proximidades do estuário e da baia de Suape (aumento da turbidez da água do mar na zona costeira).

4-No meio geológico?
Ralf Schwamborn - Alteração da dinâmica de transporte de sedimentos costeiros (aterros/assoreamen to).

5-No meio biótico?
Ralf Schwamborn - Centenas de espécies usam o manguezal como berçário, ou seja como local de abrigo para suas formas jovens. Entre estas, estão inúmeras espécies de importância sócio-econômica (espécies de camarão, caranguejo, guaiamum, peixes, ostras) e várias espécies ameaçadas de extinção. Exemplos: pitu (Macrobrachium carcinus) e mero (Epinephelus itajara).

6-Nas funções ecológicas do mangue?
Ralf Schwamborn - Ressaltamos a produção de plâncton nos manguezais e a função do manguezal como “filtro biológico”, retendo matéria orgânica e poluentes, como metais pesados. A destruição dos manguezais em Suape acarretará na liberação destas substâncias tóxicas no mar da zona costeira, com consequências drásticas e incalculáveis para o meio ambiente, por exemplo para os recifes de corais na região.
7-No meio antrópico?
Ralf Schwamborn - Haverá um forte impacto direto sobre a população ribeirinha local que vive da exploração sustentável do mangue e da pesca. É discutível se a renda gerada coma expansão de Suape beneficiará estas pessoas. Alternativas locacionais: Será que a expansão de Suape tem que ser necessariamente nos manguezais e restingas, os ecossistemas que mais sofrem com a atividade antrópica na zona costeira? Não haveria outras áreas disponíveis, atualmente usadas para a agricultura?

RECURSOS PARA O MEIO AMBIENTE

A Secretaria de Recursos Hídricos e Energéticos do Estado de Pernambuco lança edital que disponibiliza R$ 1 milhão para financiamento de projetos voltados ao Meio Ambiente.


Foi lançado pela Secretaria de Recursos Hídricos e Energéticos (SRHE/PE) o edital de seleção dos projetos que serão financiados pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), em 2010. Através do edital, serão disponibilizados R$ 1 milhão para projetos que visem a recuperação e revitalização da mata ciliar em nascentes ao longo de rios e outros cursos d'água em Áreas de Preservação Permanente (APPs).

Podem inscrever projetos prefeituras e organizações civis sem fins lucrativos. Os interessados em participar do processo de seleção devem entregar os projetos até o dia 17.05, na sala da Gerência de Revitalização de Bacias Hidrográficas na SRHE. Os projetos podem ter valor de R$ 15 mil até 200 mil, com duração máxima de 36 meses. A divulgação dos classificados será no dia 05.06.

A gerente de Revitalização de Bacias Hidrográficas, Terezinha Uchoa, explica que o financiamento dos projetos era uma demanda de algumas prefeituras e ONGs que pôde ser viabilizada agora com os recursos do Fehidro. "Nosso objetivo é melhorar as condições das nascentes, proteger o solo contra a erosão e o assoreamento dos cursos d'água, além da conscientização das pessoas, através da educação ambiental, componente que fará parte de todos os projetos", explicou.

O edital está disponível no link Edital Fehidro nº 001/2010.

Entrega dos projetos:

Secretaria de Recursos Hídricos e Energéticos
Gerência de Revitalização de Bacias Hidrográficas
Endereço: Avenida Cruz Cabugá, nº 1.111 -Santo Amaro, Recife/PE (2º andar)
Horário: 9:00 às 12:00 / 14:00 às 17:00 horas, de 2ª a 6ª feira.




















SRHE lança edital que disponibiliza R$ 1 milhão para financiamento de projetos



Foi lançado pela Secretaria de Recursos Hídricos e Energéticos (SRHE/PE) o edital de seleção dos projetos que serão financiados pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), em 2010. Através do edital, serão disponibilizados R$ 1 milhão para projetos que visem a recuperação e revitalização da mata ciliar em nascentes ao longo de rios e outros cursos d'água em Áreas de Preservação Permanente (APPs).

Podem inscrever projetos prefeituras e organizações civis sem fins lucrativos. Os interessados em participar do processo de seleção devem entregar os projetos até o dia 17.05, na sala da Gerência de Revitalização de Bacias Hidrográficas na SRHE. Os projetos podem ter valor de R$ 15 mil até 200 mil, com duração máxima de 36 meses. A divulgação dos classificados será no dia 05.06.

A gerente de Revitalização de Bacias Hidrográficas, Terezinha Uchoa, explica que o financiamento dos projetos era uma demanda de algumas prefeituras e ONGs que pôde ser viabilizada agora com os recursos do Fehidro. "Nosso objetivo é melhorar as condições das nascentes, proteger o solo contra a erosão e o assoreamento dos cursos d'água, além da conscientização das pessoas, através da educação ambiental, componente que fará parte de todos os projetos", explicou.

O edital está disponível no link Edital Fehidro nº 001/2010.

Entrega dos projetos:

Secretaria de Recursos Hídricos e Energéticos
Gerência de Revitalização de Bacias Hidrográficas
Endereço: Avenida Cruz Cabugá, nº 1.111 -Santo Amaro, Recife/PE (2º andar)
Horário: 9:00 às 12:00 / 14:00 às 17:00 horas, de 2ª a 6ª feira.













































ÁGUA E SEMIÁRIDO


De grande importância o artigo abaixo, do Dr. João Suassuna, Diretor do Instituto Nacional do Semiárido (INSA).

Água não é a única solução para o semiárido diz diretor do Instituto Nacional do Semiárido(Insa)

Para desenvolver o semiárido, é preciso enterrar a idéia de que a região só avançará se dispuser de água abundante, diz diretor do Instituto Nacional do Semiárido (Insa)

15/04/2010

http://www.ecodebate.com.br/2010/04/15/agua-nao-e-a-unica-solucao-para-o-semiarido-diz-diretor-do-instituto-nacional-do-semiaridoinsa/

/2010/04/15/agua-nao-e-a-unica-solucao-para-o-semiarido-diz-diretor-do-instituto-nacional-do-semiaridoinsa/

Semi-árido


A cisterna de placas é uma construção de baixo custo e técnica simples, feita de placas de cimento pré-moldadas, construídas na própria comunidade, com formato cilíndrico, coberta e semienterrada. Seu funcionamento prevê a captação de água da chuva, aproveitando o telhado da casa, escoando através de calhas (bicas) até o reservatório. Cada cisterna tem capacidade de armazenar 16 mil litros de água, quantidade suficiente para uma família de 5 pessoas beber, cozinhar e escovar os dentes, por um período de 6 a 8 meses – época da estiagem na região. Foto: Roberta Guimarães/Articulação no Semi-Árido Brasileiro – ASA Brasil

O desenvolvimento do semiárido brasileiro, região com quase 1 milhão de quilômetros quadrados na qual vivem cerca de 23 milhões de pessoas de nove estados brasileiros (metade delas na área rural), dependerá sobretudo de uma quebra de paradigma. Será preciso enterrar a idéia de que a região só avançará econômica e socialmente se dispuser de água em abundância.

“Tão prejudicial como negar a miséria do semiárido é a idealização da irrigação em toda a região”, afirmou o diretor do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), Roberto Germano Costa, durante a conferência de abertura da Reunião Regional da SBPC em Mossoró (RN), proferida na noite desta terça-feira, dia 13.

Na conferência, Germano Costa mostrou que apenas 2% das terras do semiárido são passíveis de receber sistemas de irrigação. Para agravar, os longos períodos de seca e a variabilidade das chuvas tendem a se intensificar com as mudanças climáticas. “Na região, 60% das chuvas ocorrem em apenas um mês, sendo que 30% em um só dia. Trata-se de uma dinâmica climática que ninguém conseguirá mudar”, frisou ele. Por isso, na sua avaliação, é necessário acabar com a visão de que a água é a única solução para os problemas do semiárido, e passar a apostar nas potencialidades da região.

Apostar em culturas xerófilas, adaptadas à escassez de água, pode ser um dos caminhos, uma vez que a agricultura na região é uma atividade de alto risco. “Historicamente, a cada dez anos se tem apenas dois anos de chuvas regulares”, disse o diretor do Insa. Além disso, as áreas de sequeiro utilizadas hoje correspondem a apenas 4,8% do território. A pecuária, por sua vez, apesar de ser de baixo risco, precisa avançar mais em manejo, nutrição, reprodução e melhoramento, sendo que o principal gargalo são as forragens.

O semiárido ainda tem o desafio de resolver a questão das pequenas propriedades. Com 2,5 milhões de estabelecimentos rurais, cerca de 1,9 milhões deles possuem menos que 20 hectares, área insuficiente para garantir a sustentabilidade de uma família. “O desafio é conviver com as peculiaridades da região, transformando a semiaridez em uma vantagem”, ressaltou Germano Costa.

Exemplos de potencialidades não faltam. É o caso da palma, que no México está sendo utilizada mais para alimentação humana do que animal. Do licuri, do qual é possível fazer azeite e até barra de cereais. Ou da faveleira, usada na produção de óleo. “A questão toda é agregar valor com inovação tecnológica”, resume, citando o exemplo do mel, cuja expansão da cadeia produtiva praticamente está na dependência da quebra de barreiras fitossanitárias.

Para transpor esse desafio, diz Germano Costa, será necessário haver uma educação de ensino superior contextualizada, focada nas reais potencialidades da região e na inovação, de forma que se possa gerar produtos e serviços com vantagens competitivas.

Ele lembra que a economia do século XXI é pautada pela baixa emissão de carbono, por uma regulação ambiental mais severa, responsabilidade socioambiental, exploração de energia renovável e eficiência energética, e de novos materiais e processo produtivos. Nesse contexto, a exploração de culturas xerófilas, a agroecocologia e a agropecuária devem estar também na pauta dos estudos das universidades e instituições de pesquisa. Assim como estudos que visem frear a desertificação do solo na região.

O diretor do Insa destaca, porém, que os problemas do semiárido não se limitam à exploração sustentável dos recursos naturais. “É necessário romper com a política de combate a seca, de clientelismo e manipulação da miséria, entre outros inúmeros problemas de ordem social, econômica e política”, ressaltou.

“Trata-se de uma questão estratégica e de interesse nacional”, acrescentou ele, lembrando que, em todo o mundo, há uma tendência de as regiões áridas ou semiáridas aumentarem de tamanho, enquanto que a porção agricultável tende a ser insuficiente para atender a demanda de alimentos causada pelo crescimento da população. “Não é difícil imaginar as conseqüências sociais e econômicas caso o semiárido brasileiro, considerada a região semiárida mais populosa do mundo, não consiga ter uma economia sustentável de fato”, ressaltou Germano Gosta.

Informe da SBPC, publicado pelo EcoDebate, 15/04/2010

Sobre o mesmo tema leiam, também:

por João Suassuna — Última modificação 15/04/2010 11:19

A cisterna de placas é uma construção de baixo custo e técnica simples, feita de placas de cimento pré-moldadas, construídas na própria comunidade, com formato cilíndrico, coberta e semienterrada. Seu funcionamento prevê a captação de água da chuva, aproveitando o telhado da casa, escoando através de calhas (bicas) até o reservatório. Cada cisterna tem capacidade de armazenar 16 mil litros de água, quantidade suficiente para uma família de 5 pessoas beber, cozinhar e escovar os dentes, por um período de 6 a 8 meses – época da estiagem na região. Foto: Roberta Guimarães/Articulação no Semi-Árido Brasileiro – ASA Brasil

O desenvolvimento do semiárido brasileiro, região com quase 1 milhão de quilômetros quadrados na qual vivem cerca de 23 milhões de pessoas de nove estados brasileiros (metade delas na área rural), dependerá sobretudo de uma quebra de paradigma. Será preciso enterrar a idéia de que a região só avançará econômica e socialmente se dispuser de água em abundância.

“Tão prejudicial como negar a miséria do semiárido é a idealização da irrigação em toda a região”, afirmou o diretor do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), Roberto Germano Costa, durante a conferência de abertura da Reunião Regional da SBPC em Mossoró (RN), proferida na noite desta terça-feira, dia 13.

Na conferência, Germano Costa mostrou que apenas 2% das terras do semiárido são passíveis de receber sistemas de irrigação. Para agravar, os longos períodos de seca e a variabilidade das chuvas tendem a se intensificar com as mudanças climáticas. “Na região, 60% das chuvas ocorrem em apenas um mês, sendo que 30% em um só dia. Trata-se de uma dinâmica climática que ninguém conseguirá mudar”, frisou ele. Por isso, na sua avaliação, é necessário acabar com a visão de que a água é a única solução para os problemas do semiárido, e passar a apostar nas potencialidades da região.

Apostar em culturas xerófilas, adaptadas à escassez de água, pode ser um dos caminhos, uma vez que a agricultura na região é uma atividade de alto risco. “Historicamente, a cada dez anos se tem apenas dois anos de chuvas regulares”, disse o diretor do Insa. Além disso, as áreas de sequeiro utilizadas hoje correspondem a apenas 4,8% do território. A pecuária, por sua vez, apesar de ser de baixo risco, precisa avançar mais em manejo, nutrição, reprodução e melhoramento, sendo que o principal gargalo são as forragens.

O semiárido ainda tem o desafio de resolver a questão das pequenas propriedades. Com 2,5 milhões de estabelecimentos rurais, cerca de 1,9 milhões deles possuem menos que 20 hectares, área insuficiente para garantir a sustentabilidade de uma família. “O desafio é conviver com as peculiaridades da região, transformando a semiaridez em uma vantagem”, ressaltou Germano Costa.

Exemplos de potencialidades não faltam. É o caso da palma, que no México está sendo utilizada mais para alimentação humana do que animal. Do licuri, do qual é possível fazer azeite e até barra de cereais. Ou da faveleira, usada na produção de óleo. “A questão toda é agregar valor com inovação tecnológica”, resume, citando o exemplo do mel, cuja expansão da cadeia produtiva praticamente está na dependência da quebra de barreiras fitossanitárias.

Para transpor esse desafio, diz Germano Costa, será necessário haver uma educação de ensino superior contextualizada, focada nas reais potencialidades da região e na inovação, de forma que se possa gerar produtos e serviços com vantagens competitivas.

Ele lembra que a economia do século XXI é pautada pela baixa emissão de carbono, por uma regulação ambiental mais severa, responsabilidade socioambiental, exploração de energia renovável e eficiência energética, e de novos materiais e processo produtivos. Nesse contexto, a exploração de culturas xerófilas, a agroecocologia e a agropecuária devem estar também na pauta dos estudos das universidades e instituições de pesquisa. Assim como estudos que visem frear a desertificação do solo na região.

O diretor do Insa destaca, porém, que os problemas do semiárido não se limitam à exploração sustentável dos recursos naturais. “É necessário romper com a política de combate a seca, de clientelismo e manipulação da miséria, entre outros inúmeros problemas de ordem social, econômica e política”, ressaltou.

“Trata-se de uma questão estratégica e de interesse nacional”, acrescentou ele, lembrando que, em todo o mundo, há uma tendência de as regiões áridas ou semiáridas aumentarem de tamanho, enquanto que a porção agricultável tende a ser insuficiente para atender a demanda de alimentos causada pelo crescimento da população. “Não é difícil imaginar as conseqüências sociais e econômicas caso o semiárido brasileiro, considerada a região semiárida mais populosa do mundo, não consiga ter uma economia sustentável de fato”, ressaltou Germano Gosta.

Informe da SBPC, publicado pelo EcoDebate, 15/04/2010

Sobre o mesmo tema leiam, também:

por João Suassuna — Última modificação 15/04/2010 11:19

terça-feira, 6 de abril de 2010

EMA EM AÇÃO.

Nos dias 03 a 05 do corrente mês a EMA, através de seu Presidente, Dr. Alipio Carvalho Filho, participou do I ENED (I ENCONTRO NACIONAL DE ENFRENTAMENTO DA DESERTIFICAÇÃO), evento realizado nos dias 03 a 05 de março corrente, na cidade de Petrolina-PE.

O Encontro, aberto pelo Ministro Carlos Minc do Meio Ambiente e teve como objetivo “o fortalecimento político-institucional da agenda de combate à desertificação e da implementação do Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAN-Brasil) e dos Programas de Ação Estaduais de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAE) e a mobilização para a pactuação de compromissos entre os atores relevantes (tomadores de decisão), de forma a elevar o patamar de prioridade dessa Agenda, em todas as esferas da sociedade brasileira”.

No primeiro dia foram apresentados os Compromissos Assumidos pelo Governo Federal e pelos Estados em relação às Propostas Relevantes da Reunião de Campina Grande, e exposição sobre o II ICID (II Conferência Internacional: Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas). No segundo dia do Evento, conheceu-se a Experiência de Municipalização do Combate à Desertificação levada a efeito no Município de Irauçuba no Estado do Ceará com a participação da comunidade, destacando-se os efeitos alcançados, especialmente no que tange à auto-estima dos munícipes.

Seguiram-se exposições pela Comunidade Científica, pelos Setores Produtivos e pela Sociedade Civil.

Esperamos que as teorias desenvolvidas convertam-se em práticas que favoreçam o Semiárido Nordestino e sua População sofrida, mas lutadora.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

PROJETO EMA

No dia 12 de fevereiro último, a EMA apresentou junto ao Fundo Estadual de Meio Ambiente – FEMA da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente – SECTMA do Estado de Pernambuco, um Projeto denominado PAJEÚ. MATA CILIAR. DEVASTAÇÃO. ASSOREAMENTO, com os seguintes objetivos:

“1. Criar uma Infra-estrutura Básica para execução do projeto.
2. Realizar um Censo Demográfico da população ribeirinha.
3. Diagnosticar a Flora componente da mata ciliar do rio Pajeú.
4. Diagnosticar a Fauna existente na mata ciliar do rio Pajeú.
5. Diagnosticar a qualidade da água e o assoreamento do leito do rio.
6. Avaliar resultados, formular propostas e sugestões e encaminhá-las aos Pderes Públicos.”
O Projeto foi idealizado dentro da seguinte contextualização:

“O Município de Floresta está localizado no Sertão de Pernambuco, região de caatinga, sendo cortado pelo Rio Pajeú, afluente do Rio São Francisco. Tem uma população estimada de 30.000 de habitantes.
Suas principais atividades econômicas envolvem a agricultura - plantio de cebola, tomate, melancia, melão e outras culturas-, e a pecuária extensiva e semi-extensiva, com destaque para a criação de caprinos e ovinos.
Ao longo dos anos, com a exploração do solo sem os necessários critérios técnicos, nas margens do Rio Pajeú onde se concentram as atividades agropastoris, observa-se uma crescente devastação da mata ciliar e um consequênte assoreamento do leito do Rio.
Causa estranheza o fato de a cidade de Floresta, sede municipal, continuar sendo inundada pelo Rio Pajeú mesmo após a construção de três barragens a montante: Brotas, no município de Afogados da Ingazeira, e Jazigo e Serrinha, no de Serra Talhada. As inundações (a última ocorreu no início do ano de 2.004) causam prejuízos incalculáveis às populações urbana e rural tanto de ordem econômica quanto de ordem social.
Com o assoreamento do leito do Pajeú desapareceu a maior parte dos poços antes deixados pelas enchentes, poços estes que representavam uma fonte alternativa de renda para a população ribeirinha através da pesca.
É de bom alvitre desenvolver um processo de educação ambiental da população, especialmente dos proprietários ribeirinhos, com vistas a alertar sobre a atual degradação ambiental, orientá-la sobre a utilização regular do solo, respeitando o meio ambiente, e leva-la a uma reflexão quanto aos efeitos danosos da devastação da mata protetora das margens do Rio.
O presente Projeto propõe-se também a produzir subsídios para adoção de políticas públicas com o objetivo de evitar o agravamento da situação atual, e, bem assim, com vistas à recuperação dos danos já causados ao meio ambiente.”

Na elaboração do Projeto, a EMA contou com o envolvimento das seguintes Instituições Públicas: UAST/UFRPE extensão da Universidade Federal de Pernambuco em Serra Talhada; o INSTITUTO AGRONÔMICO DE PERNAMBUCO – IPA,; e IF - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, Campus de Floresta-PE.
A Unidade Acadêmica de Serra Talhada - UFRPE faz três anos que está no Sertão do Pajeú, sendo fundamental na participação de vários projetos. A UAST atualmente conta com mais de cem professores pesquisadores, sendo na sua maioria doutores que vem desenvolvendo varias atividades de pesquisa e extensão com entidades governamentais e não-governamentais. Com a presença da UAST no sertão do estado ficou mais fácil desenvolver projetos sem ocorrer deslocamento de professores e pesquisadores da UFRPE, localizada em Dois Irmãos, em Recife-PE.
A participação do Instituto Agronômico de Pernambuco – IPA justifica-se pela conveniência de participação da pesquisadora e curadora do Herbário do IPA, a Dra Rita de Cássia. O Herbário apresenta mais de 83 mil exemplares da flora do bioma Caatinga, sendo este referencia no Estado de Pernambuco. Vale ainda salientar que durante a execução do Projeto poderá vir a serem encontrados novos espécimes da caatinga sertaneja do Pajeú, que viria a enriquecer o Herbário do IPA.

Caso venha a ser aprovado, a execução do Projeto, através dos resultados obtidos, proporcionará à população rural e urbana do Município de Floresta-PE uma consciência ecoambiental voltada para um processo de sustentabilidade no ambiente em que esta inserida.

Contará com a participação de escolas e universidades através de atividades desenvolvidas por estudantes do ensino médio e superior e de lideranças locais.
Os resultados e propostas obtidos com a realização do Projeto serão divulgados pela mídia local e regional, em reuniões, palestras, oficinas e seminários, e pela remessa dos relatórios e propostas às instituições de Ensino públicas e privadas, Prefeituras Municipais circunvizinhas, Secretarias e Ministérios afins, divulgação em congresso e publicação de artigos científicos.
Após a execução do Projeto, será desenvolvido um trabalho contínuo de conscientização ambiental junto á comunidade, Instituições de Ensino, Prefeituras e Câmaras Municipais da Região.
Isto é EMA EM AÇÃO.

EMA EM AÇÃO

Para todos que batalham pela ecologia e pela educação sócio ambiental é de grande interesse o artigo produzido pelo Dr. Elcio Alves de Barros, Engenheiro Agrônomo e pesquisador do Instituto Agronômico Pernambucano - IPA, e atual Coordenador do Comitê da Reserva da Biosfera da Caatinga de Pernambuco – CERBCAA-PE, ora anexado.


RESERVA DA BIOSFERA E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO NA CAATINGA
Elcio Alves de Barros*

A "Conferência sobre a Biosfera" organizada pela UNESCO em 1968, foi a primeira reunião intergovernamental a tentar reconciliar a conservação e o uso dos recursos naturais, fundando o conceito presente de desenvolvimento sustentável.

Em 1970, a UNESCO lançou, o "Programa Homem e Biosfera", com o objectivo de organizar uma rede de áreas protegidas, designadas Reservas da Biosfera, que representam os diferentes ecossistemas do nosso planeta e cujos países proponentes se responsabilizam em manter e desenvolver.

Existem mais de 400 Reservas da Biosfera em todo planeta. Cada Reserva da Biosfera é uma coleção representativa dos ecossistemas característicos da região em que se estabelece.
As reservas da biosfera possuem três funções básicas:
das paisagens, ecossistemas e espécies;
desenvolvimento econômico e humano que seja cultural, social e ecologicamente sustentável;
logística, que dê suporte para pesquisas, monitoramento e educação.
A estrutura das reservas da biosfera pressupõe a existência de três áreas geograficamente delimitadas:
Uma Zona Núcleo - constituída por áreas representativas do ecossistema em que está inserida e reconhecida e protegida legalmente, as Unidades de Conservação.
Uma Zona de Amortecimento – área contígua a Zona Núcleo onde são permitidas apenas atividades compatíveis com os objetivos da Unidade de Conservação que é a Zona Núcleo.
Uma Zona de Transição – onde apenas atividades que promovam o desenvolvimento sustentável são incentivadas.

A Caatinga é o único bioma exclusivo do Brasil e compreende uma área de aproximadamente 11% do território nacional (IBGE, 1993). Ocupa, principalmente, a região Nordeste do Brasil, além da porção norte do Estado de Minas Gerais. Pode ser caracterizada pela vegetação do tipo savana estépica, pela longa estação seca e pela irregularidade pluviométrica com precipitação anual média variando, aproximadamente, entre 400 e 600 mm que contribuem para que os rios da região, em sua maioria, sejam intermitentes e sazonais.
Mesmo sendo uma região semi-árida, a Caatinga é extremamente heterogênea, sendo reconhecidas 12 tipologias que despertam atenção especial pelos exemplos fascinantes e variados de adaptação aos habitats semi-áridos.
Essa posição única entre os biomas brasileiros não foi suficiente para garantir à Caatinga o destaque merecido. Ao contrário, o Bioma tem sido sempre colocado em segundo plano quando se discute políticas para o estudo e a conservação da biodiversidade do país, como pode ser observado pelo número reduzido de unidades de conservação Além disso, é também um dos biomas mais ameaçados e alterados pela ação antrópica, principalmente o desmatamento, apresentando extensas áreas degradadas e solos sob intenso processo de desertificação.
Apesar de várias espécies terem sido descritas na região, a Caatinga é ainda pouco conhecida do ponto de vista científico, a maioria das nossas universidades e institutos de pesquisas concentram suas ações e seus estudos na zona da mata e no litoral. A expectativa é que nos próximos anos esta situação mude com a interiorização das universidades federais que em Pernambuco já chegaram a Petrolina, Serra Talhada, Caruaru e Garanhuns todas cidades localizadas na Caatinga. Também, espera-se que a universidade publica estadual - UPE crie novos campi no interior.
Promover a conservação da biodiversidade da Caatinga não é uma ação simples. Grandes obstáculos precisam ser superados. O primeiro deles é a pouca importância nos planos de desenvolvimento dos governos dada à questão ambiental.
Nestes planos a qualidade de vida da população interiorana não está vinculada a questão ambiental. Os órgãos governamentais não dispõem de um sistema que fiscalize e controle o desmatamento satisfatoriamente. Tampouco desenvolvem ações de educação ambiental voltada para a população rural e os jovens em idade escolar. Os livros didáticos utilizados nas escolas de primeiro e segundo grau pedem que os estudantes façam pesquisas sobre a mata atlântica. Sobre a Caatinga nenhuma palavra. Este conjunto de fatores contribui cada vez mais com a destruição de recursos biológicos
Menos de 4% da área da Caatinga está protegida em unidades de conservação. Se considerarmos apenas as UCs de proteção integral o percentual é menor que 1%. As terras indígenas, que são também importantes para manter a biodiversidade, ocupam, também, menos de 1% da área da região. As unidades de conservação além de cobrirem apenas uma pequena extensão da região da Caatinga, não representam bem a biodiversidade endêmica e ameaçada de extinção do bioma. A combinação de falta de proteção e de perda contínua de recursos biológicos contribui para a extinção de espécies exclusivas da Caatinga.
Se não tivermos Unidade de Conservação na Caatinga, não teremos Reserva da Biosfera da Caatinga como pressupõe o modelo apresentado no inicio.
Acredito que no momento atual marcado por um processo de mudança climática produzida pelas atividades humanas não existem argumentos que racionalmente se oponham a criação de novas unidades de conservação. Apenas argumentos econômicos se opôem a esta idéia e apenas critérios econômicos estão superados não preenchem os requisitos para o desenvolvimento sustentável.
Por isto, o objetivo principal do CERBCAA/PE é lutar para aumentar a área de Caatinga protegida em nosso Estado. Sabemos que só criar Ucs não é suficiente para alcançarmos o desenvolvimento sustentável. Outros instrumentos são necessários nessa caminhada em busca do equilíbrio ecológico e da qualidade de vida da população caatingueira. È apenas o primeiro passo de uma longa caminhada que precisa ser iniciada.

Aventura Selvagem em Cabaceiras - Paraíba

Rodrigo Castro, fundador da Associação Caatinga, da Asa Branca e da Aliança da Caatinga

Bioma Caatinga

Vale do Catimbau - Pernambuco

Tom da Caatinga

A Caatinga Nordestina

Rio São Francisco - Momento Brasil

O mundo da Caatinga